plinio correa de oliveira
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FEVEREIRO 2012

(Acima, ilustração do livro da TFP francesa Autogestion socialiste: les têtes tombent à l'entreprise, à la maison, à l'école, Paris, 1983)

A 11 de fevereiro de 1982 era publicado o Manifesto de autoria de Plinio Corrêa de Oliveira

Na França: o punho estrangulando a rosa

As então 13 Sociedades de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – TFPs – publicaram, a partir de 9 de dezembro de 1981, em grandes cotidianos de quinze países uma Mensagem de alerta sobre a incompatibilidade entre os princípios perenes da civilização cristã e a reforma autogestionária na qual o Partido Socialista prometeu engajar a França, quando das eleições de 1981. Reforma esta gradual, mas radical, demolidora do direito de propriedade sobre o solo, a empresa, a escola privada, invadindo a família para organizar os filhos contra os pais, e não poupando sequer, em seu termo final, os lazeres, o aménagement doméstico e a própria pessoa de cada francês.

Em nenhum dos países mencionados encontraram as TFPs obstáculos para publicar, como matéria paga, sua Mensagem. De par em par, abriram-se para elas os órgãos de imprensa. E em nenhum momento estes se julgaram comprometidos, por tal, com um pensamento que, em parte ou no todo, não é o deles. Assim procedendo, tais órgãos foram estritamente coerentes com os princípios democráticos que proclamam como seus.

Seria natural que nos grandes cotidianos franceses, ufanos de professar esses mesmos princípios democráticos, a Mensagem das TFPs fosse igualmente fácil de divulgar. Contudo, as TFPs tiveram, neste lance, a amarga experiência do contrário. E se julgam na obrigação de informar a esse respeito não só o público brasileiro, como o de cada um dos países em que a Mensagem vem sendo publicada.

*     *     *

Em virtude do alcance e da importância deste documento, é justo e razoável que se lhe dê o devido destaque, por ocasião de seu 30° aniversário.

 

03/02/2012 

Artigos na Folha de S. Paulo: 

22 de agosto de 1971 - De tudo um pouco / Comentários sobre notícias diversas: os governos chileno (de Allende) e cubano assinaram um comunicado conjunto em que afirmam a inspiração fundamentalmente ideológica da política internacional que desejam desenvolver de mãos dadas. - Prometi informar leitores sobre a resposta que Lanusse enviasse à TFP platina. A Argentina é uma terra de donaire, elegância e belos gestos. Eu estava no direito de esperar também do tenente-general Lanusse uma atitude digna de registro. Pelo contrário, da Casa Rosada veio, endereçada ao presidente da TFP portenha, apenas esta mensagem amável, banal, esquiva e vazia, assinada pelo capitão de navio (R.E.) Cristián R. Belaustegui, secretário privado do presidente da República - Fidel Castro aproveitou as comemorações do aniversário da revolução cubana — nas quais confessou mais um estrondoso fracasso econômico — para elogiar a marcha da revolução no Chile, no Peru, na Bolívia e no Uruguai. E para externar, especialmente quanto a este último país, as suas esperanças de uma próxima vitória do comunismo. 

29 de agosto de 1971 - Enquanto baixa a poeira, um alarido se levanta... / Depois do estrondo publicitário organizado em escala mundial para prestigiar a viagem do presidente norte-americano Nixon à China, a poeira vai baixando lentamente. E assim se torna possível discernir uma série de descontentamentos nos Estados Unidos. As principais personalidades e organizações direitistas saíram às ruas e lançaram campanhas nacionais de protesto contra a viagem de Nixon. Uma característica dessas campanhas é que ressaltam, explícita ou discretamente, o fato de que essa viagem de Nixon não só constitui uma capitulação dos Estados Unidos no Extremo Oriente, como abre um diálogo bobamente pacifista com as superpotências, potências, e republiquetas comunistas pelo mundo a fora. - Por exemplo, o jornal republicano "Manchester Union Leader", o maior de New Hampshire, dirigido pelo amigo pessoal de Nixon, William Loeb, classificou a viagem do presidente à China de "imoral, indecente e louca", e afirmou que ela "representa um enorme perigo para a sobrevivência dos Estados Unidos". (Avisos não faltaram...)

 

02/02/2012 - Festa de Nossa Senhora da Candelária e do Bom Sucesso

Mariologia

1985-02-02 - Nossa Senhora do Bom Sucesso: meditação sobre esta invocação e sua relação com os acontecimentos previstos em Fátima 

Artigos na Folha de S. Paulo: 

8 de agosto de 1971 - Displicência e sono, enquanto as barreiras são derrubadas / 18º aniversário da revolução cubana. A data não foi assinalada por manifestações de caráter triunfalista. Nem havia porquê. Cada ano que passa representa nova etapa na dura caminhada do povo cubano rumo à miséria total. Só não compreendo como os Srs. Bispos de Cuba não lançaram um Pastoral coletiva pedindo uma reforma de estruturas completa na desditosa Ilha. Se mais ou menos por todos os países da América Latina — e ressalvo as honrosas exceções — os Srs. Bispos parecem fascinados pela perspectiva de remediar a miséria com reformas, não compreendo como os de Cuba, tendo em torno de si misérias mil vezes mais graves, se conservam tranqüilos e distendidos como se vivessem num oceano de fartura. Tanto mais quanto, no que diz respeito à miséria em Cuba, os fatos não clamam: ululam. Exemplos concretos. - A causa máxima da miséria do lado de lá é uma doutrina. E a inspiradora suprema de uma crescente fartura do lado de cá é uma doutrina também. E não é doutrinária, essencialmente doutrinária, obviamente doutrinária, esta fronteira? Se o império marxista não é essencialmente ideológico, como explicar que a Rússia mande tantos dólares, sem nenhuma compensação econômica, para manter o regime de Cuba? E por que tanto trabalha e gasta Fidel para exportar sua ideologia e sua miséria por toda a América? - Contra a displicência imperante no hemisfério Sul, devemos reagir, sob pena de sermos julgados um dia pela História, com a severidade com que esta julga hoje a indolência dos romanos vendo as legiões de bárbaros invadirem o Império... 

