As então 13 Sociedades de Defesa da Tradição,
Família e Propriedade – TFPs – publicaram, a partir de 9 de dezembro de
1981, em grandes cotidianos de quinze paísesuma
Mensagem de alerta sobre a incompatibilidade entre os princípios perenes
da civilização cristã e a reforma autogestionária na qual o Partido Socialista
prometeu engajar a França, quando das eleições de 1981. Reforma esta gradual,
mas radical, demolidora do direito de
propriedade sobre o solo, a empresa, a escola privada, invadindo a família para
organizar os filhos contra os pais, e não poupando sequer, em seu termo final,
os lazeres, o aménagement doméstico e a própria pessoa de cada francês.
Em nenhum dos países mencionados encontraram as TFPs obstáculos para
publicar, como matéria paga, sua Mensagem. De par em par, abriram-se para
elas os órgãos de imprensa. E em nenhum momento estes se julgaram
comprometidos, por tal, com um pensamento que, em parte ou no todo, não é o
deles. Assim procedendo, tais órgãos foram estritamente coerentes com os
princípios democráticos que proclamam como seus.
Seria natural que nos grandes cotidianos franceses, ufanos de professar esses
mesmos princípios democráticos, a Mensagem das TFPs fosse igualmente fácil de
divulgar. Contudo, as TFPs tiveram, neste lance, a amarga experiência do
contrário. E se julgam na obrigação de informar a esse respeito não só o
público brasileiro, como o de cada um dos países em que a Mensagem vem sendo
publicada.
* *
*
Em virtude do alcance e da importância deste documento, é
justo e razoável que se lhe dê o devido destaque, por ocasião de seu 30°
aniversário.
22 de agosto
de 1971 -
De tudo um pouco / Comentários sobre notícias diversas: os governos
chileno (de Allende) e cubano assinaram um comunicado conjunto em que afirmam a
inspiração fundamentalmente ideológica da política internacional que desejam
desenvolver de mãos dadas. - Prometi informar leitores sobre a resposta que
Lanusse enviasse à TFP platina. A Argentina é uma terra de donaire, elegância e
belos gestos. Eu estava no direito de esperar também do tenente-general Lanusse
uma atitude digna de registro. Pelo contrário, da Casa Rosada veio, endereçada
ao presidente da TFP portenha, apenas esta mensagem amável, banal, esquiva e
vazia, assinada pelo capitão de navio (R.E.) Cristián R. Belaustegui, secretário
privado do presidente da República - Fidel Castro aproveitou as comemorações
do aniversário da revolução cubana — nas quais confessou mais um estrondoso
fracasso econômico — para elogiar a marcha da revolução no Chile, no Peru, na
Bolívia e no Uruguai. E para externar, especialmente quanto a este último
país, as suas esperanças de uma próxima vitória do comunismo.
29 de agosto
de 1971 -
Enquanto baixa a poeira, um alarido se levanta... / Depois do estrondo
publicitário organizado em escala mundial para prestigiar a viagem do
presidente norte-americano Nixon à China, a poeira vai baixando lentamente.
E assim se torna possível discernir uma série de descontentamentos nos
Estados Unidos. As principais personalidades e organizações direitistas
saíram às ruas e lançaram campanhas nacionais de protesto contra a viagem de
Nixon. Uma característica dessas campanhas é que ressaltam, explícita ou
discretamente, o fato de que essa viagem de Nixon não só constitui uma
capitulação dos Estados Unidos no Extremo Oriente, como abre um diálogo
bobamente pacifistacom as superpotências, potências, e republiquetas
comunistas pelo mundo a fora. - Por exemplo, o jornal republicano
"Manchester Union Leader", o maior de New Hampshire, dirigido pelo amigo pessoal
de Nixon, William Loeb, classificou a viagem do presidente à China de
"imoral, indecente e louca", e afirmou que ela "representa um enorme
perigo para a sobrevivência dos Estados Unidos". (Avisos não faltaram...)
02/02/2012-
Festa de Nossa Senhora da Candelária e do Bom Sucesso
8 de agosto
de 1971 -
Displicência e sono, enquanto as barreiras são derrubadas / 18º
aniversário da revolução cubana. A data não foi assinalada por
manifestações de caráter triunfalista. Nem havia porquê. Cada ano que passa
representa nova etapa na dura caminhada do povo cubano rumo à miséria total.
Só não compreendo como os Srs. Bispos de Cuba não lançaram um Pastoral coletiva
pedindo uma reforma de estruturas completa na desditosa Ilha. Se mais ou
menos por todos os países da América Latina — e ressalvo as honrosas exceções —
os Srs. Bispos parecem fascinados pela perspectiva de remediar a miséria com
reformas, não compreendo como os de Cuba, tendo em torno de si misérias mil
vezes mais graves, se conservam tranqüilos e distendidos como se vivessem num
oceano de fartura. Tanto mais quanto, no que diz respeito à miséria em Cuba,
os fatos não clamam: ululam. Exemplos concretos. - A causa máxima da miséria
do lado de lá é uma doutrina. E a inspiradora suprema de uma crescente fartura
do lado de cá é uma doutrina também. E não é doutrinária, essencialmente
doutrinária, obviamente doutrinária, esta fronteira? Se o império marxista não é
essencialmente ideológico, como explicar que a Rússia mande tantos dólares, sem
nenhuma compensação econômica, para manter o regime de Cuba? E por que tanto
trabalha e gasta Fidel para exportar sua ideologia e sua miséria por toda a
América? - Contra a displicência imperante no hemisfério Sul, devemos
reagir, sob pena de sermos julgados um dia pela História, com a severidade
com que esta julga hoje a indolência dos romanos vendo as legiões de bárbaros
invadirem o Império...
15 de agosto
de 1971 -
Rumo ao desenvolvimento global / O Comitê de Jovens Equatorianos
Pró-Civilização Cristã dirigiu ao Presidente da República, sr. José Maria
Velasco Ibarra, uma carta rogando-lhe não desse aplicação à lei de reforma
agrária socialista e confiscatória em vigor no país. O documento,
respeitoso, solidamente argumentado, cristalino, foi publicado por iniciativa
dos missivistas no jornal "El Comercio" de Quito. Mais notável ainda que o
estilo da referida matéria, nos dias de brutalidade e vulgaridade em que
vivemos, foi a reação do Chefe de Estado. Enviou ele aos Jovens Equatorianos
Pró-Civilização Cristã uma resposta que pode passar por um modelo de
cortesia, de atenção e de elevação de espírito. Na impossibilidade de a
transcrever por inteiro, cito-lhe aqui a parte mais característica. - O
estilo é o homem. Grato é pois registrar que os Jovens Equatorianos
Pró-Civilização Cristã não ficaram atrás. Responderam eles ao sr. Velasco Ibarra
nos seguintes termos (...). - Outro documento que atesta a elevação moral e
cultural a que se vai alçando a vida pública em nossa vasta família
ibero-americana é a carta dirigida ao tenente-general Lanusse, Chefe do
Estado argentino, pelos membros do Conselho Nacional da TFP daquele país, a
respeito da derrubada das barreiras ideológicas. Publicamos dele a parte
essencial. Não tenho em mãos a resposta do tenente-general. Divulgá-la-ei caso
me seja comunicada pelos amigos argentinos. Espero que não fique aquém da
brilhante missiva do presidente equatoriano.
