A CAVALARIA NÃO MORRE
A memória de Josias é como uma composição de aromas, feita por um perito perfumista.
Em toda a boca será doce a sua lembrança como o mel, e como um concerto de música em banquete e vinhos.
[Ele veio] para transtornar, arrancar e destruir, e depois reedificar e renovar. ( Eclo., XLIX, 1 e 9).
GRANDEZA
O escarpado rochedo Vedrá (Baleares), esplendidamente isolado no Oceano, é um símbolo expressivo da Grandeza sacrificada e por vezes incompreendida
Grandeza!
T
odo homem é grande (1), desde que seja fiel [à graça].O infortúnio é o pedestal da grandeza.
Não há coisa que
se pague com preço mais
caro do que a grandeza.
Ela não seria grandeza,
se fosse possível possuí-la
sem ser um crucificado.
Grande não é o que tem proporções avantajadas, mas o que produz grandes efeitos.
Os grandes homens não são aqueles que só se interessam pelas grandes coisas. São aqueles que sabem ver grandes horizontes também nas pequenas.
Carlos Magno, símbolo imortal da Grandeza
Nossa Senhora é a mãe indizivelmente grande, a rainha inexprimivelmente doce e acessível, o arco-íris que reúne em uma síntese incomparável os dois aspectos da grandeza — a superioridade e a dadivosidade.
O novo cavaleiro deve poder dizer de si:
"Eu sou o homem
da Grandeza em toda linha".
"Eu represento a grandeza perseguida, crucificada,
odiada enquanto grandeza e por ser grandeza. Mas
afirmando sempre a força da lei".
"Eu fui o apedrejado
e o crucificado da grandeza".
Não é uma grandeza de pavão, mas é uma grandeza que está continuamente em luta, porque, onde eu entro, é indiscutível que entro com meu desafio.
Os verdadeiros pequenos
encontram em mim um pai,
um protetor, um explicador
do caminho (2).
De um testamento
E
m nome da Santíssima e Indivisa Trindade, Padre, Filho e Espírito Santo, e da Bem-Aventurada Virgem Maria, Minha Mãe e Senhora, declaro que vivi e espero morrer na santa Fé católica, apostólica, romana, à qual adiro com todas as veras de minha alma.Não encontro palavras suficientes para agradecer a Nossa Senhora o favor de haver vivido desde os primeiros dias e de morrer como espero na Santa Igreja, à qual votei, voto e espero votar até o meu último alento todo o meu amor. De tal sorte que todas as pessoas, instituições e doutrinas que amei durante a minha vida, e atualmente amo, só as amei ou amo porque eram ou são segundo a Santa Igreja, e na medida em que eram ou são segundo a Santa Igreja. Igualmente, jamais combati instituições, pessoas ou doutrinas senão porque e na medida em que eram opostas à Santa Igreja Católica
(3).Grande na Fé, grande na morte
C
atólico apostólico romano, eu o fui durante toda a minha vida.Sou-o, hoje, com maior convicção, energia e entusiasmo do que nunca.
E espero, pela graça de Deus e pela intercessão de Nossa Senhora, que o serei mais e mais até o último alento.
Que as portas do Vaticano me tenham sido batidas, ou venham a ser-me batidas no rosto.
Eu em nada alteraria minha atitude de fé, entusiasmo e obediência. E, além disto, me sentiria em perfeita felicidade (4)
.Que eu possa dizer na hora da
morte: realmente, eu fui um varão
católico e todo apostólico romano.
Romano e romano (5).
NOTAS AO NONO CAPITULO
1. Sendo a Revolução essencialmente igualitária, quem se entrega a seu combate não pode deixar de ter uma admiração especial pela Grandeza. Santo Tomás de Aquino, em sua Summa Theologica, analisa duas virtudes ligadas à Grandeza: a magnanimidade e a magnificência (2-2, 129 a 134).
2. Exemplo vivo da Grandeza a respeito da qual tão bem sabia discorrer, no ano de sua morte pôde afirmar:
"Estou com 86 anos. Eu quero ser como sou. Eu sou aquele que aparece aos olhos do adversário como pessoa que não tem a menor crise de identidade. Estou entregue a uma causa distinta de mim, que é a Contra-Revolução. Eu não sou senão isso. Sendo assim, quem me ama ama a Contra-Revolução, quem me odeia odeia a Contra-Revolução".
- Em outra ocasião, assim resumiu sua visão do mundo, a qual exprime muito bem sua inquestionável Grandeza:
"É uma visão harmônica e arquitetônica, monárquica e aristocrática, de toda a ordem do Universo, tanto no campo espiritual quanto no terreno temporal, mas acentuando especialmente os pontos que a Revolução* mais negou".
3. Do testamento de Plinio Corrêa de Oliveira.
4. Até aqui, extraído de artigo na "Folha de S. Paulo", domingo, 12 de julho de 1970. Haveria, no último trecho, uma leve mas tocante alusão ao famoso conceito de "perfeita alegria", de São Francisco de Assis, contida nos "Fioretti"?
5. Falecido em 3 de outubro de 1995, Plinio Corrêa de Oliveira, alguns anos antes, em uma conferência, imaginou a situação de alguém que, ao morrer, dizia: "Eu morro sem entender, mas não morro sem adorar". Eis a grandeza de sua entrega a Deus.