15 de agosto de 1971 - Rumo ao desenvolvimento global / O Comitê de Jovens Equatorianos Pró-Civilização Cristã dirigiu ao Presidente da República, sr. José Maria Velasco Ibarra, uma carta rogando-lhe não desse aplicação à lei de reforma agrária socialista e confiscatória em vigor no país. O documento, respeitoso, solidamente argumentado, cristalino, foi publicado por iniciativa dos missivistas no jornal "El Comercio" de Quito. Mais notável ainda que o estilo da referida matéria, nos dias de brutalidade e vulgaridade em que vivemos, foi a reação do Chefe de Estado. Enviou ele aos Jovens Equatorianos Pró-Civilização Cristã uma resposta que pode passar por um modelo de cortesia, de atenção e de elevação de espírito. Na impossibilidade de a transcrever por inteiro, cito-lhe aqui a parte mais característica. - O estilo é o homem. Grato é pois registrar que os Jovens Equatorianos Pró-Civilização Cristã não ficaram atrás. Responderam eles ao sr. Velasco Ibarra nos seguintes termos (...). - Outro documento que atesta a elevação moral e cultural a que se vai alçando a vida pública em nossa vasta família ibero-americana é a carta dirigida ao tenente-general Lanusse, Chefe do Estado argentino, pelos membros do Conselho Nacional da TFP daquele país, a respeito da derrubada das barreiras ideológicas. Publicamos dele a parte essencial. Não tenho em mãos a resposta do tenente-general. Divulgá-la-ei caso me seja comunicada pelos amigos argentinos. Espero que não fique aquém da brilhante missiva do presidente equatoriano.

 

01/02/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

25 de julho de 1971 - Lições no jardim do vizinho / A Carta Apostólica "Octogesima Adveniens", de Paulo VI: o ponto mais importante do documento é o que se refere à posição dos católicos face ao socialismo e ao comunismo. E, ao cogitar deste assunto, eu me tenho perguntado até que ponto é obra do comunismo esta crise atroz, misteriosa e profunda, por que passa a Igreja, a que Paulo VI deu o qualificativo trágico e preciso de "autodemolição". Tal problema, Paulo VI não o levantou em sua Carta Apostólica, nem — ao que me conste — em qualquer outro documento. Sem embargo, a questão me preocupa. Pois essa autodemolição é um crime. E se lhe quero conhecer o autor, devo perguntar-me quem mais lucra com ele. Ora, dado que o grande beneficiário do crime é o comunismo, não posso deixar de me perguntar se não é este — por detrás de agentes secundários — o responsável supremo da "autodemolição". Desejo oferecer ao leitor alguns dados para que forme um juízo a este respeito. Esses dados, fornece-os o estudo da política seguida pelo comunismo em relação à igreja russa (correntemente chamada "ortodoxa"), à qual pertencia a grande maioria dos russos em 1917, quando os comunistas subiram ao poder.

1º de agosto de 1971 - Quando o sapo abre a jaula para a hiena... / Visita de Salvador Allende, chefe marxista do Estado chileno, ao General Lanusse, militar que encabeça, na Argentina, um regime oficialmente anticomunista. O encontro se realizou na cidade platina de Salta. Tal encontro foi a ocasião em que ambos Presidentes quiseram anunciar aos respectivos povos, e a toda a América do Sul, uma mensagem nova: a adoção de um novo estilo de relações entre os países comunistas e não comunistas. Ou seja, a queda das chamadas "barreiras ideológicas". A este respeito, tanto Lanusse quanto Allende fizeram, em tom grandiloquente e profético, declarações reiteradas e insofismáveis.

 

 

31/01/2012 

Italiano: Santo del giorno 

31 gennaio, San Giovanni Bosco - Applaudiamo Don Bosco come santo sociale, ma ricordiamo anche Don Bosco come apostolo della stampa e della divulgazione di idee 

Artigos em outros periódicos: 

1959, "El Cruzado español" - Uma observação de São João Bosco esclarece a causa da Revolução / A causa mais essencial das vitórias sistemáticas dos extremistas nos processos revolucionários, na maior parte dos casos, se deveu à timidez, à cegueira, à fraqueza e à resignação dos "moderados", geralmente ricos, influentes, numerosos e, invariavelmente, à disposição dos revolucionários, preferindo tudo a apoiar seriamente as hostes da Contra-Revolução. 

Artigos na Folha de S. Paulo: 

11 de julho de 1971 - Religião a serviço da irreligião / Fonte das citações feitas no artigo anterior: livro "Théologie de la Révolution", Editions Universitaires de Paris, 1970, e os textos que citei se encontram respectivamente às páginas 59, 61, 67 e 199-200. E o autor? Não é nem mais nem menos de que o Pe. Comblin. Sim, o famigerado pe. Comblin, autor de um estudo largamente divulgado pela imprensa brasileira no ano de 1968. Esse estudo, que pedia a revolução social, a dissolução das Forças Armadas e a liquidação do Poder Judiciário, foi o motivo próximo que levou a TFP a promover um abaixo-assinado pedindo a Paulo VI medidas capazes de conter a infiltração comunista na Igreja. - Se um antiprogressista tivesse dito do Concílio Vaticano II tudo quanto diz o pe. Comblin, choveriam sobre ele recriminações de toda ordem. Quando ele (pe. Comblin) afirma estas enormidades, ninguém tuge nem ruge nem muge. Por que? - Chacotas, ironias, carrancas, nada disto basta para abater adversários ideológicos. O grande antídoto contra o erro é um e só um. É a verdade. Sim, a verdade claramente enunciada, fortemente esteada na argumentação, e corajosamente proclamada aos quatro ventos. É o que, em toda a medida de suas forças, a TFP tem procurado fazer. Mas, então, por que tanta carranca contra a TFP? 

18 de julho de 1971 - Posto de gasolina, bacharel e batatas / É tão legítimo que a Igreja se defenda contra o heterodoxo quanto o Estado contra o invasor. E sendo a Igreja uma sociedade espiritual, normal é que Ela utilize penas espirituais nessa legítima defesa. Uma delas é a destituição do transgressor da ortodoxia dos cargos que a confiança da Igreja lhe entregara. - O que é subversão na Igreja? Antes de tudo, e por excelência, a disseminação do erro... Por mandato divino, a Igreja tem o direito e o dever de punir o erro. No caso do Pe. Comblin, trata-se de erros de doutrina. À Igreja cabe qualificá-los como tais, e puni-los. - Não respondi ao industrial. Se a todas as idéias se deve responder com comida, para que dar-lhe argumentos? Não seria melhor dar-lhe sanduíches? E eu não tinha nenhum sanduíche à mão...

