Não faltaram pessoas que achassem que o
“Legionário” se excedia apontando como catastrófica a linha política seguida
por Sir Neville Chamberlain. Houve mesmo leitores suficientemente levianos
para imaginar que nossa atitude envolvia certa simpatia para com a... Alemanha
nazista!
Evidentemente, tal opinião acerca de nossa conduta
nem sequer precisaria de ser refutada. Basta ler o “Legionário” com um pouco de serenidade para ver que se uma coisa não nos falta, graças a
Deus, é um ardor anti-nazista categórico, ativo e
minuciosamente coerente. Hoje em dia vê-se como eram dignas de aprovação nossas
opiniões sobre a política inglesa. A formidável crise política que o Sr. Chamberlain teve de enfrentar
prova claramente que se a opinião inglesa se conteve durante certo tempo,
fazia-o por prudência, não porém sem perceber os fracassos sucessivos que sua
imprevidência incorrigível impunha à Grã-Bretanha.
E os simpatizantes de Chamberlain
no Brasil, sempre fiados nas “razões superiores e confidenciais” pelas quais
ele agiria, ficam vendo que ao “Legionário” não faltou perspicácia afirmando a
inexistência de tais razões que o Parlamento inglês não julgou suficientes.
* * *
Muito interessante é o telegrama proveniente de
Paris segundo o qual o camarada Maurice Thorez, talvez o mais influente e famoso dos comunistas franceses,
se encontra atualmente na Alemanha, sob a proteção do Reich, estando incumbido
de organizar uma campanha, dentro da França, nociva aos interesses
desta. Thorez foi condenado à morte pelos tribunais
franceses como desertor, e portanto recusou-se a pegar em armas contra o
nazismo.
* * *
Registramos como documento de suma importância o
comunicado do Cel. A. B. Gehs, chefe de uns dos corpos do exército norueguês, em que
aquele militar afirma que: a) os aliados haviam concertado com ele uma ação
comum, afetando determinado postos estratégicos ocupados pelos alemães; b) que
eles abandonaram repentinamente as posições sem dar disto o menor aviso aos
noruegueses; c) que em conseqüência disto os noruegueses ficaram com o flanco
direito desprotegido, e a retaguarda inteiramente exposta; d) que o caráter
imprevisto e catastrófico do acontecimento obrigou os valentes súditos do Rei Haakon, alistados naquele corpo de exército, a negociar um
armistício com o invasor. Também é digno de nota que o Gal. Odet, chefe do corpo expedicionário francês, escreveu ao Cel. Gebs informando-o de que, se agira assim, é porque a tanto
o obrigavam ordens provenientes de seu governo.
* * *
No meio de tantas notícias tristes, o “Legionário”
noticia com respeitosa simpatia a visita de S. A. o Príncipe do Piemonte à S.S. o Papa Pio
XII. É esta a segunda vez
que S. A. e a Princesa do Piemonte visitam o atual Pontífice, aumentando assim
os vínculos de filial e profundo respeito que hoje em dia unem a dinastia
italiana à Cátedra de São Pedro. Mas a visita que o Sr. Mussolini deveria ao Papa
ainda não se fez. Far-se-á ela algum dia?
* * *
Encerremos estas notas com os olhos postos no Papa.
Continuam os esforços verdadeiramente heróicos de S. S. o Papa Pio XII no
sentido de preservar a paz. É muito de se notar que, com paternal afeto, o
glorioso Pontífice foi recentemente à Basílica de Santa Maria Minerva, em território italiano, e ali celebrou em louvor de
Santa Catarina de Siena e São Francisco de
Assis, Padroeiros da Itália. Por essa ocasião, S. S. manifestou
seu ardente desejo de que a Itália não entre na guerra.