HISTÓRIA DA CIVILIZAÇÃO

 

IV

CIVILIZAÇÕES CALDAICA E ASSÍRICA

A Mesopotâmia

Vamos estudar agora a civilização dos povos que habitaram a Mesopotâmia, uma vez que sobre os egípcios eu já lhes dei tudo o que interessa ao nosso programa.

A Mesopotâmia, como diz a palavra, é uma região compreendida entre dois rios: do grego "mesos" e "potamos". Em hebraico é "Aram Naraim" (Síria dos dois rios), e em turco é "Gesireh", que quer dizer ilha.

Esses dois rios são o Tigre e o Eufrates, que nascem nas montanhas da Assíria, correm em sentido convergente, confundem em seguida as suas águas e vão lançar-se no Golfo Pérsico. As aluviões trazidas constantemente por esses rios vão atulhando lenta, mas progressivamente, as embocaduras desses rios, no Golfo Pérsico, que era dantes muito mais profundo.

O solo da Mesopotâmia propriamente dita compreende uma extensão de 270.000 Km2. Este solo é de uma fertilidade espantosa. O trigo, nesta região, é nativo e pode ser colhido três vezes por ano. Na Mesopotâmia não há razão para queixa semelhante à do nosso caboclo, porque "plantando, dá." As terras da Mesopotâmia são, portanto, ótimas para a agricultura.

Porém, se é verdade que este solo ubérrimo produz, até sem que nele se plante, também é certo que tal não aconteceria se ele não fosse irrigado, porque nessa região há falta de chuvas abundantes; os terrenos pouco férteis eram aproveitados por meio da canalização das águas. Da mesma maneira procediam os egípcios com as águas do Nilo.

Os habitantes da Mesopotâmia construíram canais ladrilhados, para aproveitarem os terrenos que só produziam quando irrigados. Assim as águas eram transportadas, por meio de grandes braços, a regiões as mais remotas. Esse povo auferia destes canais duas vantagens: 1) os canais eram utilizados para a fertilização de certos tratos de terra; 2) eles eram navegáveis.

A situação geográfica da Mesopotâmia colocava-a na possibilidade de um desenvolvimento comercial extraordinário, porquanto era passagem forçada para todas as caravanas da Ásia. Por outro lado, o povo que habitava a Mesopotâmia tinha uma grande tendência para o comércio, que atingiu um alto grau de desenvolvimento.

Na história da Mesopotâmia houve cidades que atingiram um grau bem elevado de cultura, e que gozaram de certo renome, tornando-se então soberanas. Com o correr do tempo, uma destas cidades desenvolvia mais o seu comércio, e aumentava então o seu poder militar. Tornava-se "ipso facto" mais poderosa, tomando então a supremacia sobre as demais. Assim sendo, podemos dividir a história interna da Mesopotâmia em 5 períodos:

1) Período da Baixa Caldéia;

2) Período da Babilônia;

3) Período de Assu;

4) Período de Nínive;

5) Período da Grande Babilônia.

Os 4 últimos correspondem aos nomes das capitais que se sucederam em poderio, na história dos povos que habitaram as margens do Tigre e do Eufrates.

Política externa

Quanto à política externa, podemos afirmar que ela se limitava tão somente a guerras contra os povos que não faziam parte do império, e também contra as províncias mais longínquas, que se revoltavam constantemente contra o jugo crudelíssimo dos reis assírios e babilônios.

Arquitetura

Na Mesopotâmia havia grande falta de pedras. Então os caldeus foram apelar para um outro meio de construção — os tijolos revestidos com ladrilhos de alto valor artístico, o que era quase uma novidade na época. Empregavam estes tijolos na construção de palácios, muralhas, templos, etc. Os grandes edifícios e monumentos dos caldeus eram sempre feitos de tijolos.

A assiriologia é a arqueologia das antiguidades assírica e babilônica. Esta ciência foi muito dificultada, pela circunstância de os palácios e monumentos caldaicos serem feitos com tijolos, porque as massas destes tijolos iam sofrendo a influência dos diversos agentes físicos, mormente da água, e os tijolos iam então derretendo-se e perdendo a forma natural. Depois, sobre esses monumentos constituía-se uma rede de vegetação, e eles aparentavam então montículos comuns.

Assim, uma pessoa que passasse por essa região, antes que nela fossem feitas as escavações, não veria ali mais do que diversos acúmulos de terra cobertos de folhagem, sem suspeitar o valor daquilo que se encontrava sob esses montículos. Até certo ponto, o crescimento dos vegetais sobre as ruínas dos monumentos assíricos foi e não foi bom. De um certo modo, dificultou durante muito tempo o conhecimento das cidades assírias, porquanto elas tinham a aparência de montículos, que são muito comuns nessa região. Entretanto, isso foi bom sob outro ponto de vista, porque conservaram-se até os nossos dias os documentos existentes em tais palácios e monumentos, as cores naturais com que eles foram decorados, etc.

