Já se tem
perguntado com que nome nossa época passará para a História. O século XVIII foi
chamado o século da Revolução. O século XIX foi cognominado "do
vapor", "da eletricidade", "das grandes invenções".
Nosso século o que será? O "das grandes guerras?"
O futuro
mostrará que vivemos em uma época de grande santidade e de grande ignomínia.
Graças a Deus, muitas são as almas que, na
profissão desassombrada da Fé, na prática esclarecida, sincera e humilde da
piedade, na imolação generosa de si mesmos, que é a medula da vida interior,
sobem de degrau em degrau até às culminâncias da
perfeição moral que só na Igreja se encontra. Em todas as épocas tem na Santa
Igreja florescido os santos cuja "produção" - se assim se pode dizer
- é monopólio exclusivo dela. Em nossa época, entretanto, a fecundidade da
Santa Igreja se patenteia de modo todo particular, e o século XX enriquecerá,
se Deus quiser, de modo copioso o catálogo dos santos.
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Mas os filhos
das trevas têm, neste século, uma característica peculiar, uma marca de
ignomínia toda própria. É a que se estampa na conduta moral dos inúmeros "quislings" que a propaganda da quinta-coluna tem espalhado por tantos
países.
Agora nos chega
das Filipinas uma notícia curiosa: é que
também lá apareceu um "quisling". É ele um
Sr. J. Vargas, que foi secretário do Presidente das Filipinas, e que rompendo
as obrigações que para com o Presidente lhe impunha seu cargo de Ministro,
aceitou de se colocar à testa do governo de Manilha,
assim melhor servindo os estrangeiros.
"Colaborando"
com o Japão, o Sr. J. Vargas não será senão mero instrumento nas mãos dos nipônicos,
figura decorativa destinada a fazer o mesmíssimo papel que os Srs. Quislings, Mussert, etc.
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Nenhum católico
pode perceber a razão pela qual, com tanta e tão jubilosa insistência, certa
imprensa noticiou a construção em nossa capital de uma mesquita muçulmana. Já
temos mais de uma sinagoga, e uma delas colocada em situação de grande
evidência. Já temos uma igreja cismática em estilo oriental, e várias igrejas
protestantes em estilo nórdico típico. Temos agora uma mesquita. Amanhã, o que
teremos? Será que também deveremos aplaudir a construção de um pagode chinês,
de um hall de danças para derwiches,
etc., etc.?
Ufanamo-nos de
que nossa civilização é cristã católica e que o imenso manto dessa civilização
cobre de ponta a ponta nosso vasto território. Entretanto, basta aparecer, aqui
ou lá, uma pequena larva para furar este esplêndido tecido de unidade, e
imediatamente aplaudimos! Palavras, palavras, do que valeis? Trabalhamos
intensamente para a diluição dos resíduos estrangeiros, e entretanto aparece um
edifício que vai alimentar entre nós tradições obsoletas e pagãs, tipicamente
opostas às nossas, um edifício que destoa de nosso ambiente e servirá de meio de
aglutinação de estrangeirismo... e batemos palma!
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Não queremos, então, bem à colônia muçulmana? Muito. E é
precisamente por isso que a queremos convertida. Querer bem a alguém é querer,
para este alguém, o bem. E querer o bem é sobretudo querer o Bem por
excelência, que é a Fé. Assim, é em espírito de cordialidade sincera, mas
cordialidade católica e sobrenatural, e não puramente natural e humana, que
desejamos para os muçulmanos, como aliás para todas as raças, o maior bem.
Não diríamos a
verdade se afirmássemos que é apesar desses sentimentos que nos aborreceu o
lançamento da pedra fundamental da mesquita. É precisamente por causa deles que
assim pensamos e assim sentimos.
* * *
Mas por que
tantos comentários sobre um assunto que, dada a nenhuma possibilidade de
expansão da religião muçulmana entre nós, carece totalmente de importância?
É que a ocasião
nos foi propícia para trabalharmos por dissolver um pouco essa ganga de
liberalismo em que se diluem por vezes
as melhores qualidades de muitas pessoas. Não adianta dissertar apenas
doutrinariamente. É preciso não ministrar apenas princípios abstratos - se bem
que sem estes nada se faça de bom. É preciso ainda apresentar fatos e
comentá-los de maneira que os princípios aí apareçam, não como uma folha seca
de mostruário botânico, mas com a vida de uma folha ainda verde.
Todo o jornal
que perca ou o amor à pura doutrinação, ou o amor à prática, é um jornal morto.
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O Sr. Ministro
interino do Trabalho, fundando-se em parecer brilhantismo do Sr. Dr. Rego
Monteiro, negou certas interpretações conforme as quais os benefícios de nossa
legislação trabalhista se destinariam igualmente às esposas autênticas e às que
não são esposas.
Este gesto nos
leva a lembrar que também nossa legislação sobre funcionalismo público,
lucraria enormemente se fosse tornado sem efeito o dispositivo que dá às
funcionárias com filhos ilegítimos preferência para promoção, em igualdade de
condições, sobre as que são solteiras.