“Sonho” de S. João Bosco sobre o “Cavalo Vermelho”: previsão da Revolução comunista – Seu interesse de que também os Salesianos se unissem numa reação geral contra o monstro da foice e martelo

Santo do Dia, 31 de janeiro de 1967

A D V E R T Ê N C I A

O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.

Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:

“Católico apostólico romano, o autor deste texto  se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto,  por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.

As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.

 

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São João Bosco (1815-1888)

O Santo do dia de hoje é sobre Dom Bosco, Confessor.
Padroeiro secundário dos jornalistas católicos e apóstolo da devoção a Nossa Senhora Auxiliadora. Previu o colapso da ordem de coisas atual e o advento do Reino de Maria. Século XIX. Sua relíquia se venera em nossa capela.
Nós temos aqui um volume com os sonhos de Dom Bosco, editados pelos próprios salesianos, quer dizer, com muitas garantias de autenticidade. Neste que vamos ler, ele faz a previsão da Revolução. É o famoso “sonho do Cavalo Vermelho”.
É preciso esclarecer, para alguns novos, que na vida de São João Bosco os sonhos tinham um papel enorme e correspondiam a verdadeiras revelações. Não era, portanto, um sonho como uma pessoa qualquer quer ou costuma ter. Mas é certo que a Providência, Nossa Senhora, se comunicavam a ele habitualmente por meio de sonhos. E é por isso que os salesianos dão a maior importância a eles e costumavam até tomar notas, logo depois de narrados os sonhos, para instrução de todos os salesianos nas gerações vindouras.
Dom Bosco diz o seguinte:
“Esta noite eu tive um sonho singular. Sonhei que me encontrava com a marquesa Barolo, e que passeávamos por uma pequena praça situada diante de uma planície imensa. Eu via os jovens do Oratório correr, saltar e brincar alegremente. Eu queria dar a direita à marquesa, mas ela me disse: ‘Não, fique onde está’. Depois começou a falar de meus jovens e ela me dizia: ‘É tão boa coisa que o senhor se ocupe dos jovens. Mas deixe-me a mim o cuidado das jovens, e assim trabalharemos de acordo’. Eu repliquei: ‘Mas diga-me: Nosso Senhor Jesus Cristo veio ao mundo para redimir somente aos jovenzinhos, ou também as jovens’? ‘Sei, replicou, que Nosso Senhor redimiu a todos, meninos e meninas. Pois bem, devo procurar que Seu sangue não seja derramado inutilmente, tanto para as jovens como para os jovens’.
“Enquanto estávamos ocupados nessa conversação, eis que entre meus jovens, que estavam na pequena praça, começou a reinar um estranho silêncio. Deixaram todos seus entretenimentos e se deram à fuga, uns para um lado, outros para outro lado, cheios de espanto. A marquesa e eu detivemos o passo e ficamos durante alguns momentos, imóveis. Buscávamos a causa daquele terror e para isso demos alguns passos para a frente. Eu levantei um pouco a vista e eis que no fundo da planície eu vi descer até a terra um cavalo grande, tremendamente grande, a tal ponto que meu sangue se enregelou nas veias. ‘Seria grande como essa habitação’? perguntou Francesia (um rapaz). Resposta: ‘Oh muito maior’, respondeu Dom Bosco. ‘Seria tão grande e tão alto como três ou quatro vezes mais do que essa casa e mais do que o palácio Madama’.