O alabastro era uma pedra empregada em grande escala pelos caldeus, como elemento decorativo, porque havia em abundância na região.

As cidades

As cidades desse grande império eram muito belas, quanto ao seu aspecto. Os assírios tinham um modo muito curioso de construir as cidades: as grandes capitais eram cercadas por muralhas enormes, que facilitavam a defesa contra possíveis ataques. No interior dessas muralhas havia grandes monumentos, templos e palácios suntuosíssimos.

Há um particular interessante, quanto às cidades caldaicas: as suas ruas eram paralelas e retilíneas, o que mostra que a modernidade de hoje era comum entre os assírios. Na Idade Média e na antiga Roma as ruas eram tortuosas e irregulares. Eu acho que não há nada de mais sinuoso do que a nossa Rua Direita. Alguns urbanistas acharam que as ruas devem ser como as das antigas cidades assírio-caldaicas, isto é, paralelas e retilíneas. Porém, recentemente, os especialistas em urbanismo afirmam que o melhor é fazer ruas quebradas, de modo que os grupos de casas formem paralelogramos.

Muito freqüentemente, as grandes cidades eram construídas porque os reis queriam perpetuar o seu nome com alguma obra imponente. Vê-se também que a fundação de cidades não obedecia a um motivo de ordem econômica ou política, como hoje temos o exemplo do projeto da mudança da capital federal para Goiás, e a fundação de várias cidades no interior do Estado de São Paulo.

Mas por que razão isto? No primeiro caso, o motivo é de natureza política: torna-se muito mais fácil a defesa, em caso de possível guerra, estando a capital federal localizada no centro do país. No segundo é de natureza econômica, porquanto a fundação de novas cidades no interior do Estado gera um afluxo de pessoas que querem ganhar dinheiro. Nesse sentido desenvolvem grande atividade, o que é útil à economia de um Estado.

Os reis assírios e babilônios, quando queriam imortalizar o seu nome, fundavam as grandes cidades. Faziam também com que fossem construídos grandes e imponentes monumentos. Assim, Sargão mandou fazer um palácio com capacidade para 80.000 pessoas.

Sobre as cidades caldaicas, os historiadores antigos nos deram descrições muito interessantes. Heródoto conta-nos mais ou menos o que se segue, sobre a cidade de Babilônia: "Estava situada nos dois lados do rio, formando vasto quadrado, com 5 horas de cada lado. Tinha 250 torres e 100 portas de bronze. As suas casas tinham de 3 a 4 pavimentos. Havia também muitas praças e parques, as ruas eram retilíneas e paralelas".

A cidade de Nínive era maior que a de Babilônia, formando um vasto quadrado. Era cercada por uma muralha de 100 pés de altura e 30 pés de espessura, de tal maneira que 3 carros pudessem correr sobre ela (veja-se bem: correr, e não andar simplesmente). Havia sobre a muralha 1.500 torres. As ruínas de Nínive ocupam uma extensão de 110 km2, o que, para a época em que existiu essa cidade, era extraordinário.

Além destas, havia inúmeras outras obras verdadeiramente notáveis: a muralha médica foi construída a mandado de Nabucodonosor para se defender dos medos, que eram parentes dos Persas. Para defender o seu império contra os medos, Nabucodonosor levantou essa muralha enorme que lembra a da China, não só pela finalidade, como também pelas proporções: tinha 12 linhas de comprimento, 500.000.000 de pés cúbicos de espessura, e nela foram empregados 2.000.000.000 de ladrilhos!

Outra obra interessante foram os jardins suspensos de Semíramis. Segundo a versão histórica mais provável, esses jardins foram feitos para a concubina de um dos reis caldaicos. Ela havia nascido na Pérsia, país montanhoso que tratava com desdém as planícies da Mesopotâmia. Então o soberano, para prodigalizar à sua concubina todo o conforto, mandou que se construíssem os jardins suspensos. Existem ainda várias outras lendas a respeito dos jardins suspensos, mas parece que esta é a mais acertada. Eram uma espécie de montanhas artificiais, e consistiam em túneis que ficavam colocados uns ao lado dos outros, como grandes degraus, sobre os quais havia jardins com luxuriante vegetação. Esses jardins foram atribuídos a Semíramis, mas esta atribuição parece pouco provável. Os jardins suspensos causaram tanta impressão na antiguidade, que, como já sabemos, foram considerados como a 5ª maravilha do mundo.

Ainda temos as obras fluviais, destinadas à defesa da capital contra os medos, obras estas atribuídas à rainha Nítocris. Ela governou todo o império. Conta-se que esta rainha pregou uma peça aos seus sucessores. Mandou construir um pórtico, e fez com que a sua sepultura fosse colocada sobre o mesmo, dizendo antes de morrer, aos seus sucessores, que no seu túmulo seria encontrada grande quantidade de ouro, que deveria ser utilizado só em caso de extrema necessidade. Pois bem, ela estava certa de que, logo que deixasse de existir, os sucessores haviam de abrir o caixão, movidos pela cobiça. Contudo, ela não previa que quem haveria de abrir o seu caixão não seriam os seus sucessores, mas sim conquistadores, que tiveram uma grande decepção, porquanto não encontraram ouro nenhum, mas sim alguns conselhos escaninhos contra a cobiça.

