Um colaborador estrangeiro da “Folha da Manhã”, Sr.
Walter Lippmam, escrevendo sobre o futuro da Polônia em correspondência
datada de Nova York, expendeu acerca do futuro da Polônia algumas
considerações, que se resumem no seguinte: a história polonesa não é senão uma
série de lutas para manter sua independência contra os dois pólos que
irremediavelmente a comprimem, Rússia e Alemanha; procurando servir de fiel da balança entre estas duas
grandes potências, e consolidar sua independência pela perpétua desinteligência
entre suas poderosas vizinhas, a Polônia serviu de arena de luta para ambas, e,
nos tratados de paz, seu esquartejamento foi o preço
da reconciliação. De tudo isto decorreria que a Polônia precisaria experimentar
uma nova política, consistente em servir à Rússia de estado-vassalo,
auxiliando-a a conter, em perpétua sujeição, o povo teutônico; e o Sr. Lippmam insinua que a Rússia, livre de qualquer compromisso
quanto à integridade da fronteira oriental polonesa, cortará para seu uso uma
importante parcela do antigo território da Polônia, em compensação do que
garantirá pelo menos as fronteiras ocidentais deste país. O Sr. Lippmam julga muito suportável a solução.
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“Quaerite primum regnum Dei, et haec omnia adjicientur
vobis”. “Procurai antes de tudo o reino de Deus,
e todas as coisas vos serão dadas por acréscimo”. A esta regra não pode escapar
a política internacional. Nela, também, devemos procurar, antes de tudo, o
reino de Deus. E, assim, todas as nossas preocupações devem girar em torno da
idéia de que a organização do mundo de post-guerra
deve tomar em consideração primordial as conveniências da expansão do reino de
Deus, ou seja, a exaltação da Santa Igreja e a preservação dos povos católicos
dentro do redil dos sucessores de São Pedro. Não se pense que há nisto um unilateralismo rançoso, e que ignoramos que também os
problemas étnicos e econômicos devem ser tomados em consideração. Falando em
“importância primordial” não queremos dizer senão o contrário. A expressão
indica que também outros fatores devem entrar em linha de conta, já que o
primordial pressupõe necessariamente o secundário. O que afirmamos é que a
Religião deve vir antes de tudo. E, se cremos no Evangelho, devemos reconhecer
que as coisas materiais e secundárias só prosperarão na medida em que o reino
de Deus florescer.
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A Polônia é católica, e nossa
principal preocupação no que diz respeito a ela consiste em que lhe sejam
propiciadas todas as circunstâncias necessárias à conservação de sua Fé.
Esmagada entre a Prússia protestante e pagã
e a Rússia atéia ou cismática, a Polônia deve contar com
o apoio de todos os países católicos, para se manter independente. Por isto, a
solução fleumaticamente aventada pelo Sr. Lippmam não
nos satisfaz.
Para católicos, entregar uma parte da Polônia ao
domínio soviético implica em atirar irmãos às feras. Por isto, não podemos
aceitar qualquer idéia de partilha. Mas, sobretudo, desgosta-nos a perspectiva
de ver a parte eventualmente independente da Polônia transformada em mero
protetorado bolchevista. Para um católico, esta idéia é absolutamente
insuportável.
Exceto para os católicos ingênuos, que acreditam na
conversão do comunismo, e que, por estranho paradoxo, proclamam que a Igreja
não está em oposição aos princípios sociais e
econômicos do bolchevismo.