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O palácio Madama (em Turim) é bem grande. Em resumidas contas, era um animal descomunal.
“Enquanto eu queria fugir, temendo a iminência de uma catástrofe, a marquesa Barolo perdeu os sentidos e caiu no chão. Eu quase não podia ter-me de pé tanto eu tremia, me tremiam os joelhos. Corri a esconder-me atrás de uma casa que tinha a muita distância, mas de lá me expulsaram dizendo: ‘Vai embora, vai embora, não queremos que entre aqui’. Entretanto eu me dizia a mim mesmo: quem sabe se o demônio será esse cavalo? Não fugirei. Caminharei em relação a ele, mais de perto, e ainda que me tremessem os pés e a cabeça, me armei de coragem. Voltei atrás e me aproximei. Ah! Que horror! Que orelhas tesas, que focinho descomunal!”
E agora vem  o cavalo vermelho – os senhores estão compreendendo quanto parece com o comunismo…
“Às vezes me parecia ver muita gente em cima desse cavalo, outras vezes ele tinha formas de asas, ele parecia ter asas, de maneira que eu exclamei: Mas esse cavalo é um demônio! ‘Que quer dizer esse enorme cavalo?’ perguntou alguém. E ele me respondeu: ‘esse cavalo é o Cavalo Vermelho do Apocalipse: equus rufus’.”
Exatamente uma das bestas do Apocalipse também – que vinha então, e era o comunismo.
“Depois eu me acordei e me encontrei na cama muito assustado, e durante toda a manhã, enquanto eu dizia a Missa, e no confessionário, tinha diante de mim aquele animal. Agora, desejo que alguém averigúe se esse ‘equus rufus’ se chama verdadeiramente na Sagrada Escritura e qual é o seu significado”.
Ele, então, encarregou alguém, naturalmente um de seus padres, para fazer uma verificação na Escritura. E agora vem o comentário, o que o padre encontrou a esse respeito.
“E ele encarregou a Durando que buscasse a maneira de resolver o problema. Dom Rua quis observar que, realmente, no Apocalipse, capítulo VI, versículo 4º, se fala de um cavalo vermelho, símbolo da perseguição sangrenta contra a Igreja, como explica nas notas da Sagrada Escritura Monsenhor Martini:
“Et cum aperuisset sigillum secundum, audivi secundum animal, dicens: Veni et vede. Et exivit alius equus rufus: et qui sedebat super illum datum est ei ut sumeret pacem de térra, et ut invicem se interficiant et datus est ei gladius Magnus.
“E como abrisse o segundo selo, ouvi o segundo animal dizendo: ‘Veni et videte. Vem e vê’. E saiu outro cavalo vermelho e aquele que sentava sobre o cavalo, a ele foi dado tirar a paz da terra, de modo que os homens se matassem uns aos outros; e foi-lhe dada uma grande espada.
“No sonho de Dom Bosco parece que o cavalo representa a democracia sectária, que procedendo furiosamente contra a Igreja, avançava tentando contra a ordem social, sem deter-se em nenhum momento. E imporia aos governos, nas escolas, nos municípios, nos tribunais, anelando realizar a obra destruidora começada com o apoio e a cumplicidade das autoridades constituídas, em prejuízo da sociedade religiosa, de todo o piedoso instituto e do direito de propriedade de todas as pessoas”.
Os senhores estão vendo, portanto, que é o comunismo claramente. Porque o direito de propriedade não são as formas ancestrais de Revolução. A Revolução Francesa diretamente como tal quase não alvejou o direito de propriedade. O protestantismo ainda mais, não é verdade? A haver uma forma de demônio, que é o cavalo vermelho, e que é apresentado como um demônio que atenta contra o direito de propriedade, é evidentemente o comunismo. Os senhores vêem, portanto, que é o sonho que Dom Bosco teve da chegada do comunismo nesse mundo.
“Dom Bosco disse: Seria necessário que todos os bons e nós, em nossa pequenez, procurássemos com zelo e entusiasmo pôr um freio a esse animal que rompe por todos os lados aloucadamente”.
Quer dizer, Dom Bosco achou necessário um trabalho específico contra a Revolução. E um trabalho que arrastasse a adesão de todos.
“De que maneira? Pondo de sobreaviso os povos mediante o exercício da caridade e com a boa imprensa que contrarie as falsas doutrinas de semelhante monstro, orientando o pensamento dos povos e os corações para a Cátedra de Pedro” (M. B. Volume VII, págs. 217-218).

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Ocupa lugar de destaque na gesta da TFP brasileira e outras entidades afins a defesa do direito de propriedade e sua luta – sempre pacífica e legal – contra o comunismo, tal qual como Dom Bosco desejava “que todos os bons e nós [Salesianos], em nossa pequenez, procurássemos com zelo e entusiasmo pôr um freio”.

