5
de junho de 1994
Conferência
no Encerramento do Encontro Correspondentes e Esclarecedores
[Sem revisão de seu autor]
Constato,
com satisfação, que o nosso auditório de Nossa Senhora Auxiliadora está tão
cheio quanto poderia estar, e que a ele confluíram, portanto, Correspondentes e
Esclarecedores do norte do estado do Rio, de Minas Gerais, de outros lugares
enfim. E assim, amigos e admiradores da TFP de várias fontes e várias origens,
mostrando cada vez mais como este movimento que é todo existente para a glória
de Nossa Senhora e para a implantação do Reino dEla nessa Terra, para a derrota
dos inimigos dEla, portanto, nesta Terra e para o esmagamento total da
Revolução gnóstica e igualitária que arrasta o mundo
todo para o mal, como nós vemos nos dias de hoje, como a mensagem de Fátima
eloqüentemente nos ensina.
Tendo
isto em consideração e visto que o burburinho se aquieta, visto que também
começamos tarde a nossa reunião, eu já começo a falar desde agora e me
empenharei em tratar do assunto de que tratarei com a maior brevidade possível,
tomando em consideração os horários que os senhores têm para o regresso aos
respectivos lugares de origem para voltarem amanhã para a vida de todos os
dias.
Esses
dias de presença em São Paulo com os Correspondentes de todos os lugares
representa uma espécie de parênteses luminoso na vida de cada um. Na vida de
cada um nós estamos postos – está dito na expressão "vida de cada
um" – , estamos imersos na vida
cotidiana, no tran-tran da vida de todos os dias,
enfrentando os mesmos obstáculos, passando pelas mesmas tentações, tendo que
vencê-las com os mesmos riscos, com os mesmos esforços, com os mesmos
sacrifícios, recebendo também de Nossa Senhora as mesmas ou até crescentes
graças, e alcançando assim de cada vez mais esmagar a cabeça do demônio. Nós
vamos nesta caminhada tentando trucidar a Revolução e afirmar a vitória da
Contra-Revolução.
Mas
isto no cotidiano, isto na vida de todos os dias apresenta aspectos difíceis,
aspectos cansativos, aspectos por assim dizer poeirentos, porque há qualquer
coisa de poluído, qualquer coisa de fuliginoso na atmosfera de nossos dias, por
onde as pessoas se sentem como que envolvidas numa trama, na qual não gostariam
de estar, que tenta arrastá-las para onde não querem ir, que tenta levar os
acontecimentos para onde não devem ir, e é nessa luta contínua que os nossos
dias vão se escorrendo tediosamente, grandiosamente.
Grandiosamente
porque é magnífica essa luta; tediosamente porque o tédio é um dos aspectos
dessa luta. A pontinha de encrenca, a pequena dificuldade com aquela colega,
com aquele conhecido, com aquele parente, com aquele filho semi-extraviado
pelos erros modernos, com aquela filha que começa a delirar diante dos costumes
modernos e da atração da vida moderna, o querer segurar continuamente junto a
Nossa Senhora ou fazer voltar para junto a Nossa Senhora aqueles que querem
delirantemente às vezes saltar as barreiras e cair no mundo de pecado, tudo
isto é difícil.
Por
causa disso, eu julguei que o melhor seria nós nos animarmos por essa vida
contínua que amanhã nos estará – gloriosamente eu digo, porque isto é uma
glória –
emergindo nesta batalha contínua mas sempre vitoriosa.
Eu
achei que valia a pena nós conversarmos no nosso último colóquio a respeito de
um tema que, debaixo de certo ponto de vista, é o tema dos temas. É Nossa
Senhora de Fátima, sua aparição, suas comunicações, e fazermos alguns
comentários colaterais. [Aplausos]
Eu
vejo bem que dado o volume das revelações de Fátima, difundidas no esplêndido
volume de coletânea e ordenação destas aparições pelo meu amigo e valoroso
sócio da TFP, Dr. Antônio Augusto Borelli Machado.
