O cinismo é um predicado bem totalitário.
Ostentam-no à porfia nazistas e comunistas.
Há dias, um general comunista declarou que, se os
Aliados avançassem na França com a celeridade
com que os russos progridem na Europa Oriental, já poderiam ter chegado à Renânia. A afirmação é inegável. Basta fazer o cálculo diante do
mapa. Mas essa posição evidentemente verdadeira contém uma insinuação flagrantemente
falsa. É a respeito dessa insinuação que queremos dizer algumas palavras.
* * *
O que o chefe de guerra soviético insinua é que as
condições técnicas são iguais em ambos os "fronts", e que portanto os
aliados estão sendo lentos em seu avanço. Ele parece esquecer-se em primeiro
lugar de que os aliados mantém dois "fronts", e não um apenas,
como os russos. Com efeito, as forças aliadas lutam simultaneamente na França e
na Itália. Em segundo lugar, é
importante notar que, enquanto no Oriente os alemães não opõem quase
resistência, retirando-se em imensas "debandadas", no Ocidente lutam
com tenacidade férrea. As "debandadas" no Oriente não são por causa
da pressão soviética, mas porque os nazistas preferem imobilizar os
anglo-americanos, para que a vitória caiba aos totalitários vermelhos, e não
aos democráticos moderados e liberais. Já o temos demonstrado nestas colunas
com fatos concretos na mão. Se os aliados cessassem suas ofensivas, toda a
reação germânica se voltaria contra a Rússia. Seria curioso ver então se o avanço soviético
continuaria igualmente veloz. E, por fim, cumpre notar que o Sr. Hitler, por um paradoxo
cheio de segundos sentidos, está preferindo defender solo francês ao alemão.
Chegamos até isto, nesta guerra de contradições. Os comunistas por sua vez se
mostram mais empenhados em ocupar a inofensiva Polônia, a golpear em seu âmago a cidadela nazista. Também a isto
chegamos. No meio de um cambalacho nazi-soviético tão
mal disfarçado, ainda há um general vermelho que tem a audácia de extrair de
tudo isto motivos de censura aos bravos soldados anglo-americanos!
* * *
Quando S. Tomás Morus caminhava para a
morte, deteve-o um mensageiro real, que comunicava que o soberano resolvera, a
título de misericórdia, atenuar as condições em que sofreria pena capital. O
santo ouviu impassível a leitura dessa estranha manifestação de cordura, e
disse por fim: "Deus livre os meus da clemência real".
Deus nos livre da "tolerância" dos
liberais podemos acrescentar. Quando encontram quem não seja liberal, não há
iras, cóleras que não manifestem.
Disto temos mais um exemplo com o que ocorreu
recentemente ao Exmo. Revmo. Sr. D. Daniel Hostin, Bispo Diocesano de Lajes. [...]