O Revmo. Sr. Pe. Raimundo Pujol, Provincial dos Missionários do Coração Imaculado de
Maria, deu a lume uma obra sobre a devoção básica da gloriosa
Congregação a que pertence. Gostaríamos que o belo e prático volume editado
pela “Ave Maria” estivesse em mãos de todos os católicos verdadeiramente
piedosos, autenticamente interessados nos destinos da Igreja em nossos dias.
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“Dos católicos verdadeiramente
piedosos”, dizíamos. Com efeito, toda a piedade verdadeira tem por objetivo dar
glória a Deus e conduzir o homem à virtude. Para uma e outra coisa, que aliás
se confundem, a devoção ao Coração Imaculado de Maria é um verdadeiro dom da
Providência a este pobre e dilacerado século XX.
Nossa Senhora é a Medianeira de todas
as graças. Querer rezar sem a intercessão dela é o mesmo que pretender voar sem
asas, diz Dante. Se desejamos que nossos atos de
amor, de louvor, de ação de graças e de reparação cheguem até o trono de Deus,
devemos depositá-los nas mãos de Maria Santíssima. Seria ridículo imaginar que
Nossa Senhora constitui um desvio, e que atingimos mais diretamente a Deus se
não nos dirigirmos a Ela. O contrário é que é verdade. Só por meio dela é que
chegamos a Deus. Prescindir de Nossa Senhora para chegar a Jesus Cristo, sob o
especioso pretexto de que Nossa Senhora constitui um anteparo entre nós e Seu
Divino Filho, é tão estulto quanto pretender analisar os astros sem telescópio,
“diretamente”, por imaginar que o cristal das lentes constitui um anteparo
entre os astros e nós. Quem quisesse fazer astronomia “diretamente”, a olho nu,
não faria astronomia, mas tolice. Pretender ter vida de piedade sem o auxílio
de Nossa Senhora, é o mesmo que fazer astronomia a olho nu.
O mesmo se diga quanto ao papel de
Nossa Senhora em nossa santificação. Não são poucos os católicos que,
verificando a imensa desproporção que existe entre a debilidade das forças
humanas e a dureza da luta que a preservação da virtude impõe, se deixam
arrastar a uma moral latitudinária, minimalista,
cheia de transações com o espírito do século. E, para isto, os pretextos, as
razões falsas, porém verossímeis, não lhes faltam. Apelam para a fraqueza moral
do homem contemporâneo, para as mil dificuldades que a civilização moderna cria
para a prática da virtude, etc., etc. De uma coisa, entretanto, se esquecem:
por mais fraco que seja o homem, a graça de Deus é invencível. Quando a graça
de Deus encontra o apoio de uma correspondência generosa no homem ela pode
milagres. “Tudo posso nAquele que me conforta”,
escreveu São Paulo. Com o auxílio de
Deus as crianças, as donzelas, os anciãos enfrentavam no Coliseu os mais
terríveis tormentos. Será possível que o cristão católico de nossos dias não
possa enfrentar os perigos da civilização moderna?
A questão, para dilatarmos as
fronteiras da Santa Igreja, por todo o universo, não consiste em afrouxarmos a
invencível doutrina de Jesus Cristo. Saibamos viver a vida da graça com a plena
correspondência de nosso livre arbítrio. Saibamos procurar a graça nas fontes
onde realmente ela jorra, e com o auxílio dela tornemo-nos fortes para todas as
austeridades que o Espírito Santo de nós exige. Entre
essas fontes da graça, está sem dúvida, em lugar relevantíssimo,
a devoção ao Coração Imaculado de Maria.
Na Sagrada Escritura encontramos esta
frase: “porque foram fracos, eu lhes abri uma porta que ninguém poderá fechar”.
Esta porta aberta para a fraqueza do homem contemporâneo é o Coração Imaculado
de Maria. Com efeito, nada nos pode dar maior confiança, esperança mais
fundada, estímulo mais certo, do que a convicção de que em todas as nossas
misérias, em todas as nossas quedas, não temos apenas, a nos olhar com o rigor
de Juiz, a infinita Santidade de Deus, mas também o coração cheio de ternura,
de compaixão, de misericórdia, de nossa Mãe Celeste. Onipotência Suplicante,
Ela saberá conseguir para nós tudo quanto nossa fraqueza pede para a grande
tarefa de nosso reerguimento moral. Com este coração,
todos os terrores se dissipam, todos os desânimos se esvaem, todas as
incertezas se desanuviam. O Coração Imaculado de Maria é a Porta do Céu aberta
de par em par aos homens de nosso tempo, tão extremamente fracos. E esta porta
“ninguém a poderá fechar”, nem o demônio, nem o mundo, nem a carne.
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Fazer apostolado é, essencialmente,
salvar almas. Aos que se interessam pelo apostolado nada deve importar mais do
que o conhecimento das devoções providenciais com que o Espírito Santo
enriquece a Santa Igreja em cada época, para a utilidade das almas. O Sumo
Pontífice atualmente reinante aponta duas devoções: a do Sagrado Coração de
Jesus, a do Coração Imaculado de Maria.
Aparecendo em Fátima, Nossa
Senhora disse textualmente aos Pastorinhos que uma
intensa devoção ao Coração Imaculado de Maria seria o meio de salvação do mundo
contemporâneo. Milagres sem conta tem atestado a autenticidade da mensagem
celeste. Não nos resta, senão confortarmo-nos ao ditame que dela decorre. Se
essa é a salvação do mundo, se queremos salvar o mundo, apregoemos o meio
providencial para sua salvação. No dia em que tivermos legiões de pessoas
verdadeiramente devotas do Coração Imaculado de Maria, o Coração de Jesus
reinará sobre o mundo inteiro. Com efeito, essas duas devoções não se podem
separar. A devoção a Maria Santíssima é a atmosfera própria da devoção a Nosso
Senhor. O verão traz as flores e os frutos. A devoção a Nossa Senhora gera como
fruto necessário o amor sem reservas a Nosso Senhor Jesus Cristo. E, no dia em
que o mundo inteiro voltar a Jesus por Maria, o mundo estará salvo. Para todas
as almas apostólicas é, portanto, de primordial importância o culto ao
Imaculado Coração de Maria.
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Temos falado constantemente em
“verdadeira” devoção. Com efeito, não nos bastam as devoções externas, formais,
convencionais. É preciso que a devoção seja esclarecida, inteligente, sensata,
fecunda. Ela deve resultar de persuasões firmes, gerar resoluções duráveis.
O livro do Revmo Sr. Pe. Raimundo Pujol, em linguagem atraente e edificante, chega
precisamente a este resultado. Escrito com muita suavidade de estilo, ele é,
entretanto, altamente substancioso, e contém todos os elementos de um estudo lógico,
claro, rico, a respeito da devoção ao Coração de Maria.
Este livro não é apenas uma série de
ditirambos, mas uma doutrina substanciosa, que se pode compreender, assimilar,
admirar. Lendo-o, estudando-o adquirem-se os conhecimentos necessários para que
a devoção ao Coração de Maria deite em nosso espírito as raízes sólidas de que
carece. Quer quanto ao histórico dessa devoção, quer quanto aos seus
fundamentos dogmáticos e sua importância em nossos dias, o Revmo. Pe. Raimundo Pujol dá a conhecer ao público tudo quanto é desejável.
Para a propagação do culto ao Coração Imaculado da
Santa Mãe de Deus, os filhos do Beato Claret
[canonizado por Pio XII a 7 de maio de 1950, n.d.] acabam de dar
portanto mais um grande tributo, pela pena de seu ilustrado e douto Provincial.