Um caso político prende, nestes últimos dias, a
atenção dos jornalistas, que o têm comentado em seus detalhes os mais
pitorescos. É o do Espirito Santo, onde o interventor
deveria ser eleito presidente por 13 votos, contra 12 dados ao candidato da
oposição; mas, no mesmo dia em que o Sr. Punaro Bley devia apresentar os
seus 13 eleitores ao chefe da Nação, verificou-se a falta de um, que aderira à
oposição, a qual passou assim a ser maioria; e logo mais três deputados
abandonaram a corrente do interventor para acompanharem a nova maioria. Os nove
restantes, porém, procuraram um novo candidato à presidência do Estado e o
acharam nas hostes da antiga minoria; e ele, aceitando sua indicação, arrastou
consigo mais três companheiros, que juntos aos 9 já existentes e a ele próprio,
candidato, restabeleceram a antiga maioria...
Não é impossível que novas modificações se dêem
nessa relação maioria-minoria, condicionada apenas por um deputado de número
13!...
Se esse, porém, é o aspecto por assim dizer
humorístico da questão, quanto de grave, de profundamente grave ela revela. Adicionem-se-lhe todos os outros incidentes aparentemente
banais que se desenrolam de norte a sul e ter-se-ia que justificar a afirmação
do Ministro da Guerra, em recente manifesto ao Exército: “O Brasil é
esquecido”. Essa é a verdade que o general Góes Monteiro fez muito bem em
recordar, e que tem que ser enfrentada por todos os que colocam acima de seus
interesses pessoais, por mais legítimos que sejam, o interesse da Pátria.
A atitude dos deputados espírito-santenses não é
uma particularidade que só a eles pertença; é a regra no Brasil, essa
instabilidade de opinião característica de uma falta de convicções, do
superficialismo banal com que são tratados os assuntos da mais grave
importância, do utilitarismo imoral com que são desejados e tomados os cargos
públicos. Generalizou-se esse estado de espírito entre os civis, e infiltrou-se
o exército por doutrinas extremistas que fizeram perder a muitos militares o
senso da hierarquia; e no meio de toda essa agitação esqueceu-se o Brasil!
A confusão, porém, chegou ao máximo; é inútil
pretender que todos os que assim clamam e não se entendem, consigam descobrir o
caminho que os leva ao Brasil. Eles são elementos estranhos à Pátria,
exteriores ao seu querer, ao seu pensar, aos seus ideais. Como parasitas, ainda
estão presos ao seu dorso, prejudicando-a em sua lenta convalescença, no
renascer de seu espírito, no fortalecimento de sua vontade. Mas o tradicional
cristianismo, que é a força do Brasil, alijará um dia com um sacudir de ombros,
esses elementos, perversos alguns, inconscientes muitos, que só souberam ver-se
a si mesmo e se esqueceram da terra onde nasceram. Esse o grande papel
reservado ao Catolicismo em nossa Pátria, como mais de uma vez tem sido
acentuado por estas colunas. Só o conhecimento e a prática integrais de suas
doutrinas, salvarão o Brasil. E só ele não se esquece agora do Brasil,
preparando-lhe uma elite intelectual católica, só e essencialmente católica,
que lhe traça a rota e realizará, quando Deus for servido, o seu reerguimento e a sua grandeza.