À procura de almas com alma

 

 

Excertos do pensamento de

 

Plinio Corrêa de Oliveira

 

recolhidos por Leo Daniele

 

SEGUNDA SÉRIE

 

 

Edições Brasil de Amanhã

São Paulo, 1998

 

 

[Clique para ler: Cap. I;

cap. VI;

cap. VII, secção 1,

secção 2]

 

 

Capítulo VII

 

 

Secção Terceira

 

A Sociedade

 

 

 

O “clic

 

Deus quis fazer uma coleção de seres, esses seres existem com suas diferenças para darem uma imagem global de Deus, e se sustentam em Deus na medida em que O imitam.

Cessando de O imitar, o ser perde sua razão de ser.

Quando a coleção (11) está completa, estabelece;se alguma coisa que é mais do que a soma dos indivíduos: por assim dizer, ouve-se um clic!

O “clic importa em que se desatem várias virtualidades mais ou menos contidas em cada parte.

Imaginemos vários personagens dando-se as mãos e tentando fazer uma roda.  Entra uma última pessoa, que completa a roda, e todas se põem a dançar...

Estando completa, a coleção por assim dizer estremece de alegria. De dentro de seus membros, algo se libertou. Por assim dizer, ouviu-se um clic.

Uma orquestra, por exemplo, foi  formada a partir de um clic. Há ali uma interação mútua muito perfeita, muito bela, muito nobre.

Há um movimento. Esse movimento estava dormiente em cada ser.

A partir do clic, passou a haver uma espécie de circulação de harmonia.

 

 

 

A sociedade orgânica*

 

Essa união pode chegar ao ponto de se constituir um ambiente onde cada alma seja como que a metade da outra.

Num ambiente assim, acaba por se formar um todo, com personalidade própria.

Pátria, quando é de estatura humana, de tamanho humano, é esse todo. É a terra do Pater, por isso se chama Pátria.

A família deveria ser um todo desse gênero, formado na mesma piedade, nas mesmas devoções, e constituindo o que eu chamaria de alma coletiva12.

Uma sociedade é um tecido de almas com interações umas sobre as outras, do todo sobre cada uma e de cada uma sobre o todo.

Nessa atmosfera todos podem expandir-se inteiramente e ninguém invade o terreno do outro.

O resultado é que se torna possível a sociedade orgânica*. Ela é a sociedade na qual todas as expansões não ocupam espaço vital de terceiros e são benfazejas umas às outras13.

­Pelo contrário, uma sociedade não orgânica* assemelha-se a uma floresta onde as árvores só poderiam crescer de maneira que umas batessem com os ramos nos ramos das outras.

Tal crescimento seria, de um lado, a lei da vida. Mas, de outro lado, a lei do caos.

Seria preciso repressão contínua. Seria uma “floresta de pesadelo”.

Mas quando as árvores estão nutridas por um princípio  vital, pelo qual elas se expandem sem se tocarem, sem invadirem reciprocamente o espaço vital, aí temos a floresta que se pode desenvolver livremente.

Realmente, não é possível alcançar uma sociedade orgânica * a não ser “in caritate Christi”.

Há um exemplo que acho muito bonito: os Setenta, no farol de Alexandria14. Para mim, é das coisas mais belas que há. Setenta sábios num farol, estudando juntos os documentos sagrados! Acho uma coisa maravilhosa. De uma poesia única!

Assim era o antigo ambiente de família. Quando na família aparecia um, às vezes até de um ramo muito secundário, que se destacava muito, era uma alegria geral. Mas por que? Porque a família, que era uma espécie de princípio vital, tinha manifestado sua fecundidade, florescendo naquele de modo especial. Era uma razão de alegria para todos, e não de inveja.

Se aparecia uma mocinha que cantava magnificamente e eclipsava as outras, todas ficavam alegres: “Já viu Fulana como está cantando bem? Convide-a para sua casa”. Era o natural.

Mas, sem este sentimento, a pessoa fica incapaz de saborear aquilo a que tem direito e aquilo que se lhe dá por caridade.

Resultado: não é capaz de valorizar o que lhe é dado.

Notem a orfandade que se dá quando essa luz se apaga  para uma pessoa.

Os revolucionários* tratam de enfeitar, de estufar, de arranjar o quanto podem a vida, mas ela é inaceitável.

Só a vida de que falei  é digna de ser vivida.

 

 

O diferente-parecido

 

Uma nação poderia ser comparada a uma fruta-do-conde, que tem aqueles carocinhos, cada um dos quais com uma certa como que personalidade, e uma determinada autonomia dentro da polpa.

Quando se consideram os caroços da fruta-do-conde, tem-se a idéia de que há uma espécie de vida comum a todos eles. E de que, por sua vez, cada caroço tem uma vida individual própria, distinta da vida comum.