Templos

Eu julgo que os senhores já viram esta parte, nos estudos de História Universal que já fizeram.

Os templos consistiam em grandes edifícios, no alto dos quais havia um observatório astronômico. Cada andar tinha uma cor diferente, que representava um planeta. Antes que eu me esqueça, devo dizer que as casas todas eram decoradas com cores muito vivas, ao passo que hoje se preferem cores menos berrantes: branco, creme, etc.

A não ser a dos hebreus, as religiões da antiguidade não eram muito recomendáveis quanto à moral. Vê-se o caráter lúbrico da religião caldaica pelo fato de que eles mantinham no templo uma mulher, destinada aos prazeres do deus.

Costumes

Quanto aos costumes caldaicos, havia um contraste muito interessante, de brutalidade e de moleza. Os reis passavam toda a sua vida nos seus palácios, numa vida muito mole, em orgias contínuas. Entretanto, quando se aproximava a época das guerras, os reis transformavam-se em guerreiros de valor, muito cruéis, que iam em expedições muito longínquas, e geralmente levavam o seu povo à vitória.

Os reis, nos períodos de paz, além desses divertimentos moles, caçavam muito. Estas caçadas, que eram quase sempre de leões, eram feitas a cavalo, a pé, ou então nos canais, em barcos. Terminada a caçada, as vítimas eram levadas numa grande cavalgada, pelas cidades, para que o povo admirasse os feitos do seu soberano. Há uma inscrição caldaica, em que é mostrado um rei segurando um leão pelas orelhas, coisa esta que dispensa comentários.

Além da caça aos leões, eles gostavam também de caçadas a outros animais selvagens, como os touros.

Após as guerras, eram levados a efeito grandes desfiles, em que os reis e generais carregavam com grande ostentação os objetos saqueados aos inimigos. Vinham também os prisioneiros de qualidade, em jaulas. Eles furavam os olhos dos prisioneiros, cortavam as orelhas, arrancavam o nariz, etc. Os prisioneiros entravam na cidade acorrentados, como se fossem animais, sob apupos do povo vencedor, sem poder se defender.

Na guerra os assírios eram de uma crueldade extrema. Os ladrilhos que eles nos deixaram são muito exatos a esse respeito: eles nos apresentam os soberanos no ato de furar os olhos dos prisioneiros. Estes estão em atitude muito humilde, presos pelos lábios por meio de argolas. Uma corda passada nestas argolas é presa pela mão do rei, isto para que não houvesse resistência por parte dos vencidos. Ora, uma pessoa com uma argola atravessada no lábio não há de resistir, ao ser puxada pela corda presa à argola, porquanto, se o fizer, arriscar-se-á a ter o lábio partido, o que não é nada agradável. O rei está com um grande chapéu em forma de cone, com o cabelo ondulado, uma longa barba, um vestido muito rico. Com um olhar ferocíssimo, joga a lança nos olhos dos adversários, que, aliás, eram escravos muito dóceis para o transporte de materiais. A vantagem era que, como esses escravos eram todos cegos, uma só pessoa podia tomar conta de 50 ou 100.

Os assírios, nos seus ladrilhos, representavam os seus personagens, não pelo tamanho físico, mas pela sua importância, prática esta que foi seguida também na Idade Média. Por isto podemos fazer uma idéia do que eram os povos antigos, e do enorme esforço do Cristianismo para mitigar a brutalidade dos costumes. Diante destes costumes, os fatos da Idade Média se nos apresentam despidos de grande parte do horror que lhes é atribuído. Quando nós lemos, por exemplo, que na guerra de 100 anos os ingleses prenderam 100 soldados franceses, furaram os olhos de 99 e deixaram um só caolho, para que conduzisse os outros à França, então nós vemos que havia muita barbaridade em tais costumes, mas não tanta como a que havia nas usanças dos povos anteriores ao advento do Cristianismo.

Os fatos chegaram ao nosso conhecimento por intermédio das inscrições deixadas pelos soberanos, gabando-se dos seus feitos, e contando também tudo o que faziam com o inimigo. Em geral, eles se vangloriavam a valer das suas crueldades. Já a mentalidade da Idade Média não era igual à desse povo da antiguidade.

Os assírios e babilônios eram grandes guerreiros, mas não eram bons colonizadores, pois tinham como principal preocupação manter as colônias apenas para que estas lhes pagassem o tributo. Queriam-nas apenas como fonte de rendas e tratavam-nas com grande rigor, e em conseqüência tinham de se haver sempre com constantes revoltas por parte das mesmas. Por isso é que a Bíblia compara o império caldeu a uma grande estátua com pés de argila, porquanto eles eram um grande povo com base fragílima. Os outros povos detestavam os caldeus.

