Eremo Praesto Sum, 7 de setembro de 1984, Reunião para Núcleos de Periferia Urbana
A D V E R T Ê N C I A
O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.
Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto, por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.
“Dr. Plínio, o que o Sr. acha da criminalidade e da corrupção moral de hoje? Isto vai melhorar?”
Uma pergunta cheia de cabimento. Mas nós estamos aqui conversando porque eu quero da parte dos senhores uma colaboração. Eu estou aqui mais ou menos como um homem que veio pedir donativo. Um donativo muito mais sério do que donativo em dinheiro. Se fosse pedir dinheiro, os senhores têm ou não têm, dão ou não dão. Dizem-me isso amavelmente e está acabado. Eu também respondo amavelmente e está acabado. Eu quero muito mais, eu quero donativo de simpatia, eu quero donativo de apoio, eu quero donativo de colaboração. Vale muito mais do que dinheiro, nós sabemos disso. Eu preciso, portanto, me explicar com os senhores direito.
Por que nós chegamos a essa imoralidade em que estamos?
Nós chegamos a essa imoralidade por uma razão: o homem, em consequência do pecado original… vamos tomar a coisa um pouco mais adiante, eu quero deixar a coisa bem explicada – quando Deus criou Adão, quando Ele tomou uma costela de Adão e dessa costela fez nascer Eva, quando Ele pôs, portanto, no Paraíso Terrestre o primeiro casal, eles não tinham inclinação para o mal. Eles eram bons. Tinham uma saúde perfeita, eram muito agradáveis de apresentação, de porte; eles tinham domínio sobre todas as coisas da natureza; a vida era um encanto; a terra era um paraíso. Daí a palavra “paraíso”.
Adão e Eva pecaram como os senhores sabem. No momento em que eles pecaram, a natureza humana passou a ser propensa ao mal, e o mal passou a ser apetecível pelos homens. Quer dizer, uma porção de inclinações más nasceram nos homens fazendo com que a ação má parecesse gostosa, e fosse duro e difícil o homem dizer não a si mesmo e não praticar a ação má que ele estava querendo.
Então por exemplo, em matéria de pureza. Os homens começarem a desejar a impureza. É duro e difícil a um homem vencer a sua impureza, é um sacrifício, ele tem que fazer um sacrifício, senão peca mortalmente. E é claro, quando digo homem, digo a criatura humana em ambos os seus sexos.
O homem pode ter preguiça, por isso não querer trabalhar, ele então pensa em roubar o que é dos outros. É o antecessor mais ou menos remoto dos atuais invasores de terra. Ele pensa em se apossar do que é dos outros. Ele rouba. É duro trabalhar, quando a gente tem preguiça, e é duro não roubar, quando agente vê que o outro é mais fraco e que a gente pode tirar dele, sem defesa, aquilo que ele tem. É um velho, é uma velha, agente tira. É duro não fazer. O homem tem inclinação para fazer coisas dessas. Mas é preciso travar uma batalha interna, essa batalha é dura.
Assim, todos os 10 Mandamentos da Lei de Deus são duros de cumprir, e o caminho que leva ao Céu, é um caminho duro! Os homens serão bons na medida em que eles tiverem resolvidos a seguir esse caminho duro por amor de Deus: “Meu Deus, Vós mandais. É duro para mim, mas eu faço”.
Se o homem não quer fazer o que é duro, se ele quer ter uma vida mole, ele fará a ação má. Não há um homem que não tenha inclinação para algum tipo de ação má, em geral para vários tipos de ação má ao mesmo tempo.
O resultado é que, enquanto os homens têm amor ao sacrifício, gostam da vida dura – não é por achar gostosa, não! é por achar que deve ser! Habituam-se à vida dura – têm coragem e têm espírito de sacrifício, espírito de renúncia, espírito de cruz! Querem seguir o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, quer dizer, sofrer para seguir a Lei dEle como Ele se imolou por nós, da mesma maneira. Esses homens têm coragem e eles são bons. Aí existe moral, porque então todos cumprem os Mandamentos.