Seja
dito entre parênteses que é um motivo de alegria para nós saber que, nesse
mundo de hoje, esse trabalho nas várias línguas em que foi traduzido está para
alcançar dois milhões de exemplares difundidos.
É
extraordinário que num mundo onde a literatura pornográfica, a literatura
atéia, a literatura revolucionária alcança tanta saída, entretanto, pela graça
de Nossa Senhora de Fátima, um livro sobre um tema tão nobre, tão elevado, tão
puro, tão austero, consegue um sucesso desses. Sendo que em grande parte isto se
deve ao trabalho dos senhores Correspondentes e das senhoras Correspondentes do
Brasil, que tão valorosamente têm trabalhado pela propagação desse volume aqui
entre nós.
Eu
dou graças a Nossa Senhora por toda essa expansão, e peço a Ela em nome de
todos os que estão aqui presentes que alcance ainda uma expansão muito maior,
para que se possa dizer que, no meio da tempestade de hoje, a TFP foi a grande arauta da mensagem dEla nos povos de hoje.
O
método que eu vou adotar para a exposição é o seguinte: eu não vou ler todas as
partes da mensagem, mas vou só ler aquelas que eu resolvi destacar para
comentar. Então não vai a mensagem inteira, composta pelo texto de várias
aparições. Eu não vou ler nenhum texto de aparição inteiro, eu vou ler
fragmentos que mais provocam, mais convidam a um certo comentário, em nossos
dias, particularmente útil. E peço, para maior variedade no desenvolvimento do
tema, que um eremita já encarregado para isso se levante para ler os textos, e
eu, por minha vez, irei fazer um comentário a cada texto.
Antes
de começar a leitura da primeira mensagem, da primeira comunicação a que Fátima
deu ocasião – comunicação entre o Céu e a Terra – da
parte de Nossa Senhora, quer dizer, a aparição do Anjo, eu gostaria de fazer um
pequeno comentário a respeito do seguinte: mais ou menos a partir da Revolução
da Sorbonne nós notamos uma difusão pelo mundo de uma espécie de revolução que
já tomou nome, todo o mundo sabe que ela está se espraiando pela Terra inteira.
Ela tem o nome de que os senhores já ouviram falar, pelo menos a maior parte
dos senhores já ouviu falar com certeza. É a revolução dita Revolução
Cultural, cuja característica consiste no seguinte: toda a Revolução é uma
mudança, uma mudança violenta e contra a ordem. Uma mudança pode não ser contra
a ordem, pode não ser violenta. A Revolução é uma mudança, mas ela é uma
mudança que se caracteriza das outras por ser violenta e por ser contra a
ordem.
A
Revolução da Sorbonne, no famoso instituto de cultura da França, um dos mais
famosos do mundo, foi uma explosão de indignação, de inconformidade da
juventude daquele tempo contra especificamente tudo quanto é ordenado, tudo
quanto é belo, tudo que é conforme ao bom senso. Foi uma explosão de anti-bom senso, uma explosão de anti-senso
estético, que fez com que começasse a nascer, a partir daí, manifestações ditas
artísticas, mas que só podem ser chamadas artísticas no sentido de que versam
sobre a arte, que têm a arte como tema. Porque, de fato, se nós reconhecemos
como verdadeiro sentido da arte a expressão do belo, são revoluções antiartísticas, antipulcras, anticulturais, portanto, são portadoras de uma cultura anticultural.
Essa
Revolução da Sorbonne se caracterizou pela adoção imediata de modas masculinas
e femininas proletarizantes, que não visavam de
nenhum modo – no que diz respeito à moça –
realçar de forma cheia de pudor, o recato e o encanto que Deus quis pôr
no sexo ao qual pertence à Sua indizivelmente perfeita, santa e boa Mãe, Nossa
Senhora.
Pelo
contrário, essa Revolução lançou uma moda que masculiniza a mulher, que lhe
tira, portanto, a delicadeza e a beleza, tanto quanto possível. Introduz
sistemas de vestir-se, sistemas de decorar espantosos, meio surpreendentes,
meio estertorosos, dando origem a toda uma estética deformada, que nós podemos
chamar de contra-estética, de antiestética.