A preocupação de certas nações modernas, como a Inglaterra, por exemplo, é ficar muito tempo com as suas colônias, e por isso procuram usar da mínima violência, para poder manter o povo debaixo do seu jugo, e ainda deixam ao povo muita autoridade local (por exemplo, a Índia). Mas os assírios e babilônios não sabiam fazer isso, e por isso mesmo nunca tiveram um império muito estável.

Outro índice da crueldade desse povo, é a cena que nos mostram alguns ladrilhos: soldados jogando uma espécie de boliche (que mais se assemelha ao jogo da peteca), com as cabeças decepadas dos inimigos.

O touro alado era um dos motivos de ornamentação deles. A origem do touro alado não é muito conhecida. Não se sabe bem como nasceu entre eles a idéia de um animal com asas, corpo de touro e cabeça de homem, mas parece que isto tem um fundo simbólico: eles queriam simbolizar um animal que representasse o poder, reunindo o poder de todos os animais num só.

Pelo que ficou exposto, têm os senhores uma idéia de como eram bárbaros os costumes desse povo. Ao lado desses costumes bárbaros, havia entre os assírios e babilônios uma certa concepção da moral, que podemos avaliar por meio de uma máxima de Sardanápalo, encontrada num monumento da época. Vou ler essa máxima, que contém toda uma filosofia da vida. Ela reza mais ou menos o seguinte: "És mortal: lembra-te disto, e gozando a vida, satisfaz a concupiscência do teu coração." Esta máxima nos mostra qual era a filosofia desse povo, que só poderia ser um povo descrente, para o qual a vida termina com a morte, e que queria tirar da vida o máximo de prazeres em compensação. Foi esta filosofia que derrubou o imenso império dos caldeus, porquanto a vida de moleza que eles levavam tornava homens da mais rija têmpera incapazes para os combates. Tornaram-se também inimigos do trabalho e das responsabilidades, o que concorreu muito para deitar por terra o império dos caldeus.

O comércio teve um elevado grau de desenvolvimento, entre os assírios e babilônios. Além da privilegiada situação geográfica, havia ainda um grande desenvolvimento da indústria. Fabricavam tecidos preciosíssimos, como o bômbix; bordavam tecidos com bordados de grande valor. Podemos calcular o valor desses tecidos pelo seguinte: Hero comprou um divã assírio, coberto com um desses tecidos, pelo preço de 4.000.000 de sestércios! Se não me engano, o sestércio valia 1 franco; ora, o valor do franco é mais ou menos 1$000, de maneira que podemos fazer uma idéia do valor do sofá.

Também fabricavam vasos, eram peritos na fabricação de objetos de metal, lapidavam pedras preciosas. O comércio dos assírios e babilônios foi um dos mais prósperos da antiguidade.

Seus objetos tinham tão grande circulação na antiguidade, que foram encontrados nas pirâmides do Egito e nas sepulturas da Etrúria.

Praticavam também o comércio das mulheres. A respeito disto, Heródoto nos diz mais ou menos o que se segue: "Em cada aldeia, uma vez por ano, logo que as moças estão maduras para casamento, são reunidas e levadas a um determinado lugar, onde estão muitos homens, e então o pregoeiro as faz levantar umas após outras, a começar pelas mais belas. Logo que a mais bela tenha achado comprador, então fazem com que se levante outra, e assim por diante. Os caldeus ricos que desejam casar rivalizam entre si, para comprar as mulheres mais formosas. Depois o pregoeiro põe à venda as mais feias, e oferece-as aos homens que têm menos dinheiro. Finalmente, os que ficarem com as mais feias são pagos para isto. O dinheiro obtido com a venda das mais formosas é destinado ao dote das mais feias."

Ninguém podia levar uma mulher, sem se comprometer a casar-se com ela. O indivíduo que recebia dinheiro para ficar com uma mulher feia era obrigado a casar-se com ela, e se não o fizesse, era obrigado a devolver o mesmo dinheiro.

Os senhores compreendem que eu não conto isto com interesse anedótico, porquanto eu estou por tudo, menos por anedotas. Isto é um índice muito bom do estado das civilizações antigas. Com isto podemos conhecer a decadência, ou melhor, a degradação em que estavam as civilizações antigas antes do aparecimento do Cristianismo, e todos estes dados são da filosofia da História.

É necessário que os senhores confrontem a situação da mulher antes e depois do advento do Cristianismo. Antes ela estava em situação muito inferior, comparativamente com a atual. Houve uma grande evolução religiosa, social e intelectual, após o aparecimento do Cristianismo.

O casamento, entre os caldeus, era, em via de regra, monogâmico. Cada homem tinha direito a uma esposa legítima, mas podia ter também quantas concubinas quisesse. Freqüentemente, era a própria esposa quem comprava uma concubina, e dava como presente ao marido. Contudo, o concubinato era uma espécie de poligamia, porquanto não era uma união transitória, e acarretava direito e deveres fixados por escrito.