25 de julho de 1971 -
Lições no jardim do vizinho / A Carta Apostólica "Octogesima
Adveniens", de Paulo VI: o ponto mais importante do documento é o que se refere
à posição dos católicos face ao socialismo e ao comunismo. E, ao cogitar
deste assunto, eu me tenho perguntado até que ponto é obra do comunismo esta
crise atroz, misteriosa e profunda, por que passa a Igreja, a que Paulo VI deu o
qualificativo trágico e preciso de "autodemolição". Tal problema, Paulo VI não o
levantou em sua Carta Apostólica, nem — ao que me conste — em qualquer outro
documento. Sem embargo, a questão me preocupa. Pois essa autodemolição é um
crime. E se lhe quero conhecer o autor, devo perguntar-me quem mais lucra com
ele. Ora, dado que o grande beneficiário do crime é o comunismo, não posso
deixar de me perguntar se não é este — por detrás de agentes secundários — o
responsável supremo da "autodemolição". Desejo oferecer ao leitor alguns dados
para que forme um juízo a este respeito. Esses dados, fornece-os o estudo da
política seguida pelo comunismo em relação à igreja russa (correntemente chamada
"ortodoxa"), à qual pertencia a grande maioria dos russos em 1917, quando os
comunistas subiram ao poder.
1º de agosto de 1971 -
Quando o sapo abre a jaula para a hiena... / Visita de Salvador
Allende, chefe marxista do Estado chileno, ao General Lanusse, militar que
encabeça, na Argentina, um regime oficialmente anticomunista. O encontro se
realizou na cidade platina de Salta. Tal encontro foi a ocasião em que ambos
Presidentes quiseram anunciar aos respectivos povos, e a toda a América do Sul,
uma mensagem nova: a adoção de um novo estilo de relações entre os países
comunistas e não comunistas. Ou seja, a queda das chamadas "barreiras
ideológicas". A este respeito, tanto Lanusse quanto Allende fizeram, em tom
grandiloquente e profético, declarações reiteradas e insofismáveis.
31 gennaio,
San Giovanni Bosco - Applaudiamo Don Bosco come santo sociale, ma
ricordiamo anche Don Bosco come apostolo della stampa e della divulgazione di
idee
1959, "El
Cruzado español" -
Uma observação de São João Bosco esclarece a causa da Revolução / A
causa mais essencial das vitórias sistemáticas dos extremistas nos processos
revolucionários, na maior parte dos casos, se deveu à timidez, à cegueira, à
fraqueza e à resignação dos "moderados", geralmente ricos, influentes,
numerosos e, invariavelmente, à disposição dos revolucionários, preferindo
tudo a apoiar seriamente as hostes da Contra-Revolução.
11 de julho
de 1971 -
Religião a serviço da irreligião / Fonte das citações feitas no
artigo anterior: livro "Théologie de la Révolution", Editions Universitaires
de Paris, 1970, e os textos que citei se encontram respectivamente às páginas
59, 61, 67 e 199-200. E o autor? Não é nem mais nem menos de que o Pe.
Comblin. Sim, o famigerado pe. Comblin, autor de um estudo largamente
divulgado pela imprensa brasileira no ano de 1968. Esse estudo, que pedia a
revolução social, a dissolução das Forças Armadas e a liquidação do Poder
Judiciário, foi o motivo próximo que levou a TFP a promover um abaixo-assinado
pedindo a Paulo VI medidas capazes de conter a infiltração comunista na Igreja.
- Se um antiprogressista tivesse dito do Concílio Vaticano II tudo quanto diz
o pe. Comblin, choveriam sobre ele recriminações de toda ordem. Quando
ele (pe. Comblin) afirma estas enormidades, ninguém tuge nem ruge nem muge. Por
que? - Chacotas, ironias, carrancas, nada disto basta para abater
adversários ideológicos. O grande antídoto contra o erro é um e só um. É
a verdade. Sim, a verdade claramente enunciada, fortemente esteada na
argumentação, e corajosamente proclamada aos quatro ventos. É o que, em
toda a medida de suas forças, a TFP tem procurado fazer. Mas, então, por que
tanta carranca contra a TFP?
18 de julho
de 1971 -
Posto de gasolina, bacharel e batatas / É tão legítimo que a Igreja
se defenda contra o heterodoxo quanto o Estado contra o invasor. E sendo a
Igreja uma sociedade espiritual, normal é que Ela utilize penas espirituais
nessa legítima defesa. Uma delas é a destituição do transgressor da ortodoxia
dos cargos que a confiança da Igreja lhe entregara. - O que é subversão na
Igreja? Antes de tudo, e por excelência, a disseminação do erro... Por
mandato divino, a Igreja tem o direito e o dever de punir o erro. No caso do
Pe. Comblin, trata-se de erros de doutrina. À Igreja cabe qualificá-los como
tais, e puni-los. - Não respondi ao industrial. Se a todas as idéias se deve
responder com comida, para que dar-lhe argumentos? Não seria melhor dar-lhe
sanduíches? E eu não tinha nenhum sanduíche à mão...
27 de junho
de 1971 -
Com Gogó, de volta no avião / Quase tudo quanto nossa época conserva
como legado da Idade Média deve ser conservado. Já não falo apenas dos
nossos óculos, dos nossos botões, dos nossos relógios, que citei em nossa
conversa anterior. Refiro-me também aos hospitais, que como talvez você
saiba tomaram forma e consistência na Idade Média. Desta nos vieram as
Universidades. A ela devemos as catedrais góticas, os castelos góticos,
que turistas do mundo inteiro vão à Europa para visitar. E eu poderia
citar muitas outras coisas. Você quer arrasar tudo isto? - Carregamos o nome
TFP com a ufania de um guerreiro que leva seu estandarte. E pronunciamos sua
sigla com o entusiasmo de arautos que lançam um brado de vitória. Por isto,
não aceitamos que se altere a ordem das letras que a compõem. - O jornalista
Walter Lippmann escreveu: "Nossa civilização só poderá ser mantida e restaurada
pela recordação e redescoberta das verdades, e pelo restabelecimento dos hábitos
virtuosos sobre os quais foi fundada".
