Encerramento da II Semana Especializada para a Formação Anticomunista (SEFAC) - Excertos

 

15 de Janeiro de 1970

 

 

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Plinio Corrêa de Oliveira discursando

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Nossa Senhora espera para intervir esse momento de conjunção em que tudo parece perdido e em que Ela quer que tudo se salve. E é esse o momento bem exato que nós temos diante de nós. Não se explica de outra forma, senão de uma forma sobrenatural, não se explica de outra forma, meus senhores, o desenvolvimento na América Latina [ do ideal da Tradição, Família e Propriedade ]; nós temos visto o exemplo quotidiano, não só no contato daqueles que nos são próximos, mas no contato com os que nos são distantes. Daqui, de lá e de acolá, no meio do caos nós vemos que se aproximam pessoas que se aglutinam, que começam a lutar, realiza-se o impossível, auditórios como esse se enchem e se enchem de jovens, que a Revolução há séculos vem preparando para serem vítimas dela. Enchem-se de jovens que têm o senso da tradição, um senso da família, um senso da propriedade, que faltou tantas e tantas vezes aos seus maiores, tão mais próximos do passado em que brilhou, entretanto, essa tríade sagrada de valores.

Como explicar esse fato senão pelo sobrenatural? Como explicar esse fato senão por uma graça especial de Nossa Senhora? Como explicar esse fato senão por uma missão? No mundo revolto de hoje, nos vossos Estados, nas vossas cidades, nos vossos países, vós sereis outros tantos sinos da Tradição a tocar. Em torno de vós, nos ambientes que vós freqüentais, a força galvanizadora desse apelo de Nossa Senhora se fará sentir. A carga do demônio não faltará. A oposição do espírito das trevas que se tem externado em cochichos, que se tem externado – para usar a palavras que empregais com tanto pitoresco, quanto com tanta incorreção gramatical –  as maffias [ calúnias ] contra vós usadas de todos os modos se multiplicarão. Virá o dia em que isso não bastará; em que quererão a vossa carne, quererão o vosso sangue, quererão a vossa vida.

Mas vós sois o campanário que toca, que toca no escuro e na cacofonia, que toca no meio de toda a confusão dando o som da Tradição, dando o som do passado católico e elevando esse som para os primeiros dias do Reino de Maria.

Nesta missão tão bela [...] dada a cada um de vós individualmente, ao menor dentre vós, ao mais provado dentre vós, ao mais tentado dentre vós, nesta missão que no momento bate na porta de vossas almas para vos convencer e para vos acender,  nesta missão, ainda que os céus se devessem abrir, e que os Anjos devessem descer em forma visível para defender a vossa fidelidade, nesta missão, a graça não vos faltará!

Sede fiéis! Sede valorosos! Sede fiéis ecos da Tradição e vós voltareis logo mais ao Brasil cantando alegres as vitórias que, por vós, Nossa Senhora conquistou.

Há um Salmo que diz isso: "Euntes ibant et flebant semen spargendum portantes; venientes autem venient in exsultatione portantes manipulos suos", “eles iam na tristeza, na madrugada, na incerteza, na penumbra, chorando, mas semeavam”. E eis que eles voltam e voltam na alegria, trazendo para a tranqüilidade do lar, para o esplendor do convívio dos seus, os seus instrumentos de trabalho com que encheram o dia no cumprimento do dever.

Vós agora ides e em vossas almas vai o pranto. Mas vós levais as sementes que recebestes nessa Semana de Estudos; vós voltareis com a graça de Deus, com alegria, trazendo os instrumentos de vosso trabalho, as lições que recebestes e os amigos que conquistastes para a próxima Semana de Estudos.

*     *     *

 Uma palavra sobre vós foi dita. É preciso que se diga uma palavra a meu respeito. Tantas vezes foi meu nome pronunciado nessa noite. Tantas vezes foi ele objeto de uma referência generosa, que eu faltaria com a justiça se a respeito de mim mesmo eu não vos dissesse uma coisa.

