Conversa durante chá, Sede do Reino de Maria, 28 de julho de 1993
A D V E R T Ê N C I A
O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor.
Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
“Católico apostólico romano, o autor deste texto se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto, por lapso, algo nele ocorra que não esteja conforme àquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita”.
As palavras “Revolução” e “Contra-Revolução”, são aqui empregadas no sentido que lhes dá o Prof. Plínio Corrêa de Oliveira em seu livro “Revolução e Contra-Revolução“, cuja primeira edição foi publicada no Nº 100 de “Catolicismo”, em abril de 1959.
O forte amor de Deus dá origem à situação admirável de uma alma que morre no estado de graça, que morre sabendo que vai morrer e que vai diretamente para o Céu. E a esse respeito, eu lamento não ter trazido uma fotografia de que eu mandei tirar cópia para projetar no auditório São Miguel. Se pudesse fazer-se de maneira que essa cópia pudesse ser projetada antes dos senhores viajarem, os senhores me lembrem que eu dou um jeito nisto, valeria a pena.
É um jovem mexicano de boa família, do tempo dos Cristeros, que era aquela revolução, uma verdadeira cruzada contra Calles, Obregón e outros miseráveis comunistas que tomaram conta do governo de Calles.
Esse rapaz tinha um jeito assim muito sério, muito direito, um homem consciente dos seus deveres. Ele fazia parte dessa insurreição Cristera – parece que ele era bom conferencista – e era muito convidado por um famoso Padre Pro, jesuíta, do qual provavelmente os senhores já ouviram falar.
Deixa eu ver um pouquinho, os que ouviram falar, levantem o braço. É quase toda a sala.
O Padre Pro também foi condenado à morte, foi preso como ele e foi condenado a morrer no mesmo dia em que ele morreu [23-11-1927].
Esse rapaz, cujo nome eu não me lembro [Luís Segura Vilchi], estava na cela dele na prisão e tinha certeza de que dentro de uns três meses mais ou menos o processo dele estaria julgado. E que eram uns juízes infames, abjetos…
O que é que é?
(Aí está a fotografia.)
Ué? como é que essa fotografia apareceu aqui?
(O Sr. Feri trouxe.)
Quem trouxe, Feri?
(Sim Sr.)
Agora, os senhores vêem… Eu acho melhor primeiro dizer e depois mostrar.
Bom, o rapaz estava na prisão julgando que daqui a uns três meses ele seria morto e, com certeza, estava se preparando etc., porque a gente via pela cara dele que era um rapaz exemplar. Quando os carrascos entraram e disseram: “Apronte-se logo, você vai ser morto agora!” Ele se aprontou e desceu ao pátio das execuções.
E aqui está o rapaz descendo ao pátio das execuções.
Os que quiserem ver podem chegar mais perto.
É. Contente sim, porque ele disse para esses algozes: “Eu daqui a pouco estou entrando no Céu.”
Não sei se os senhores notam a decisão dele, não é? É uma coisa admirável, estupenda! A decisão dele e a força, ele vai para frente.
Bem, os senhores…
Para mim, dessas fotografias, a melhor é essa, porque essa retrata melhor a alma dele. É um rapaz que nós calculamos… pode ser que os senhores calculem de um modo diferente, mas entre 25 e 30 anos, é mais ou menos essa a idade dele, bem moço ainda [1903-1927]. Engenheiro.
Bem, aqui, é uma outra fotografia em que ele está sendo fuzilado. Aqui, ainda há outra fotografia dele. É a mesma?
(Sim, aqui é uma ampliação dessa.)
Aquela é uma ampliação.
Bem, e aqui é a fotografia dele colocado já no lugar onde vai ser…
Querem acender a luz? Pode ser.
Diante do pelotão de fuzilamento.
Não sei se os senhores notam aqui à esquerda um cadáver caído?
É o do Padre Pro.
Contam que quando ele passou perto do cadáver do Padre Pro, ele olhou apenas com o canto dos olhos. Quando chegou no lugar da execução perguntaram para ele se ele queria ter os olhos vendados ou não. Ele disse que não queria ter os olhos vendados e olhou para o céu. Poucos instantes depois, o pelotão de fuzilamento o liqüidou.
Agora, os senhores vejam essa cara aqui.
Alguém que dissesse: “Pobre e infeliz rapaz, tão cedo levado fora dessa vida…” Diria uma besteira, não é?
Se alguém fizesse esse comentário na minha presença eu pensaria: “Que idiota perfeito é este comentador.”
Porque [ele] está caminhando resoluto, está se vendo livre de uma carcaça medonha etc., etc.
Nota: Para ver outros comentários do Prof. Plinio a respeito dessa mesma foto e publicados no mensário de cultura CATOLICISMO, clique aqui.