4 de julho de
1971 -
Textos e teste / Vão ruindo as muralhas que o liberalismo e o
positivismo haviam levantado entre os assuntos políticos, sociais ou econômicos
tanto como os filosóficos ou religiosos. A opinião pública vai abrindo
sempre mais os olhos para as correlações por vezes subtis, mas sempre
importantes, que entre tais campos existem. E aos olhos do homem de hoje se
vai tornando claro como o sol, que uma tomada de posição em sociologia, ou até
em economia, impõe, em rigor de lógica, a aceitação de análoga posição em
política e em moral. Ou seja, implicitamente, em filosofia ou até em religião.
À vista deste fenômeno, pareceu-me que interessaria aos leitores passar por um
teste. Apresentar-lhes-ei uma série de textos versando sobre assuntos muito
amplos, vistos precisamente no que possuem de correlato. São todos eles tirados
de um só livro escrito por um só autor. E os leitores se responderão a si mesmos
o que pensam dos textos e do autor. No próximo artigo,
dar-lhes-ei as citações exatas.
13 de junho
de 1971 -
Rija ou cordialmente, como quiserem / Os progressistas
distinguem na História da Igreja três fases. A das perseguições vai desde as
origens até Constantino. Tendo o Imperador dado liberdade ao culto católico no
ano de 313, este em breve se tornou a Religião oficial do Império. A segunda
fase, inaugurada desse modo por Constantino, durou, segundo os progressistas,
até o pontificado de João XXIII e o Concílio Vaticano II. A terceira fase, da
Igreja democratizada, evoluída e secularizada, abriu-se então e deverá durar até
não se sabe quando. Em cada uma destas fases, a Igreja teria tido — sempre
segundo os progressistas — características próprias. - Depois de
caluniarem a Igreja do passado, os progressistas querem desfigurar a Igreja do
presente, transformando-a numa espécie de república espiritual populista
segundo o modelo iugoslavo. Quem conhece um pouco de protestantismo não deixará
de ter notado a todo momento, ao longo desta exposição da doutrina
progressista, afloramentos protestantes:livre exame, contestação
do Papado, e até de toda a Hierarquia, liberalismo, naturalismo e tendência à
dessacralização, objurgatórias contra a riqueza e o poder da Igreja,
cumplicidade com a impureza etc. E a par destes afloramentos
protestantes, também os comunistas: proletarização, sociedade sem
classes, luta social, e daí para frente. Não é minha intenção mostrar aqui
quanto há de falso, em todo este aranzel. Desejo apenas frisar que a tarefa
de "desconstantinização" da Igreja Católica importa em uma imensa revolução
religiosa, a qual carrega profundas implicações em todas ou quase
todas as esferas da cultura, da civilização e da vida. E fazer notar que
esta revolução esbarra, em seu curso, com um problema difícil.
20 de junho
de 1971 -
No avião, com Gogó / Um diálogo animado e esclarecedor a
respeito da TFP, Tradição, Idade Média, desigualdades
sociais e temas conexos - Gogó, você se engana, a TFP não é minha. Eu
é que sou dela. E com toda a alma.
23 de maio de
1971 -
Aturdimento, passo para a derrota / Impressiona-me um contraste. De
um lado, as informações postas ao alcance do público jamais foram tão fartas. De
outro lado, jamais este se sentiu — creio eu — tão átono e embaraçado
diante delas. - Antes da II Guerra Mundial, o panorama político
mundial era claro e simples. Ou melhor, simplório. Os problemas reais eram
subestimados ou silenciados. As realidades de subsolo eram quase
desconhecidas. E esta mutilação da realidade nos noticiários foi um erro.
Pois se o público tivesse tido conhecimento da verdade total talvez tivesse
imposto aos acontecimentos um outro curso. Depois da II Guerra, e muito
especialmente em nossos dias, aconteceu o contrário. Veio tudo à
tona. Noticia-se tudo, a respeito de todos os países. E segundo uma
tabela de valores bem diversa. - E o que faz esta sarabanda informativa?
Interessa? Atrai? Orienta? A meu ver, o mais das vezes causa acabrunhamento,
superexcitação, e por fim tédio. Sim, o tédio dentro da superexcitação;
eis o estado de espírito que a pletora informativa cria em muitos e muitos
de nossos contemporâneos. Em suma, todos sabem de tudo, não entendem nada,
alguns ficam com os nervos a tinir, e quase todos, à falta de melhor, bocejam. E
como poderia ser de outra maneira? Tudo parece estar continuamente correndo
para um abismo... que nunca chega ou pode chegar de um momento para outro. -
Tudo pode acontecer. Ou nada acontecerá. Ninguém se entende. Mas,
dir-me-á alguém, aí o mal não está tanto no excesso de notícias como no excesso
de desordem. Concordo. Os dois fatores se somam. Mas pergunto: até que ponto
a desordem dos fatos, já de si tão imensa e tão trágica, é ainda agravada pelo
sensacionalismo trepidante dessa superprodução informativa? E,
principalmente, a quem aproveita essa superexcitação? - O que é próprio
do aturdimento senão desanimar e tirar a vontade de lutar? O declínio da vontade
de lutar já é a metade da derrota... É para este fenômeno, que peço a atenção
dos homens capazes de lhe encontrar remédio.
30 de maio de
1971 -
Propriedade privada / A propriedade privada vai sendo apresentada,
cada vez mais — nestes tempos de hipertrofia do social — como um privilégio
antipático e anacrônico, ao qual só se aferraram alguns egoístas, insensíveis à
miséria que em torno deles existe. É este o pensamento da Igreja? É para
responder a tais perguntas pela própria voz dos Romanos Pontífices, que aqui dou
a público algo do que eles ensinaram sobre a matéria. Falei de hipertrofia do
social. A expressão terá suscitado, sem dúvida, arrepios em alguns leitores. Se
o social corresponde ao interesse geral, poderá haver aí hipertrofia do
social? Sim, respondo. E uma hipertrofia muito nociva ao próprio interesse
geral. Os Romanos Pontífices a chamaram socialismo. - Documentos
papais.