Cada carocinho, a seu modo — é até muito bonito isso, na fruta-do-conde — é muito diferente do outro, mas ao mesmo tempo muito parecido. E esse diferente-parecido forma uma unidade diferenciada, que é propriamente a autonomia15.

Toda nação é uma espécie de fruta-do-conde de riquíssimo conteúdo.

Vida artística, vida militar, vida afetiva, etc., formam “carocinhos”, formam instituições, unidades imersas na grande unidade geral.

Se pudéssemos fazer o inventário dos "caroços de fruta-do-conde" que existem numa nação, aí poderíamos compreender o que ela é.

Mais sutil é a relação dos ramos dentro de uma mesma família: a família, em última análise, é uma federação de ramos.

Em tudo isto há graus de inserção e de plenitude, graus e modalidades de colaboração, que são únicos.

Deus, ao fazer esse conjunto, deu uma aula de metafísica*  que nos ensina algo sobre Ele.

 

 

Organicidade* e espontaneidade

 

A  organicidade* consiste em agir de acordo com a retidão de sua natureza, e não em seguir qualquer impulso da mesma.

A condição humana exige que os homens convivam entre si, ainda que a natureza, nos seus defeitos, coloque obstáculos a esse relacionamento. E para evitar que esse convívio se transforme num inferno, ele deve ser feito de acordo com a reta natureza.

É da natureza educada, dominada, adaptada que nasce naturalmente a perfeição do convívio humano.

A organicidade* é o mesmo que espontaneidade? Em alguns pontos é: quando a espontaneidade no homem é boa e normal. Não o é quando a espontaneidade é má, quando precisa ser retificada.

A organicidade* comporta uma certa pressão, consultando em tudo a natureza, até mesmo quando esta é defeituosa, e chegando ao ponto normal dela.

Uma comparação. Imagine-se um homem que tenha um pé torto. Nasceu com o pé anatomicamente mal  construído. Esse pé tende, por sua natureza, a não permitir uma boa locomoção.

Mas, por outro lado, tem muitas coisas boas: boa musculatura, boa força, etc. Seria errado esse homem dizer: “O bem do meu pé está na espontaneidade. Portanto, continuarei mancando, e não usarei nenhum aparelho”. Agindo assim ele deforma o pé, agrava seu estado, e dentro de algum tempo poderá deixar de andar.

O certo é ir a um ortopedista, que indica um aparelho, um sapato, uma coisa qualquer, por onde ele é obrigado a aplicar o pé num certo modo.

Assim ele conserva o pé, que lhe presta os melhores serviços. E pode ser que, ao cabo de algum tempo, o pé esteja curado.

A organicidade* não é a espontaneidade inteira. Mas é toda quota possível de espontaneidade, somada a toda quota necessária de ordenação, às vezes dolorida, pedida pela própria natureza.

O jorrar originário do instinto de sociabilidade, com esta riqueza e com esta ordenação, é o ponto de partida da sociedade orgânica*.

 

 

O carrilhão das almas

 

Não existem almas independentes.

A sociedade humana está formada de muitos conjuntos ao modo de carrilhões.

Um carrilhão tem o sino-mor, chamado em francês bourdon. Ele dá o tom para os demais. Os sinos menores se movem por causa do impulso inicial dado pelo bourdon, e em acorde com ele.

Os sinos secundários fazem sentir o acento do primeiro som dado. Eles ecoam aspectos do tom inicial dado pelo bourdon, e nisto encontram seu próprio tom. Um sino menor que quisesse tocar por conta própria não encontraria seu próprio tom, e destoaria do conjunto de seu carrilhão. Seria um sino fracassado.

Nem sempre as almas-bourdon são as autoridades. Freqüentemente, por sua santidade e capacidade de influenciar os outros, as almas-bourdon de uma família, uma aldeia ou uma região são pessoas comuns, sem nenhum cargo público. Mas são pessoas que, na era histórica em que viveram, compreenderam melhor o modelo que a Providência queria para essa família, aldeia ou região, e souberam influenciar seus próximos nessa direção.

Sem ter autoridade civil ou eclesiástica, elas são o eixo em torno do qual giram ou deveriam girar as outras almas.

A sanidade de uma sociedade se mede, não por sua riqueza material, mas pelo grau de perfeição com que as almas-bourdon estão cumprindo  sua missão.

Isto dá uma visão da História que é de toute beauté 16. Por exemplo, quais foram as almas-bourdon que tornaram possível o florescimento da Idade Média?  Quais aquelas em torno das quais se coagulou o sentimento da cavalaria?  Como foi a fidelidade do povo a elas?

De outro lado, quais foram as almas-bourdon que, infiéis à sua missão, não deram o tom devido e deixaram a Idade Média descambar?

Ou então, quais foram as almas dentro do povo que não soaram em acorde com sua respectiva alma-bourdon, deixando que o som dela se perdesse inutilmente, e quebrando assim o dinamismo da sociedade rumo à perfeição?

