A Santa Igreja celebrou nesta semana as festas de
dois reis que foram ao mesmo tempo grandes Santos e grandes estadistas.
Santo Estevão foi, a bem dizer, o
fundador da monarquia húngara, o estadista de visão larguíssima e de pulso
vigoroso, que soube iniciar e consolidar a assimilação da civilização européia
pelos magiares ainda bárbaros e pagãos. Para o êxito desta obra teve ele de vencer
a oposição de seu povo, famoso pelo seu espírito combativo e voluntarioso que,
exacerbado pela barbárie, aceitou com dificuldade a disciplina da civilização.
São Luís IX foi o consolidador da monarquia francesa, cuja unidade salvou de
perigos iminentes. Lutando contra os ingleses que queriam uma parte do solo
francês, lutando contra os grandes senhores feudais, que negavam obediência à
coroa, lutando contra os mouros que ameaçavam a Europa, Luís IX foi um dos
soberanos mais ativos e mais enérgicos que a França teve. Grande protetor das
ciências, das letras e das artes, sua ação administrativa foi das mais
fecundas.
O que é curioso notar é que esses dois reis tão
enérgicos e tão varonis, revestidos embora de uma autoridade sem limites, nunca
abusaram de seu poder para aventuras políticas, extorsões fiscais, ou abusos
contra os pobres, os órfãos e as viúvas, para os quais tinham um coração de
mãe.
Nosso século, que se compraz em investir em poderes
discricionários füehrers, líderes e ditadores,
reflita um pouco nisto.
É só sob a influência da Igreja que podem florescer
os estadistas capazes de usar o seu poder com a firmeza e a suavidade
necessárias.
Quanto aos estadistas não católicos da direita como
da esquerda ou do centro, estão expostos a se deixarem desarmar ante o inimigo
por um sentimentalismo imbecil e covarde, ou fazerem de seu poder um
instrumento de tortura que acabará por supliciar até a parte sã do país. Kerensky ou Hitler, não há outra solução.