Havia o repúdio, que era sempre feito por escrito, com uma indenização do marido para a esposa. Caso o pai tivesse dado um dote para a filha, o marido tinha por obrigação devolver esse dote em caso de divórcio; o marido tinha de dar garantias ao pai da esposa. O casamento só era válido quando efetuado por escrito, e os contratos antenupciais fixavam todas as condições sobre o modo como o matrimônio devia ser levado a efeito.

Havia o direito de adoção dos filhos. Os pais tinham também o direito de dar em penhor os filhos por 3 anos, mas esse direito passou depois a ser para a vida inteira, quando em pagamento de dívida.

Os assírios e babilônios eram muito vaidosos. Vestiam-se com tecidos muito ricos, e ondulavam com grande capricho o cabelo e as barbas. Nós podemos observar nos desenhos desse povo as barbas enormes dos reis assírios, onduladas com grande capricho. De maneira que a ondulação permanente não é coisa tão nova quanto podemos imaginar.

Era muito curioso o modo pelo qual os assírios e babilônios tratavam os doentes. Não conhecendo hospitais, que só apareceram com o advento do Cristianismo e por causa do Cristianismo, eles expunham os doentes em praças públicas, e cada pessoa que passava aconselhava um remédio para a cura do doente. Ora, os senhores podem imaginar como esse método era eficaz...

Em geral, como sinete, usavam uma pedra (berilo, cristal) para servir de assinatura.

Tinham lendas muito interessantes, que confirmavam grande parte das tradições da Bíblia. Nelas havia referências ao pecado original, e eu vi a fotografia de um baixo relevo caldeu representando uma árvore, um homem e uma mulher; enroscada na árvore, está uma serpente. Isto é fielmente o que rezam as tradições da Bíblia.

Quer na interpretação caldaica, quer na da Bíblia, isto não tem o sentido indecoroso que se lhe quer dar. Costuma-se dizer que o primeiro pecado foi a prática do ato sexual, mas esta interpretação é um absurdo, porquanto se Deus disse "crescei e multiplicai-vos", Ele não haveria de punir o ato sexual destinado à procriação dentro do casamento. Haveria de punir tão somente as desordens em tal prática. Os assírios e babilônios tinham desta tradição bíblica a seguinte interpretação: foi realmente uma fruta que foi comida. Também não há a menor certeza de que foi exatamente a maçã; poderia ter sido uma pera, um abacaxi...

Além da tradição do pecado original, tinham a tradição do dilúvio, que existe também entre os nossos índios, muito parecida com a da Bíblia. Tinham também a tradição da confusão das línguas, num determinado lugar chamado Borsipa, onde teria existido a torre de Babel, na Mesopotâmia.

O que é interessante notar, a este propósito, é que grande número de informações que havia antes dos estudos de assiriologia, conhecidas por intermédio da Bíblia, foram confirmadas pelo estudo dos monumentos assírios e babilônios no século passado, quando os estudos de assiriologia tiveram grande desenvolvimento. As tradições bíblicas tiveram uma confirmação muito exata, pelas inscrições caldaicas.

Um documento muito interessante, que nos deram os antigos caldeus, é o famoso código de Hamurabi, que foi um rei de Babilônia que viveu mais ou menos entre os anos de 2123 e 2181, antes de Jesus Cristo. Este código é colocado entre os documentos legislativos mais antigos.

Eu vou ler alguma coisa deste código: "Quando El, o supremo, rei dos Anumaki, e Bel, senhor do céu e da terra, que fixa os destinos do Universo — a Marduc, filho primogênito de Ea, divino mestre do Direito, as multidões dos homens o atribuíram entre os Igigi, o fizeram grande, em Babilônia proclamaram o seu nome augusto, o enalteceram nas regiões, lhe destinaram no coração desta cidade uma realeza eterna, cujos fundamentos estão firmes como céus e terras —, então eu, Hamurabi, insigne, nobre, temendo ao meu Deus, para criar justiça no país, para destruir o mau e o perverso, a fim de que um poderoso não oprima o fraco... etc."

Nós estamos vendo a história de um dos povos mais cruéis que a História conheceu. Ora, apesar da imensa crueldade, ou melhor, da imensa opressão dos caldeus sobre os adversários vencidos, neste escrito há um protesto da consciência humana, contra a opressão do humilde pelo poderoso.

Depois desse preâmbulo, logo começa Hamurabi a dizer as suas façanhas, a dizer quanto eram as suas riquezas, e os objetos preciosos que possuía. Após isto vem a enumeração das leis penais a serem aplicadas às diversas espécies de delitos.

Em primeiro lugar, sobre o adultério: "A mulher adúltera deve ser atirada ao rio, mas se o marido perdoar o adultério, os dois devem ser atirados ao rio. A mulher do prisioneiro, se não tem com que se sustentar, pode casar-se com outro; mas se o marido puder voltar para o lar, ela é obrigada a voltar para o marido."