Logo
depois começou o rock and roll, que está para a Revolução Cultural, mais
ou menos como a "Marseillaise" está para a
Revolução Francesa, a famosa marcha dos expedicionários do Reno de Rouget de Lisle, composta durante
a Revolução Francesa. Os acordes dela de tal maneira se conjugam com o espírito
maldito da Revolução Francesa, que basta a gente ouvir os primeiros acordes da
"Marseillaise", que já compreende que está
em presença da música da Revolução por excelência.
Embora
nessa música converge traços de beleza, ela de si tem qualquer coisa que é,
dentro da beleza, um qualquer esgar, uma qualquer caricatura de sua própria
beleza, e qualquer coisa de estertorante, qualquer
coisa que faz pensar nos tormentos eternos do Inferno, dentro mesmo da marcha
cadenciada e cheia de ânimo que caracteriza os acordes da "Marseillaise".
Assim
também o novo hino da nova Revolução se caracterizou pela mesma coisa. É um
hino com dança. A "Marseillaise" não é
dançada, é marchada, é uma marcha militar. Essa é, pelo contrário, uma dança, e
é a dança da loucura, do esfilparramento, da
desagregação de todas as coisas. É o Rock
and roll around the clock, que deu origem a
uma série de sistemas musicais, modificações, e que originou essa barulheira
chamada a música moderna.
Nós
poderíamos multiplicar os exemplos assim mais ou menos ao infinito, com as
extravagâncias da arquitetura moderna e de tudo aquilo que de lá para cá se tem
consignado com o adjetivo de moderno.
Nós
devemos notar que em Fátima a primeira manifestação do interesse, da bondade de
Nossa Senhora e do desvelo de Nossa Senhora pelo gênero humano, especialmente
pela Igreja Católica, se deu com uma extraordinária manifestação de beleza. E
enquanto o mundo se preparava para entrar na IV Revolução, essa extraordinária
manifestação de beleza se apresenta como um último chamado, uma última clarinada, um último brado materno: "Meu filho, não
sejas tão louco, não te atires por lá. A beleza tem outros rumos, tem outro sentindo.
Vou-lhe apresentar um figurino disso".
Esse
é um dos sentidos da aparição do Anjo. As palavras que o Anjo disse para os
três pequenos pastores são como que autônomas neste sentido. Ele fala outras
coisas que veremos daqui a pouco, mas de qualquer maneira esta beleza com que
ele aparece é uma espécie de protesto mudo e de convite: "Beleza é por
aqui, é nesta escola, é nesta linha. Abandonai as hediondeses
da loucura, com estas não se vai".
PARTE I
Aparições do Anjo de Portugal
Antes das aparições de Nossa Senhora, Lúcia, Francisco e Jacinta – Lúcia de Jesus dos Santos, e seus primos
Francisco e Jacinta
– tiveram três visões do Anjo de
Portugal, ou da Paz.
Por
que um Anjo? Porque sempre Deus é o Senhor supremo, Rex
regnum et Dominus dominantium, Rei dos reis e Dominador dos que possuem
qualquer forma de domínio, Ele está acima de todos. E por causa disso, em
grande número de manifestações do Céu, Ele aparece não falando diretamente, não
tratando diretamente, mas mandando falar ou tratar por meio de emissários dEle.
Emissários altíssimos, são Anjos, superiores aos mais altos homens a perder de
vista, mas infinitamente abaixo do trono de Deus, com O qual ninguém tem
comparação.
Nós
notamos esse princípio nas aparições de Fátima.
Aparece
primeiro um Anjo. Um Anjo que é tal, que se nós o víssemos assim poderíamos à
primeira vista talvez imaginar que é o próprio Deus. Não era, e ele disse
claramente que se tratava de um Anjo.
Depois
de aparecer três vezes o Anjo, vem Nossa Senhora, Regina angelorum,
Rainha de todos os Anjos, superiores a eles sem conta, porque Ela é Mãe de
Deus. Mas, apesar de tudo, Ela não é Deus.
No
fim, de um modo maravilhoso, alguma coisa do próprio Deus aparece.
