Constitui para esta folha um dever de justiça e de
cavalheirismo, explicar-se leal e peremptoriamente sobre uma reportagem
referente ao Salão de Maio, que foi publicada em sua edição de 13 p.p. Seja
dito preliminarmente que o repórter exprimiu sua convicção de que as tendências
artísticas de alguns trabalhos expostos denotava a influência de doutrinas
comunistas. Mas ele não afirmou e nem sequer insinuou que essa influência
existia na unanimidade dos expositores ou na Comissão patrocinadora do Salão,
cuja elevação de propósito não pôs essa dúvida.
Isto posto convém acrescentar que a publicação de
tal reportagem se verificou em um período em que o Diretor do “Legionário”,
absorvido imperiosamente por outras ocupações, não pode acompanhar a feitura do
jornal.
Se tal não se tivesse dado, nunca teria sido
publicada a relação dos nomes que integram a Comissão, e nem o de uma
expositora que foi particularmente citada como burguesa, por se encontrarem
entre eles os de respeitabilíssimas senhoras de nossa
sociedade, que não mereciam essa publicação desatenciosa e que, ainda que
merecessem, estariam, por sua situação de mães de família, acima de qualquer
debate público.
Tenho a honra de conhecer pessoalmente todas as
senhoras que integram a Comissão. A muitas delas, me prendem relações sociais
que datam de muitas gerações. Quase todas se tem destacado pela sua
benemerência para com as classes desamparadas. Bastaria mencionar, entre outras
de igual reputação, as Sras. Fábio Prado, J. Bento
Alves Lima e Caio Prado, para demostrá-lo. Se outros títulos não existissem
para que elas merecessem meu acatamento, bastaria estes.
Lamentando o ocorrido, só me resta, em nome desta
folha e o do meu próprio, o direito de o
declarar publicamente.
Plinio Corrêa de
Oliveira