DISCURSO NO PALÁCIO MAUÁ
São Paulo, 27 de novembro de 1976
Comemoração pelos mortos na Intentona de 1935
O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira discursando no Pátio do Colégio, após a Missa pelas vítimas do comunismo, celebrada na Catedral da Sé (São Paulo), 11 de novembro de 1973
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Clique no player para ouvir o discurso [...] não é apenas pela gratidão que cresce que esta cerimônia se marca mais e mais dando no esplendor um tanto tristonho e um tanto festivo da noite de hoje. Mas é também porque o ataque comunista se torna cada vez mais insistente.
E porque o comunismo recorrendo aos meios de guerra revolucionária psicológica, desconhecidos em 1935, e que chegam em 1976 ao seu zênite, o comunismo chega a isso que se poderia chamar uma obra-prima de maledicência, que é o adormecimento intencional de setores populacionais e imensos, que sem terem a atenção posta para um perigo que entretanto eles repudiam, entregam o corpo, descansam, pensam em progresso, sonham com grandeza, se entretém com prazeres. E por isso não tem a atenção posta para o inimigo soez, para o inimigo ativo, para o inimigo multiforme que a todo momento cresce, e que a todo momento tenta contra a pátria um novo ataque, contra a Igreja e a Civilização Cristã uma nova insídia.
E por isto é que brasileiros de um espírito patriótico alertado e atualizado, brasileiros movidos pelo espírito cristão e indissociável de toda verdadeira alma verdadeiramente brasileira, brasileiros aqui se congregam, se reúnem para afirmar perante o País que o perigo existe, que é bom pensar nas grandezas do futuro, que é necessário trabalhar para que o Brasil vá adiante no caminho de potência emergente que ele vai atingindo neste momento. Mas só sonhar com um futuro grandioso, trabalhar para realizar e para antecipar este futuro, isto não basta, é preciso também lutar.
Porque a vida não é só feita de esperanças, a vida não é só feita de anelos, ela é feita também de riscos, ela é feita também de aleivosias, ela é feita de perigos.
E ai do varão, ai do chefe de família, ai do chefe de empresa, ai do chefe civil, militar ou eclesiástico que não tem os olhos abertos para este aspecto também da realidade: o inimicus homo de que nos fala a Escritura, que ronda em torno de cada homem, em torno de cada setor de atividade social, em torno de cada nação do mundo contemporâneo, pronto para se atirar sobre ela, no momento em que encontre condições favoráveis para isto.
[...] professor de História que sou – e habituado desde minha remota juventude a me debruçar sobre os fatos históricos à procura das leis da História com que Deus pauta a existência e o porvir dos povos, e neles inscreve os sinais de sua misericórdia e de sua justiça – professor de História que sou, sempre me chamou a atenção um fato histórico que tem a sua projeção sobre a realidade natural até no mundo animal e até no mundo vegetal.
E o que a História ensina é o seguinte: não é verdade que atinge a grandeza, a grandeza efetiva, a grandeza durável, a grandeza plena aquele povo que apenas trabalhou para sua própria grandeza. A verdade é outra: a grandeza é atingida sim pelos povos que trabalham, a Providência não quer nem abençoa os povos que não trabalham, mas a grandeza verdadeira se adquire também quando o homem, tomando conhecimento dessa regra de que ele encontrará o adversário no seu caminho a agredi-lo na justiça de suas vias e na santidade dos seus propósitos, ele se prepara para luta, enfrenta a luta, confia na Providência, e vence a luta.
Os povos só trabalhadores não chegam a ter verdadeira grandeza. Os povos só lutadores não alcançam a verdadeira grandeza. Os povos que sabem aliar a luta ao trabalho, fazendo do trabalho uma luta, e da luta um trabalho, entregando-se operosamente à luta e ardorosamente ao trabalho, os povos que sabem unir estes dois aspectos de sua atividade, estes povos sob o signo da cruz se tornam verdadeiramente grandes.
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