Aqui entramos num terreno tenebroso. É a história da defecção de almas-bourdon, cuja apostasia arrasta atrás de si toda uma área da Cristandade.

Mas, por outro lado, tocamos na luminosa história das almas-bourdon cuja fidelidade levou atrás de si a fidelidade de uma aldeia, de uma ordem religiosa, de um país, de uma era histórica...

 

 

A paz sinfônica

 

Segundo a definição clássica de Santo Agostinho, "a paz é a tranqüilidade da ordem"17.

Tranqüilidade não deve aqui ser entendida apenas em grau mínimo, isto é, a ausência de agitação, mas como algo de eufórico e sinfônico, que tem como resultado o bem-estar.

Em certo tipo de floresta européia a tranqüilidade da ordem se desata numa espécie de "música", tal a harmonia existente. A cidade de Rothenburg18 e o Prater19, em Viena, eram eminentemente assim.

O ambiente de paz, enquanto considerada como situação meramente negativa, parece insosso e insuficiente.

No primeiro momento, a libertação da agitação traz o bem-estar da tranqüilidade.

 

Prolongando-se, essa tranqüilidade deve se desatar numa euforia. Mas numa euforia calma. Sem a aflição de chegar à ponta de si mesma.

 

No Céu o homem terá uma paz "sinfônica" perfeita.

Tudo isso supõe a eliminação de algo que é um dos maiores fatores de agitação: o amor-próprio. É um fator de agitação insuportável.

O principal aspecto que se deve ver no próximo é o símbolo de Deus. É por isso que o amor ao próximo leva ao amor de Deus.

O Grand-Retour20 é nossa volta à apetência, ao desejo e à compreensão dessa "sinfonia" da perpétua mútua compreensão, que é um dos elementos da felicidade do Céu.

 

 

Ao som de Boccherini...

 

O minueto de Boccherini 21— que para mim é o supra-sumo do minueto — tem qualquer coisa de uma revista. Nem um pouco de uma revista de tropa. Mas de uma revista.

 

Para entendê-lo, devemos imaginar uma sala de corte, talvez a Galeria dos Espelhos22, o rei e a rainha em seus tronos, os príncipes e as princesas da Casa Real em poltronas, os duques e pares sucessivamente em poltronas, banquetas e arquibancadas, com pessoas da nobreza ou da alta burguesia de Paris.

 

Entram os pares dançando e fazendo reverências uns para os outros.

 

Quando passam diante do rei, uma profunda reverência, e depois voltam, deixando o lugar para outros.

O rei, no seu trono, olhando firme, e sorrindo quando termina a reverência.

Que tanta gentileza contenha tanta majestade, e tanta majestade contenha tanta gentileza, aqui está

o equilíbrio.

Era a corte celebrando um ato, se quiserem, lúdico.

Nele, as pessoas eram passadas em revista em seu charme, em seu esplendor, em sua maior graça, em sua maior beleza, para a corte ter a fisionomia de si mesma e deleitar-se pelo fato de ser o que era.

A reciprocidade dos cumprimentos se multiplica com grande harmonia pela sala, mostrando a suavidade das relações sociais. Uma suavidade hierárquica, porque harmonia quer dizer hierarquia.

Ao mesmo tempo, vê-se a elegância dos gestos, a perfeição das atitudes, a beleza dos trajes, o esplendor das jóias, a nobreza das  expressões fisionômicas, dos sorrisos.

É um pouco como um exército, que precisa organizar uma grande revista para ver-se a si próprio. E o ver-se a si próprio, não como um homem faceiro — e sobretudo uma mulher faceira —olha no espelho para envaidecer-se, mas para conhecer a própria face, para ver as perfeições que Deus pôs.

Trata-se de tomar consciência de si mesmo, em alto grau. O ato, no fundo, tem sentido religioso.

No tempo do minueto havia muita solenidade, mas ela era compensada pelo fato de haver muita graça, muito charme.

O minueto perfeito deveria reunir o esplendor de uma verdadeira cerimônia de corte com a graça de uma intimidade, de uma afabilidade, de um sorriso, de uma concepção amena da vida, que fosse o contrapeso do grande esplendor atingido.

Via-se então a coexistência de uma grande seriedade com o sorriso. Mas um  sorriso profundamente sério24.

Era um sorriso de quem sabe quem é, e que do alto daquilo que é, por gentileza e bondade, sorri, como quem diz: - “Eu sou tudo isto, e é tudo isto que sorri para você”.

Não era, portanto, o sorriso do peralvilho que anda pela rua — eu escolho a palavra porque ela diz  bem o que quero.

De onde o minueto, assim entendido, ser a música do respeito.

