"Catolicismo", n 400, Abril de 1984 (www.catolicismo.com.br)

MENSAGEM A "CATOLICISMO"

DESDE O início, constituiu meta essencial de "Catolicismo" acompanhar os acontecimentos da atualidade, proporcionar a seus leitores uma visão penetrante, solidamente articulada em seus vários aspectos, e clara, do curso dos acontecimentos no mundo contemporâneo. Levando em conta a confusão crescente que se ia alastrando no terreno das idéias como no dos fatos rumo a uma crise que se delineava como de média ou longa duração, de modo a desfechar em uma das maiores catástrofes da História - senão a maior até nossos dias - "Catolicismo" tinha bem presente que o caldo de cultura dessa crise era, por toda parte, a confusão. É à sombra dela que os planos mais inverossímeis do mal se realizavam. E as condições gerais do mundo iam tomando sempre mais as características apontadas por Nossa Senhora em Fátima como causadoras da cólera de Deus.

A fim de desfazer a confusão, nada mais necessário do que um corpo de doutrina. E, obviamente, não uma doutrina qualquer, mas a doutrina da Santa Igreja Católica. E com base nessa doutrina, fora da qual tudo não é senão erro e descaminho, "Catolicismo" iniciou, e ao longo de 400 números vem prosseguindo, sua obra de esclarecimento.

O verdadeiro esclarecimento traz habitualmente consigo a luta. Estes foram quatrocentos números de luta, a qual comportou não só a difusão e a polêmica a respeito de altos temas doutrinários, mas ainda o corpo a corpo com os fatos. Em outros termos, "Catolicismo" esteve constantemente na estocada, ocupando-se de todos os fatos que estava na sua missão especial abordar. Isto sem fugir uma só vez à polêmica, muito mais ingrata do que a exposição meramente doutrinária, e que versou tantas vezes sobre crises sócio-econômicas dramáticas - de substrato, aliás, sempre doutrinário - tanto no plano nacional quanto internacional.

"Missão especial", escrevíamos há pouco. Efetivamente, e sob vários aspectos.

Antes de tudo, missão junto à opinião pública.

Muito longe estando, de dispor dos recursos do macrocapitalismo publicitário, "Catolicismo" não poderia abranger, em seu raio de ação, as multidões urbanas das babéis modernas, das quais no Brasil há várias. Nem todas as populações rurais esparsas por nosso território-continente.

Assim, para sua ação teria ele que escolher uma faixa da opinião pública. E sua preferência incidiu sobre a faixa mais oprimida e necessitada, a faixa que o poder das trevas mais amplamente dispersara, caluniara e reduzira a um quase anonimato. A faixa dos que, nos mais vários escalões da sociedade, mantinham ainda nobremente o propósito de não dobrar o joelho ante a Revolução gnóstica e igualitária.. Conhecê-los, entabular com eles a interlocução jornal-leitor, articulá-los e fazer deles uma força ponderável no cenário nacional: esta é a obra para a qual vem desde o início trabalhando "Catolicismo". E nesse empenho foi que, a partir do "Catolicismo", floresceu uma das maiores entidades cívicas anticomunistas de nossos tempos, que é a TFP.

Considerando com a consciência tranqüila esse longo passado, "Catolicismo" dá graças a Deus, por intermédio da gloriosa Medianeira sem a qual nada seríamos e nada teríamos conseguido fazer, isto é, Maria Santíssima.

Neste dia de reconhecimento, todos os que trabalhamos em nosso invicto mensário não esquecemos aqueles que, não pertencendo hoje aos nossos quadros, entretanto colaboraram com brilho e dedicação para que o jornal chegasse a ser o que hoje ele é. Uns, levou-os a morte. Outros, a superveniente diversidade de ocupações. Outros, enfim, levaram-nos os desentendimentos ou os desacordos. A todos, lembramo-los agora com emoção, rendendo-lhes, a eles também, o preito de reconhecimento que a gratidão comanda.

E, por fim, estou certo de exprimir também os sentimentos do largo, seguro e impertérrito grupo dos que, desde os primeiros dias até hoje, continuamos em nosso bom combate, sorrindo com acolhedora e reiterada simpatia aos novos que vieram ao nosso encontro, e continuam a fluir de todo o Brasil, para junto continuarmos, "auspice et afflante Beata Maria Virgo".

Plinio Corrêa de Oliveira