Isto se explica por causa da constância de guerras naquele povo. Não havia correio nem telégrafo, e nem empenho dos vencedores em tranqüilizar as famílias dos vencidos. Quando os seus soldados eram aprisionados, os reis assírios consideravam-nos perdidos, e também eram levados para muito longe. Por isso é que podia a mulher casar com outro homem, se não tivesse com que se manter; se o marido voltava, ela tinha de voltar para o 1º marido. Eu penso que a situação tornava-se então bem embaraçosa para todos.

"Se a mulher repudiada pelo marido é leviana, não pode exigir indenização, e o marido pode reduzi-la a sua escrava. A mulher que abandona o marido é atirada ao rio".

Vê-se, pelo que acima foi exposto, que havia uma enorme desigualdade de condições entre o marido e a mulher. Esta desigualdade foi muito combatida pelo Cristianismo, que pregou a monogamia completa e a pureza de costumes, tanto para o homem como para a mulher. Logo que o Cristianismo começou a perder o seu vigor inicial, começou novamente a mudar a situação: com o advento do ateísmo e de novas crenças, apareceu também a usança da poligamia hipócrita, e a mulher voltou às mesmas condições.

Daí a solução comunista, consistindo em igualar os dois sexos na corrupção completa dos costumes, e nós estamos entre os dois: catolicismo e comunismo. O primeiro prega a boa moral, a pureza dos costumes; o segundo, a dissolução, o amor livre. Um é o oposto do outro.

"Não é lícito ao marido repudiar a mulher enferma. Mas pode tomar outra mulher para si".

São particularmente rigorosas as leis penais sobre o incesto.

Eles pregavam a famosa máxima: "olho por olho, dente por dente". Quando um arquiteto construía uma casa, e esta caía sobre o filho do dono da casa, punia-se o filho do arquiteto, em vez do arquiteto. O fundo disto tudo era fazer uma pessoa sofrer o que fez outra pessoa sofrer. Era necessário fazer sofrer o arquiteto moralmente, punindo o seu filho.

Mesmo entre os romanos, o pai tinha o direito de vida e morte sobre o filho. Vemos, por exemplo, o caso do arquiteto. Como já dissemos, era necessário fazer sofrer o causador do fato, punindo o seu filho. Mas a lei não levava em conta os direitos do filho, que nada tem com o caso. Foi o Cristianismo que veio alterar esta situação. Vemos assim qual foi o verdadeiro sentido do Cristianismo.

Outro hábito muito difundido entre os caldeus era o juízo de Deus. Eles achavam que, quando uma pessoa era acusada de um crime, mas fosse inocente, podia ser exposta a um grave perigo, que Deus a salvaria. Assim, quando uma pessoa era acusada de um crime, era atirada ao rio: se morresse, era culpada; se sobrevivesse, era inocente. Nós vemos isto também na Idade Média, muitos e muitos séculos depois. Isto foi um prolongamento das instituições dos povos bárbaros, e cumpre notar que estas práticas só foram abolidas com o advento do Cristianismo.

Muitas vezes, uma pessoa era acusada por outra de a ter roubado. Havia então um duelo entre essas pessoas. Essas leis eram absurdas e ímpias, porque Deus não está intervindo sempre nos casos do mundo. Foram muito combatidas pela Igreja, na Idade Média.

Vemos, por isto, que certos costumes bárbaros da Idade Média são costumes que não resultam da influência cristã, mas da influência das civilizações bárbaras existentes antes do advento do Cristianismo.

Mas, voltando ao nosso assunto, encontramos agora mais um parágrafo da legislação caldaica: "Se as virgens consagradas ao culto se embriagarem, devem ser queimadas vivas". Os povos antigos levavam muito a sério as suas religiões, quer fossem boas ou más. Roma, que teve um intercâmbio muito pequeno com a civilização dos caldeus, tinha também as suas vestais, e as enterrava vivas caso perdessem a sua pureza.

Estas são as principais cláusulas de castigos do código de Hamurabi, que são o bastante para dar uma idéia bem exata dos costumes do povo caldeu.

Quanto à situação do governo e das classes sociais, o rei era onipotente, e os outros estavam todos em nível inferior, e inteiramente submetidos ao poder do soberano. Essa situação era bem diversa da do Egito, onde o rei era o primeiro personagem do país, mas havia outros que tinham direitos que cerceavam os do soberano (isto notadamente entre os indivíduos da classe sacerdotal). Todos os personagens do povo caldeu, mesmo os mais importantes, estavam debaixo do domínio do soberano.

Havia a classe sacerdotal, que era uma classe muito mais acessível do que no Egito, porquanto até os estrangeiros podiam ser sacerdotes. Os sacerdotes tinham um fácil acesso junto ao rei, mas na Assíria e Babilônia não tinham a influência que tinham no Egito.

O rei tinha um primeiro ministro, que era mais ou menos como o vizir dos países maometanos. Esses ministros tinham um poder muito grande, e eram chamados de "rabsaris". Tinham também um ministro da guerra, que era chamado de "tartan".