Quando não existe esse espírito de cruz, os homens acabam não sendo morais, são imorais, porque não cumprem os Mandamentos. Uma vez que a gente começou a não cumprir um Mandamento, é uma derrocada, porque é outro, é outro, é outro…, e aquilo vai.
Que aconteceu? Na Idade Média – não eram todos bons – mas a generalidade, a maior parte das criaturas humanas tinha piedade e tinha espírito de cruz. Eles levavam vida dura, combatiam os mouros, combatiam os sarracenos, combatiam os hereges. Eles trabalhavam, mas trabalho de sol a sol, difícil. Eles construíam prédios e castelos, igrejas, que davam trabalho de espantar, a gente não compreende como aquela gente fazia aquilo. A vida deles era dura.
Mas, sobre eles pairava a graça de Deus. As famílias eram bem organizadas, os lares eram alegres, a prosperidade começava a nascer por toda a parte, a civilização brilhava. Porque eram piedosos, tinham Fé e tinham espírito de sacrifício.
A partir do século XVI começou uma grande Revolução contra a Igreja. Com o protestantismo foi decaindo o espírito de sacrifício entre os homens. Com a Revolução Francesa isso se acentuou muito mais. Com o comunismo ainda muito mais.
O comunismo o que prega? Prega uma ditadura de ferro, dentro da qual tudo quanto é pecado é lícito. Quer dizer, amor livre, tudo quanto é coisa ilícita é lícita, toda a permissão está proibida, toda ação má está permitida.
Resultado: a pobreza do comunismo. A incapacidade de produção, incapacidade de progresso. Por isso a gente toma, por exemplo, na Alemanha – está dividida pelo muro de Berlim – de um lado tem uma prosperidade assustadora, assombrosa; do outro lado tem uma miséria que é tremenda, as pessoas passam pelo muro de vez em quando para pedir esmola do outro lado. Porque é gente que peca, que não trabalha, que não economiza, que leva a vida na preguiça, na modorra, porque não tem mais Fé e porque a lei do Estado favorece o pecado. A lei comunista.
Nós, do lado de cá, não estamos na Cortina de Ferro, mas nós temos uma coisa tremenda, é que o tempo inteiro a televisão aconselha a vida mole. A televisão não faz outra coisa senão convidar as pessoas para o prazer. É o tempo inteiro, a televisão não faz outra coisa.
O resultado: as pessoas, o tempo inteiro que estão em casa estão ouvindo a televisão, estão tendo aquele desejo de prazer, de prazer, de prazer. A vontade de sacrifício desaparece.
Os sacerdotes deveriam pregar a Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo! São Paulo Apóstolo diz isso: “Eu não sei pregar a não ser Jesus Cristo, e Jesus Cristo crucificado”. Quer dizer, o sacrifício para a prática da virtude.
Não se fala mais disso nas igrejas! Só se fala de revolução social. Tudo vai mesmo ao léu. Pergunta para qualquer sacerdote – salvo as raras exceções – “Tal traje é proibido?” “Não, não é nada”. – Tal ação é proibida? “Não, não é nada”. Tudo é permitido! Tudo é permitido para levar a vida mole.
Resultado: tem que haver uma degringolada!
Pergunta-me o senhor Linaldo, de Itaquera. Esqueci-me de ler o nome dos dois anteriores – O senhor Linaldo de Itaquera me pergunta onde é que isso vai parar.
Eu também me pergunto. Eu acho que Nossa Senhora de Fátima indicou o caminho. Na revelação dEla às três crianças, Lúcia, Jacinta e Francisco, Ela indicou bem o caminho: “se os homens não se converterem, haverá uma punição tremenda e um grande número de nações vai desaparecer. Depois, o Coração Imaculado dEla triunfará”. Quer dizer, os homens tomam juízo e voltam de novo para a Lei de Deus.
Nós estamos caminhando para o castigo. Peçamos a Ela que, depois do castigo, caminhemos para a lei de Deus.