São muitos os que medem a grandeza de uma
sociedade, de uma nação pela cotação de seus valores bancários, pelo número e
importância de suas indústrias, pela tonelagem de sua marinha, pelo poder de
seus armamentos. É o culto do progresso material e da violência das armas. Cada
arranha-céu que se levanta e cada novo canhão mais possante e destruidor que se
inventa, suscita o maior entusiasmo, a maior admiração. E conclui-se que essa
nação é indiscutivelmente a pioneira da humanidade.
Será real, porém, esse
título quando aplicado aos que procuram apenas o denominado “progresso”, que se mede por valores
materiais? É uma regra geral que a elevação de uma alma depende da grandeza dos
objetos de que ela se ocupa. Por outro lado, as nações são grandes por causa
dos indivíduos que as compõem. Se todas as preocupações dos homens se voltam
somente para
a Bolsa, ou as minas, ou as indústrias, ou as ciências, ou os armamentos,
poderemos dizer que esses homens são verdadeiramente grandes? O homem se
assemelha ao que trata e neste caso o pensamento desce do alto para nivelar-se
à matéria. O homem não procura mais os cumes, atingíveis somente por atalhos
estreitos, mas prefere rodar pelas estradas asfaltadas da planície da
mediocridade.
A ciência humana e o progresso material não bastam,
por si sós, para dar poder a uma nação. Dar-lhes-ão talvez brilho, mas não
poder. Não podemos pedir à ciência, a virtude. Ela está fora de seu alcance. E
a prova está em que existem sábios, homens que atingem grandes conhecimentos
humanos, mas dotados de uma alma vil. E nem sempre a ciência veio favorecer as
massas. De um lado as corrompeu, do outro as entregou à morte e à destruição.
O mesmo se diga do “progresso”, como o considera a generalidade dos homens de hoje.
Com a procura única do conforto, do luxo, do prazer, os homens perderam o
espírito de sacrifício, para só procurarem vencer pela aplicação do princípio
evolucionista da sobrevivência do mais forte. É a ciência material, puramente
material, trazida para o campo social. O resultado é a rebelião dos oprimidos,
a luta de classes, guerra social. E em vez de serem as pioneiras da humanidade
e em vez de terem um grande poder, as nações entregues apenas à ciência e ao progresso
humano se rebaixam e se destroem.
Toda a ciência e todo o progresso são lícitos e
desejáveis quando assentados em princípios que lhes permitam terem um
verdadeiro fim moral. E estes princípios que levam à procura do bem geral tendo
em vista o fim último do homem, que é Deus, só se encontram no Catolicismo. Só
neste existem, dizia Lacordaire, “idéias imutáveis que apesar da mobilidade
do tempo, apesar da instabilidade do espírito humano, subsistiram sempre, e nas
quais se sente uma raiz de perseverança e de imortalidade, na raiz granítica e
ao mesmo tempo fecunda, de maneira que o que há de mais duro, o diamante, nos
representa estas idéias imutáveis, sem que sua dureza extrema exclua seu
movimento e sua floração no universo”.
É nesses princípios que se irá buscar o ideal. E a
intelectualidade será a primeira a ganhar com essa base firmíssima.
Não mais anarquia, não mais ceticismo, não mais individualismo. Será a ordem
nas idéias, a segurança de pensamento, a fraternidade cristã, o acordo entre as
inteligências para o bem geral, para o verdadeiro progresso, para o máximo de
bem estar possível neste mundo precário e perecível. Recristianizar-se
é, pois, a única necessidade do mundo contemporâneo
A manifestação de domingo último, no Rio de
Janeiro, a grande Concentração Mariana Nacional que reuniu os moços
católicos de norte a sul do país é uma garantia de que em nossa Pátria se
processa essa recristianização desejada
e apontada pelo Sumo Pontífice como a
finalidade da Ação Católica. Por toda a parte o sopro vivificante do
Catolicismo empolga as almas moças. Trabalhando para a elevação do nível
intelectual de nossa Pátria, trabalhando para o seu progresso material, a nossa
gente sabe que só dará verdadeiro poder ao Brasil se todo o trabalho for
impregnado pelos princípios eternos da doutrina católica.
É a reflexão que surge espontaneamente a quem
assistiu a Concentração Mariana Nacional. Só à sombra
do Catolicismo e só pelas mãos de Nossa Senhora o Brasil virá a ser uma grande
nação. É necessário que os católicos não sejam agora indecisos ou dispersos.
Todos os seus esforços devem voltar-se em união com as autoridades religiosas,
para que toda a organização de nossa Pátria seja calcada nos princípios da
Igreja Católica. Não são possíveis, pois, fraqueza e dispersão: não hesitar,
não temer e não procurar além, julgando que apenas a elementos estranhos deva
caber a recristianização do Brasil. A Igreja exige dos católicos que sejam eles,
e só eles, os realizadores da missão providencial que Deus destinou à Terra de
Santa Cruz.