Mais uma vez os acontecimentos vieram comprovar a
solidariedade das potências do pacto anti-komintern
com a Terceira internacional. A invasão da Rumênia se verificou sem
que um único protesto se levantasse por parte dos governos “soi disant” [que se dizem] anticomunistas,
de sorte que em todos os países totalitários a bolchevização
dos Balcãs teve início em um atmosfera de aquiescência polida e simpática,
enquanto sangra indubitavelmente o coração do Santo Padre pela criminosa
transferência das populações da Bessarabia para o perigo do
ateísmo soviético.
* * *
Como de costume, a propaganda totalitária não perde
de vista a lamentável existência de uma grande massa de ingênuos que continua a
crer na hostilidade teuto-russa e procura, tanto
quando possível, conservar o apoio desta massa. Daí o aparecimento na imprensa
de certas notícias sensacionais, que fazem prever um dissídio teuto-russo. Trata-se de um cortina de fumaça,
intencionalmente disseminada sobre a realidade. Atrás da cortina porém, o
idílio das potências anti-komintern com o comunismo
continua mais afetuoso do que nunca.
Disto dá uma idéia segura a notícia de que foram
concluídas com êxito, na semana passada, as negociações comerciais teuto-russas que vieram assim adicionar-se aos numerosos
pactos complementares que tendem a transformar o acordo Ribbentrop-Molotof
em uma união estruturalmente firme e extensiva aos mais variados campos entre o
comunismo e o nazismo.
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Antes da capitulação da França, o governo nazista
sentia a necessidade de tratar com certa contemplação a opinião mundial, pelo
que fez constar que nos Reinos da Dinamarca e da Noruega seriam ocupados a
título exclusivamente militar, continuando a substituir, para todos os efeitos,
a organização política e a soberania internacional daqueles países.
Agora, porém, consolidado o poderio nazista pelas
mãos trêmulas de Pétain, desapareceu a necessidade de manter essa ilusão. Por
isso o governo nazista está exigindo que todos os países neutros tratem
diretamente com o Reich dos assuntos relativos à Noruega, em lugar de se dirigir, para este efeito, ao governo
norueguês e, ao mesmo tempo, superintender a diplomacia dinamarquesa, tentando
forçá-la a repudiar a aliás já defunta Liga das Nações.
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Não se diga que esta folha é sistematicamente
propensa a notar os defeitos e não a qualidade dos políticos de que se ocupa.
Assim é que mantivemos em suspenso até aqui nosso juízo sobre o Rei Leopoldo
III, cujo gesto teria sido realmente miserável se fosse
exatamente igual ao que noticiaram os jornais.
Mas a defecção a que os “Homens de Munich” conduziram a França denota a existência de
circunstâncias tão misteriosas na política internacional que o gesto do
soberano belga é susceptível de ser mais bem narrado e mais bem compreendido.
A este propósito, convém não esquecer que, dias
antes da famosa ordem de cessação das hostilidades dada ao exército belga, o
Rei Leopoldo conferenciou longamente com o Marechal Pétain.
Que quadro lhe teria apresentado o herói de Verdun,
que já estava em vésperas de se transformar na triste figura de Bordeaux?
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Dentro da misteriosa ordem de coisas em que nos
encontramos, ocupa situação digna de
nota a desmilitarização das ilhas da Mancha pelo governo inglês. Ninguém ignora
a facilidade que a ocupação destas ilhas poderá, talvez, proporcionar a uma
invasão alemã. Por que as abandonou o governo inglês? Estará novamente em ação
a “quinta coluna”? Haverá manobras do Sr. Chamberlain
no abandono destas ilhas agora já ocupadas pelos nazistas?
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Na capitulação assinada pelos plenipotenciários dos
“homens de Munich” franceses, há um aspecto que não
foi suficientemente acentuado pela imprensa. Deflagrada a guerra, estrangeiros
de todas as procedências, inclusive alemães, austríacos e italianos, se
apresentaram como voluntários para lutar ao lado da França, com o objetivo de
libertar as suas pátrias respectivas do jugo nazista. O príncipe de Stahremberg, por exemplo, organizou um corpo militar
especial.
Evidentemente, a França é grata a estes
colaboradores que, uma vez denunciados, seriam irremediavelmente fuzilados
pelos nazistas. Seria para o Marechal Pétain um dever do mais
elementar cavalheirismo assegurar antes do armistício a evasão destes aliados.
Tal providência, entretanto, não foi tomada e Pétain
entregou sem titubear estas generosas vítimas à inclemência brutal da “justiça”
nazista.
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Em edição anterior acenamos com a possibilidade de
uma guerra de opereta entre a Alemanha e a
Rússia, cuja conseqüência seria a derrota da última, e sua consequente nazificação, tarefa
que, com alguns retoques de fachada na organização russa, incontestavelmente se
tornaria completa.
Com guerra ou sem guerra, o certo é que a Rússia se
nazificará, ou em outros termos mudará de rótulo.