 

30/01/2012 

Artigos na Folha de S. Paulo: 

27 de junho de 1971 - Com Gogó, de volta no avião / Quase tudo quanto nossa época conserva como legado da Idade Média deve ser conservado. Já não falo apenas dos nossos óculos, dos nossos botões, dos nossos relógios, que citei em nossa conversa anterior. Refiro-me também aos hospitais, que como talvez você saiba tomaram forma e consistência na Idade Média. Desta nos vieram as Universidades. A ela devemos as catedrais góticas, os castelos góticos, que turistas do mundo inteiro vão à Europa para visitar. E eu poderia citar muitas outras coisas. Você quer arrasar tudo isto? - Carregamos o nome TFP com a ufania de um guerreiro que leva seu estandarte. E pronunciamos sua sigla com o entusiasmo de arautos que lançam um brado de vitória. Por isto, não aceitamos que se altere a ordem das letras que a compõem. - O jornalista Walter Lippmann escreveu: "Nossa civilização só poderá ser mantida e restaurada pela recordação e redescoberta das verdades, e pelo restabelecimento dos hábitos virtuosos sobre os quais foi fundada". 

4 de julho de 1971 - Textos e teste / Vão ruindo as muralhas que o liberalismo e o positivismo haviam levantado entre os assuntos políticos, sociais ou econômicos tanto como os filosóficos ou religiosos. A opinião pública vai abrindo sempre mais os olhos para as correlações por vezes subtis, mas sempre importantes, que entre tais campos existem. E aos olhos do homem de hoje se vai tornando claro como o sol, que uma tomada de posição em sociologia, ou até em economia, impõe, em rigor de lógica, a aceitação de análoga posição em política e em moral. Ou seja, implicitamente, em filosofia ou até em religião. À vista deste fenômeno, pareceu-me que interessaria aos leitores passar por um teste. Apresentar-lhes-ei uma série de textos versando sobre assuntos muito amplos, vistos precisamente no que possuem de correlato. São todos eles tirados de um só livro escrito por um só autor. E os leitores se responderão a si mesmos o que pensam dos textos e do autor. No próximo artigo, dar-lhes-ei as citações exatas.

 

27/01/2012 

Artigos na Folha de S. Paulo: 

13 de junho de 1971 - Rija ou cordialmente, como quiserem / Os progressistas distinguem na História da Igreja três fases. A das perseguições vai desde as origens até Constantino. Tendo o Imperador dado liberdade ao culto católico no ano de 313, este em breve se tornou a Religião oficial do Império. A segunda fase, inaugurada desse modo por Constantino, durou, segundo os progressistas, até o pontificado de João XXIII e o Concílio Vaticano II. A terceira fase, da Igreja democratizada, evoluída e secularizada, abriu-se então e deverá durar até não se sabe quando. Em cada uma destas fases, a Igreja teria tido — sempre segundo os progressistas — características próprias. - Depois de caluniarem a Igreja do passado, os progressistas querem desfigurar a Igreja do presente, transformando-a numa espécie de república espiritual populista segundo o modelo iugoslavo. Quem conhece um pouco de protestantismo não deixará de ter notado a todo momento, ao longo desta exposição da doutrina progressista, afloramentos protestantes: livre exame, contestação do Papado, e até de toda a Hierarquia, liberalismo, naturalismo e tendência à dessacralização, objurgatórias contra a riqueza e o poder da Igreja, cumplicidade com a impureza etc. E a par destes afloramentos protestantes, também os comunistas: proletarização, sociedade sem classes, luta social, e daí para frente. Não é minha intenção mostrar aqui quanto há de falso, em todo este aranzel. Desejo apenas frisar que a tarefa de "desconstantinização" da Igreja Católica importa em uma imensa revolução religiosa, a qual carrega profundas implicações em todas ou quase todas as esferas da cultura, da civilização e da vida. E fazer notar que esta revolução esbarra, em seu curso, com um problema difícil

20 de junho de 1971 - No avião, com Gogó / Um diálogo animado e esclarecedor a respeito da TFP, Tradição, Idade Média, desigualdades sociais e temas conexos - Gogó, você se engana, a TFP não é minha. Eu é que sou dela. E com toda a alma.

 

26/01/2012 

Artigos na Folha de S. Paulo:

23 de maio de 1971 - Aturdimento, passo para a derrota / Impressiona-me um contraste. De um lado, as informações postas ao alcance do público jamais foram tão fartas. De outro lado, jamais este se sentiu — creio eu — tão átono e embaraçado diante delas. - Antes da II Guerra Mundial, o panorama político mundial era claro e simples. Ou melhor, simplório. Os problemas reais eram subestimados ou silenciados. As realidades de subsolo eram quase desconhecidas. E esta mutilação da realidade nos noticiários foi um erro. Pois se o público tivesse tido conhecimento da verdade total talvez tivesse imposto aos acontecimentos um outro curso. Depois da II Guerra, e muito especialmente em nossos dias, aconteceu o contrário. Veio tudo à tona. Noticia-se tudo, a respeito de todos os países. E segundo uma tabela de valores bem diversa. - E o que faz esta sarabanda informativa? Interessa? Atrai? Orienta? A meu ver, o mais das vezes causa acabrunhamento, superexcitação, e por fim tédio. Sim, o tédio dentro da superexcitação; eis o estado de espírito que a pletora informativa cria em muitos e muitos de nossos contemporâneos. Em suma, todos sabem de tudo, não entendem nada, alguns ficam com os nervos a tinir, e quase todos, à falta de melhor, bocejam. E como poderia ser de outra maneira? Tudo parece estar continuamente correndo para um abismo... que nunca chega ou pode chegar de um momento para outro. - Tudo pode acontecer. Ou nada acontecerá. Ninguém se entende. Mas, dir-me-á alguém, aí o mal não está tanto no excesso de notícias como no excesso de desordem. Concordo. Os dois fatores se somam. Mas pergunto: até que ponto a desordem dos fatos, já de si tão imensa e tão trágica, é ainda agravada pelo sensacionalismo trepidante dessa superprodução informativa? E, principalmente, a quem aproveita essa superexcitação? - O que é próprio do aturdimento senão desanimar e tirar a vontade de lutar? O declínio da vontade de lutar já é a metade da derrota... É para este fenômeno, que peço a atenção dos homens capazes de lhe encontrar remédio. 

30 de maio de 1971 - Propriedade privada / A propriedade privada vai sendo apresentada, cada vez mais — nestes tempos de hipertrofia do social — como um privilégio antipático e anacrônico, ao qual só se aferraram alguns egoístas, insensíveis à miséria que em torno deles existe. É este o pensamento da Igreja? É para responder a tais perguntas pela própria voz dos Romanos Pontífices, que aqui dou a público algo do que eles ensinaram sobre a matéria. Falei de hipertrofia do social. A expressão terá suscitado, sem dúvida, arrepios em alguns leitores. Se o social corresponde ao interesse geral, poderá haver aí hipertrofia do social? Sim, respondo. E uma hipertrofia muito nociva ao próprio interesse geral. Os Romanos Pontífices a chamaram socialismo. - Documentos papais.