O serviço militar, parece que era obrigatório entre eles. Foram também guerreiros muito bons, que sabiam muito bem a utilização das máquinas de guerra. Construíam muralhas de madeira, paralelas às muralhas das cidades que queriam vencer. Além disso, usavam uma outra tática de guerra muito interessante: cada soldado era munido de um odre de couro, que ele enchia, assoprando, quando tinha de atravessar um curso d’água. A cavalo sobre o odre, ele remava com o braço direito, enquanto com o braço esquerdo segurava a correia, que prendia às suas costas a lança, o escudo e as demais peças de seu armamento.

Entretanto, mesmo para eles, que conheciam muitas táticas de guerra, esta não era totalmente isenta de perigos, porquanto, geralmente, os inimigos procuravam incendiar as muralhas dos caldeus.

A respeito da organização do governo, não há nada de certo. Sabe-se que os decretos que os reis publicavam eram em turaniano, aramaico e assírio. Cada província era governada por um chefe civil e militar, que ficava em dependência em relação ao rei.

Quanto à cultura, parece que esta foi uma das mais antigas do mundo, e é uma das mais antigas que conhecemos. Tiveram obras literárias de certo valor. No palácio de Sardanápalo havia uma biblioteca muito interessante. Se ela fosse impressa, daria uns 18.000 volumes, hoje em dia. Eles tinham um poema notável — o poema de Istar. Foi encontrado na biblioteca de Sardanápalo, onde havia vários catálogos com nomes de deuses e de reis, e também a epopéia de Nemrod.

A astronomia estava num adiantado grau de desenvolvimento. Faziam cálculos astronômicos. Consta que atingiram mais de 1.000 anos de estudo consecutivo, de cálculos astronômicos.

Quanto à religião, era politeísta e panteísta. Acreditavam que os deuses habitavam nos planetas. Tinham uma idéia muito confusa acerca de Deus, que identificavam com a natureza. A religião deles era a do terror, e tinham grande pavor dos deuses que adoravam. Essa religião era sinistra e corruptora, com práticas imorais e horripilantes. Pacificavam aos seus deuses com a virgindade de suas mulheres, e em geral as suas práticas eram eivadas de grande imoralidade.

Heródoto nos conta que a mais torpe das práticas desse povo era a seguinte: "Toda mulher do país era obrigada a se expor no templo da deusa Mélita, a fim de unir-se a um forasteiro. Este, após tal união, entregava uma moeda à mulher, e dizia: "recebe este dinheiro em nome da deusa Mélita". A mulher não podia, de maneira alguma, desprezar nenhum forasteiro. Podemos fazer, com isto, uma idéia bem exata das usanças do povo caldeu.

Assírios e babilônios habitavam a região chamada Mesopotâmia. De fato estas populações ocupavam os planos existentes entre os rios Tigre e Eufrates. Os babilônios localizavam-se no sul, na região da Caldéia, e tiveram como centro principal Babilônia, daí o seu nome, sendo também chamados Caldeus. Ao norte habitavam os assírios, tendo por centro a cidade de Nínive.

Essas populações, porém, não se filiam a uma única raça. Ao contrário, sabe-se que a Mesopotâmia foi um verdadeiro cadinho de raças. Entre inúmeras tribos, cuja origem é desconhecida, encontram-se representantes de árabes, semitas, populações iranianas e mais uma série de outros povos. Assim, pode-se afirmar que essas populações (assírios e babilônios) encontravam-se completamente mescladas. Este conhecimento antropológico das populações citadas é indispensável para serem compreendidas suas civilizações. De fato, cada um destes povos deixou seu traço. A religião, por exemplo, tem coisas extravagantes e reunidas, ainda que apresentem idades de evolução muito diferentes.

Religião

A religião é resultante da reunião das crenças de várias tribos. Os mesopotamianos formavam uma religião particularista, só praticada por eles, o que se dava em todas as religiões antigas. A religião pedia sacrifícios violentos, e não raro havia sacrifícios humanos. A religião era mista, e ao mesmo tempo que praticavam culto notável, como o de algumas tríades, também cultuavam seres sobrenaturais. Sabe-se que eram politeístas, porém dominando sempre o deus da cidade mais importante, que assumia assim um aspecto de deus nacional. Babilônia teve os deuses Ilu e Marduc, que dominaram não raro todas as tribos. Os principais deuses assírios foram Assur e Istar. Além disso cultuavam ainda os planetas, que conheciam como Nergal, Eor, Nínive, etc. Eram também comuns as tríades, entre as quais a mais importante era a do Sol, Lua e Ar (Chama, Sim, Romani); havia outras tríades, como a da criação da matéria (Anu, Bel e Nuoh), que explicavam a origem e transformação da matéria.

