Sustenta alguém que os políticos paulistas precisam
contratar uma missão mineira para os iniciar nos segredos da estratégia
política, como a missão francesa ensinou à nossa Força Pública os segredos da
estratégia militar.
Agora, mais do que nunca, se patenteia a inteira
procedência do conselho impertinente.
Não sabemos, realmente, qual o pensamento dos próceres
peceistas ou perrepistas a
respeito da campanha de mútua difamação a que eles procedem diariamente, nas
colunas de nossos diários.
Se, porém, eles quisessem auscultar a opinião
pública, isto é, o pensamento daquela grande massa da população que não está
presa às paixões partidárias pelos laços do interesse ou do parentesco, estamos
certos que se encheriam de desgosto.
Efetivamente, os dois grandes partidos estão
gastando suas reservas de prestígio perante a opinião. As difamações com que se
bombardeiam, em lugar de se neutralizarem uma à outra, se somam. E o grande
público vai se habituando a aceitar como certos ou ao menos como prováveis os
aleives partidos de qualquer dos lados da barricada.
Com isto, se acentua o imenso cansaço do Brasil,
que, mais do que nunca, almeja o advento de um ou alguns homens capazes de
imprimir rumos novos à sua curta e triste história de nação precocemente
envelhecida ao contato com os vícios e os erros da civilização burguesa.
E a tal ponto se tornou veemente esta aspiração,
que as expressões de “carcomido”, “renovação de quadros”, “mentalidade nova”,
etc., passaram à categoria dos mais surrados chavões.
É este, no entanto, o grande erro dos elementos bem
intencionados.
Não é de um ou de alguns homens, que devemos
esperar a salvação do Brasil.
Um país que se deixe guiar por movimentos meramente
personalistas é um país que caminha muito longe de sua salvação.
O Brasil não precisa de
homens, repito; o Brasil precisa de uma Idéia.
Esta Idéia, ou este Ideal que intencionalmente
escrevemos com “I” maiúsculo, não precisamos dizer aos leitores do “Legionário”
qual seja. Não é propriamente “um
Ideal” mas “o Ideal”, o nosso Ideal, o Ideal por excelência, é o Catolicismo em todo o vigor de
sua pujança sobrenatural, e no esplendor de sua prática integral.
Reservamo-nos para, na próxima nota, mostrar até
que ponto, quer no tocante aos seus problemas psicológicos, quer no que se
relaciona com suas questões políticas, administrativas e até econômicas, a
famosa “realidade brasileira” reclama a aplicação urgente do Catolicismo.