O respeito está na grandeza, e depois, do mesmo modo, no afeto, no carinho, no sorriso. Percorre de ponta a ponta a gama dos possíveis sentimentos humanos. Isto faz do minueto uma obra-prima.

Aqui está uma interpretação da harmonia da cultura daquele tempo,  toda feita de alta distinção e grande suavidade.

 

 

A grandiosa partitura

 

O homem gosta das coisas, ou porque se parecem com ele e o tonificam; ou porque são diferentes dele. Essa diferença deve ser harmônica e o completar.

O conjunto de todos os homens criados e a serem criados desde o começo até o fim do mundo, tendo por ápice o Verbo Encarnado e logo abaixo Nossa Senhora, forma um conjunto musical que nos dá uma idéia do que será a harmonia do gênero humano no Céu.

A música é uma ordem de notas. O Universo é uma música de realidades.

O que a Idade Média teve de mais bonito era essa harmonia profunda dos homens, que os quadros de Fra Angélico reproduziram bem.

A finalidade das criaturas e do universo é Deus. E Deus é alcançável pela transparência da semelhança com Ele.

Se todos nesta Terra andassem bem, quando o mundo tivesse terminado, a História seria uma partitura grandiosa, cantada pela natureza humana em louvor de Deus.

 

 

 

 

Epílogo

 

Olhares...

 

 

Como seria bonito se houvesse material para fazer uma história, não da humanidade, mas de um capítulo especial da história da humanidade: a história dos olhares!

 

Dos olhares magníficos,

dos olhares esplendorosos,

dos olhares suaves,

dos olhares doces,

dos olhares tristes,

dos olhares de esperança,

dos  olhares de perplexidade,

dos olhares de indignação,

dos  olhares de ordenação e de planejamento,

dos olhares de imprecação e de castigo.

Na noite de Natal aconteceu aquele momento bendito em que se abriram para a vida e para o mundo aqueles olhos divinos que fazem emudecer todas as línguas.

Vamos imaginar aquela gruta como se fosse enorme, alta, grande, quase uma catedral, que não tivesse evidentemente uma arquitetura definida, mas onde o movimento das pedras fizesse pressentir vagamente as ogivas de uma catedral como existiriam na futura Idade Média.

Podemos imaginar a lapa onde ficava o berço do Menino Jesus, colocada num ponto majestoso da encruzilhada destas várias naves laterais naturais,  e que uma luz celeste, toda de ouro, pairasse sobre Ele naquele momento.

Ele estava ali, com majestade de verdadeiro rei, embora deitado em seu presépio e sendo ainda uma criança; Ele, rei de toda majestade e de toda glória.

Imaginemo-nos aproximando-nos dEle, e Ele abrindo os olhos, e no olhar aparecendo o seu lado de Rei.

No olhar aparecendo um fulgor de tal profundidade, que sentíssemos nEle um grande sábio; rodeando-O, uma atmosfera tal, que nimbasse de santidade todos aqueles que dEle se acercassem.

Uma atmosfera de pureza tal, que as pessoas não se aproximassem dali sem antes pedir perdão por seus pecados, mas, ao mesmo tempo, se sentissem atraídas a se corrigir deles pela santidade que emanava do local.

Imaginemos ali, ainda, Nossa Senhora aos pés do Menino Jesus, também Ela como verdadeira Rainha, majestosíssima, transcendente, puríssima, rezando.

Anjos invisíveis cantando em volta canções de glorificação e toda a atmosfera reinante saturada de valores tais, que dir-se-ia haver naquela pobreza e naquela miséria uma atmosfera de corte.

Provavelmente, todas as perfeições da ordem do Universo estão contidas no olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo, de maneira que Ele tem estados de alma que correspondem a todas as belezas da criação.

No centro de todas as cores, de todas as belezas, existe a face adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo; no centro da face adorável de Nosso Senhor Jesus Cristo, existe o olhar dele, requinte e compêndio de toda a face.

Nosso Senhor conversa com quem imerge no olhar dele, límpido, afável, sereno, aveludado quase, mas no fundo com uma retidão, uma firmeza e uma força que enchem a pessoa ao mesmo tempo de encanto e de confiança.

Olhar muitíssimo perceptivo, porém não à maneira de uma ponta que perfura a realidade e vê o que ela tem, mas é quase um olhar radiográfico que, sem dilacerar nada, penetra no fundo de tudo, revela e manifesta tudo, respeitando tudo.

No conjunto dos olhares dEle estão refletidos os princípios da lógica, as regras da estética e a ordem do universo.

Estão simbolizados o pulchrum* e o significado interno de tudo quanto existe. É um olhar que contém tudo, é a melhor idéia que se possa fazer nesta Terra da visão beatífica.

Pois então este Rei, tão cheio de majestade, em certo momento abre para nós os olhos.

Notamos seu olhar puríssimo, inteligentíssimo, lucidíssimo. Ele penetra em nossos olhos até o mais fundo.

