Catolicismo,
N.° 390, Junho de 1983 (www.catolicismo.com.br)
Brasil
83: ameaça comunista cerca o País de todos os lados – TFP denuncia o perigo
No
encerramento do 1°. Encontro Regional dos
Correspondentes e Simpatizantes da TFP, em conferência pública pronunciada
perante mais de mil pessoas, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do
Conselho Nacional da TFP, analisou o progresso do comunismo em nossa Pátria
nos últimos vinte anos e o papel da TFP ao longo desse período. Apresentamos a
seguir trechos significativos da conferência.
São Paulo — "Tudo nos introduz numa situação
muito mais vacilante do que há 20 anos atrás. O perigo veio de dentro e o
perigo veio de fora. O perigo nos cerca de todos os lados. Esta é a
realidade". — Tais palavras foram proferidas pelo Prof. Plinio Corrêa de
Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP, perante numeroso público, de
mais de mil pessoas, que lotou inteiramente o auditório "Brasilio Machado Neto", no último dia 15 de maio.
"Brasil: esperanças e apreensões", foi o tema da conferência
marcada por uma nota brilhante, cheia de entusiasmo e de fé.
Depois de analisar o progresso do perigo comunista em
nossa Pátria nos últimos vinte anos, o orador mostrou que o papel
desenvolvido pela TFP ao longo desse período consistiu em denunciar as investidas
do comunismo, "uma força minoritária" que "avança sempre à
socapa". E relembrando os efeitos produzidos sobre a opinião pública pela
difusão mundial da Mensagem
das 13 TFPs sobre o socialismo autogestionário de Mitterrand e pela
divulgação do livro "As
CEBs... das quais muito se fala, pouco se conhece — A TFP as descreve como são",
asseverou o ilustre conferencista: "Este gênero de denúncias à opinião
pública pegou. A TFP pára a investida do monstro. As garras do leão dourado da
TFP podem conter o monstro vermelho!"
64
— 84: o que mudou?
O Prof. Plinio Corrêa de Oliveira confrontou a
situação do comunismo em 64, ano da deposição do governo Goulart e,
transcorridos 20 anos, a situação dele em 1983.
Recordando que a pergunta fundamental é "o que o
brasileiro médio pensa do comunismo, até que ponto quer aceitá-lo ou
rejeitá-lo", o orador destacou o proveito tirado pelo comunismo da
propalada distinção entre duas correntes suas, o PCB e o PC do B, uma cisão
que não passa de "um folclore, mas um folclore sagaz". Com efeito, o
PCB — Partido Comunista Brasileiro — se apresenta como constituído "pelos
intelectuais do partido, homens de doutrina, de gabinete, de ordem"
enquanto o PC do B — Partido Comunista do Brasil — se diz o partido dos
"comunistas desordeiros, violentos". O papel do primeiro é o de
"encaminhar a sociedade burguesa rumo ao comunismo", vivendo no seio
dela. Ao lado desses "comunistas de burguesia", o comunismo que
adota a violência contra a burguesia "trabalha de fora para dentro para
derrubá-la".
"Eu não posso crer — continuou o Presidente do CN
da TFP — que eles estejam brigados uns com os outros. Porque uns ateiam fogo
fora e outros ateiam fogo dentro. Eles estão brigados com o bombeiro... Que
estejam brigados entre si é um folclore que eu não posso crer". Registrando
que os "comunistas de escritório", de 64 para cá, em nome da
liberdade de pensamento não foram inquietados, enquanto os terroristas do PC do
B foram reprimidos, julgados, e depois foram comer "o gordo pão do exílio
confortável e turístico dado pelo comunismo internacional", o conferencista
afirmou que, durante esse tempo, os comunistas do PCB haviam penetrado
"especialmente nos meios através dos quais se conquista a opinião pública:
seminários, universidades, dentro das universidades especialmente as
Faculdades de Comunicação Social, onde se formam homens que vão trabalhar na
imprensa, no rádio, na televisão. E quando se iniciou a abertura, o PCB tinha este
poder enorme: a ditadura dos microfones".
O
fenômeno Casaldáliga
Constatando "o fato que está diante dos olhos de
todo o mundo", o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira discorreu também sobre a
penetração da influência comunista nos seminários, fazendo notar que, "em
boa medida", essa influência "provém da ação de seminários de fora
do Brasil". Daí, por exemplo, o fenômeno Casaldáliga, para citar um nome:
"estudou em seminários espanhóis e outros lugares, veio para cá, foi
promovido a Bispo, e faz a propaganda que quer, e a faz enquanto Bispo".
Em
torno do Brasil, o perigo cresceu
Também outras conquistas estratégicas do comunismo
foram abordadas pela penetrante análise do catedrático paulista. Para ele, em
decorrência do progresso científico e tecnológico, "o Brasil ficou ao alcance
da ação militar de Moscou, pelo menos em alguma medida, e todos já estão se
lembrando dos famosos aviões líbios carregando armamentos". A isso é
preciso somar o fato de que "o Oceano Atlântico deixou de ser um mar
asséptico, em tóxicos comunistas. De norte a sul do Atlântico, no litoral
africano, o comunismo tem suas janelas". E sobre a situação em nosso Continente,
destacou que, "durante este tempo, algumas nações sul-americanas como o
Chile e o Peru adotaram o comunismo e deixaram de ser comunistas". E a
Bolívia, "que entrou no comunismo, saiu do comunismo, hoje possui um
governo que é pró-comunista".
Integridade
nacional em perigo na Amazônia?
Declarando que "ainda está para verificar, o
mistério de que, se há tantos desempregados, como é que nas casas particulares
faltam empregadas", o conferencista indagou: “Quem mantém essa muralha
psicológica por onde esta gente se vê obrigada — a acreditar no folclore comunista
— a ir lutar de bomba na mão para matar a fome e não quer pegar numa vassoura,
num aspirador de pó para matar a fome?”
E depois de comentar as declarações do Sr. Jeremias Lunardelli, presidente da Associação dos Empresários da
Amazônia, segundo as quais a Amazônia oferece não apenas empregos mas amplos
espaços a serem ocupados por pequenos e médios produtores, com a certeza de
riqueza e de progresso, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira enfatizou: "Se
nós não soubermos encaminhar as populações desempregadas para nossos
territórios ociosos da Amazônia, sabem o que vai acontecer? — É que na ONU, em
outros órgãos dela, os povos que têm excesso de população vão reclamar, em nome
da reforma agrária, a Amazônia para eles. E nós não teremos o que responder. E
a independência do Brasil que está em cena. É a integridade nacional que está
em cena".
Que
todos cumpram com seu dever
Ao final de sua exposição, o Prof. Plinio Corrêa de
Oliveira acentuou a receptividade que a TFP tem encontrado em amplos setores
da classe operária, citando como exemplo o abaixo-assinado promovido pela TFP
em Curitiba, onde "nada menos de 1.500 operários subscreveram uma prece
pedindo a Nossa Senhora Aparecida que nunca o comunismo se estabeleça no
Brasil".
Afirmando que a fidelidade à verdadeira Religião
constitui garantia da proteção de Nossa Senhora Aparecida, o conhecido líder e
pensador católico concluiu: "Do fundo da História, me vem à memória a
proclamação de um brasileiro num momento difícil. É a do Almirante Barroso na
Guerra do Paraguai: 'O Brasil — e eu acentuo: o Brasil cristão — espera que
todos cumpram seu dever'".