 

24/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

9 de maio de 1971 - O dinheiro não é valor supremo / Contrastes entre a pauliceia de 1930 e a São Paulo de hoje - Há uma transformação importante que desejo comentar. Trata-se da modificação mais ou menos subconsciente, que se operou na mentalidade de boa parte de meus conterrâneos, quanto à escala segundo a qual se mede a consideração atribuída aos indivíduos na sociedade. O que importa, de algum modo, na alteração do critério segundo o qual se dispõe a estratificação social. - Naquela época (cerca de 1930), o dinheiro era considerado um complemento útil, e em alguma medida necessário da situação de uma pessoa. Por exemplo, um bispo, um general ou diplomata soíam ter os recursos necessários para sustentar decentemente sua situação. Mas a consideração de que eles gozavam não era determinada pelo peso do dinheiro, mas pela respeitabilidade intrínseca de sua função. Obviamente, este critério não poderia ser aplicado sem matizes à nossa época, em que a gestão de interesses econômicos consideráveis, além de exigir, muitas vezes, uma capacidade intelectual relevante da esfera privada e acarreta, em tal caso, responsabilidades de grande porte no tocante à própria coisa pública. - Ao conceito de ordem então em vigor, opõe-se o conceito marxista de classe. Uma vez que, segundo Marx, o fator determinante da História é a economia, os homens devem classificar-se unicamente segundo seu papel na produção econômica. A escala dos valores deve ser exclusivamente funcional, abstraindo de critérios religiosos ou morais como dignidade, honra etc. - Estas reflexões têm um sentido prático. Elas são um apelo a que se modifique esta mentalidade, que infelizmente vai ganhando terreno entre nós, e que se poderia condensar nesta fórmula: "fazer carreira é tornar-se rico; o resto é conversa fiada".

16 de maio de 1971 - Comunismo não ateu: pergunta a um Bispo / O Sr Bispo D. Ivo Lorscheiter, secretário-geral da CNBB, fez algumas declarações sobre a TFP. Delas tomei conhecimento com vivo interesse, não só em razão das altas funções exercidas pelo Prelado no órgão representativo dos bispos do Brasil, como também pelo renome de sua cultura teológica. Antes de tudo, impressionou-me favoravelmente o real esforço que o Sr. D. Lorscheiter fez — segundo ele mesmo nos informa — para se manifestar em termos imparciais em relação à TFP. E, por isto, temendo ser "descaridoso, injusto ou unilateral" para conosco, pediu que suas apreciações fossem por nós entendidas simplesmente como “um apelo à reflexão equilibrada e a atitudes construtivas de cooperação”. - Ele propôs que a "TFP reexamine sua razão de ser, seus objetivos, seus métodos de ação e os princípios iluminadores de seu programa". - O ilustre secretário da CNBB se referiu a uma sociedade, como a TFP, que tem numerosas obras editadas. Essas obras tiveram larga repercussão e estão nas mãos de todos. A par disto, a TFP fez várias campanhas públicas, que se estenderam por todo o País. Tendo à disposição tão abundante material para formar um juízo sobre a TFP, o primeiro cuidado de d. Ivo, do ponto de vista da imparcialidade, deveria consistir em o estudar atentamente. E, depois, de sobre ele emitir um juízo. Se nossos livros são bons ou maus, se nossa campanhas são boas ou más, diga-o d. Ivo. Nisto consiste um pronunciamento imparcial. Pode estar seguro o douto prelado de que receberíamos com todo o respeito e examinaríamos a fundo quanto ele houvesse por bem dizer-nos. Mas d. Ivo seguiu outro caminho. - S. Excia. se mostra receoso de que a TFP seja um "fator de lamentável desunião". Ora, na Igreja, desune quem cai em erro. E une quem fica fiel à verdade. - Um regime econômico-social que importe em comunidade de bens é — em um como em outro caso — inaceitável para a consciência católica. Pensa assim D. Ivo?

 

23/01/2012

Artigos em outros periódicos:

1° de novembro de 1985 - O direito de fazer o bem / Tanto se fala, em nossos dias, da liberdade individual, conseqüência natural da condição de ente dotado de alma e corpo, de inteligência, vontade e sensibilidade, como é o homem. Infelizmente, contudo, o zelo por essa liberdade se aplica cada vez mais em restringir o poder do Estado na repressão da imoralidade, do vício e do crime. Os zelotes da liberdade dão cada vez menos mostras de seu empenho em defender as legítimas liberdades do homem de bem contra essa ação do Estado ora invasora quase até as raias do totalitarismo, ora omissa quase até as raias da anarquia. De maneira que propagar no palco o vício ou o crime seria um “direito humano”. Usar de violência para impedir a colegas que trabalhem honestamente no sustento do lar, também seria um “direito humano”. Ora, a liberdade do homem consiste essencialmente no direito de fazer o bem. - O Estado coletivista impede toda iniciativa individual, suprime a família e os demais grupos intermediários entre o indivíduo e o Estado, e enfeixa tudo nas mãos do Poder Público, dotado, para dominar a cada qual, do cetro da propaganda monopolizada, e da terrível chibata da perseguição policial. Em conseqüência dos princípios enunciados, o Governo deveria demonstrar ao povo que, de fato, nas condições atuais do Brasil, o direito natural imprescritível do homem ou do bem comum nacional exigem a reforma agrária.

Artigos na Folha de S. Paulo:

2 de maio de 1971 - A reforma agrária no programa do MDB / O MDB publicou a síntese programática do partido. Destaco o item 11: "Imediata realização de uma profunda reforma agrária, sem recuos e sem distorções, atendida a advertência do Concílio Vaticano II: ‘Deus destinou a terra e tudo o que nela existe ao uso de todos os homens e todos os povos, de modo que os bens da criação afluam com equidade às mãos de todos, segundo as regras da justiça, inseparável da caridade'." Antes de entrar na análise desse texto, julgo necessário acentuar que, ao fazê-la, não me influencia o mais leve sentimento partidário. Sabem os meus leitores que, na Constituinte Federal de 1934, representei uma entidade tipicamente extrapartidária, como seja a Liga Eleitoral Católica. De então para cá, não aceitei a inclusão de meu nome em qualquer partido político. Falo, pois, sem qualquer preconceito favorável ou contrário ao MDB. - Elegância de forma e demagogismo ingênuo de conteúdo são duas características do academismo. - A fim de justificar sua posição agro-reformista, o MDB cita o Concílio Vaticano II. E com isto reconhece a transcendência do aspecto religioso e moral na questão agrária. Há, com efeito, sobretudo nas cúpulas das classes produtoras, não poucas pessoas que, ao discorrer sobre a reforma agrária, o fazem "sapamente", isto é, em termos meramente econômicos, como se a Religião e a Moral nada tivessem que ver com o assunto. - O texto do Concílio Vaticano II citado, por si só, não demonstra a legitimidade de uma reforma agrária. Com efeito, onde a prova de que "in concreto", no Brasil, o atual regime agrário não produz — na medida do possível — a afluência equitativa dos bens da criação em mãos de todos? E onde a prova de que a reforma agrária melhoraria a difusão da riqueza? Ora, sem tal prova, nada feito...

