Resumo e comentário final à REFUTAÇÃO DA TFP A UMA INVESTIDA FRUSTRA (Posfácio de Antonio Augusto Borelli Machado)

(*) Da “Refutação da TFP a uma investida frustra” (Edição da TFP, São Paulo, vol. I, junho de 1984, pags. 491-497, por uma Comissão de sócios da TFP com a colaboração, revisão e posfácio de Antonio Augusto Borelli Machado). Para aprofundar o assunto, consulte-se Depois do fracasso de dez estrondos publicitários, singular tentativa de “implodir” a TFP (cfr. Um homem, uma obra, uma gesta – Homenagem das TFPs a Plinio Corrêa de Oliveira, Parte I, Capítulo IV, EDIÇÕES BRASIL DE AMANHÃ, São Paulo, 1989, pags. 160 a 164).

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Há um ano exatamente afastou-se da TFP o prof. Orlando Fedeli. Desde então vem ele desenvolvendo uma obra persistente e sistemática de difamação contra esta Sociedade.

O conjunto de acusações de que ele se serve nessa investida frustra contra a TFP constam substancialmente da carta em que ele anuncia seu desligamento da Sociedade, bem como de duas outras — escritas anteriormente, mas que ele não enviara — as quais ele fez entregar juntamente com a carta de ruptura.

As acusações contidas nessas três cartas, e que são objeto da presente refutação, não se apresentam de modo inteiramente ordenado. Em seu ímpeto de difamar, o sr. O. F. serviu-se de todas as informações que coligiu, sem nenhum espírito de seleção das “provas”, sem nenhuma fundamentação doutrinária séria, sem o cuidado sequer de formular adequadamente suas acusações.

Não obstante, essas acusações não são desprovidas de uma certa arquitetura, implícita mais do que explícita.

O ponto que o sr. O. F. procura mais empenhadamente demonstrar, e que ele julga mais capaz de impressionar, é o pretenso culto ilícito que se teria estabelecido na TFP em relação à alma de Da. Lucilia R. Corrêa de Oliveira, falecida em 1968, mãe do Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, e em relação a este mesmo. O sr. O. F. considera tal a devoção toda particular que sócios e cooperadores da entidade têm a Da. Lucilia, bem como as manifestações de veneração e de respeito de que é objeto na TFP — e em círculos cada vez mais largos em torno da TFP — a pessoa do Dr. Plinio Corrêa de Oliveira.

Segundo o sr. O. F., esses cultos, já de si ilícitos, se teriam avolumado a tal ponto, que teriam “destronado” a Virgem Santíssima em nossa associação. Pior ainda, para encobrir, aos olhos do público, esses cultos, a TFP usaria como tapavento a devoção a Nossa Senhora. Assim, o sacrilégio seria o desfecho de todo o “desvio” doutrinário e canônico da TFP.

Portanto, a serem justas essas acusações, a TFP se teria transviado e transformado numa entidade monstruosa, que seria necessário perseguir e eliminar da face da Terra. Para esse objetivo se dirigiriam todos os esforços do sr. O. F.

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Para dar corpo ao edifício central de sua acusação, o sr. O. F. cerca-o de acusações colaterais. Um espírito que se tivesse deixado impressionar pela pretensa iliceidade da questão do culto, se persuadiria com mais facilidade da procedência das demais imputações, e assim todo o edifício acusatório do sr. O. F. se sentiria reforçado. Tal a “arquitetura” do libelo dele contra a TFP.

Os edifícios colaterais, que aparentemente servem para escorar o edifício central, mas que na verdade estão pendentes dele, são a questão da inerrância e a das Visões e Revelações de Ana Catarina Emmerick.

As acusações que o sr. O. F. faz a esse propósito são graves e difusas, mas parecem poder condensar-se da maneira seguinte.

Os escritos atribuídos a Ana Catarina Emmerick, de fundo gnóstico, teriam infiltrado na TFP os miasmas da gnose e indicariam o sentido oculto de tudo quanto se passa em nossa entidade. Já se mostrou a improcedência desta acusação e a artificialidade com que o sr. O. F. agitou esse tema obsoleto na TFP (cfr. carta do sr. Átila Sinke Guimarães, cap. I).

A inerrância do Dr. Plinio Corrêa de Oliveira seria a tese inculcada na TFP para dar fundamentação à adesão dos sócios e cooperadores da entidade ao pensamento e às diretrizes do presidente de seu Conselho Nacional, e ao respeito que lhe têm. O sr. O. F. investe contra a inerrância, primeiramente pondo-a em xeque a partir do assunto Ana Catarina Emmerick, e depois contestando-a como um sofisma sem base na teologia católica, o que teria sido reconhecido pelo próprio Dr. Plinio Corrêa de Oliveira ao final de uma série de conversas com o sr. O.F. em janeiro/fevereiro de 1983. Também ficou exaustivamente demonstrada a completa improcedência destas alegações (cfr. carta do sr. Átila Sinke Guimarães, Caps. II, III e IV).

