Não é preciso
ser profeta para predizer o êxito invulgar do Congresso Eucarístico Diocesano
de Sorocaba. O brilho e a piedade de um Congresso decorrem de uma preparação
próxima e de outra remota. Ambas, em Sorocaba, de tal maneira se conjugaram,
que o sucesso do grande certame eucarístico se pode prever com uma segurança
absoluta.
Dirigida pelo
espírito criterioso e sereno de seu piedosíssimo Bispo, a Diocese de Sorocaba
realizará, durante os gloriosos dias de seu Congresso Eucarístico, o formoso
símbolo que se contempla no brasão de armas desse virtuoso Prelado: sob um céu
de anil, iluminado pelo esplendor solar da Eucaristia, cândidas ovelhas, em
serena e fraternal união, se nutrem nos campos do Senhor. Com efeito, em um
ambiente desanuviado de paixões terrenas, a Sagrada Eucaristia iluminará todas
as almas que, nesses dias, acudirem à episcopal cidade de Sorocaba, como
ovelhas fiéis ao chamamento de seu Pastor.
Quem nesses
dias admiráveis admirar a tranqüilidade celestial do quadro se lembrará das
penas, das fadigas e quiçá das lágrimas que tanta bonança custou a tão feliz
Pastor? Manda, entretanto, a justiça que se ponha em relevo, nestes dias de
triunfo do Rei Eucarístico, a figura veneranda de quem a Providência escolheu
para ser o instrumento de tão belas realizações. É a essa gratíssima tarefa que
consagraremos algumas linhas.
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Contemplando de
longe a vida que levam os nossos Bispos, recolhidos ao silêncio austero e
saturado de meditação de seus palácios episcopais (e quantas vezes o aparente
esplendor da palavra “palácio” não serve senão para encobrir a pobreza de uma
habitação simples e talvez até desconfortável!), ora absortos na gestão dos
múltiplos interesses espirituais e temporais do governo diocesano, ora envoltos
na pompa das cerimônias litúrgicas, ora no ambiente protocolar das solenidades
públicas, nossos Bispos parecem por vezes ser pessoas que receberam na vida um
quinhão de escol, dividindo todo seu tempo entre o repouso das horas de prece,
o brilho lisonjeiro das funções do mundo e o aparato apetecível da vida
protocolar. E, quem assim só se deixa guiar pelas exterioridades as mais
ilusórias, pensará por certo que é atraente e invejável a vida de um Bispo.
* * *
O jugo do
Senhor é certamente suave e leve o peso que Ele impõe; isto não obstante, de
quantos sacrifícios é feita a vida de um Bispo!
Antes de tudo,
o que dele exige a Santa Igreja é uma perfeita imolação interior: não apenas a
imolação dos afetos e das tendências ilegítimas, o que a qualquer católico se
pede, mas ainda o sacrifício muito freqüente das mais legítimas consolações.
Deve o Bispo renunciar, por um ato interior profundo e eficaz, a tudo que, em
qualquer tempo ou de qualquer maneira, possa entrar em colisão com os
interesses das almas, às quais sem reserva se entregou. Só quem conhece a
realidade ao mesmo tempo trágica e luminosa que estas simples frases encerram,
pode compreender o que a oblação de um Bispo faz, de sua pessoa, no cumprimento
do dever pastoral.
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Assim, e só assim, toda a sua
personalidade adquirirá as profundas qualidades exigidas de um Bispo como
condição de êxito de seus trabalhos. Uma autoridade que avassale sem suavizar,
uma humildade que existe sem prejuízo da autoridade, uma indulgência que sabe
perdoar sem jamais pactuar, uma firmeza que sabe se impor sem jamais se
exacerbar, uma caridade que sabe elevar os homens sem jamais se rebaixar ao
nível das paixões deles; é no equilíbrio de todas essas harmoniosas antíteses
que está o segredo da profundidade de um episcopado profundamente embebido do
espírito e da seiva de Jesus Cristo. Não é, pois, em vão que a piedade do Ex.mo
e Rev.mo Sr. Bispo de Sorocaba inscreveu em seu brasão de armas o lema: “Per ipsum et cum ipso et in ipso”. Com
efeito, é na plena identificação do Bispo com Nosso Senhor que reside a causa
profunda da fecundidade de seu apostolado. Deus sabe o que de sacrifícios deve
fazer um Bispo que assim vê seus encargos, no exercício oneroso das funções de
mando e na monotonia fastidiosa da vida protocolar. Mas Deus dá o cêntuplo, já
neste mundo, aos que assim O servem. E, por isto, quando vir as imensas
falanges de seus fiéis formarem em torno do SS. Sacramento, no presente
Congresso Eucarístico, uma larga coroa de almas e de corações, o ínclito Bispo
de Sorocaba sentirá por certo, a despeito de sua proverbial humildade, que esta
coroa é uma imagem da coroa imortal que por recompensa de tantos trabalhos lhe
será dada um dia, no céu.