Vós me lestes, vós me ouvistes falar várias vezes, vós me ouvis falar ainda nesse momento. Vós nunca ouvistes de mim, quer vós meus amigos de sempre que há trinta e quarenta anos comigo trabalhais, quer vós meus amigos de hoje que nesse momento a bem dizer começais a me conhecer, vós jamais ouvistes de mim a seguinte frase: “Eu elaborei um doutrina; eu construí um pensamento, eu fundei uma escola, eu fiz isso, eu fiz aquilo”. Tudo quanto eu tenho feito em minha vida, eu tenho apresentando, e por um dever de justiça, na alegria e no entusiasmo exultante de minha alma, eu tenho apresentado – no reconhecimento e na gratidão – eu tenho apresentado como sendo doutrina da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana. Porque se alguma coisa em mim há de bom, isso que há de bom não é senão resultado do fato de que Nossa Senhora me deu essa graça – que eu não tenho palavras para agradecer, e que eu espero poder passar junto a ela a eternidade inteira agradecendo – é de ter sido batizado, de ser filho da Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana. A doutrina que eu dou é uma exposição da doutrina da Igreja. Exposição feita às vezes arduamente porque foi pegada em recantos de silêncio, onde tanta maravilha da Igreja dorme. É verdade que houve, portanto, um trabalho como que de arqueologia para descobrir, no fundo desse silêncio, [...] mas que não devera ser silêncio, para descobrir no fundo desse silêncio, aquilo que eu apresento como doutrina.

Lede meus livros, ouvi as minhas conferências que estão gravadas, vós nunca ouvireis outra coisa de mim. Vós direis que há muita observação da realidade, que há muita sagacidade no modo pela qual a TFP vê as coisas; que há originalidade no modo pelo qual ela soluciona os problemas. E eu vos direi que é verdade, mas vós ouvireis cem vezes repetido por mim que isso nós devemos – e eu devo – ao fato de nos termos imbuído da doutrina católica a respeito de uma porção de pontos da vida humana que, cristalizadas em fórmulas, cristalizadas em estilos de viver, corporificada em tradições, deu exatamente naquilo que nós chamamos o estilo da TFP.

Eu não sou, eu não pretendo ser senão um sino, mas menos do que um sino: um eco do grande sino que é a Igreja Católica, Apostólica, Romana. Eu pretendo prolongar não como ministro, não como mestre, mas como discípulo fiel e transido de alegria pela glória de ser discípulo, eu pretendo prolongar esse ensinamento que se cala em tantas cátedras, que se cala em tantos púlpitos, que se cala em tantos confessionários, nós somos o eco que no meio da batalha prolonga a voz do sino, leva para longe a voz do sino, fá-la ouvida por toda parte. Fiel até mesmo – oh dor! – quando o sino se calou, porque o eco continua quando o sino silencia; fiel mesmo quando o sino se põe a repicar loucamente, traindo a sua vocação de sino.

Esta é a fidelidade do eco, eco que morre a partir do momento em que ele deixa de repetir. Meu desejo na vida  não é senão repetir, repetir aquilo que eu ouvi, aquilo que eu ouvi da Santa Igreja Católica, Apostólica Romana.

E isto, esta fidelidade que até o dia de hoje eu mantive e que Nossa Senhora – eu espero – me outorgará até o fim dos meus dias, esta fidelidade, a que é que eu a devo? Permiti-me um instante de confidência.

Havia, lá por volta de 1919, de 1918, de 1920 – como isto é longe para tantos de vós que estais aqui presentes, longe como se fosse o tempo do faraó Tutancamon – havia nessa ocasião um menino em São Paulo nascido de família católica, que tinha no seu quarto uma imagem de Nossa Senhora e que tinha uma inexplicável implicância com a imagem de Nossa Senhora que estava em seu quarto. Esse menino, em determinado momento passou por uma provação muito dura. E nesse instante ele foi rezar junto a uma imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. E no colégio em que ele estava havia uma outra imagem, que era de Nossa Senhora do Bom Conselho, junto a qual ele rezava nos dias de sua provação. A culpa de provação estava nele. Podia-se dizer desse menino o que de si disse Santo Agostinho quanto à sua infância: “tão pequeno e já um pecador”. A culpa estava nesse menino.

Esse menino, entretanto, levantando os olhos para a imagem de Nossa Senhora, sem ter uma visão, sem ter uma revelação, sem ter nada que passe das vias comuns da graça, esse menino entendeu, entretanto, que Ela era a Mãe de Misericórdia, que com Ela ele se arranjaria. Ele tomou nEla uma confiança que nunca o abandonou pelo resto de seus dias. Ela lhe sorriu continuamente e esse menino tomou como dever falar dEla e servi-La enquanto ele vivesse.

Esse menino que tudo deve a Ela, e que nesse momento faz a Ela um preito agradecido de veneração mostrando que nele não há nada, mas que Ela é a Medianeira de Todas as Graças, e que a Ela nós devemos atribuir tudo, esse menino vós o vedes nesse momento. Ele acaba de vos dirigir a palavra.

 

[ aplausos ]