Legionário, N.º 252, 11 de julho de 1937

Quintino Bocaiúva

O 25º aniversário de sua morte

 

O Brasil, país tradicionalmente católico, vê hoje transcorrer o 25º aniversário da morte de Quintino Bocaiúva, um dos maiores responsáveis pela instauração, em 1889, da república positivista e laicista que tantos prejuízos trouxe à formação moral da nacionalidade.

Procurou o “Legionário”, revolvendo os jornais da época do seu passamento, verificar qual o conceito em que era tido, então, quem chegou a ser alcandorado por muitos à soberana posição de “príncipe do jornalismo brasileiro”.

A volubilidade das paixões políticas fez com que em dois tempos os próprios republicanos se esquecessem daqueles que maiores serviços haviam prestado à causa do barrete frígio no Brasil. E os “republicanos históricos”, por sua vez, acabavam seus dias choramingando a república - “que não era a dos seus sonhos...”

Com Quintino Bocaiúva o que se passava? Depois de haver presenciado os últimos dias de uma monarquia incapaz de se manter por causa do liberalismo de seus homens (a começar pelo imperador), tocava-lhe contemplar os primeiros passos do novo regime para o qual contribuíra poderosamente com o seu proselitismo de avant-garde”.

Quintino Bocaiúva assiste de perto todos os desmandos do militarismo e da baixa política, inevitáveis conseqüências de um regime que (...) banira da Constituição o nome de Deus.

Nos últimos dias de sua vida, ocupava a magistratura suprema da nação o Marechal Hermes da Fonseca. Em Quintino Bocaiúva, encontrou Hermes o apoio de um amigo. Mas por isso mesmo, na opinião pública do tempo, cansada de suportar a espora do militarismo que dominava com aquele Presidente, encontrou Quintino a condenação da sua conduta política.

Falecendo o ilustre jornalista e propagandista da república, o Marechal Hermes comoveu-se extraordinariamente. Defrontando-se com o seu cadáver, não pode conter esta exclamação:

“Perdi um grande amigo e o meu melhor conselheiro... O seu corpo pertence à nação!”

O cronista carioca do “O Estado de São Paulo” observava que “nos necrológios da imprensa, e mais do que isso, nos comentários com que a nação apreciou esse desenlace, unanimemente se deplorava que o ilustre apóstolo da propaganda republicana e da campanha abolicionista, não houvesse aparecido alguns momentos antes, a tempo de livrar-se das tremendas responsabilidades que assumiu perante o país, tornando-se o patrono desta política funesta e deste governo anarquizador que humilha e degrada o Brasil na hora presente” (referência ao governo do Marechal Hermes).

No seu testamento, escrito 5 anos antes (em 1907), pedia Quintino Bocaiúva que lhe não fossem prestadas homenagens oficiais nem honras religiosas ou de qualquer outra espécie. “Na minha qualidade de maçom e de livre pensador (escrevia ele), não tenho direito aos sufrágios da igreja católica romana”.