É bonito considerar o espírito humano no momento em que ele ousa, empreende e parte. É esta a beleza do cavaleiro quando dá um grande salto.

O ginete muito ousado confere ousadia ao cavalo. Ambos formam, por assim dizer, uma só ousadia, uma só força, e participam de um só vôo. Por cima do vôo do cavalo há o vôo da alma do cavaleiro.

Vejam o cachecol do ginete. Ele fica para trás, como quem diz: "Todo o risco que eu correi está drapejando ao vento! Estou no ápice do risco, portanto no ápice da glória!"

Há algo de místico nesse élan de entusiasmo.

Plinio Corrêa de Oliveira

 


Índice

Ao Leitor

CAPÍTULO I

Sonhar realidades

CAPÍTULO II

Um pesadelo muito real

CAPÍTULO III

A reação - Uma cavalaria sem cavalos

CAPÍTULO IV

Da inocência nasce o cavaleiro

CAPÍTULO V

Pequena galeria de tipos guerreiros

CAPÍTULO VI

O cavaleiro do Terceiro Milênio

CAPÍTULO VII

As coragens do novo cavaleiro

CAPÍTULO VIII

A nova esgrima em dez avisos

CAPÍTULO IX

Grandeza

Epílogo

Alegoria

Recado

A Cavalaria não morre

Glossário

Revolução e Contra-Revolução ( resumo )

Expediente ( da edição impressa )


Carlos Magno - Gravura da estátua existente nos jardins da Catedral de Notre Dame de Paris

 

 

Ao Leitor

DO SONHO AO pesadelo, do pesadelo ao chamado do dever, desse chamado à coragem, da coragem à grandeza, os pensamentos contidos nesta obra são percorridos de ponta a ponta pelos acordes épicos de um clarim de batalha.

Um toque de clarim que evoca a Cavalaria é belo por sua natureza. Pois pode-se muito bem dizer que beleza e heroísmo são o verso e o reverso da mesma medalha.

O heroísmo não é somente, nem principalmente, uma forma de beleza. Ele é antes de tudo o cumprimento do dever em condições árduas. Entretanto, a beleza leva ao heroísmo. E o ambiente natural do heroísmo é a beleza, ainda que ele se exerça em ambientes sórdidos como o é, por exemplo, o fundo de uma trincheira.

MAS O SONHO e a luta são termos contraditórios dirá alguém. Pois é difícil sustentar que um sonhador possa ser um realizador, quanto mais bom lutador.

O português é um idioma repleto de matizes. Da mesma forma como é possível ter sentimento sem ser sentimental, é possível sonhar sem ser um sonhador. Pois esta última palavra carrega conotações pejorativas, e até censuráveis.

O povo lusitano, por exemplo, sonhou com inúmeras conquistas. E realizou várias delas. Nossa Pátria-Mãe, marcada por um sólido bom senso, constitui uma nação de sonhadores? Muito pelo contrário. Poucos povos tem o senso do pão-pão, queijo-queijo, como o possui o lusitano.

É que existe sonhar e sonhar. Na concepção pliniana, sonhar não é fugir da realidade, mas pelo contrário, encontrá-la. Nada mais desprezível que sonhar quimeras. Nada mais respeitável – e necessário – que "sonhar realidades". Pois nessa concepção sonhar é desejar, e os desejos são o que move o acontecer humano.

Dizia de maneira lapidar Plinio Corrêa de Oliveira: "Quem não sabe passar das estrelas aos vermes não é digno nem das estrelas nem dos vermes".

Foi pensando nas estrelas, mas sabendo passar aos vermes ou seja, aos últimos detalhes de execução que ele fundou e levou a grande desenvolvimento a TFP brasileira (Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade). Com ele, pela primeira vez o Brasil exportou ideologia. Por ocasião de sua morte, a entidade tinha similares co-irmãs e autônomas em 28 países, nos cinco continentes. Um sonho. Uma realidade.