Vê o mais fundo de nossos defeitos, mas  também o melhor de nossas qualidades.

E toca neste momento a nossa alma, como tocou, 33 anos depois, a São Pedro.

Quando o pecador menos espera, por um rogo amável de Nossa Senhora, Ele sorri.

E com este sorriso, apesar de toda Sua majestade, sentimos as distâncias desaparecerem, o perdão invadir nossa alma, uma qualquer coisa nos atrair.

E, assim atraídos, caminhamos para junto dEle. Afetuosamente nos abraça e pronuncia nosso nome, dizendo:

Eu te quis tanto e te quero tanto! Desejo para ti tantas coisas e perdoo-te tantas  outras!

Não pensa mais nos teus pecados!

Pensa apenas, daqui por diante, em servir-me.

E em todas as ocasiões de tua vida, quando tiverdes alguma dúvida, lembra-te dessa condescendência, dessa amabilidade, desse beneplácito que agora tenho para contigo, e recorre a Mim por meio de Minha Mãe, por meio dos mediadores que estabeleci entre ti e Mim, que atender-te-ei.

Serei  teu amparo, tua força, e estas graças hão de te levar ao Céu para ali reinar a Meu lado por toda a Eternidade.

— Senhor, não sou digno que olheis para mim, mais dai-me um olhar, consenti em imergir o Vosso olhar no meu, e minha alma será salva.

Eu venho tão do alto e tudo posso. Em mim reside o reflexo da bondade incriada e absoluta.

Aquilo que eu quero doar porque sou boa; aquilo que desejo conceder porque sou Mãe; aquilo que posso dar porque sou Rainha, isso, meu filho, eu dou.

Eu não te digo uma palavra, mas faço algo muito melhor do que falar a teus ouvidos; eu te comunico uma graça que murmura no fundo de tua alma.

Sentes essa paz que transborda de meu Coração, que te penetra e te cumula? Essa paz que nenhuma alegria terrena pode trazer? E que te faz sentir uma tranqüilidade interna, na qual ressoa a minha voz, inaudível a teus ouvidos: tudo está resolvido. E aquilo que não estiver, resolver-se-á.

Confie em Mim, eu acertarei tudo.

As aparências podem não ser estas. Mas, aceite este sorriso, perceba esse sussurro, contemple essa bondade e não duvide jamais.

               

(autoria do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira).

 

*     *     *

 

Notas ao sétimo panorama

 

11. Coleção:  segundo a concepção do ilustre líder católico, toda a Criação forma uma coleção destinada a refletir as infinitas perfeições de Deus.

12. Ver a respeito "O Universo é uma Catedral", pp. 87 ss.

13. Pio XII em sua Radiomensagem de Natal de 1944 opõe a sociedade orgânica à sociedade mecanicista de nossos dias. Afirma ele: “O Estado não contém em si e não reúne mecanicamente em um dado território uma aglomeração amorfa de indivíduos. Ele é, e na realidade deve ser, a unidade orgânica e organizadora de um verdadeiro povo”.

14. “Dentre as inúmeras versões que a Sagrada Escritura teve no séculos destacam-se — por sua antiguidade e autoridade — a tradução grega do Velho Testamento, cognominada alexandrina devido à localidade na qual se acredita tenha tido origem, e a dos Setenta pelo suposto número dos tradutores. Essa Versão — feita entre os anos de 250-130 a. C. — gozou desde o princípio de grande autoridade: foi usada pelos escritores do Novo Testamento, adotada pela Igreja primitiva, e diversos Santos Padres dos primeiros séculos consideraram-na inspirada” (Pe. Matos Soares, “Bíblia Sagrada”,  Prólogo). Santo Agostinho, em A Cidade de Deus (XVIII, 42), narra com pormenores a história dessa extraordinária tradução, e registra: “A Tradição conta ter havido entre seus textos [dos setenta tradutores] uma concordância tão maravilhosa, espantosa e verdadeiramente divina, que, embora cada qual tenha trabalhado separadamente, os textos não apresentaram ao final nenhuma diferença de palavras .... como se tivesse havido apenas um único tradutor”.

15. Essas comparações simples e  altamente esclarecedoras eram muito  características do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, e brotavam como que espontaneamente, ao sabor da conversa.

16. Da mais esplêndida beleza.

17. A Cidade de Deus, XIX, 3.

18. Rothenburg: cidade alemã que ainda preserva o caráter medieval de suas origens.

19. Famoso parque situado nos arrredores de Viena.

20. Grand-Retour: do francês. Grande retorno. A devoção a Nossa Senhora do Grand Retour teve grande desenvolvimento durante a Segunda Guerra Mundial. O Papa Pio XII endereçou aos peregrinos do Grand-Retour uma expressiva alocução.

