Nossas considerações anteriores sobre “Quisling, Mosley & Cia.”
tiveram imprevista e sensacional confirmação com as declarações do Eng.º Mussert, Führer do Partido Nazista
holandês, segundo as quais, caso a Alemanha invadisse a pequena e simpática
monarquia da Rainha Guilhermina, os holandeses
filiados àquela agremiação cruzariam os braços.
Tais declarações, que dispensam comentários, foram
feitas à Columbia Broadcasting,
e reproduzidas com explicável indignação pela imprensa dos Países Baixos.
* * *
Merecem especial registro as declarações formuladas
à United Press pelo
Sr. Hambro, Presidente do Parlamento Norueguês. Essa alta
personalidade política, que fugiu juntamente com o Rei Haakon,
não querendo submeter-se ao jugo iníquo das tropas nazistas, teve afirmações
que ilustram singularmente certos conceitos emitidos por esta folha.
Começou ele declarando ter provas de que a invasão
da Noruega foi preparada pelos alemães meses antes de ser
levada a efeito, e que disto tinham conhecimento os serviços de espionagem
francês e inglês, que se abstiveram, entretanto, de comunicar ao governo do Rei
Haakon uma só informação! Será crível que, sem
manifesta traição, durante meses a fio os alemães pudessem estar .....[ilegível
no original] Noruega, sem que a polícia daquele país percebesse algo? Só uma
traição de elementos noruegueses filiados ao grande consórcio totalitário
internacional explicaria tal fato. Por outro lado, como explicar este mutismo
da França e Inglaterra?
* * *
Ainda acentuou o Sr. Hambro
que o cônsul alemão em Trondheim, e ulteriormente em Narvick, é
um certo Herr Nolda, ex-cônsul no Havre, que se retirou daquela cidade por ter sido
suspeitado pelas autoridades francesas de haver preparado o incêndio do navio
“Paris” a fim de que o “Normandie” saísse do porto!
O Sr. Hambro declarou
haver premunido em tempo o governo norueguês contra este indivíduo, sem
entretanto lograr resultado!
* * *
Por que não ofereceu a Noruega resistência maior?
O Sr. Hambro o explica. Em primeiro lugar porque
“desgraçadamente para a integridade territorial norueguesa, a ausência de
navios de guerra britânicos quando os alemães ocuparam os portos noruegueses,
deram a mais desastrada prova de que a Grã-Bretanha não estava
preparada, em absoluto, para desembarcar tropas na Noruega. Isso também o
indica o fato de somente terem desembarcado as primeiras tropas britânicas nove
dias depois de se terem estabelecidos as tropas alemãs solidamente em
território norueguês”. Em segundo lugar porque “a Noruega, não suspeitando da
gravidade da situação, nenhum preparativo tinha realizado. O Sr. Koth, Ministro do Exterior, tinha além disto grande confiança
no ministro alemão, que havia manifestado oficialmente sua simpatia pela
Noruega”.
Para tais palavras, só um comentário é possível:
confere!
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O “Legionário” publicou, no início deste ano, uma
notícia em que mostrava ser dificílimo - para não dizer mais - o bloqueio da
Alemanha, que poderia receber de diversas fontes o alimento necessário.
Nossas considerações tiveram interessante
confirmação com a inquietude manifestada pelo Sr. Cross, em banquete realizado na Câmara Americana de Comércio em
Londres, quando demonstrou de modo irrefutável que o Porto de Wladivostock serve de meio para
eliminar quaisquer tentativas de bloqueio, recebendo através dele os alemães,
as matérias primas que desejarem!
Também confere!
* * *
É com amorosa apreensão que pensamos no Vaticano,
ao escrever estas linhas. As relações ítalo-alemãs,
cada vez mais estreitas, culminaram agora em matéria de cordialidade, com a
nomeação do embaixador italiano no Vaticano, Sr. Dino
Alfieri para embaixador em
Berlim. O Sr. Alfieri - ex-embaixador
junto ao Chefe da Cristandade! - é um dos fascistas mais nazificantes
e mais amigos da Alemanha. A ele se deveu, quando ministro da Propaganda, um
intenso trabalho no sentido de tornar popular na Itália fascista a Alemanha
nazista. E a imprensa fascista, ao noticiar sua transferência para Berlim,
mostra nela um indício de novo estreitamento dos vínculos políticos e culturais
do eixo totalitário teuto-italiano.
Depois disto, que grandes resultados se podem
esperar da nomeação do Sr. Bernardo Attolico junto ao Vaticano?
* * *
Sabemos que nossas palavras causarão irritação não
pequena em certos círculos. Disto, entretanto, não nos arrependemos. Estes
círculos são ligados aos que desenvolvem agora, na Itália, furiosa campanha
contra o benemérito “Osservatore Romano” por ter este censurado a nomeação de
um alto comissário alemão em Oslo. Toda a imprensa fascista move atualmente
grande campanha contra a Santa Sé, campanha esta na qual se destaca o órgão do
Sr. Farinacci. Pedem os jornais oficiosos ou oficiais na península -
não há outros - que o “Osservatore” não seja lido na Itália. O Sr. Farinacci chegou a dizer que, se quiser circular na
península, deverá o órgão do Vaticano ocupar-se exclusivamente de assuntos de
Teologia, Moral e Hagiografia.
Em primeiro lugar, não compreendemos esta distinção
entre o “Osservatore” e o Papa. Impedir a circulação do “Osservatore” é impedir
a difusão do pensamento do Papa. E se é isto que se quer, por que não ter a
hombridade de o dizer abertamente?
Em segundo lugar, o fascismo se jacta de ter
destruído o liberalismo. O que, entretanto, se pode imaginar de mais totalmente
liberal e rançoso do que a afirmação de que a Igreja não pode tratar dos
assuntos políticos, sociais e econômicos relacionados com sua doutrina?
* * *
Finalmente, a irritação da imprensa fascista também
tem outro motivo, largamente alegado por ela: a condenação da Santa Sé de todas
as obras do filósofo fascista Oriani.
A atitude é curiosa. Se o fascismo fosse realmente
católico, como às vezes ele se diz ser, deveria agradecer à Santa Sé o ter denunciado
este lobo, cujas doutrinas o Partido deveria ser o primeiro a renegar.
Entretanto, o Partido se irrita. O que pensar, à vista disto, de suas
convicções religiosas?