Na verdade, as acusações colaterais só adquirem alguma verossimilhança na medida em que alguém se deixou impressionar pela pretensa iliceidade das manifestações de culto a Da. Lucilia e ao Dr. Plinio Corrêa de Oliveira. O comum das pessoas é levado a pensar que culto é somente aquele que é tributado aos Santos e Bem-aventurados, elevados que foram à honra dos altares. O sr. O. F. pretendeu explorar essa confusão e ignorância a respeito de tal tema — quiçá vítima ele próprio dessa ideia superficial e errônea. Demonstrada a perfeita liceidade, em face da Doutrina e das Leis da Igreja, do recurso à intercessão de Da. Lucilia e das manifestações de veneração e respeito ao Dr. Plinio (cfr. carta do sr. Átila Sinke Guimarães, Caps. VI a IX), todo o edifício acusatório do sr. O. F. rui por terra.

É esta a conclusão do leitor atento, ao terminar o presente volume.

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Outra ideia muito corrente em círculos religiosos mal informados sobre a Doutrina Católica, no Brasil como aliás fora dele, é de que a virtude cristã da humildade é incompatível com a aceitação de quaisquer homenagens. Assim, sem chegar a questionar a liceidade dessas homenagens, muitos seriam inclinados a pensar que elas deveriam ser repelidas pela pessoas verdadeiramente virtuosas e, como tais, verdadeiramente humildes. O impressionante conjunto de fichas hagiográficas que compõem o volume II da presente refutação mostra que, conforme seja para a maior glória de Deus e conveniência da salvação das almas, as pessoas eminentes em virtude aceitam ou rejeitam essas homenagens.

Um magnífico sermão de Santo Agostinho, reproduzido na íntegra no fim do volume II, analisa e resolve, do ponto de vista doutrinário, essa aparente contradição na vida dos Santos.

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O sr. O. F., e as cerca de 30 pessoas que o seguem (metade das quais constituída por cooperadores que, ao longo dos anos e em épocas diversas, foram deixando a TFP), se tem entregue a uma ativa difamação oral da entidade com base nessas e talvez em outras acusações. O objetivo dessa difamação é destacar as pessoas da TFP. O que, obviamente, prejudicaria o trabalho da entidade em defesa da civilização cristã.

Devíamos aos sócios, cooperadores, correspondentes e amigos da TFP, uma satisfação. Não que tivessem eles ficado abalados com essas denúncias pois o senso católico que os guia levou-os a discernirem imediatamente com quem está a razão. Mas não tendo tempo de se consagrarem a estudos especializados, certamente ser-lhes-á grato encontrar aqui as informações e esclarecimentos que convalidam a posição que o senso católico os levou a tomar.

Assim, a TFP não pretende dar à presente refutação uma divulgação maior do que atingiu a detração a nosso respeito. Daí o fato de a presente edição multicopiada não se destinar à publicidade,

Sabemos de antemão que as tubas publicitárias anti-TFP, de centro-esquerda ou de esquerda, darão grande repercussão ao que quer que seja divulgado de difamatório contra esta Sociedade. Se até lá chegarem o sr. O. F. e seus seguidores, a TFP saberá dar a este livro a divulgação necessária.

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Mais do que qualquer apologia do presente trabalho vale o depoimento do eminente teólogo espanhol, o Revmo. Frei Victorino Rodríguez OP, que em abalizado parecer atestou a perfeita ortodoxia de quanto está exposto nesta refutação. Assim, é aberrante lançar contra a TFP a gravíssima acusação de heterodoxia.

Da nossa parte, desejamos não cair no vezo de alguns, de considerar excluídos da Igreja quem Ela não exclua. Queremos apenas reduzir ao silêncio aqueles que tentam perturbar os nossos amigos e prejudicar o nosso trabalho em prol da civilização cristã.

Assim, o presente estudo não tem senão o sentido da legítima defesa em relação às acusações do sr. O. F.

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Como provou exaustivamente a carta do sr. Átila Sinke Guimarães, o sistema de argumentação do sr. O. F., enquanto sistema, se revelou inconsistente e nulo. Em vista disso, a TFP se dispensará de enfrentar outras dificuldades e objeções que dele provenham, desde que neles se encontrem o mesmo sistema inidôneo e as mesmas debilidades de argumentação. A presente refutação questiona a priori o valor das difamações futuras.

Quae cum ita sint — ou seja, postas as coisas como estão — a TFP não está interessada em outras polêmicas. Ela tem mais o que fazer, e melhor.

São Paulo, 31 de maio de 1984

Pela Comissão de Estudos da

Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade

Antonio Augusto Borelli Machado

 

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