 

20/01/2012 - 170° aniversário da Aparição de Nossa Senhora do Milagre na igreja Sant'Andrea delle Fratte, em Roma

Discursos - Santos do Dia:

1976-01-20 - Madonna del Miracolo (Nossa Senhora do Milagre):
a felicidade inefável da despretensão, da pureza e da admiração / “Meu filho, você se lembra dos tempos primitivos de sua inocência? Você não se lembra antes de você ter pecado como você era? Você não se lembra que havia coisas dessas em você? Eu lhe ofereço isso. Eu o restauro!"

Artigos na Folha de S. Paulo:

25 de abril de 1971 - Corcovado ou formiga? / Em conseqüência do seu duplo caráter sacral e indissolúvel, o matrimônio cristão dotou a instituição da família de uma estabilidade e de uma pujança que a distinguiram, de modo excelente, da família pagã, ligada às superstições idolátricas, maculada pela prática da poligamia e debilitada pela instabilidade inerente ao divórcio. Sendo a família a base da sociedade, é fácil avaliar quanto se beneficiou, assim, com a sacralidade e a indissolubilidade do matrimônio, todo o corpo social. Um dos principais fatores pelos quais a civilização cristã se elevou de muito sobre todas as outras modalidades de matrimônio e família. Nisto devemos ver um dom magnífico de Nosso Senhor Jesus Cristo — o instituidor do sacramento do matrimônio — para os indivíduos e as nações em todos os séculos vindouros. Um dom que é espelho de sua sabedoria infinita e fruto de Sua bondade sem limites. - Tudo isto, que a mim, como a toda alma católica, entusiasma e encanta, ao sr. Nelson Carneiro parece defeituoso e digno de reforma. - E assim, no afã de corrigir a Nosso Senhor Jesus Cristo, acaba ele de pedir o concurso do Senado para a introdução do divórcio. - Tal é a influência moral da religião em nosso País, que tudo está nas mãos do clero. Se ele falar logo, falar claro, falar alto, falar coeso, e sem cessar, a consciência católica do País — povo e legisladores — despertará do triste e explicável letargo em que está. Espero ver entrar em liça, antes de tudo, a CNBB. Espero ver, em seguida, entrarem na arena, em linda emulação, e com zelo e vigor, todas as entidades e personalidades católicas. - A opinião pública está desnorteada e cambaleante, com toda a zoeira do caos contemporâneo. E isto a leva a alternativas de sobreexcitação e de letargia. Especialmente a opinião católica está aturdida e exausta. Tão exausta que muito mais propende para o desacoroçoamento e a letargia, do que para a excitação. E não dá para menos. Basta pensar na audiência concedida pelo Papa Paulo VI a moças "trajando" shorts dos mais exíguos. Animar, coordenar e levar à luta nossas tão imensas e tão desditosas multidões de católicos do Brasil, é obra que só um grande trabalho poderá levar a cabo. Se tal trabalho for feito a fundo, a vitória desde já é certa.

 

19/01/2012

Artigos em O Legionário:

31 de Dezembro de 1939 - Madre Francisca de Jesus, UMA GRANDE MÍSTICA BRASILEIRA / O misticismo católico, ao contrário do que muita gente pensa, é o antídoto específico da sentimentalidade religiosa, a moeda falsa da religião - A vida católica não é passível de estandardização, que seria uma espécie de religiosidade média, relativamente boa, acessível ao grande público. O Catolicismo, por sua própria natureza, é acessível a todos, mas não comporta “programas mínimos”. Há muitos que, na faina do apostolado, na preocupação de conquistar o maior número, vão passando adiante assim que notam uma certa conformação espiritual típica em seus prosélitos. Seria quase uma fabricação “em série” de católicos... Ora, enquanto não se tiver acendido o desejo de uma verdadeira santidade, tudo ainda estará por ser feito. O corretivo para semelhante inclinação encontra-se no estudo da vida e das obras dos grandes místicos da Igreja, que realizaram o que há de mais profundo e autêntico na religião. - Certa vez Madre Francisca de Jesus recebeu uma dessas notícias negras, que revelam adversidades maciças e totais, e ela exclamou, cheia de desalento: “Mas Senhor, que foi que eu Vos fiz, então?” Ao que Jesus Cristo imediatamente lhe respondeu: “Tu me tens amado”.

 

18/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

28 de março de 1971 - Perplexidade que agride / O jornal "La Nación" de Buenos Aires publicou o telegrama endereçado pelo Papa Paulo VI ao camarada Salvador Allende, presidente do Chile. Li essa mensagem com o devido respeito. Sem embargo, confesso que ela me causou certa perplexidade. Com efeito, o novo chefe de Estado subiu ao poder com um programa marxista, e o vai aplicando com implacável determinação. - Mas o telegrama do Papa a Allende não constitui um ato do magistério? — Evidentemente não. E dê-se-lhe esta ou aquela interpretação — esse telegrama não tem, nem segundo as intenções do Papa, nem segundo as leis da Igreja, eficácia jurídica suficiente para revogar qualquer documento do magistério supremo. É o de que nenhum canonista pode duvidar. Por análogas razões, não me abalam, e nem devem abalar a ninguém, os elogios que o órgão oficioso da Santa Sé, o "Osservatore Romano", dispensou prodigamente, por duas vezes sucessivas, a D. Helder Câmara.

4 de abril de 1971 - O coelho / Dos três princípios afirmados no nome da TFP — Tradição, Família e Propriedade — só é contestado com certa insistência o terceiro, isto é a propriedade. A contestação procede antes de tudo — como é natural — das correntes socialistas e comunistas, que negam a propriedade individual. Contudo, também em certos setores empresariais e em alguns grupos católicos, surge ela de quando em vez. E isto é muito menos natural. - Alguns ensinamentos pontifícios sobre a propriedade privada. E para que não se diga que esses ensinamentos são obsoletos (o que é um ensinamento pontifício obsoleto?), começo desde logo por um texto de João XXIII, da Encíclica "Mater et Magistra".