9 de maio de 1971 -
O dinheiro não é valor supremo / Contrastes entre a pauliceia de 1930
e a São Paulo de hoje - Há uma transformação importante que desejo
comentar. Trata-se da modificação mais ou menos subconsciente, que se
operou na mentalidade de boa parte de meus conterrâneos, quanto à escala
segundo a qual se mede a consideração atribuída aos indivíduos na sociedade.
O que importa, de algum modo, na alteração do critério segundo o qual se dispõe
a estratificação social. - Naquela época (cerca de 1930), o dinheiro
era considerado um complemento útil, e em alguma medida necessário da situação
de uma pessoa. Por exemplo, um bispo, um general ou diplomata soíam ter os
recursos necessários para sustentar decentemente sua situação. Mas a
consideração de que eles gozavam não era determinada pelo peso do
dinheiro, mas pela respeitabilidade intrínseca de sua função. Obviamente,
este critério não poderia ser aplicado sem matizes à nossa época, em que a
gestão de interesses econômicos consideráveis, além de exigir, muitas vezes, uma
capacidade intelectual relevante da esfera privada e acarreta, em tal caso,
responsabilidades de grande porte no tocante à própria coisa pública. - Ao
conceito de ordem então em vigor, opõe-se o conceito marxista de classe. Uma
vez que, segundo Marx, o fator determinante da História é a economia, os homens
devem classificar-se unicamente segundo seu papel na produção econômica. A
escala dos valores deve ser exclusivamente funcional, abstraindo
de critérios religiosos ou moraiscomo dignidade, honra etc. -
Estas reflexões têm um sentido prático. Elas são um apelo a que
se modifique esta mentalidade, que infelizmente vai ganhando terreno entre
nós, e que se poderia condensar nesta fórmula: "fazer carreira é tornar-se
rico; o resto é conversa fiada".
16 de maio de 1971 - Comunismo
não ateu: pergunta a um Bispo / O Sr Bispo D. Ivo Lorscheiter,
secretário-geral da CNBB, fez algumas declarações sobre a TFP. Delas tomei
conhecimento com vivo interesse, não só em razão das altas funções exercidas
pelo Prelado no órgão representativo dos bispos do Brasil, como também pelo
renome de sua cultura teológica. Antes de tudo, impressionou-me
favoravelmente o real esforço que o Sr. D. Lorscheiter fez — segundo ele
mesmo nos informa — para se manifestar em termos imparciais em relação à TFP.
E, por isto, temendo ser "descaridoso, injusto ou unilateral" para
conosco, pediu que suas apreciações fossem por nós entendidas simplesmente como
“um apelo à reflexão equilibrada e a atitudes construtivas de cooperação”.
- Ele propôs que a "TFP reexamine sua razão de ser, seus objetivos, seus
métodos de ação e os princípios iluminadores de seu programa". - O ilustre
secretário da CNBB se referiu a uma sociedade, como a TFP, que tem numerosas
obras editadas. Essas obras tiveram larga repercussão e estão nas mãos de todos.
A par disto, a TFP fez várias campanhas públicas, que se estenderam por todo
o País. Tendo à disposição tão abundante material para formar um juízo
sobre a TFP, o primeiro cuidado de d. Ivo, do ponto de vista da
imparcialidade, deveria consistir em o estudar atentamente. E, depois, de sobre
ele emitir um juízo. Se nossos livros são bons ou maus, se nossa campanhas
são boas ou más, diga-o d. Ivo. Nisto consiste um pronunciamento imparcial.
Pode estar seguro o douto prelado de que receberíamos com todo o respeito e
examinaríamos a fundo quanto ele houvesse por bem dizer-nos. Mas d. Ivo
seguiu outro caminho. - S. Excia. se mostra receoso de que a TFP seja um
"fator de lamentável desunião". Ora, na Igreja, desune quem cai em erro. E une
quem fica fiel à verdade. - Um regime econômico-social que importe em
comunidade de bens é — em um como em outro caso — inaceitável para a consciência
católica. Pensa assim D. Ivo?
1° de novembro de 1985 - O
direito de fazer o bem / Tanto se fala, em nossos dias, da liberdade
individual, conseqüência natural da condição de ente dotado de alma e corpo, de
inteligência, vontade e sensibilidade, como é o homem. Infelizmente, contudo, o
zelo por essa liberdade se aplica cada vez mais em restringir o poder do Estado
na repressão da imoralidade, do vício e do crime. Os zelotes da liberdade dão
cada vez menos mostras de seu empenho em defender as legítimas liberdades do
homem de bem contra essa ação do Estado ora invasora quase até as raias do
totalitarismo, ora omissa quase até as raias da anarquia. De maneira que
propagar no palco o vício ou o crime seria um “direito humano”. Usar de
violência para impedir a colegas que trabalhem honestamente no sustento do lar,
também seria um “direito humano”. Ora, a liberdade do homem consiste
essencialmente no direito de fazer o bem. - O Estado coletivista impede toda
iniciativa individual, suprime a família e os demais grupos intermediários entre
o indivíduo e o Estado, e enfeixa tudo nas mãos do Poder Público, dotado, para
dominar a cada qual, do cetro da propaganda monopolizada, e da terrível chibata
da perseguição policial. Em conseqüência dos princípios enunciados, o Governo
deveria demonstrar ao povo que, de fato, nas condições atuais do Brasil, o
direito natural imprescritível do homem ou do bem comum nacional exigem a
reforma agrária.
2 de maio de 1971 - A
reforma agrária no programa do MDB / O MDB publicou a síntese
programática do partido. Destaco o item 11: "Imediata realização
de uma profunda reforma agrária, sem recuos e sem distorções, atendida a
advertência do Concílio Vaticano II: ‘Deus destinou a terra e tudo o que
nela existe ao uso de todos os homens e todos os povos, de modo que os bens da
criação afluam com equidade às mãos de todos, segundo as regras da justiça,
inseparável da caridade'." Antes de entrar na análise desse texto, julgo
necessário acentuar que, ao fazê-la, não me influencia o mais leve sentimento
partidário. Sabem os meus leitores que, na Constituinte Federal de 1934,
representei uma entidade tipicamente extrapartidária, como seja a Liga Eleitoral
Católica. De então para cá, não aceitei a inclusão de meu nome em qualquer
partido político. Falo, pois, sem qualquer preconceito favorável ou
contrário ao MDB. - Elegância de forma e demagogismo ingênuo de conteúdo são
duas características do academismo. - A fim de justificar sua posição
agro-reformista, o MDB cita o Concílio Vaticano II. E com isto reconhece a
transcendência do aspecto religioso e moral na questão agrária. Há, com
efeito, sobretudo nas cúpulas das classes produtoras, não poucas pessoas que,
ao discorrer sobre a reforma agrária, o fazem "sapamente", isto é, em
termos meramente econômicos, como se a Religião e a Moral nada tivessem que ver
com o assunto. - O texto do Concílio Vaticano II citado, por si só, não
demonstra a legitimidade de uma reforma agrária. Com efeito, onde a prova de
que "in concreto", no Brasil, o atual regime agrário não produz — na medida do
possível — a afluência equitativa dos bens da criação em mãos de todos? E onde a
prova de que a reforma agrária melhoraria a difusão da riqueza? Ora,
sem tal prova, nada feito...