O HEROÍSMO SUPÕE a existência do herói. E o herói é, por vezes, o fruto de concepções distorcidas. Nossa cultura está juncada de falsos tipos de heróis: o herói grego, meio homem e meio deus, em luta contra o destino; Dom Quixote, o "herói " entre aspas, ridículo, fora da realidade; o herói romântico, em busca da façanha pela façanha, exclusivamente para brilhar e para a satisfação de seu ego. Para não falar dos super-homens dos filmes e revistas, frenéticos filhos da excitação e da loucura.

Para a massa pós-moderna, herói é uma pessoa que deseja se singularizar; pretende sobressair, em vez de ser como todo mundo. Porque todo mundo deve ser como todo mundo.

Mas o herói católico, que é aquele de que trata este livro, não se identifica com nenhuma dessas formas defectivas de heroísmo. Ele não se preocupa que o classifiquem como herói, ou não. O que ele quer é cumprir uma missão, racionalmente definida. Ele luta por algo que está acima de si, e que vale mais que sua própria vida. E portanto, também mais do que aquilo que hoje se chama "sua realização pessoal", sua idolatrada "qualidade de vida".

O verdadeiro herói é um despretensioso. O heroísmo católico supõe a existência de um ideal que seja verdadeiro, e diante do qual a pessoa se sinta pequena.

O heroísmo, na escola pliniana, brota da nobreza de alma, e não da vaidade, da teimosia, do amor próprio, da raiva pessoal. Não existe verdadeiro heroísmo sem bons motivos.

Nesse contexto, a beleza também tem o seu papel, e o verdadeiro cavaleiro não a despreza, antes a busca incansavelmente.

O LEITOR TEM em suas mãos um livro de excertos, não um tratado. Celebro o fato de ter o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira publicado renomados tratados, que constituem uma espécie de cordilheira, até hoje absolutamente inexpugnável às investidas de todos os adversários. Mas a presente obra não tem outra pretensão que a de ser uma espécie de rapsódia, ou seja, algo como um conjunto de fragmentos de cantos épicos. Porque Plinio Corrêa de Oliveira, além de pensador e de homem de ação, foi também um bardo.

O público conhece menos bem este aspecto de sua personalidade multifacetada. Convém altamente divulgá-lo, para proveito geral.

A contingência da luta, inerente à natureza humana e tão cogente nos dias em que vivemos, deve ser assumida com entusiasmo, e não apenas com resignação.

Na alma de quem assim pensa, a Cavalaria não morre. Sem cavalos, sem armas, ela continua a ser a maior aventura do mundo.

E também a maior ventura.

 


EXPEDIENTE DA EDIÇÃO IMPRESSA


 

A CAVALARIA NÃO MORRE

 

Revisão:

Francisco Leôncio Cerqueira

Helio Dias Vianna

Edições Brasil de Amanhã

 

Rua Javaés 681 - CEP 01130-010 São Paulo - SP

Fone (011) 220-4522 FAX (011) 220-5631

Impressão:

Artpress Indústria Gráfica e Editora Ltda.

Rua Javaés 681 - CEP 01130-010 São Paulo - SP

Fone (011) 220-4522 FAX (011) 220-5631

ISBN 85-7206-046-4

© 1998 - Todos os direitos reservados.

Muitos dos pensamentos contidos nesta obra foram recolhidos em conversas ou palestras, não tendo sido revistos por seu autor, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

Consignamos agradecimentos comovidos às numerosas pessoas que ajudaram para que este projeto de árdua execução se convertesse em realidade. Agradecimentos especiais à Direção da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade pela cessão dos direitos autorais atinentes aos referidos pensamentos publicados neste volume e nos precedentes da coleção "Canticum Novum".


Coleção "Canticum Novum"

Excertos do pensamento de

Plinio Corrêa de Oliveira

Recedant vetera, nova sint omnia*

Publicados:

O Universo é uma Catedral

A ordem do Universo através de uma ascensão em sete horizontes, progressivamente mais amplos e mais belos

À procura de almas com alma

Tipos humanos - a música das personalidades

A Cavalaria não morre

Um sonho, um pesadelo, uma cruzada — Uma forma de beleza chamada heroísmo — A maior aventura do mundo — Grandeza