 

17/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

14 de março de 1971 - A chantagem do "comunismo ateu" / Esta expressão ("comunismo ateu") é legítima e se encontra nos documentos pontifícios. Entretanto, os setores católicos impregnados de influências comunistas começam a interpretar capciosamente a expressão. Se os Papas condenam o comunismo ateu — argumenta-se nesses círculos — é só porque ele é ateu. Logo, se houver uma corrente comunista não ateia, claro está que contra ela a Igreja não tem a menor objeção. A chicana implica em afirmar que, no comunismo, os Papas jamais condenaram outra coisa senão o ateísmo. Basta ler os documentos de Leão XIII, por exemplo, para ver que isto é inteiramente falso. De fato, a Igreja também condena as concepções políticas, sociais e econômicas do comunismo, e um católico autêntico não as pode aceitar ainda que sejam apresentadas sem qualquer vinculação com o ateísmo. Assim, por exemplo, afirmar a ortodoxia de um programa de reforma social inspirado pelo comunismo, que inclua o divórcio, o amor livre e a total promiscuidade nas relações sexuais é contrário frontalmente à moral católica. E isto ainda quando os propugnadores dessas reformas freqüentassem os sacramentos. O que digo da promiscuidade de sexos vale igualmente para a comunidade de bens, ou seja, para um regime econômico que exclua a propriedade individual. Se alguém diz crer em Deus, mas deseja a implantação desse regime, está contra a Igreja. O que lucra a propaganda comunista com essa escamoteação doutrinária levada a cabo pelo abuso da expressão "comunismo ateu"? - Quais são as etapas do processo de ruptura dos heresiarcas mais sutis com a Igreja?

21 de março de 1971 - Fel e prudência / As leis fundamentais da boa polêmica: tonus intelectual elevado, valor na argumentação, elevação na linguagem, método na exposição. Carência de tais quesitos em publicação de "Ecclesia", órgão informativo da Arquidiocese de São Paulo. Matéria deste mesmo órgão contra o artigo "Faça uma experiência, leitor". Refutação à referida matéria - Só tive, com o arcebispo D. Paulo Evaristo Arns, um encontro. Foi longo, substancioso, cordial. Lembrando-me da atmosfera simpática que marcou aquele diálogo, sinto-me animado a dirigir, destas colunas, um apelo ao pastor da grei paulopolitana.

 

16/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

28 de fevereiro de 1971 - Dois pesos e duas medidas / Nada mais contraditório do que, de um lado, a atitude conciliatória dos bispos poloneses para com o regime comunista imperante naquele país, e, de outro lado, a atitude provocadora e façanhuda da esquerda católica nos países não comunistas. Vamos aos fatos. Como é notório nos jornais, o regime comunista chegou, na Polônia, a uma verdadeira catástrofe. A produção decai, a população cresce, os preços sobem e os salários continuam imóveis. Se tal se desse em algum país livre, a esquerda católica promoveria passeatas, instigaria greves e sopraria distúrbios. Se o governo reagisse, não faltaria algum d. Helder para responsabilizar o regime e as estruturas, em entrevistas vedetísticas. Pelo contrário, esmagadas as greves em Gdansk, Lodz etc., o que faz o episcopado polonês? Não pediu mudança de regime nem reforma de estrutura. Tentou aplacar os ânimos, tornando fácil a manutenção das autoridades comunistas. Assim, em documento lido em todas as igrejas da Polônia, e assinado pelo cardeal Wyszynski, afirma o episcopado: "Queremos cooperar com todos os filhos deste país, pois chegou o momento de repartir o pão da reconciliação". Nos países comunistas, quando há fome, o problema se resolve com o "pão da reconciliação". Nos países não comunistas, quando há fome, o problema se resolve com subversão... - Não nos consta de uma só voz católica que se levante, nos meios chegados ao Episcopado polonês, para reclamar a queda do regime comunista. E nos países capitalistas, ainda que tudo esteja certo, o regime é errado. Ou seja, ainda que os frutos do comunismo sejam maus, o regime é bom. E nos países não comunistas, ainda que os frutos sejam bons, o regime é mau...

7 de março de 1971 - Faça uma experiência, leitor / Nota do Centro de Informações "Ecclesia", órgão oficial da arquidiocese de São Paulo: "Para a Igreja, de fato, o comunismo soviético, chinês, iugoslavo ou tcheco, continua sendo filosoficamente ateu e mau, politicamente ditatorial e economicamente discutível. Assim como o capitalismo, o neocapitalismo, também, é um sistema materialista, gerador de inegáveis injustiças e diferenças entre indivíduos e povos". Atente bem o leitor. O comunismo, visto em seu aspecto filosófico, é "ateu" e portanto "mau". Em seu aspecto político, é "ditatorial". E o comunicado não diz se isto é bom ou mau. Visto, por fim, em seu aspecto econômico, é "discutível". Ou seja, tanto se pode julgar que ele traz o inferno quanto o paraíso na terra. - Pergunto: se um católico quisesse implantar no Brasil um regime econômico no qual todos os meios de produção pertencessem ao Estado, tal qual na Rússia, na China ou em Cuba — e se, ao mesmo tempo, ele desejasse para a Igreja toda a liberdade de culto, tal regime seria incompatível com a doutrina católica, segundo "Ecclesia"? - Leitor, faça uma experiência. Procure algum sacerdote, ou leigo católico, hostil à TFP, e pergunte-lhe se estou com a verdade ao afirmar que o comunismo, ainda quando apenas "econômico", é contrário à doutrina da Igreja. Se ele for bem esperto, desconversará, dizendo que está muito ocupado no momento, que responderá à sua pergunta depois etc. Se ele for menos esperto, desconversará também, mas de modo inábil, isto é, soltando uma torrente de imprecações contra a TFP. Se ele for bobo, dirá que estou errado. Neste caso, peça-lhe que me escreva, interpelando-me com toda a energia, ou desmentindo-me peremptoriamente.

 

13/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

14 de fevereiro de 1971 - Farsa, salame e herói / Em política não basta derrubar o adversário. Duas condições são indispensáveis para que seja efetiva uma vitória: a) que o vencido seja despojado de qualquer possibilidade de reação; b) que o vencedor não saia tão debilitado da luta, que lhe faltem meios de resolver os mil problemas inerentes ao exercício do poder. Tendo ascendido ao cargo supremo, cabe ao presidente reformista, derrubar o empresariado rural, industrial e comercial. Fazê-lo a pau e fogo talvez fosse fácil. Mas disto resultariam descontentamentos profundos, ressentimentos insopitáveis, reações de desespero de alcance incalculável. E um óbvio enfraquecimento do governo. Então, a verdadeira fórmula para obter uma vitória sólida consiste em induzir os próprios descontentes a aceitar as reformas com resignação. Como criar tal resignação? - O difícil, o impossível, é desempenhar ao mesmo tempo, os papéis de vencedor bicho-papão e de vencedor bonzinho. Qual a saída? - Exemplificando com Napoleão e a Revolução Francesa - É claro que nem todo o mundo se deixa enrolar pela manobra. Alguns dentre os vencidos resistem à farsa. Daí resulta mais uma preciosa vantagem do jogo: divide o adversário. Os que se resignam sobrevivem um pouco. Os que não se resignam têm de enfrentar, isolados e enfraquecidos, dura e incerta luta. Esta tática de dividir o adversário para o devorar aos poucos tem um nome. O líder vermelho Rakosi a levou, na Hungria, à maior perfeição. Ele a chamou de "tática do salame". - Qualquer resistência a esse processo é impossível?

