O Brasil, país tradicionalmente católico, vê hoje
transcorrer o 25º aniversário da morte de Quintino Bocaiúva, um dos maiores responsáveis pela instauração, em 1889,
da república positivista e laicista que tantos prejuízos trouxe à formação
moral da nacionalidade.
Procurou o “Legionário”, revolvendo os jornais da
época do seu passamento, verificar qual o conceito em que era tido, então, quem
chegou a ser alcandorado por muitos à soberana posição de “príncipe do jornalismo brasileiro”.
A volubilidade das paixões políticas fez com que em
dois tempos os próprios republicanos se esquecessem daqueles que maiores
serviços haviam prestado à causa do barrete frígio no
Brasil. E os “republicanos históricos”,
por sua vez, acabavam seus dias choramingando a república - “que não era a dos seus sonhos...”
Com Quintino Bocaiúva o que se passava? Depois de
haver presenciado os últimos dias de uma monarquia incapaz de se manter por
causa do liberalismo de seus homens (a começar pelo imperador), tocava-lhe
contemplar os primeiros passos do novo regime para o qual contribuíra
poderosamente com o seu proselitismo de “avant-garde”.
Quintino Bocaiúva assiste de perto todos os
desmandos do militarismo e da baixa política, inevitáveis conseqüências de um
regime que (...) banira da Constituição o nome de Deus.
Nos últimos dias de sua vida, ocupava a
magistratura suprema da nação o Marechal Hermes da Fonseca. Em Quintino Bocaiúva, encontrou Hermes o apoio de um
amigo. Mas por isso mesmo, na opinião pública do tempo, cansada de suportar a
espora do militarismo que dominava com aquele Presidente, encontrou Quintino a
condenação da sua conduta política.
Falecendo o ilustre jornalista e propagandista da
república, o Marechal Hermes comoveu-se extraordinariamente. Defrontando-se com
o seu cadáver, não pode conter esta exclamação:
“Perdi um
grande amigo e o meu melhor conselheiro... O seu corpo pertence à nação!”
O cronista carioca do “O Estado de São Paulo” observava que “nos necrológios da imprensa, e mais do que isso, nos comentários com
que a nação apreciou esse desenlace, unanimemente se deplorava que o ilustre
apóstolo da propaganda republicana e da campanha abolicionista, não houvesse
aparecido alguns momentos antes, a tempo de livrar-se das tremendas
responsabilidades que assumiu perante o país, tornando-se o patrono desta
política funesta e deste governo anarquizador que
humilha e degrada o Brasil na hora presente” (referência ao governo do
Marechal Hermes).
No seu testamento, escrito 5 anos antes (em 1907),
pedia Quintino Bocaiúva que lhe não fossem prestadas homenagens oficiais nem
honras religiosas ou de qualquer outra espécie. “Na minha qualidade de maçom e de livre pensador (escrevia ele), não
tenho direito aos sufrágios da igreja católica romana”.