20/01/2012 - 170°
aniversário da Aparição de Nossa Senhora do Milagre na igreja Sant'Andrea delle
Fratte, em Roma
1976-01-20 -
Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre):
a felicidade inefável da despretensão, da pureza e da admiração / “Meu
filho, você se lembra dos tempos primitivos de sua inocência? Você não se lembra
antes de você ter pecado como você era? Você não se lembra que havia coisas
dessas em você? Eu lhe ofereço isso. Eu o restauro!"
25 de abril de 1971 - Corcovado
ou formiga? / Em conseqüência do seu duplo caráter sacral e
indissolúvel, o matrimônio cristão dotou a instituição da família de uma
estabilidade e de uma pujança que a distinguiram, de modo excelente, da família
pagã, ligada às superstições idolátricas, maculada pela prática da poligamia
e debilitada pela instabilidade inerente ao divórcio. Sendo a família a base da
sociedade, é fácil avaliar quanto se beneficiou, assim, com a sacralidade e a
indissolubilidade do matrimônio, todo o corpo social.Um dos principais
fatores pelos quais a civilização cristã se elevou de muito sobre todas as
outras modalidades de matrimônio e família. Nisto devemos ver um dom magnífico
de Nosso Senhor Jesus Cristo — o instituidor do sacramento do matrimônio — para
os indivíduos e as nações em todos os séculos vindouros. Um dom que é
espelho de sua sabedoria infinita e fruto de Sua bondade sem limites. - Tudo
isto, que a mim, como a toda alma católica, entusiasma e encanta, ao sr.
Nelson Carneiro parece defeituoso e digno de reforma. - E assim, no afã de
corrigir a Nosso Senhor Jesus Cristo, acaba ele de pedir o concurso do Senado
para a introdução do divórcio. - Tal é a influência moral da religião em
nosso País, que tudo está nas mãos do clero. Se ele falar logo, falar
claro, falar alto, falar coeso, e sem cessar, a consciência católica do País —
povo e legisladores — despertará do triste e explicável letargo em que está.
Espero ver entrar em liça, antes de tudo, a CNBB. Espero ver, em seguida,
entrarem na arena, em linda emulação, e com zelo e vigor, todas as entidades e
personalidades católicas. - A opinião pública está desnorteada e
cambaleante, com toda a zoeira do caos contemporâneo. E isto a leva a
alternativas de sobreexcitação e de letargia. Especialmente a opinião católica
está aturdida e exausta. Tão exausta que muito mais propende para o
desacoroçoamento e a letargia, do que para a excitação. E não dá para menos.
Basta pensar na audiência concedida pelo Papa Paulo VI a moças "trajando" shorts
dos mais exíguos. Animar, coordenar e levar à luta nossas tão imensas e tão
desditosas multidões de católicos do Brasil, é obra que só um grande trabalho
poderá levar a cabo. Se tal trabalho for feito a fundo, a vitória desde já é
certa.
31 de Dezembro de 1939 -
Madre Francisca de Jesus, UMA GRANDE MÍSTICA BRASILEIRA / O
misticismo católico, ao contrário do que muita gente pensa, é o antídoto
específico da sentimentalidade religiosa, a moeda falsa da religião - A vida
católica não é passível de estandardização, que seria uma espécie de
religiosidade média, relativamente boa, acessível ao grande público. O
Catolicismo, por sua própria natureza, é acessível a todos, mas não comporta
“programas mínimos”. Há muitos que, na faina do apostolado, na preocupação
de conquistar o maior número, vão passando adiante assim que notam uma certa
conformação espiritual típica em seus prosélitos. Seria quase uma fabricação “em
série” de católicos... Ora, enquanto não se tiver acendido o desejo de uma
verdadeira santidade, tudo ainda estará por ser feito. O corretivo para
semelhante inclinação encontra-se no estudo da vida e das obras dos grandes
místicos da Igreja, que realizaram o que há de mais profundo e autêntico na
religião. - Certa vez Madre Francisca de Jesus recebeu uma dessas notícias
negras, que revelam adversidades maciças e totais, e ela exclamou,
cheia de desalento: “Mas Senhor, que foi que eu Vos fiz, então?” Ao que Jesus
Cristo imediatamente lhe respondeu: “Tu me tens amado”.
28 de março de 1971 -
Perplexidade que agride / O jornal "La Nación" de Buenos Aires publicou
o telegrama endereçado pelo Papa Paulo VI ao camarada Salvador
Allende, presidente do Chile. Li essa mensagem com o devido respeito. Sem
embargo, confesso que ela me causou certa perplexidade. Com efeito, o
novo chefe de Estado subiu ao poder com um programa marxista, e o vai aplicando
com implacável determinação. - Mas o telegrama do Papa a Allende não
constitui um ato do magistério? — Evidentemente não. E dê-se-lhe esta ou aquela
interpretação — esse telegrama não tem, nem segundo as intenções do Papa,
nem segundo as leis da Igreja, eficácia jurídica suficiente para revogar
qualquer documento do magistério supremo. É o de que nenhum canonista pode
duvidar. Por análogas razões, não me abalam, e nem devem abalar a ninguém, os
elogios que o órgão oficioso da Santa Sé, o "Osservatore Romano", dispensou
prodigamente, por duas vezes sucessivas, a D. Helder Câmara.
4 de abril de 1971 - O coelho
/ Dos três princípios afirmados no nome da TFP — Tradição, Família e
Propriedade — só é contestado com certa insistência o terceiro,isto
é a propriedade. A contestação procede antes de tudo — como é natural —
das correntes socialistas e comunistas, que negam a propriedade individual.
Contudo, também em certos setores empresariais e em alguns grupos católicos,
surge ela de quando em vez. E isto é muito menos natural. - Alguns
ensinamentos pontifícios sobre a propriedade privada. E para que não se diga
que esses ensinamentos são obsoletos (o que é um ensinamento pontifício
obsoleto?), começo desde logo por um texto de João XXIII, da Encíclica
"Mater et Magistra".