21 de fevereiro de 1971 - Dizei uma só palavra / Nenhum moralista católico genuíno há que não ensine ser grave obrigação de todo eleitor católico recusar seu voto a um candidato divorcista. Se de todos os púlpitos isto tivesse sido dito e proclamado.... O silêncio unânime, ou quase unânime, de tantos pregadores ante a eleição para o Senado de um candidato estrepitosamente divorcista implicou razoavelmente, aos olhos do público, num verdadeiro "agreement" em favor dele. Ou num certificado de inocuidade. Qual a razão desse "agreement"? — É, para mim, um perfeito e insondável mistério. Mas o fato aí está. - É desairoso para o divórcio entrar em nossa legislação por um vulgar passa-moleque. Se, pois, o Sr. Nelson Carneiro, ou outro prócer divorcista qualquer, deseja o divórcio, proponha-o de público, com toda a clareza, e desencadeie uma consulta ao povo. Neste caso, tocará à CNBB publicar largamente um pronunciamento tanto quanto possível conciso e peremptório contra o divórcio (e a anulação paradivorcista). Em seguida, dê-se tempo para um largo debate sobre a matéria em todo o País. E, por fim, proceda-se a um plebiscito. - Isto dito, volto-me para a CNBB. Dirijo, como católico, ligeiramente adaptada, a súplica do Centurião: dizei uma só palavra, e nossa pátria estará salva. Pois aos Srs. bispos não é necessário que se movam nem que se esforcem. Bastará que falem, mas falem deveras, para que os leigos façam o resto, e levem à derrota as hostes divorcistas. - Teremos ou não teremos o divórcio? Esta pergunta redunda em outra: falarão ou não falarão contra ele nossos bispos, num pronunciamento da CNBB, compacto e sem discrepâncias?

 

12/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

31 de janeiro de 1971 - Churchill, o avestruz e a América do Sul / Recordando brevemente o famoso acordo de Munique (Hitler, Mussolini, Chamberlain e Daladier) - É próprio ao belicismo fanático delirar e agredir. É próprio ao pacifismo fanático fechar os olhos, ceder, recuar. - Sempre que haja, em qualquer tempo e em qualquer lugar, um confronto diplomático entre belicistas delirantes e pacifistas delirantes, a vantagem ficará com os primeiros e a frustração com os segundos. E se houver um homem lúcido a considerar o confronto e a frustração, censurará os Chamberlains e os Daladiers do futuro com as palavras de Churchill: "Tínheis a escolher entre a vergonha e a guerra: escolhestes a vergonha e tereis a guerra". - O avestruz de hoje é um indivíduo que só pensa em progresso econômico. Para ele, o desenvolvimento resolve tudo. - Claro está que o avestruz detesta a TFP. Por que? Porque os comunistas a detestam. E é preciso reduzir ao silêncio e à inação tudo que desagrade o comunismo. - O que fazer? — O contrário do que faz o avestruz. Criar um estado de continua alerta contra o avestruzismo e seus perigos. Pregar a lucidez, a previdência, a luta ideológica, onde o avestruz pratica a política dos olhos fechados, da despreocupação tonta, da inércia ideológica frívola e das concessões imprudentes.

7 de fevereiro de 1971 - Dissecando o avestruz / Por que viceja, em um país, o avestruzismo? A pergunta importa no mais alto grau. Pois todo efeito só se combate decisivamente quando se fazem cessar as causas de que ele resulta. E é só pelo conhecimento das causas do avestruzismo, que se pode eliminar este sumo perigo. - Há na raiz do avestruzismo, muito menos um defeito de ótica mental, do que um defeito de vontade. E é este defeito de vontade, que se trata de explicitar. Não pelo mero desejo de atormentar o infeliz avestruz. Mas pelo empenho em ajudá-lo a descobrir a causa de seu otimismo censurável, a se corrigir dele, e a se transformar, assim, em lutador válido. - O avestruz é fundamentalmente um egoísta. Esse egoísmo se concretiza, porém, de modo peculiar nos avestruzes de cada época. - A paz, que Santo Agostinho definiu como a tranqüilidade da ordem, tenho-a em conta de um bem inapreciável. Dela disse Nosso Senhor Jesus Cristo: "Eu vos deixo a minha paz. Eu vos dou a minha paz". É a paz de Cristo no Reino de Cristo. Amo-a, pois, de todo o coração. E por isto detesto, também de todo o coração, o contrário dela: a tranqüilidade da vergonha sob a vara de ferro da impiedade.

 

11/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

17 de janeiro de 1971 - Sobre um D. Helder argentino / Carta do presidente do conselho Nacional da Sociedade Argentina de Defesa da Tradição, Família e Propriedade a respeito de notícia divulgada por quotidiano paulista em que se mencionam algumas opiniões do bispo de La Rioja (Mons. Enrique Angelelli) sobre a referida entidade platina.

24 de janeiro de 1971 - O tribunalzinho / Anunciado para o Chile a criação de tribunais populares, segundo entrevista dada ao maior diário andino "El Mercurio", pelo subsecretário da Justiça do governo Allende, José A. Vieira Gallo. Bem como uma entrevista do ministro da Justiça do Chile, Lisando Cruz, publicada em "La Prensa" de Buenos Aires - É esta uma das reivindicações do famoso manifesto Comblin para o Brasil: a abolição dos tribunais regulares e sua substituição por tribunais populares.

