Não causou ao “Legionário” a menor surpresa a
completa desprevenção em que se encontravam as mais importantes bases
americanas e britânicas no Pacífico, quando do recente ataque nipônico.
Em primeiro lugar, é preciso pôr em relevo que tal
ataque não foi e não poderia ser inesperado.
Nesta época de guerras sem declaração, só pessoas
inteiramente destituídas de senso comum poderiam imaginar que um país se deve
sentir em segurança enquanto a guerra não lhe foi declarada; em segundo lugar,
ainda mesmo que fosse tão grande a ingenuidade dos comandantes daquelas
guarnições, deveriam eles saber que, entre a guerra e a declaração, pode hoje
em dia mediar apenas poucas horas.
Assim, dada a tensão reinante no Pacífico, deveriam
estar todos a postos. E não foi isto que se deu.
* * *
Como explicar isto? Evidentemente, com a quinta
coluna.
Ninguém ignora os efeitos devastadores que ela
produziu entre os povos atacados pelo nazismo.
Seus efeitos nas orlas do Pacífico não foram
diversos do que os que produziu às margens do Reno ou do Sena. Não foi, pois,
em vão que o Presidente Roosevelt declarou haver
constituído uma comissão para investigar os estranhos acontecimentos que são
responsáveis pelos primeiros insucessos americanos no Pacífico.
Notícias provenientes daquela zona informam que a
aproximação das belonaves japonesas e sua pontaria
foi facilitada com fogos de terra, acesos pela quinta coluna, e que indicavam
claramente os objetivos a conseguir.
Um outro telegrama informou que a polícia até no
porto de Los Angeles, no Estado de Washington, descobriu uma série de
fogueiras em forma de flecha, apontando para Seattle. Tudo isto é, evidentemente, o trabalho da quinta coluna.
Trabalho perigoso, por certo. Mas trabalho que está longe de ser dos mais
perigosos.
* * *
Com efeito, os piores quinta-colunistas são aqueles que “não vêem” ou que “não prevêem” ou que
“não percebem”, indivíduos atacados de uma espécie de moléstia do sono, em
conseqüência da qual pode a quinta coluna derrubar por debaixo de seus pés a
metade do mundo, que eles perguntarão o que estão fazendo as toupeiras por
debaixo da terra.
Continuam os péssimos tratamentos infligidos às
cidade de Paris. No dia 10 p.p.,
publicaram os jornais um telegrama noticioso italiano que anunciava que às 17
horas já há toque de recolher em Paris, em conseqüência de ordem do general Schaumburg, comandante militar alemão daquela desditosa cidade,
regime de colégio.
Ou, melhor, regime de Penitenciária.
Confere.