14 de março de 1971 - A
chantagem do "comunismo ateu" / Esta expressão ("comunismo ateu") é
legítima e se encontra nos documentos pontifícios. Entretanto, os setores
católicos impregnados de influências comunistas começam a interpretar
capciosamente a expressão. Se os Papas condenam o comunismo ateu — argumenta-se
nesses círculos — é só porque ele é ateu. Logo, se houver uma corrente comunista
não ateia, claro está que contra ela a Igreja não tem a menor objeção. A
chicana implica em afirmar que, no comunismo, os Papas jamais condenaram outra
coisa senão o ateísmo. Basta ler os documentos de Leão XIII, por exemplo, para
ver que isto é inteiramente falso. De fato, a Igreja também condena as
concepções políticas, sociais e econômicas do comunismo, e um católico autêntico
não as pode aceitar ainda que sejam apresentadas sem qualquer vinculação com o
ateísmo. Assim, por exemplo, afirmar a ortodoxia de um programa de reforma
social inspirado pelo comunismo, que inclua o divórcio, o amor livre e a total
promiscuidade nas relações sexuais é contrário frontalmente à moral católica.
E isto ainda quando os propugnadores dessas reformas freqüentassem os
sacramentos. O que digo da promiscuidade de sexos vale igualmente para a
comunidade de bens, ou seja, para um regime econômico que exclua a propriedade
individual. Se alguém diz crer em Deus, mas deseja a implantação desse regime,
está contra a Igreja. O que lucra a propaganda comunista com essa
escamoteação doutrinária levada a cabo pelo abuso da expressão "comunismo ateu"?
- Quais são as etapas do processo de ruptura dos heresiarcas mais sutis com a
Igreja?
21 de março de 1971 - Fel e prudência
/ As leis fundamentais da boa polêmica: tonus intelectual elevado, valor na
argumentação, elevação na linguagem, método na exposição. Carência de tais
quesitos em publicação de "Ecclesia", órgão informativo da Arquidiocese de São
Paulo. Matéria deste mesmo órgão contra o artigo "Faça uma experiência, leitor".
Refutação à referida matéria - Só tive, com o arcebispo D. Paulo Evaristo Arns,
um encontro. Foi longo, substancioso, cordial. Lembrando-me da atmosfera
simpática que marcou aquele diálogo, sinto-me animado a dirigir, destas colunas,
um apelo ao pastor da grei paulopolitana.
28 de fevereiro de 1971 - Dois
pesos e duas medidas / Nada mais contraditório do que, de um lado, a
atitude conciliatória dos bispos poloneses para com o regime comunista imperante
naquele país, e, de outro lado, a atitude provocadora e façanhuda da esquerda
católica nos países não comunistas. Vamos aos fatos. Como é notório nos
jornais, o regime comunista chegou, na Polônia, a uma verdadeira catástrofe. A
produção decai, a população cresce, os preços sobem e os salários continuam
imóveis. Se tal se desse em algum país livre, a esquerda católica promoveria
passeatas, instigaria greves e sopraria distúrbios. Se o governo reagisse, não
faltaria algum d. Helder para responsabilizar o regime e as estruturas, em
entrevistas vedetísticas. Pelo contrário, esmagadas as greves em Gdansk, Lodz
etc., o que faz o episcopado polonês? Não pediu mudança de regime nem reforma de
estrutura. Tentou aplacar os ânimos, tornando fácil a manutenção das autoridades
comunistas. Assim, em documento lido em todas as igrejas da Polônia, e
assinado pelo cardeal Wyszynski, afirma o episcopado:"Queremos cooperar
com todos os filhos deste país, pois chegou o momento de repartir o pão da
reconciliação". Nos países comunistas, quando há fome, o problema se resolve
com o "pão da reconciliação". Nos países não comunistas, quando há fome, o
problema se resolve com subversão... - Não nos consta de uma só voz católica que
se levante, nos meios chegados ao Episcopado polonês, para reclamar a queda do
regime comunista. E nos países capitalistas, ainda que tudo esteja certo, o
regime é errado. Ou seja, ainda que os frutos do comunismo sejam maus, o
regime é bom. E nos países não comunistas, ainda que os frutos sejam bons, o
regime é mau...
7 de março de 1971 - Faça uma
experiência, leitor / Nota do Centro de Informações "Ecclesia", órgão
oficial da arquidiocese de São Paulo: "Para a Igreja, de fato, o
comunismo soviético, chinês, iugoslavo ou tcheco, continua sendo
filosoficamente ateu e mau, politicamente ditatorial e
economicamente discutível. Assim como o capitalismo, o neocapitalismo,
também, é um sistema materialista, gerador de inegáveis injustiças e diferenças
entre indivíduos e povos". Atente bem o leitor. O comunismo, visto em seu
aspecto filosófico, é "ateu" e portanto "mau". Em seu aspecto político, é
"ditatorial". E o comunicado não diz se isto é bom ou mau. Visto, por fim, em
seu aspecto econômico, é "discutível". Ou seja, tanto se pode julgar que ele
traz o inferno quanto o paraíso na terra. - Pergunto: se um católico quisesse
implantar no Brasil um regime econômico no qual todos os meios de produção
pertencessem ao Estado, tal qual na Rússia, na China ou em Cuba — e se, ao mesmo
tempo, ele desejasse para a Igreja toda a liberdade de culto, tal regime seria
incompatível com a doutrina católica, segundo "Ecclesia"? - Leitor, faça uma
experiência. Procure algum sacerdote, ou leigo católico, hostil à TFP, e
pergunte-lhe se estou com a verdade ao afirmar que o comunismo, ainda quando
apenas "econômico", é contrário à doutrina da Igreja. Se ele for bem esperto,
desconversará, dizendo que está muito ocupado no momento, que responderá à
sua pergunta depois etc. Se ele for menos esperto, desconversará também, mas
de modo inábil, isto é, soltando uma torrente de imprecações contra a
TFP. Se ele for bobo, dirá que estou errado. Neste caso, peça-lhe que me
escreva, interpelando-me com toda a energia, ou desmentindo-me peremptoriamente.