Cultos - O fetichismo era praticado entre os mesopotamianos, como herança principalmente das tribos sumerianas. Constituía uma verdadeira doutrina de bruxarias. Acreditavam estar o homem rodeado de seres misteriosos, que obedeciam a forças ocultas. Alguns destes eram maléficos, e outros protetores. Só os sacerdotes sabiam invocar essas forças ocultas, e somente eles podiam afastar ou invocar tais seres. Era entre os mesopotamianos comum o uso de talismãs protetores.

Astrologia - Acreditavam também na divindade e no poder dos astros. Havia sacerdotes, chamados "magos", que prediziam a vida de uma criança tomando os astros por orientadores. Este culto deu notável impulso à astronomia, entre os mesopotamianos.

Pelo que se disse, compreende-se que o povo mesopotamiano, submetido a uma religião de terror, aceitava de bom grado a influência da classe sacerdotal.

Arte

Só no fim do século passado os exploradores começaram a pesquisar a Mesopotâmia. Guiados por documentos gregos, dirigiram-se para os lugares onde outrora haviam de se ter erguido importantes monumentos. Encontraram apenas colinas, tidas como naturais pelos árabes, senhores da região. Não havia entre estes nenhuma lenda a respeito daquelas colinas. Escavadas, porém, mostraram que os montículos nada mais eram que ruínas formadas pela ação do tempo.

A primeira característica da arte mesopotâmica é que eles construíram em argila, por falta de rochas, e daí o seu caráter transitório. A arte assírio-caldaica não foi, como em quase toda a antiguidade, uma arte fúnebre nem puramente religiosa. A maioria das construções são palácios de reis, ainda que haja também templos. Percebe-se nelas a influência do gênio belicoso dessas populações. Os baixos relevos são sempre representação de caçadas, lutas, etc.

Arquitetura - Desconheceram o arco e empregaram a plataforma reta, porém foi a primeira região a usar a cúpula cilíndrica. Usavam sempre a linha reta, de modo que os edifícios representam sempre um sólido geométrico.

Construções - Os grandes palácios da Mesopotâmia se compunham de muitas salas, e estavam divididos em três partes: 1) aposentos reais; 2) para servos e criados; 3) para as mulheres. Além disto o palácio possuía sempre um templo, que era ao mesmo tempo observatório astronômico. Estes palácios eram defendidos por fortes muralhas, e neles os reis vinham festejar suas vitórias. Construíam-nos sempre em elevações. Dentre os mais célebres citam-se o de Colai (de Assurbanípal) e o de Corsabad (de Sargão); este possuía 209 salas, que ocupavam 7 km2.

Havia ainda os templos, divididos em duas partes: uma destinada aos sacerdotes e a outra formada por pavimentos, representando cada um deles um planeta. Alguns templos tinham 8 andares. O mais célebre templo foi o que Nabucodonosor mandou construir em Babilônia, e que fora destinado a Bel.

Tanto para os palácios como para os templos empregava-se como material a argila, mas interiormente os edifícios apresentavam incrustações em ouro e prata, assim como também a aplicação do mármore. As paredes eram revestidas de mosaicos, ladrilhos policromos esmaltados e baixos relevos. O interior dos palácios era cheio de colunas, que exerciam a função de adornos.

Ao lado dessas duas manifestações devem ser consideradas as muralhas, das quais a mais célebre foi a da Babilônia, que era defendida por torres. Há finalmente a considerar os célebres jardins suspensos, construídos sobre colunas.

Escultura - Foram eles ótimos escultores. Como entre todos os outros povos orientais, a escultura tinha papel secundário, dependente da arquitetura. Na escultura assírio-babilônica notam-se principalmente duas manifestações: touros alados e baixos-relevos.

Os touros alados eram esculturas do mesmo gênero que as esfinges do Egito, formados de um corpo de touro com cabeça de homem e um grande par de asas. Essas asas simbolizavam a proteção, e por isso o touro alado era tido como protetor, e era colocado formando seqüência, uma grande avenida à entrada dos templos e palácios. Possuía o touro 5 pernas, e faziam-no assim para que, visto de frente, desse a impressão de estar parado, e visto de perfil desse a impressão de movimento. Estes touros não eram construídos de argila, e sim de granito, trazido das regiões montanhosas. São célebres os touros do palácio de Sargão.

Os baixos-relevos são as mais notáveis esculturas, quanto à representação do movimento. Pode-se dizer mesmo que na época nenhum outro povo soube fazê-los com maior talento. São sobretudo importantes os baixos relevos representando animais. Há nestas esculturas muita influência do gênio belicoso dos dois povos.

Pintura - Ignoravam, como os egípcios, a perspectiva e a sombra, mas conheciam melhor a arte de decorar. Encontram-se nos templos e palácios azulejos decorados. Conheceram muito bem a arte da tapeçaria, sendo menos notável a joalheria.

Ciência - As ciências mais cultivadas pelos assírios e babilônios foram a matemática e a astronomia. Dividiram a circunferência em 360 graus, o dia em 24 horas e o ano em 13 meses lunares. Determinaram os eclipses da lua e distinguiam os signos do zodíaco. Cultivaram também a medicina.