 

10/01/2012

Artigos na Folha de S. Paulo:

3 de janeiro de 1971 - "Taquinerie" / Ler é bem mais simples e cômodo do que escrever. Isto por mil razões. A mais palpável delas talvez seja a de que o leitor pode parar o artigo pelo meio. Enquanto o articulista tem de levar seu artigo até o fim. - Eu, que passo em certos círculos por um homem autoritário, eu acho o cúmulo do autoritarismo proibir alguém escolher expressões em uma língua célebre, clara, elegante, cheia de matizes e espirituosa. Talvez essa minha obstinação em não obedecer ao monopólio imposto pela moda cause surpresa. Mas quem é autoritário no caso: eu, que me reservo uma legítima e inofensiva liberdade, ou a moda que me quer pôr em algemas? - Se os usos vão varrendo o "senhor" e a "senhora" do vocabulário, isto é sintoma de uma transformação muito mais profunda, que vai varrendo da terra todos os senhores e todas as senhoras. Pois enquanto houver autênticos senhores e autênticas senhoras neste mundo, não haverá como não chamar de "senhor" e "senhora". Ora, o mundo será terrivelmente vulgar, a vida insuportavelmente banal, no dia em que não haja mais na terra autênticos senhores, nem genuínas senhoras. Será o mundo dos "camaradas". O de Fidel, Allende e congêneres. Resistir contra a tendência ao emprego exclusivo do "você" é resistir a um verdadeiro rebaixamento do gênero humano.

10 de janeiro de 1971 - Por que? / Da sra. M. J. Salgado, presidente das Damas de Caridade, recebi a seguinte carta: "A Associação das Damas de Caridade de São Vicente de Paulo, altamente honrada com a brilhante campanha de arrecadação de donativos para o Natal de seus pobres, promovida pela TFP, da qual é V. S. Presidente, envia-lhe agradecimento muito especial pelo acerto da idéia e pelo magnífico resultado da campanha. Envia também votos de louvor aos numerosos grupos de jovens, que numa demonstração de fé e calor cristão, não mediram esforços nem sacrifícios no desempenho de tão árdua tarefa. Trabalho edificante! Exemplo a ser seguido pela nossa juventude. Trabalho que conquistou a simpatia do público de nossa capital, alcançando, por isso, coleta de tão alto vulto. Contribuiu também para este resultado notável a apresentação da TFP com seus estandartes, capas, símbolos, (...) a galhardia com que os jovens desfilaram ao início da campanha, a disciplina, a educação, a distinção dos que dela participaram (...)". - Pergunte-se a esses jovens admiráveis o porque de sua dedicação: qualquer deles responderá que está nos princípios, na mentalidade, nos hábitos de operosidade e disciplina que adquiriu na TFP. E acrescentará que, se não fosse esta, nunca, jamais, se sentiria atraído para uma campanha assim, nem teria energias para a ela se consagrar de tal maneira. "Pelos frutos se conhecerá a árvore", disse Nosso Senhor. Se a atuação admirável desses jovens resulta da formação que lhe deu a TFP, é preciso ser de um fanatismo irredutível para negar qualquer aplauso à nossa entidade.

 

09/01/2012

Discursos: Santo do Dia

1965-01-05 - Epifania do Senhor: os Reis Magos representando a humanidade aos pés do Salvador - "Entretanto, representamos o dever da fidelidade; e aos pés da Igreja perseguida, aos pés da Igreja humilhada, aos pés da Igreja lançada, na pior das confusões de sua história, Nossa Senhora quis que representássemos a fidelidade, a pureza, a ortodoxia, a intrepidez, o espírito de iniciativa, de ataque, de ação, no momento em que tudo deveria falar em recuo, em transigência, em fuga."

Discursos e Conferências Públicas; Multimedia

1966-07-01 - "A tradição e a continuidade familiar no projeto de Código Civil Brasileiro" - A família retalhada, costurada e descosturada, ao sabor de paixões, de impulsos, de caprichos, de circunstâncias várias, esta família assim é como um ser vivo que se corta. Se produzir frutos, serão amargos, minguados e temporãos. Dela não pode sair esta rica vida individual que é a condição para a vida da sociedade de maneira que ela não seja massa, mas seja verdadeiramente um povo. Ou o divórcio e a morte, ou a indissolubilidade conjugal e a vida da sociedade. (VERSÃO COM ÁUDIO)

Discursos: Santo do Dia

No dia 6 de janeiro de 2012 comemorou-se o 600° aniversário de nascimento da heroína e mártir francesa, Santa Joana d'Arc, que "teve uma profunda influência sobre uma jovem santa da época moderna: Teresa do Menino Jesus", segundo afirmação do Papa Bento XVI (audiência de 26 de janeiro de 2011).

1972-05-29 - O auge do heroísmo de Santa Joana d'Arc: seu sublime martírio - "As vozes eram do Céu"! - "O fogo vinha de baixo para cima (...) Nesse momento, ela não dá um gemido pedindo misericórdia, ela não dá um gemido pedindo dó. Ela primeiro brada por São Miguel, com certeza para pedir forças (...)  E depois, como Nosso Senhor Jesus Cristo que pouco antes de morrer com “vocem magnam”, (...) bradou, também ela com grande voz bradou. Uma voz que, com certeza, se ouviu pela praça inteira! E era o protesto dela: Sabei, ó amigos e inimigos, sabei homens do meu tempo, sabei homens do futuro, até o fim do mundo, sabei: as vozes vinham do Céu! A minha missão foi cumprida!

Esse testemunho dado na hora da morte é um supremo lance de heroísmo, que vale mais do que a entrada triunfal em Reims, ao lado do rei que ia ser coroado, a entrada triunfal heróica em Orléans, ou tudo o mais quanto possam querer. Então, o brado dela “Sabei, as vozes vinham do Céu”, no momento de ser julgada, de comparecer perante Deus. É uma verdadeira maravilha! "

 

Ambientes, Costumes, Civilizações; Multimedia

Vídeo de apresentação da Sede do então Conselho Nacional da TFP (atualmente sede do Instituto Plinio Corrêa de Oliveira), decorado sob direta orientação e inspiração do Prof. Plinio, onde ele costumava rezar, trabalhar, receber personalidades do Brasil e do Exterior, bem como a membros das diversas TFPs e entidades afins, provenientes das mais diferentes classes sociais e regiões do globo. Pelo comentário abaixo vê-se o quão profundamente seu espírito se refletia na sede:

De tal maneira eu desejaria que todos os colaboradores da TFP tivessem esse estado de espírito temperante, que tive como uma das intenções, na decoração da Sede do Reino de Maria (**), exatamente criar um ambiente que o propiciasse. É o gosto de uma situação.

A pessoa presente na Sede do Reino de Maria degusta uma situação, tanto quanto o ambiente pode influenciar uma pessoa, sem lhe dar vontade de sair, sem lhe dar vontade de se divertir, de fazer outra coisa senão sentar-se lá e dizer: 'Isso aqui foi feito para mim, isso aqui é minha casa, é o lugar onde eu repouso, é o lugar onde eu me preparo para o trabalho'. Contemplar, andar de um lado para outro, sentar-se um pouco.”

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