14 de fevereiro de 1971 - Farsa, salame
e herói / Em política não basta derrubar o adversário. Duas condições
são indispensáveis para que seja efetiva uma vitória: a) que o vencido seja
despojado de qualquer possibilidade de reação; b) que o vencedor não saia tão
debilitado da luta, que lhe faltem meios de resolver os mil problemas inerentes
ao exercício do poder. Tendo ascendido ao cargo supremo, cabe ao presidente
reformista, derrubar o empresariado rural, industrial e comercial. Fazê-lo a pau
e fogo talvez fosse fácil. Mas disto resultariam descontentamentos profundos,
ressentimentos insopitáveis, reações de desespero de alcance incalculável. E um
óbvio enfraquecimento do governo. Então, a verdadeira fórmula para obter uma
vitória sólida consiste em induzir os próprios descontentes a aceitar as
reformas com resignação. Como criar tal resignação? - O difícil, o impossível, é
desempenhar ao mesmo tempo, os papéis de vencedor bicho-papão e de vencedor
bonzinho. Qual a saída? - Exemplificando com Napoleão e a Revolução Francesa - É
claro que nem todo o mundo se deixa enrolar pela manobra. Alguns dentre os
vencidos resistem à farsa. Daí resulta mais uma preciosa vantagem do jogo:
divide o adversário. Os que se resignam sobrevivem um pouco. Os que não se
resignam têm de enfrentar, isolados e enfraquecidos, dura e incerta luta. Esta
tática de dividir o adversário para o devorar aos poucos tem um nome. O líder
vermelho Rakosi a levou, na Hungria, à maior perfeição. Ele a chamou de "tática
do salame". - Qualquer resistência a esse processo é impossível?
21 de fevereiro de 1971 - Dizei uma só
palavra / Nenhum moralista católico genuíno há que não ensine ser grave
obrigação de todo eleitor católico recusar seu voto a um candidato divorcista.
Se de todos os púlpitos isto tivesse sido dito e proclamado.... O
silêncio unânime, ou quase unânime, de tantos pregadores ante a eleição para o
Senado de um candidato estrepitosamente divorcista implicou razoavelmente, aos
olhos do público, num verdadeiro "agreement" em favor dele. Ou num certificado
de inocuidade. Qual a razão desse "agreement"? — É, para mim, um perfeito e
insondável mistério. Mas o fato aí está. - É desairoso para o divórcio entrar em
nossa legislação por um vulgar passa-moleque. Se, pois, o Sr. Nelson Carneiro,
ou outro prócer divorcista qualquer, deseja o divórcio, proponha-o de público,
com toda a clareza, e desencadeie uma consulta ao povo. Neste caso, tocará à
CNBB publicar largamente um pronunciamento tanto quanto possível conciso e
peremptório contra o divórcio (e a anulação paradivorcista). Em seguida,
dê-se tempo para um largo debate sobre a matéria em todo o País. E, por fim,
proceda-se a um plebiscito. - Isto dito, volto-me para a CNBB. Dirijo, como
católico, ligeiramente adaptada, a súplica do Centurião: dizei uma só palavra, e
nossa pátria estará salva. Pois aos Srs. bispos não é necessário que se
movam nem que se esforcem. Bastará que falem, mas falem deveras, para que os
leigos façam o resto, e levem à derrota as hostes divorcistas. - Teremos ou não
teremos o divórcio? Esta pergunta redunda em outra: falarão ou não falarão
contra ele nossos bispos, num pronunciamento da CNBB, compacto e sem
discrepâncias?
31 de janeiro de 1971 -
Churchill, o avestruz e a América do Sul / Recordando brevemente o
famoso acordo de Munique (Hitler, Mussolini, Chamberlain e Daladier) - É
próprio ao belicismo fanático delirar e agredir. É próprio ao pacifismo fanático
fechar os olhos, ceder, recuar. - Sempre que haja, em qualquer tempo
e em qualquer lugar, um confronto diplomático entre belicistas delirantes e
pacifistas delirantes, a vantagem ficará com os primeiros e a frustração com os
segundos. E se houver um homem lúcido a considerar o confronto e a
frustração, censurará os Chamberlains e os Daladiers do futuro com as
palavras de Churchill: "Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra:
escolhestes a vergonha e tereis a guerra". - O avestruz de hoje é um
indivíduo que só pensa em progresso econômico. Para ele, o desenvolvimento
resolve tudo. - Claro está que o avestruz detesta a TFP. Por que?
Porque os comunistas a detestam. E é preciso reduzir ao silêncio e à inação tudo
que desagrade o comunismo. - O que fazer? — O contrário do que faz o
avestruz. Criar um estado de continua alerta contra o avestruzismo e seus
perigos. Pregar a lucidez, a previdência, a luta ideológica, onde o avestruz
pratica a política dos olhos fechados, da despreocupação tonta, da inércia
ideológica frívola e das concessões imprudentes.
7 de fevereiro de 1971 -
Dissecando o avestruz / Por que viceja, em um país, o avestruzismo? A
pergunta importa no mais alto grau. Pois todo efeito só se combate decisivamente
quando se fazem cessar as causas de que ele resulta. E é só pelo conhecimento
das causas do avestruzismo, que se pode eliminar este sumo perigo. - Há na
raiz do avestruzismo, muito menos um defeito de ótica mental, do que um
defeito de vontade. E é este defeito de vontade, que se trata de
explicitar. Não pelo mero desejo de atormentar o infeliz avestruz. Mas pelo
empenho em ajudá-lo a descobrir a causa de seu otimismo censurável, a se
corrigir dele, e a se transformar, assim, em lutador válido. - O avestruz
é fundamentalmente um egoísta. Esse egoísmo se concretiza, porém, de modo
peculiar nos avestruzes de cada época. - A paz, que Santo Agostinho definiu
como a tranqüilidade da ordem, tenho-a em conta de um bem inapreciável. Dela
disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Eu vos deixo a minha paz. Eu vos dou a minha
paz". É a paz de Cristo no Reino de Cristo. Amo-a, pois, de todo o coração. E
por isto detesto, também de todo o coração, o contrário dela: a tranqüilidade da
vergonha sob a vara de ferro da impiedade.
17 de janeiro de 1971 - Sobre um
D. Helder argentino / Carta do presidente do conselho Nacional da
Sociedade Argentina de Defesa da Tradição, Família e Propriedade a respeito
de notícia divulgada por quotidiano paulista em que se mencionam algumas
opiniões do bispo de La Rioja (Mons. Enrique Angelelli) sobre a referida
entidade platina.
24 de janeiro de 1971 - O
tribunalzinho / Anunciado para o Chile a criação de tribunais
populares, segundo entrevista dada ao maior diário andino "El Mercurio",
pelo subsecretário da Justiça do governo Allende, José A. Vieira Gallo. Bem como
uma entrevista do ministro da Justiça do Chile, Lisando Cruz, publicada em "La
Prensa" de Buenos Aires - É esta uma das reivindicações do famoso manifesto
Comblin para o Brasil: a abolição dos tribunais regulares e sua substituição
por tribunais populares.
