Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

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 "Folha de S. Paulo"

 

 

 

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12 de agosto de 1978

Êxitos do centrismo conservador

Continuo hoje a apresentar expressivos sintomas dos descontentamentos provocados nos EUA pela política esquerdizante do presidente Carter, e também fatos indicativos da influência alcançada naquele país pelo centrismo conservador.

Não é de hoje que datam as manifestações de descontentamento nos EUA e fora dele, por motivo da política concessiva de Carter em relação à Rússia comunista. Já em abril deste ano, o conhecido diário britânico "Daily Express" publicou, acerca desse assunto, um comentário notável pela lucidez, pois vai diretamente ao âmago dos erros diplomáticos do presidente.

Escreveu o "Daily Express" (21-4-78): "A grande falha da política norte-americana consiste em supor que, fazendo concessões e procurando agradar, conseguirá amigos e aliados". O jornal dá vários exemplos disto. E estabelece o contraste entre o procedimento de Carter e o da Rússia, a qual "nada concede, e procura sempre parecer forte e pronta para agir".

A meu ver, mesmo os posteriores erros políticos norte-americanos se explicam em função desta impostação fundamentalmente falsa.

O artigo tem o título significativo: "O débil poder dos EUA".

O deputado R. Michel acusou o governo Carter de ter nomeado um agitador para a "Action", organismo federal de assistência social. Esse agitador teria transformado a "Action" num antro de esquerdistas radicais. Noticiando o fato, um importante colunista do "New York Times", Patrick Buchanan, pediu a abertura de uma investigação especial do Congresso sobre o assunto ("Corpus Christi Caller", Texas, 29-3-78).

Após meses de uma campanha nacional, grupos conservadores que atacam como totalitárias as leis de "inspeção industrial" obtiveram importante vitória no Supremo Tribunal. Essas leis constituem uma como que "Inquisição" trabalhista, pois dão ao governo federal o poder discricionário de fazer investigações em qualquer indústria, a fim de apurar as condições de trabalho e de segurança ali existentes. O Supremo Tribunal determinou que essas investigações sejam feitas de agora em diante somente com autorização judicial, em respeito ao que prescreve a Constituição (Corpus Christi Caller", 24-5-78).

O espírito concessivo mostrado pela administração Carter em matéria de política internacional também se vem manifestando em assuntos internos de índole não política, aos quais passo a aludir. Assim, foram vicejando – apoiadas por uma propaganda que vem aliás desde a década de 60, e que o "New York Times" qualifica de "progressista" – leis liberando o aborto, produzindo a desagregação das escolas, etc. Dentre essas leis, têm sido especialmente combatidas pelo centro conservador norte-americano – e com marcante êxito - as que favorecem a homossexualidade.

Assim em St. Paul, Minesotta, a municipalidade aprovara há quatro anos uma lei proibindo a segregação dos homossexuais no tocante a empregos e moradia. Os conservadores apresentaram um abaixo-assinado com um número suficiente de eleitores, pedindo plebiscito a respeito. O pleito se realizou numa atmosfera carregada, em que os partidários da lei chamavam os seus opositores aos berros de "fascistas", recebendo em troca a qualificação que realmente merecem "pervertidos"! O resultado foi contrário, de modo decisivo, à lei escandalosamente permissivista.

Anteriormente, os eleitores de Miami haviam repelido, igualmente por meio de plebiscito, uma lei similar. Análogos plebiscitos estavam programados para os municípios de Seattle (Washington), Eugene (Oregon), Wichita (Kansas) e St. Paul (Minnesota). Na Califórnia, iniciou-se um movimento para demitir professores homossexuais.

Essas informações foram colhidas no "New York Times" de 30 de abril p.p.

A homossexualidade também sofreu uma derrota no município de Wichita, onde uma lei proibindo a "discriminação" contra os homossexuais, aprovada sete meses atrás, foi agora rejeitada por 47 mil votos contra 10 mil (New York Times", 10-5-78).

Após movimentada campanha promovida por diversas entidades cívicas e religiosas, a Assembléia estadual da Carolina do Norte aprovou lei considerando crime a sodomia. Organizações pró-homossexualidade (!) apelaram à Suprema Corte, alegando que leis similares estão em vigor em trinta Estados. Mas o alto órgão judiciário se recusou a sequer tomar em consideração o recurso (“Review of the News", 31-5-78).

Se fosse enumerar os feitos da campanha antiaborto nos EUA seria preciso talvez pedir à "Folha de São Paulo" uma página inteira a fim de expor adequadamente a matéria. Desejoso de ser breve, limito-me a noticiar o fato seguinte:

Realiza-se anualmente nos EUA, em cada aniversário do triste dia em que o aborto foi legalizado no país, uma passeata de protesto. Delas, a deste ano, segundo noticia o "Our Sunday Visitor" de 5-3-78, foi a maior: ao chegar ao Capitólio contava com mais de setenta mil pessoas. Milhares de manifestantes penetraram no edifício do congresso, levando braçadas de rosas vermelhas que simbolizavam as crianças mortas. As rosas iam sendo deixadas pelas manifestantes nos escritórios dos deputados pró-aborto.

Essas notícias são de molde a "exorcizar" em muitos leitores brasileiros o demônio do pessimismo. Imaginam eles que a marcha rumo ao abismo é irreversível no Brasil e no mundo, simplesmente porque está impulsionada pelos prestigiosos ventos da modernidade.

"Modernidade", nesse caso, ainda quer dizer, para não poucas pessoas, "americanicidade".

Quanto é errôneo ver nos EUA tão-somente uma enorme máquina propulsora de desagregação e capitulação!

Bem pelo contrário, está-se desenvolvendo em amplos círculos dos EUA uma sadia campanha de rejeição de todas as formas de permissivismo, tanto no campo político quanto no campo moral.

Seria desejável que também entre nós as forças vivas da nacionalidade se entregassem, todas a uma, a igual campanha.

Mas como estão dormentes, abúlicas, desagregadas, tantas das forças vivas e autênticas em nosso País!