Na carta do Sr. Luiz Carlos Prestes, lemos o seguinte tópico: “De todas as minhas cismas
sempre concluí: no Brasil só se pode fazer a revolução comunista por meio dos
intelectuais que nos ajudariam a formar uma geração intelectual futura
comunista. Logo, são as classes ricas o alvo predileto da propaganda
comunista”.
A julgar por este tópico, o proselitismo comunista
não explora a miséria de operários famintos, mas a sandice de intelectuais “blasés”.
O terreno próprio para a semeadura da má semente
não é pois o estômago vazio dos indigentes, mas o cérebro vazio de alguns
burgueses.
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Mas em outro tópico o chefe comunista pergunta:
“Como fazer uma revolução comunista num país tão vasto e em condições geofísicas e sociais absolutamente contrárias à ideologia
superior? Um país sem inverno, onde a palavra pão tem uma pálida significação
revolucionária só nas grandes cidades e em alguns pontos do litoral, onde a
palavra terra é até um escárnio pela imensa vastidão dela, e onde liberdade não
tem sentido fora das fábricas e de uma companhia Matte
Laranjeira, exceções aberrantes no imbecil cenário brasileiro”.
Se o comunismo não vinga nas camadas populares,
graças à largueza em que vivem, por que vinga ela nas classes apatacadas, onde
a largueza da vida é ainda maior?
Incoerências do Sr. Prestes... que, aliás, a
ninguém podem espantar.
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O Sr. Prestes não quis confessar a verdadeira causa
do seu insucesso. Mas sua correspondência no-lo revela.
É que o Sr. Prestes sentiu perfeitamente que o
brasileiro é profundamente católico, e que só por uma descarada mistificação
poderia cerrar fileiras em torno do comunismo. No momento em que o antagonismo
irredutível entre Cristo e Marx lhe fosse patenteado, optaria pelo primeiro.
* * *
Por isto é que o Sr. Prestes evitava de declarar
suas convicções religiosas, e muitos dos mortos em Natal, em Recife e no Rio, traziam no bolso terços e medalhas.
Por isto, ainda, é que o comandante Sisson escreveu este
cínico conselho:
“Lembro uma ação, não tanto de palavras, mas de
exemplo de tolerância religiosa, em nosso meio, para destruir a lenda de que
somos contra a religião.
Procurem alguns líderes católicos e que eles
pratiquem a sua religião; que eles tomem a palavra em celebrações religiosas e
que aí demonstrem que eles, bons católicos, são aliancistas
convictos, patriotas e nacionalistas libertados”.
* * *
Neste sentido também é significativa a seguinte
notícia sobre o cofre-arquivo de Luiz Carlos Prestes
estampada pelos jornais:
“Examinado o cofre, descobriu-se que no seu fundo
havia novos esconderijos, onde se guardava volumosa correspondência - o arquivo
de Luiz Carlos Prestes:
Muitas cartas ali estavam escondidas, todas
revelando o desenvolvimento dos acontecimentos extremistas nesta capital e nos
Estados. Entre outras, segundo informa a polícia, endereçadas a Prestes, há
várias inquirindo-o acerca dos objetivos da ação dos enviados de Moscou nesta
capital, em colaboração com a Aliança Nacional Libertadora. Há, também,
perguntas sobre como o comunismo encararia os problemas de religião e da
família”.
* * *
A propaganda comunista tem obtido, no seio da
classe médica, resultados verdadeiramente surpreendentes.
Verificou-se que os médicos sofrem grande atração
pelo extremismo, a ponto de constituírem 25 por cento dos quadros do Partido
Comunista.
Provavelmente, uma das causas dessa perniciosa
tendência é conhecerem os médicos muito bem o corpo humano, mas desconhecerem,
evidentemente, as necessidades do corpo social.
Além disso, apurou-se que esses médicos eram recém-formados e que não tinham conseguido firmar-se no
exercício da medicina.
Portanto, seria de grande vantagem que o governo
apertasse os exames, e só permitisse no curso médico aqueles que tivessem, de
fato, todas as probabilidades de se firmarem no exercício da nobre profissão.
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Em torno do nome do general Manuel Rabello, circularam, ultimamente, várias notícias desencontradas
e suspeitas.
Agora, cessado o movimento extremista, o presidente
da República concedeu a sua exoneração do cargo de comandante da 7ª Região
Militar. Como nada, até então, ficara bem esclarecido quanto às suas atividades
no norte do País, é bem possível que a sua exoneração se prenda aos últimos
acontecimentos extremistas que nos agitaram durante os dois últimos meses do
ano passado.
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Foi resolvida a organização de uma comissão de
propaganda e assistência ao proletariado brasileiro contra o comunismo.
Essa comissão, patrocinada pelo Sr. Presidente da
República, tem por objetivo mostrar, aos nossos operários, que todos os seus
problemas podem ser resolvidos, satisfatoriamente, dentro do atual regime.
É bem de
ver, entretanto, que o êxito dessa comissão será tanto maior quanto mais nítida
for a sua orientação cristã. Somente a doutrina de Cristo poderá trazer aos
operários a paz e a resignação de que necessitam, para dar cumprimento à sua
espinhosa missão social. Somente em Cristo encontraremos a justa compreensão de
todas as coisas.
Aliás, justiça seja feita, o Sr. Getúlio Vargas demonstrou, em seu
discurso de ano novo, conhecer, perfeitamente, o sentido cristão da vida
brasileira.
* * *
O divórcio nos Estados Unidos continua a fazer
vítimas.
Um telegrama de Hollywood informa que o
divórcio do casal Douglas Fairbanks e Mary Pickford, tornar-se-á definitivo a 10 de Fevereiro próximo.
Depois, enquanto Douglas Fairbanks
vai a Londres casar-se com Lady Ashley, Mary Pickford
se casará com Buddy Rojas, outro ator cinematográfico e chefe de orquestra.
Pode-se ver, pela notícia acima, a série de erros
que esse divórcio acarretou: destruiu um lar, permitiu a realização de dois
casamentos ilícitos e desviou quatro pessoas do verdadeiro caminho da vida.
O noticiário dos jornais americanos estão sempre
cheios de casos como esse. E o mesmo acontece em grandes países da Europa que
se dizem super-civilizados. Mas, civilizados somos
nós, brasileiros, que não consagramos em nossa Constituição a bárbara lei do
divórcio.