3 de janeiro de 1971 -
"Taquinerie" / Ler é bem mais simples e cômodo do que escrever. Isto por
mil razões. A mais palpável delas talvez seja a de que o leitor pode parar o
artigo pelo meio. Enquanto o articulista tem de levar seu artigo até o fim. -
Eu, que passo em certos círculos por um homem autoritário, eu acho o cúmulo do
autoritarismo proibir alguém escolher expressões em uma língua célebre, clara,
elegante, cheia de matizes e espirituosa. Talvez essa minha obstinação em não
obedecer ao monopólio imposto pela moda cause surpresa. Mas quem é
autoritário no caso: eu, que me reservo uma legítima e inofensiva
liberdade, ou a moda que me quer pôr em algemas? - Se os usos vão varrendo o
"senhor" e a "senhora" do vocabulário, isto é sintoma de uma transformação muito
mais profunda, que vai varrendo da terra todos os senhores e todas as senhoras.
Pois enquanto houver autênticos senhores e autênticas senhoras neste mundo,
não haverá como não chamar de "senhor" e "senhora". Ora, o mundo será
terrivelmente vulgar, a vida insuportavelmente banal, no dia em que não haja
mais na terra autênticos senhores, nem genuínas senhoras. Será o mundo dos
"camaradas". O de Fidel, Allende e congêneres. Resistir contra a tendência
ao emprego exclusivo do "você" é resistir a um verdadeiro rebaixamento do gênero
humano.
10 de janeiro de 1971 - Por que?
/ Da sra. M. J. Salgado, presidente das Damas de Caridade, recebi a seguinte
carta: "A Associação das Damas de Caridade de São Vicente de Paulo,
altamente honrada com a brilhante campanha de arrecadação de donativos para o
Natal de seus pobres, promovida pela TFP, da qual é V. S. Presidente,
envia-lhe agradecimento muito especial pelo acerto da idéia e pelo magnífico
resultado da campanha. Envia também votos de louvor aos numerosos grupos
de jovens, que numa demonstração de fé e calor cristão, não mediram esforços nem
sacrifícios no desempenho de tão árdua tarefa. Trabalho edificante!
Exemplo a ser seguido pela nossa juventude. Trabalho que conquistou a
simpatia do público de nossa capital, alcançando, por isso, coleta de tão alto
vulto. Contribuiu também para este resultado notável a apresentação da TFP
com seus estandartes, capas, símbolos, (...) a galhardia com que os jovens
desfilaram ao início da campanha, a disciplina, a educação, a distinção dos que
dela participaram (...)". - Pergunte-se a esses jovens admiráveis o porque de
sua dedicação: qualquer deles responderá que está nos princípios, na
mentalidade, nos hábitos de operosidade e disciplina que adquiriu na TFP. E
acrescentará que, se não fosse esta, nunca, jamais, se sentiria atraído para uma
campanha assim, nem teria energias para a ela se consagrar de tal maneira.
"Pelos frutos se conhecerá a árvore", disse Nosso Senhor. Se a atuação
admirável desses jovens resulta da formação que lhe deu a TFP, é preciso ser de
um fanatismo irredutível para negar qualquer aplauso à nossa entidade.
1965-01-05 -
Epifania do Senhor: os Reis Magos representando a humanidade aos pés do Salvador
- "Entretanto, representamos o dever da fidelidade; e aos pés da Igreja
perseguida, aos pés da Igreja humilhada, aos pés da Igreja lançada, na pior das
confusões de sua história, Nossa Senhora quis que representássemos a fidelidade,
a pureza, a ortodoxia, a intrepidez, o espírito de iniciativa, de ataque, de
ação, no momento em que tudo deveria falar em recuo, em transigência, em fuga."
No dia 6 de janeiro de 2012
comemorou-se o 600° aniversário de nascimento da heroína e mártir
francesa, Santa Joana d'Arc, que "teve uma profunda influência
sobre uma jovem santa da época moderna: Teresa do Menino Jesus",
segundo afirmação do Papa Bento XVI (audiência
de 26 de janeiro de 2011).
1972-05-29 - O auge
do heroísmo de Santa Joana d'Arc: seu sublime martírio - "As vozes eram do Céu"!
- "O
fogo vinha de baixo para cima (...) Nesse momento, ela não dá um gemido pedindo
misericórdia, ela não dá um gemido pedindo dó. Ela primeiro brada por São
Miguel, com certeza para pedir forças (...) E depois, como Nosso Senhor
Jesus Cristo que pouco antes de morrer com “vocem
magnam”,
(...) bradou, também ela com grande voz bradou. Uma voz que, com certeza, se
ouviu pela praça inteira! E era o protesto dela:
Sabei, ó amigos e inimigos, sabei homens do meu tempo, sabei
homens do futuro, até o fim do mundo, sabei: as vozes vinham do Céu! A minha
missão foi cumprida!
Esse
testemunho dado na hora da morte é um supremo lance de heroísmo, que vale mais
do que a entrada triunfal em Reims, ao lado do rei que ia ser coroado, a entrada
triunfal heróica em Orléans, ou tudo o mais quanto possam querer. Então, o brado
dela “Sabei, as vozes vinham do Céu”, no momento de ser julgada, de comparecer
perante Deus. É uma verdadeira maravilha!
"
Vídeo de apresentação da
Sede do então Conselho
Nacional da TFP (atualmente sede do
Instituto
Plinio Corrêa de Oliveira), decorado sob direta orientação e inspiração do
Prof. Plinio, onde ele costumava
rezar, trabalhar, receber personalidades do Brasil e do Exterior,
bem como a membros das diversas TFPs e entidades afins, provenientes das mais
diferentes classes sociais e regiões do globo. Pelo comentário abaixo vê-se o
quão profundamente seu espírito se refletia na sede:
“De
tal maneira eu desejaria que todos os colaboradores da TFP tivessem esse estado
de espírito temperante, que tive como uma das intenções, na decoração da Sede
do Reino de Maria
(**), exatamente criar um
ambiente que o propiciasse. É o gosto de uma situação.
A pessoa presente
na Sede do Reino de Maria degusta uma situação, tanto quanto o ambiente
pode influenciar uma pessoa, sem lhe dar vontade de sair, sem lhe dar vontade de
se divertir, de fazer outra coisa senão sentar-se lá e dizer: 'Isso aqui foi
feito para mim, isso aqui é minha casa, é o lugar onde eu repouso, é o lugar
onde eu me preparo para o trabalho'. Contemplar, andar de um lado para outro,
sentar-se um pouco.”