Temos a assinalar o início da guerra entre a
Holanda e a Indonésia. Um fato singular, que pode mudar o aspecto dessa luta
armada, foi o manifesto do "grande mufti"
de Jerusalém conclamando todos
os povos árabes e muçulmanos a se manifestarem a favor da Indonésia.
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Não se trata de uma simples proclamação sem maiores
efeito práticos. Acrescentou o líder do movimento pan-árabe
que "é dever sagrado dos povos muçulmanos auxiliar a nação indonésia que
luta por sua independência".
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Vê-se, por aí, o aspecto religioso de que se pode
revestir este conflito. É a ameaça muçulmana que cada vez mais se acentua em
relação ao ocidente cristão.
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Por outro lado, a Rússia soviética prepara uma
ofensiva política em grande escala contra a América do Norte e o "Plano
Marshall", ofensiva a ser desencadeada através dos governos títeres dos
países sob o domínio moscovita no leste europeu.
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Não concorreu, certamente, para diminuir a confusão
existente no front
político internacional a declaração do Sr. Salazar ao
"Times" de Londres no sentido de que a solução da questão alemã sem
participação da Rússia poderá causar,
posteriormente, uma guerra.
E se a Rússia participar desses trabalhos, puxando
para si, como sempre, a parte do leão, poderia o chefe do governo português
externar o mesmo "ponto de vista científico e objetivo" no sentido de
negar a possibilidade de uma guerra futura?
Esta ameaça de guerra, para quem objetivamente
encara o surto imperialista soviético, somente será afastada se for concedido
por vias pacíficas e muniquianas a Moscou o que de outro modo
os comunistas procurarão obter por processos violentos, quer sejam golpes de
mão internos, quer sejam conflitos armados internacionais.
A história do mundo mostra como é difícil afastar o
perigo de uma guerra, quando se acha em jogo a malícia do homem. Não bastam os
propósitos pacíficos de um lado, diante da má fé e perfídia de propósitos do
outro.
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Mesmo do próprio ponto de vista espiritual esta
harmonia é dificílima. O espirito do mundo estará sempre contra o espírito de
Jesus Cristo. E, no fundo, a história do mundo vem a ser o relato dessa antiga luta
entre o bem e o mal.
Quando, porém, de ambos os lados há repúdio das
leis de Deus e dos princípios de justiça, cresce o horror desses conflitos em
que os homens se entredevoram.
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Não tenhamos, ilusões, porém. Um mundo reconduzido
a Cristo e à Sua Igreja teria sempre que estar preparado para repelir as
investidas dos aliados dos anjos das trevas, que habitarão entre nós até os
confins dos séculos.
E será sempre necessária a separação dos campos. O
bem nunca se sentirá em boa companhia ao lado do mal introduzido na terra pela
queda dos nossos primeiros pais.