Seria preciso desconhecer estranhamente a
personalidade gigantesca de Pio XI para se iludir
sobre o proveito que S.S. tirará, na ordem prática das coisas, da exposição
mundial de imprensa católica, a realizar-se brevemente no Vaticano, sob os auspícios da Santa Sé.
Três vantagens
principais decorrerão da Exposição. A primeira é um estímulo vigoroso à causa
do jornalismo católico. Diante de todo o mundo católico, o Santo Padre
manifesta seu vibrante interesse pelo desenvolvimento da imprensa católica,
tomando pessoalmente a iniciativa do grande certame. E prova, assim, CORAM POPULO, a importância da questão
da imprensa, para a ação católica.
A segunda consiste em
reforçar os laços de afeto e respeito que vinculam ao Trono de São Pedro os
jornalistas católicos do mundo inteiro. O valor de um católico se aquilata pelo
seu entusiasmo pelo Papa. A devoção ao Pontífice Romano é o selo e a cúpula de
toda a formação religiosa. E essa devoção deve ser particularmente veemente no
jornalista católico que, como soldado da Igreja, deve ser um modelo de
obediência e amor ao seu Pastor Supremo.
A terceira vantagem
consiste em mostrar tudo o que os católicos têm feito... e tudo o que eles não
têm feito pela imprensa católica. Realmente, ao par de grandes provas de
capacidade realizadora em matéria de imprensa católica, haverá mais de um “stand” que
atestará mesmo em países de maioria absolutamente católica um atraso lamentável.
E isso dará certamente ao Santo Padre a oportunidade para louvar ou não louvar
o que se tiver feito ou o que se tiver deixado de fazer...
O que se dirá, por
exemplo, no “stand”
do Brasil? Como explicar que um dos países mais católicos do mundo, dirigido na
sua vida espiritual por um Episcopado que honra a Igreja pelo esplendor de suas
virtudes e talentos, apresente em matéria de imprensa católica frutos tão
magros? Como explicar que, enquanto Belo Horizonte, São Salvador, Fortaleza, Natal têm diários
católicos, a próspera e empreendedora paulicéia não
tenha nem sequer um magro semanário católico?
A recente entrevista
que a “O Legionário” concedeu S. Ex.a Rev.ma o Sr. Arcebispo
Metropolitano, na visita que lhe fizemos, nos permite, a nós, colaboradores,
redatores e leitores de “O Legionário” estar com a consciência tranqüila.
Realmente, dentro da contingência de nossas forças, temos feito o possível
neste terreno, entrando cada qual com a contribuição intelectual ou pecuniária
que pode prestar.
“O Legionário”
tem procurado vencer uma das dificuldades preliminares mais importantes para a
solução da questão da imprensa católica. Ainda recentemente, conversávamos com
o Ex.mo Rev.mo Sr. Bispo Auxiliar e o Diretor de um dos maiores matutinos da
Capital. E, no decurso da conversa, este nos informou estar a redação de seu
jornal cheia de comunistas, que não pode dispensar, porquanto não encontra,
para substitui-los, técnicos de igual valor. É a prova mais cabal de que não há
jornalistas católicos.
Assim, como pensar em fazer
imediatamente um jornal católico? Antes de fazer o jornal, não será necessário
fazer os jornalistas? Antes de construir uma casa, não é indispensável que
exista uma olaria que fabrique os tijolos necessários para a construção? “O
Legionário” pretende ser essa olaria. E da generosidade do Ex.mo Rev.mo Sr.
Arcebispo Metropolitano ouviu a afirmação de que a olaria é excelente...
Fazemos pois o que nós
podemos fazer. Mas... e os outros? Evidentemente, quanto maior for a olaria
tanto melhores e mais numerosos serão os tijolos por ela produzidos... E por
que não é maior a olaria? Francamente, a culpa não é dos oleiros. Afora um
círculo relativamente restrito de amigos fervorosos (entre os quais se alinham
nomes da maior representação no Clero e laicato católico), poucas são as
dedicações que “O Legionário” tem encontrado no seu caminho. A maior parte dos
católicos generosos julga mais meritório dar dinheiro para hospitais, para
creches, para obras de assistência social. E com isto suas bolsas dificilmente
se abrem para auxiliar qualquer outra iniciativa.
No entanto, bastará uma
pequena pergunta, que submetemos à apreciação de quem nos ler, para mostrar o
equívoco de tais católicos.
É certamente conforme à
caridade aliviar as dores físicas do homem, e prolongar por mais alguns anos a
vida dos enfermos. No entanto, perguntamos: não é mais meritório aliviar as
dores da alma, as enfermidades morais tão freqüentes em nossa época, os
padecimento ocultos, para os quais não há hospitais e nem remédios? O que é
melhor: prolongar a vida de corpos que, cedo ou tarde, descerão à sepultura, ou
a vida de almas imortais que, sem um conselho bom, dado em momento oportuno,
poderão ser atiradas à noite eterna, “em que há trevas e ranger de dentes?”
Responda quem nos ler.