21. Le menuet ou o minueto é originário de uma dança de aldeões. Apareceu no século XVII e seu nome provém dos passos curtos, apertados, miúdos, que nele predominavam: os menus pas. Dominou completamente os salões e tornou-se a dança predileta da nobreza. Foi executada pela primeira vez na corte, em 1653, pelo próprio Luis XIV — o Rei Sol — que sempre demonstrou grande admiração por essa dança. O ritmo do minueto, sua música e o estilo de seus passos fazem-na graciosa e aristocrática, exigindo do dançarino boa postura, elegância, graça e refinamento. O minueto começou a declinar quando danças menos refinadas invadiram a Europa, em particular a contradança ("country dance") de origem inglesa (cf. "Danças de corte", por Maria Amália Corrêa Giffoni, São Paulo, 1977). —  O compositor italiano Luigi Boccherini viveu entre 1740 e 1805, e passou boa parte de sua vida na Espanha.

23. Palácio de Versailles (França). É interessante, a esse propósito, conhecer as luminosas teses do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira contidas em  “Nobreza e elites tradicionais análogas”, obra que recebeu os elogios de quatro Cardeais e foi traduzida para o francês, o inglês, o italiano e o espanhol. Três edições em português pela Livraria Civilização - Editora (Porto, Portugal), com ampla circulação no Brasil.

24. Este tópico faz lembrar a frase de Chateaubriand: "Quanto mais sério o rosto, mais belo o sorriso" ("La vie da Rancé", Livro XIV, cap. X).

25. Os diversos tópicos que compõem este panorama (em negrito) foram extraídos das seguintes fontes: Despertando para a vida, "Considerações sobre a mútua sustentação", sem data;  Cada homem é único, "Considerações sobre a mútua sustentação", sem data;  Um mosaico, 10-5-84; Cada homem  é como a matriz de uma música, conferência sobre o Vitorinismo, sem data; As relações humanas têm muito de sinfonias, apostila "A sociedade orgânica"; Robinson precisava de "Sexta-Feira", "Considerações sobre a mútua sustentação"; A cortesia, afinação das relações humanas, 29-6-74; A conversa, Circular aos propagandistas de Catolicismo - Ano VII, Nºs  3 e 4 , reuniões de 6/3/1970,  10/5/74,  5/5/79, 19/4/85, 14/2/87,  21/2/87, 22/7/89,  5/8/89,  16/10/91,  29/8/94; O deleite da boa conversa, id. ao anterior; Harmonizando os instrumentos, idem; O melhor calmante, idem; A amizade, 17-2-93; Como os pares de Carlos Magno, "Considerações sobre a mútua sustentação", sem data;  O amor conjugal, "Catolicismo", no 10, outubro de 1951; O amor materno, sublimidade do gênero humano, "Folha de S. Paulo", 18-12-96, Testamento do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira; conversa gravada de 17-4-94, "Catolicismo", dezembro de 95, ; Almas-planeta, almas-satélite, 29-5-65; A alegria de ser pequeno e a de mandar, "Considerações sobre os pressupostos do convívio harmonioso e da uniäo de almas no ambiente contra-revolucionário", sem data; O "clic", "Considerações sobre a mútua sustentação", sem data; A sociedade orgânica, apostila "A sociedade orgânica"; O diferente-parecido,  17-3-94 e 23-2-94; Organicidade e espontaneidade, apostila "A sociedade orgânica"; O carrilhão das almas, 31-7-89;  A paz sinfônica, apostila "A sociedade orgânica"; Ao som de Boccherini ...,   Sem data, cf.  leitura feita em 24-9-96. O Epílogo foi extraído de conferência proferida em 23-12-78.

 

 

 

Caro Leitor

 

    Esta obra pode servir de inquérito: o que, a respeito deste conjunto de temas, certamente pouco correntes, pensa o povo brasileiro?

    Assim sendo, se desejar, responda ao questionário abaixo, e envie as respostas ao compilador da matéria deste volume:

    1. Esta obra corresponde ao que

esperava?

    2. O que mais o atraiu?

    3. Considerou sua leitura

             a) fácil

             b) difícil

             c) faz pensar sem fatigar muito     

    4. Sobre o número de "almas com alma" no mundo de hoje: elas são

             a) numerosas

             b) poucas

             c) raras

    5. Julga útil a divulgação destes pensamentos para o grande público? Indica alguém em particular a quem poderiam eles ser de utilidade (nome e endereço)?

