Catolicismo Nº 64 - Abril de 1956
AMBIENTES, COSTUMES, CIVILIZAÇÕES
Retidão natural e satanismo nas civilizações gentílicas
Em números anteriores, temos mostrado que não se deve
confundir certa retidão natural existente em culturas gentílicas elaboradas
antes da evangelização, com o caráter diabólico que infesta as
manifestações culturais do neopaganismo hodierno. É que os frutos da natureza
decaída podem ter algo de nobre e belo: é o que se nota entre os gentios. Ao
passo que a apostasia da verdadeira Fé tem uma malícia muito maior que a dos
povos que não conheceram Jesus Cristo. E não é de admirar que, na medida em
que uma sociedade que foi católica se vá transformando em Cidade do demônio,
na mesma medida o demônio lhe vá influenciando a arte e a cultura.
Não queremos com isto afirmar a inteira ausência do demônio em relação ao mundo gentílico. Antes pelo contrário. Mas sua influência sobre esse mundo se patenteou sempre de algum modo circunscrita e, se se manifestou com freqüência na arte e na cultura, todavia não chegou a dominá-las.
Frisante exemplo disto está no contraste entre as duas
fotografias desta página. A primeira nos apresenta duas japonesinhas no encanto
e na inocência de sua tenra idade. Seus trajes são recatadíssimos, e
constituem vigorosa lição para os nudistas neopagãos das praias do Ocidente.
Os coloridos variados têm um que de poético, completado pelos ornatos da cabeça. Tudo muito regional, muito peculiar, muito artístico,
muito digno e criterioso.
Pelo contrario, este monstro em cuja máscara se instalaram todos os vícios, a ira, a lubricidade, o descomedimento, a insensatez, parece bem digno de participar num culto diabólico: é um dos figurantes de danças budistas no Tibet.
O demônio penetrou no budismo: isto é certo. Mas quem poderia afirmar que ele dominou toda a cultura pagã do Japão, vendo os trajes destas encantadoras crianças, que é impossível ver sem ter uma imensa vontade de as batizar?