Legionário, N 724, 23 de junho de 1946

7 Dias em Revista

Na reunião dos chanceleres das quatro potências, o camarada Molotov protestou veementemente contra a propaganda monarquista na Itália declarando que as potências vencedoras deveriam garantir a vitória da forma republicana na Itália.

Este empenho de Molotov, bem como dos comunistas italianos, em assegurar o triunfo da república na Itália, bem mostra que eles esperam deste fato, hoje já consumado, vantagem para seus próprios interesses políticos. O que demonstra com exuberância que na Itália razões de caráter histórico e psicológico circunstanciais tornam a queda da monarquia indispensável ao prosseguimento da propaganda bolchevista.

Pensou nisto o Sr. De Gasperi? Será que os comunistas se enganam neste ponto? Ou se enganará o Sr. De Gasperi? A república já é um fato consumado. O futuro responderá à nossa pergunta.

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Lamentamos que se tenha desfraldado no Capitólio, em Roma, a bandeira garibaldina da revolução de 1849. Esta revolução [] anticlerical foi feita contra o Papado, e se assinalou por numerosos atos de impiedade. Para que comemorá-la?

Dir-se-á que é apenas uma afirmação do ideal de unidade italiana. Não haveria outros símbolos dessa unidade, que pudessem ser homenageados nesta ocasião?

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Os comunistas trabalham ativamente para despojar a Itália de sua zona de influência no Mar Adriático. É lamentável. Ainda sem entrar na apreciação dos aspectos históricos e jurídicos da questão, não podemos deixar de assinalar que a Itália é uma das nações mais católicas do globo, enquanto a Iugoslávia uma potência cismática, além do mais dominada hoje pelos bolchevistas. Tudo quanto signifique expansão iugoslava no Adriático, significa também prejuízo para o Reino de Cristo.

Prova bem clara do que sofrerão as províncias italianas que a Iugoslávia deseja anexar, é o apedrejamento, evidentemente suscitado por bolchevistas, do Arcebispo católico de Gorizia, por amotinados do lugar.

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Movimentam-se os protestantes. Nos Estados Unidos, pediram que fosse retirada a legação ou representação que o Presidente Truman, a exemplo de Roosevelt, mantém junto ao Sumo Pontífice. Na Inglaterra um influente grupo de protestantes pediu que o governo proibisse a celebração do Santo Sacrifício da Missa, em toda a extensão do Reino, como cerimônia idolátrica.

Não condescendemos em esgrimir com adversários tais. Lembremo-nos entretanto que, enquanto os protestantes americanos e ingleses se eriçam de hostilidades contra os católicos, no Brasil seus correligionários dulçurosos só falam de colaboração, igualdade e liberdade de culto para todos.

O protestantismo sabe usar as máscaras que melhor lhe convêm em cada país.

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Começou o julgamento do maior farsante e do mais insigne traidor desta guerra, o sinistro Sr. von Papen. Esse cavalheiro, outrora figura de destaque dos círculos católicos alemães, foi traidor da Igreja, e serviu-se sempre de seu prestígio nos meios católicos, para entregar o Catolicismo, tão inerme quanto possível, à sanha perseguidora do Sr. Hitler.

Não sabemos, em sua insondável moleza, o que fará o Sr. von Papen no tribunal de Nuremberg. Uma coisa, porém, não padece dúvida: é que a História imparcial o terá sempre na conta de um Judas Iscariotes.