Uma idéia infeliz... [ 1 ]

“O Legionário”, N.º 183, 27 de outubro de 1935

 

É muito justo que os paulistas procurem homenagear os grandes vultos de sua terra. No entanto, nada há que legitime o intento de realizar estas homenagens às expensas das tradições religiosas do povo brasileiro.

Lamentamos, portanto, que a Academia Paulista de Letras, a que pertencem tantos homens que se proclamam católicos, tenha sugerido a mudança dos nomes do Largo de São Bento e da Rua São João, para denominações alusivas às bandeiras paulistas.

E lamentamos também que o Sr. Deputado Alfredo Ellis fizesse aprovar esta idéia pela Câmara Paulista, sem que a  voz de qualquer dos católicos que têm assento naquela Casa se erguesse para protestar contra tal deliberação. Efetivamente, os jornais noticiaram que foi unanimemente aprovado o projeto...

Dir-nos-ão que a mudança do nome de uma rua é coisa totalmente sem importância e que não valia a pena, por tão pouco, suscitar na Câmara uma questão de natureza religiosa.

A esta consideração, responderemos com uma pergunta:

Se não tem importância o nome de uma rua, por que razão aprovou a Câmara uma medida destinada a substituir o nome de São João pelo de Bandeirantes na nossa grande avenida? Para homenagear os bandeirantes, dirão, e para incutir no povo a admiração por seus feitos. E São João? Terão seus feitos sido, porventura, menores do que os dos bandeirantes? Merecerá menos homenagens? Será mais necessário que o povo admire os bandeirantes do que cultue São João? E por que escolher exatamente o nome de São João para riscá-lo da avenida, em lugar de dar nome novo a tantas ruas que trazem nomes inteiramente inexpressivos em São Paulo, como a Avenida da Água Branca, a Rua Augusta, e principalmente a Rua Direita?