    6. Outras observações

 

Correspondência para:

    Leo Daniele

    Caixa Postal 53180

    CEP: 08201-970     São Paulo - SP

            E-mail:  leodan@uol.com.br

 

 

 

GLOSSÁRIO

 

          Absoluto, senso do absoluto, procura do absoluto: Em sentido próprio,  absoluto é só Deus. Entretanto, existem na criação  seres  com graus de perfeição  muito elevados,  e esses seres nos remetem para a idéia de Deus de maneira mais excelente que os demais.   A busca de tais perfeições constitui aquilo que o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira chama de  procura do absoluto. Como dizia São Boaventura, “o Universo é a escada pela qual ascendemos até o Criador” (São Boaventura, “Itinerário da Mente para Deus”, cap. I, 2); “Comecemos por contemplar  todo este mundo sensível como um espelho através do qual podemos chegar até Deus, o artista soberano” (id, Cap. I, 9). Os seres criados são o vestígio, a imagem e a semelhança do Criador. Portanto, em todas as coisas, de alguma  forma reluz o absoluto. Ter o senso do absoluto é o saber  ver em todas as coisas  os aspectos que melhor  refletem a Deus. Entre outros autores, explanou São Boaventura tal tese, por exemplo no Brevilóquio (Parte II, cap. XII) e no Itinerário da  Mente para Deus (Cap. I, 2). “A criação do mundo é como que um livro, noual resplandece, representa-se e lê-se a Trindade criadora em três graus de expressão, a saber: como vestígio, como imagem e como semelhança” (Breviloquio, II, XII). V. também Santo Tomás de Aquino, “Summa Theologica”, I q. 45 a. 7.

 

    Arquétipo: Tipo é o “modelo ideal reunindo em si os caracteres essenciais de certa espécie de objetos, em seu mais alto grau de perfeição”. Arquétipo é o “tipo supremo, de que os objetos dos quais  temos a experiência não são senão cópias; protótipo, padrão, original, modelo, paradigma” (Paul Foulquié, “Dictionnaire de la Langue Philosophique”, P. U. F., Paris, 1962).

 

    Consecratio mundi: A expressão é de Pio XII e designa a sacralização do mundo (cfr. Alocução aos participantes do II Congresso Mundial para o Apostolado dos Leigos, 5-10-1957, Documentos Pontifícios, nº 127, Vozes, Petrópolis, p. 18 — Discorsi e Radiomessaggi di Sua Santità Pio XII, Tipografia Poliglotta Vaticana, vol. XIX, p. 459). Ver, a respeito, de Plinio Corrêa de Oliveira, “A Réplica da Autenticidade”, Ed. Vera Cruz, São Paulo,  1985,  p. 218.

 

    Contra-Revolução, contra-revolucionário:  V. mais abaixo Revolução. Para Corrêa de Oliveira, contra-revolucionário em sentido pleno "é quem conhece a Revolução , a ordem e a Contra-Revolução em seu espírito, suas doutrinas, seus métodos respectivos; ama a Contra-Revolução e a ordem cristã, odeia a Revolução e a anti-ordem; faz desse amor e desse ódio o eixo em torno do qual gravitam todos os seus ideais, preferências e atividades" ("Revolução e Contra-Revolução", II, IV).

 

    Idealizar: nesta frase, e em geral no vocabulário do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, significa despir determinada coisa de suas imperfeições, para imaginá-la perfeita, conforme às nossas mais altas aspirações. Essas figuras ideais pairam impalpavelmente sobre a Humanidade, constituindo uma esfera que não existe senão no pensamento: uma transesfera.

 

    Inocência: O conceito pliniano de inocência vai muitíssimo além da acepção corrente da palavra. Não se trata apenas de não praticar o mal, mas sobretudo de aderir fortemente à harmonia do Verdadeiro, do Bom e do Belo. Inocente é quem não pecou contra aquele estado de espírito primevo de equilíbrio e temperança, e por isso conserva-se aberto a todas as formas de maravilhoso  e apetente delas.

 

    Metafísica: como substantivo, é a parte da Filosofia que estuda o ser enquanto ser.  O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira muitas vezes utilizava o adjetivo metafísico-a  em seu sentido etimológico, isto é, aquilo que vai além do físico.

 

    Miserabilismo: Por miserabilismo se entende aqui a concepção errônea em moda em certos meios, segundo a qual a miséria é um bem, convém viver em condições paupérrimas e toda forma de progresso é um mal. Para o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira o miserabilismo é o contrário da civilização.

 

    Orgânico (a), organicidade: Orgânico é o que age à maneira dos órgãos do corpo humano. As entidades que formam a sociedade em seu relacionamento e desempenho devem inspirar-se na sabedoria que rege as relações dos órgãos humanos entre si. Orgânico opõe-se a mecânico, ou seja, o que funciona ao modo das máquinas. Pio XII em sua Radiomensagem de Natal de 1944 compara a sociedade orgânica com a sociedade mecanicista de nossos dias. Afirma ele: “O Estado não contém em si e não reúne mecanicamente em um dado território uma aglomeração amorfa de indivíduos. Ele é, e na realidade deve ser, a unidade orgânica e organizadora de um verdadeiro povo”. Ver também, mais adiante, subsidiariedade.