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Temos um grande santo como Dom Bosco, que recebe uma visão especificamente sobre a Revolução comunista e que indica o terror que ela deve produzir. Em outros termos, um grande santo sentiu o terror do demônio, considerando essa visão que recebera e que, consultada as Escrituras, verificou-se que exatamente uma das bestas do Apocalipse é o comunismo, a besta que ataca a Igreja e que ataca a propriedade privada.
Essa consideração é muito oportuna, sob alguns pontos de vista. Em primeiro lugar, falamos tanto de Revolução, de Contra-Revolução. É uma pergunta que às vezes vem aos espíritos: por que os santos parecem falar tão pouco ou não falaram disso?
Não é verdade. Pois o que os santos falaram a esse respeito fica enfurnado e não é divulgado devidamente. Os senhores têm aí, por exemplo, uma visão clara sobre a Revolução e que a teria posto na RCR se eu a tivesse conhecido antes de a ter publicado. Mas que ninguém conhece, fica sepultada numa coleção de dezenas de livros de sonhos e ninguém põe no devido realce. Os senhores compreendem por aí como é bem verdade que a Providência também a outros se manifestou a esse respeito.
Por outro lado, é interessante notarmos o desejo de Dom Bosco que os salesianos cooperassem nessa obra. Ele não entendia, portanto, sua Congregação religiosa apenas como uma pequena obra destinada a fazer uma pequena atividade, ainda que essa fosse a educação dos jovens.
Há pouco tempo, os senhores ouviram um sermão de um padre que elogiou aos senhores, em uma igreja onde os srs. vão com frequência. Então, ele dizia como era simpático ver tantos jovens comungando diariamente e acrescentava: “esses jovens, afinal de contas, devem se compenetrar da importância dos colégios católicos. A gente resolve todos os problemas por meio dos colégios católicos, porque estes formam alunos católicos; e os alunos católicos formam colégios católicos; e assim de colégio em aluno e de aluno em colégio a gente vence o mundo inteiro…”
Os senhores vêem a candura, a superficialidade de espírito que há numa concepção dessa natureza. Dir-se-ia: é uma concepção salesiana. Mentira! Dom Bosco quis uma obra, uma coligação de todos para combater esse animal apocalíptico; e se não se fez, naturalmente, tudo leva a presumir que pouco tempo depois ele tenha falecido.
 Há uma outra circunstância à qual devo aludir com respeito filial. Os senhores viram hoje a visita do presidente da Rússia ao Santo Padre. Ontem, por causa disso, o nosso coro cantou “Ó vós todos que passais pelo caminho, parai e vede se existe uma dor semelhante à minha dor”. E realmente isso é o que se poderia dizer dos sentimentos de Nossa Senhora e de Nosso Senhor, quando, na Sua Paixão, previu esse acontecimento e sofreu atrozmente por sua causa. Ninguém pode se dar conta do que foram os gemidos dEle, do que chorou e do que Ele verteu de sangue em razão desse acontecimento.

Porque o que temos, exatamente, é que o “cavalo vermelho” baixou na Praça de São Pedro, mas ninguém tremeu, ninguém suspeitou que fosse um demônio, ninguém teve vontade de fugir. Os portões sacrossantos do Vaticano se abriram para que entrasse ali esse “cavalo vermelho”, que foi recebido com presentes, com solenidades e que depois ainda foi convidado para visitar a Basílica de São Pedro, onde está o túmulo dos Apóstolos.
O que isso significa? Isso quer dizer que um tal avanço da Revolução, uma tal iminência da vitória final da Revolução, que é preciso ser cego para não compreender isso. Será completamente contrário – dessas coisas possíveis – mas completamente contrário à marcha normal das coisas, que depois de um acontecimento desses não haja uma rápida deterioração da opinião mundial, pelo menos em muitos setores, no que diz respeito ao comunismo.
Pode-se dizer que as hostes incontáveis da “heresia branca” já hoje estão com um começo de infecção comunista, que não tinham há algum tempo atrás. Quer dizer, o animal apocalíptico baixou à terra e com a maior das vitórias, porque foi no lugar precisamente onde não devia ter baixado, onde ele deveria encontrar a maior das resistências. O resto é miséria…
Devemos pedir a Dom Bosco que nos dê aquela fé impertérrita, inquebrantável no papado, que fazia com que nos dias em que Pio XI era um papa liberal e era aclamado por todos os revolucionários, Dom Bosco mandava que seus meninos gritassem “Viva o Papa”, mas proibia que gritassem “Viva Pio IX” (*). Devemos pedir a São João Bosco que nos dê ambas coragens: a coragem de não gritar “Viva Pio IX” e a coragem de bradar “Viva o Papa”!
É essa a reflexão, é este o pedido que devemos fazer na noite de hoje. 

(*) Cfr. por exemplo: “I sogni di Don Bosco“, Eugenio Pilla, Editora Cantagalli, Siena, 4a. ed., 2004, pag. 104).

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