Ao mesmo tempo que em nosso artigo de fundo
registramos o pesar do Vaticano pela conquista da
Dinamarca e parte da Noruega por parte das
forças alemãs, temos o desprazer de noticiar, nesta seção, o júbilo que tal
acontecimento provocou nos arraiais fascistas. A este respeito, nada é mais
expressivo do que o comunicado da agência oficial italiana “Stefani”,
que colide categoricamente com o ponto de vista do “Osservatore Romano”. Diz o
comunicado:
“A opinião pública italiana, que condenou a
violação da neutralidade norueguesa pelas potências democráticas, considera
inteiramente legítimas as medidas tomadas esta madrugada pela Alemanha em
relação à Noruega e Dinamarca. O golpe que os aliados pretenderam desencadear
contra a Alemanha foi contraproducente e feriu os próprios aliados. Do ponto de
vista estratégico, o alto comando alemão conquistou posições de primeira classe
para a vigilância da Escandinávia e domínio do Mar do Norte. A Alemanha pode,
agora, vigiar as minas escandinavas que já foram cortadas à Inglaterra.
Qualquer resistência norueguesa será apenas formal, como foi o protesto da
Noruega contra a agressão franco-britânica.”
* * *
Não será supérfluo acrescentar que toda a imprensa
fascista secundou a agência “Stefani” na atitude por
esta assumida. Neste sentido, quase todos os jornais fascistas publicaram
vistosas “manchetes” em que externavam seu ruidoso contentamento pela agressão
alemã às duas monarquias setentrionais, e prognosticavam com jubilo a próxima
vitória do III Reich. Do III Reich é evidentemente, implicitamente,
inegavelmente, indubitavelmente, da III Internacional, se bem que a esta não se
referissem os órgãos fascistas.
Tempora mutantur!
* * *
Teríamos o direito de esperar que a Espanha, recentemente libertada das garras do comunismo,
protestasse energicamente contra essa nova expansão do eixo totalitário Berlim-Moscou no Báltico e Mar do Norte. Esta atitude seria
imposta pela mais elementar coerência com os princípios que constituíram a
medula da revolução nacionalista.
Não nos consta que tenha sido esta a atitude da
imprensa espanhola toda ela oficiosa.
A possível invasão do território holandês gera em
nós uma séria preocupação. Ao norte do Brasil está a Guiana
Holandesa. Se a invasão da Holanda determinasse a
anexação dessa colônia ao Reich alemão, quem não percebe os evidentes perigos
que daí decorreriam?
Felizmente, porém, a integridade territorial da
América está garantida por numerosos pactos internacionais, e temos o direito
de esperar que não se venha procurar neste continente um “espaço vital”, que é
vital para o conquistador e mortal, muito freqüentemente, para seus vizinhos.
* * *
O Sr. Ivo de Aquino, Secretário da
Educação de Santa Catarina, fez ao “Correio do Povo” certas declarações segundo
as quais a campanha pró nacionalização daquele Estado tem encontrado óbices em
certas agremiações religiosas em que se tem disfarçado os estrangeiros para
escapar à ação da polícia.
Basta conhecer, ainda por alto, o “Legionário” para
perceber que ele só pode considerar com simpatia qualquer campanha tendente a nacionalizar
aquele Estado. Entretanto cumpre acentuar ser impossível que as “associações
religiosas” a que alude aquela autoridade sejam associações católicas. Não há
associações católicas autênticas que funcionem sem aprovação eclesiástica. Por
outro lado, a aprovação nunca seria dada pelos Bispos a associações que não
tivessem todas as garantias de seriedade de propósitos e de honestidade. E,
caso alguém conseguisse burlar a vigilância eclesiástica, uma simples denúncia
devidamente justificada e comprovada das autoridades civis levaria certamente
as autoridades eclesiásticas a eliminar o abuso.
Nada, pois, pode autorizar a suposição que se trate
de associações católicas, mas apenas de entidades protestantes ou cismáticas. E
nada há que possa explicar ao menos remotamente, qualquer violação aos direitos
da Santa Igreja.
Queremos dar este sentido às declarações do Sr. Ivo de Aquino, a respeito das quais os telegramas só nos
forneceram uma notícia muitíssima sucinta.