 

    Paradisologia: Estudo de como teria sido o Paraíso terrestre, de que foram expulsos Adão e Eva, e mais acima, como é o mundo angélico e o Paraíso celeste. É nessas culminâncias que se encontra a matriz para uma ordem humana ideal, para a qual a humanidade deve tender dentro das limitações impostas pelo pecado original. Um dos pólos de atração do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, durante toda sua vida, foi a procura da ordem  ideal. Muitos dos pensamentos sobre o maravilhoso, a sociedade ideal, a ordem ideal, transcritos nos livros desta coleção, foram extraídos do acervo doutrinário monumental constituído por mais de quarenta anos de reuniões realizadas com esse fim.  As anotações delas constituem manancial de riqueza incalculável para o estudo da ordem do Universo considerada em todos os seus  aspectos.

 

    Possível:    Ser possível: aquele que não existe, mas poderia existir. A entidade que constitui para uma coisa o fato de ser possível (Paul Foulquié, “Dictionnaire de la langue philosophique”, P.U.F, Paris, 1962).

 

    Pulchrum: Devido a certa banalização da palavra belo em português, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira muitas vezes lhe preferia o termo latino pulchrum, que significa a mesma coisa mas carrega outras conotações. Sobre o pulchrum em Santo Tomás, vide Summa Theologica, I, q. 5, a.4; I, q. 39, a. 8; I-IIae, q. 27, a. 1 ad 3. “O Belo na ordem criada é o esplendor de todos os transcendentais reunidos: do ser, do uno, do verdadeiro e do bom; ou, mais particularmente, é o fulgor de uma harmoniosa unidade de proporção na integridade das partes (splendor, proportio, integritas  - cfr. Santo Tomás de Aquino, Summa Theologica, I, q. 39, a. 8)”. Garrigou-Lagrange O.P., Divine Perfezioni, Roma, 1923, p. 337.

 

    Reino de Maria:  São Luís Maria Grignion de Montfort  (1673-1716) em seu Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem prevê a implantação na Terra de uma era “em que almas respirarão Maria como o corpo respira o ar”, e em que inúmeras pessoas “tornar-se-ão cópias vivas de Maria” (Cap. VI, art. V). A essa era ele chama Reino de Maria.  Essa profecia se entronca organicamente com a de Nossa Senhora em Fátima. Com efeito, depois de prever várias calamidades para o mundo, Ela afirmou: “Por fim, o meu Imaculado Coração

triunfará”.

   

          Revolução: Para  o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Revolução é o processo quatro vezes secular que vem devastando a Civilização Cristã.  E a Contra-Revolução consiste no movimento de almas que se opõe a essa derrubada, e visa restaurar a verdadeira ordem. Ver o ensaio “Revolução e Contra-Revolução”,  do mesmo autor. Quatro edições em português, com tradução e várias edições nas  principais línguas vivas.

 

         Revolucionário: adepto da Revolução, de forma consciente ou subconsciente.

 

         Sacral, sacralidade: na maneira de se exprimir de Corrêa de Oliveira, há uma diferença de matiz entre as palavras sagrado e sacral: sacral é o sagrado posto na ordem temporal ou profana. A sacralidade tem uma profunda relação com as desigualdades do Universo e se apóia sobre os seguintes princípios: a) O Universo — mais ainda, toda a ordem do ser —  é hierárquico. b) Ele é insondavelmente desigual de um grau para outro, e infinitamente desigual em relação a Deus. c) O mais alto, a um ou outro título, é sempre causa, modelo,  mestre e regente do mais baixo. d) A título próprio, só Deus é causa, modelo, mestre e regente das criaturas. Portanto, todas as hierarquias se reportam a Deus, que é infinitamente nobre, sublime e elevado. e) A escala dos seres é uma escala fechada, no sentido que o mais alto, que é Deus, toca  no último, no ínfimo. Deus e as ordens superiores estão, a um ou outro título, presentes nas ordens inferiores.  Portanto não se trata de uma ordem estraçalhada e descontínua, mas harmônica, que se fecha.

 

    Senso do ser:  percepção que, em determinado momento, a criança tem de que ela existe, de que as coisas existem. Na concepção  pliniana, essa percepção difusa inclui uma extraordinária riqueza  (V. O Universo é uma Catedral, pp. 216 a 244, 275.

 

    Subsidiariedade,  princípio de: O Estado e as sociedades maiores não podem ir além de uma função complementar. Não devem fazer aquilo que as sociedades médias podem fazer, e estas, por sua vez, não devem executar o que as sociedades pequenas e as famílias podem realizar. Por outro lado, o Estado e as sociedades maiores devem fazer com presteza tudo aquilo que escape às possibilidades das menores. Este princípio foi ensinado por Pio XI e retomado pelos Papas sucessivos.

   

    Transesfera: v. idealizar, mais acima.