É
a hierarquia que nos deve ser tão cara, a hierarquia de todas as criaturas, que
se desdobra a partir da supremacia, da majestade suprema dAquele
que é tudo. É a ordem hierárquica do universo que se manifesta nestas aparições
ordenadas de Fátima, e que me compraz acentuar aos senhores, porque nos ajuda a
amar esta ordenação, que faz com que precisamente nas lutas desta Terra, nossa
luta legal, ideológica e pacífica pode definir-se em boa medida nessas
palavras: é a luta da ordem contra a desordem, da hierarquia contra a
Revolução, do bem contra o mal, de Deus contra aquele que se revoltou contra
Deus, esse que não queria que houvesse seres superiores a ele: Satanás.
Então
vamos ver como é essa primeira manifestação de pulcritude,
de beleza, na primeira clarinada dessa série de
graças que o mundo decadente – e que decaiu até onde decaiu agora –
estava.
Primeira aparição do Anjo
A primeira aparição do Anjo deu-se na primavera ou no verão
de 1916, numa loca (ou gruta) do outeiro do Cabeço, perto de Aljustrel, e desenrolou-se da seguinte maneira, conforme
narra a Irmã Lúcia:
"Alguns momentos havia que jogávamos, e eis que um
vento forte sacode as árvores e faz-nos levantar a vista para ver o que se
passava, pois o dia era sereno. Então começamos a ver, a alguma distância,
sobre as árvores que se estendiam em direção ao nascente, uma luz mais branca
que a neve, com a forma de um jovem transparente, mais brilhante que um cristal
atravessado pelos raios do sol.
"À medida que se aproximava, íamos-lhe
distinguindo as feições: um jovem dos seus 14 a 15 anos, de uma grande beleza.
Estávamos surpreendidos e meio absortos. Não dizíamos palavra.
"Ao chegar junto a nós, disse:
– Não temais. Sou o Anjo da Paz. Orai comigo.
"E ajoelhado em terra, curvou a fronte até o chão.
Levados por um movimento sobrenatural, imitamo-lo e repetimos as palavras que
lhe ouvimos pronunciar:
– Meu Deus! Eu creio, adoro, espero e amo-Vos. Peço-Vos perdão para os
que não crêem, não adoram, não esperam e Vos não amam.
"Depois de repetir isto três vezes, ergueu-se e disse:
– Orai assim. Os Corações de Jesus e Maria
estão atentos à voz das vossas súplicas.
"E desapareceu.
"A atmosfera sobrenatural, que nos envolveu, era tão
intensa, que quase não nos dávamos conta da própria existência, por um grande
espaço de tempo, permanecendo na posição em que nos tinha deixado, repetindo
sempre a mesmo oração. A presença de Deus sentia-se tão intensa e tão íntima,
que nem mesmo entre nós nos atrevíamos a falar. No dia seguinte, sentíamos o
espírito ainda envolvido por essa atmosfera, que só muito lentamente foi
desaparecendo.
"Nesta aparição, nenhum pensou em falar, nem em
recomendar o segredo. Ela de si o impôs. Era tão íntima, que não era fácil
pronunciar sobre ela a menor palavra. Fez-nos talvez também maior impressão,
por ser a primeira assim manifesta".
Os
senhores estão vendo a beleza de tudo. Três criancinhas num prado, diz aí
"jogávamos". “Jogávamos” é uma expressão daquela zona para indicar
que brincavam jogos infantis. Eles brincavam quando o vento soprou.
O
vento soprou e elas levantaram a cabeça para ver o que era. Ao levantar a
cabeça, um certo núcleo luminoso começou a lhes aparecer no fundo do horizonte
e foi ficando mais perto, de maneira tal que, em determinado momento, puderam
ver que aquilo tinha uma forma humana. Tinha forma humana de um jovem, e de um
jovem de uma extraordinária formosura. Não feito de carne, não feito de osso;
parecia feito de uma matéria que se diria quase matéria sobrenatural. A
descrição está muito bem feita: era como se ele fosse de cristal.
Pode-se
imaginar mais adequada descrição de um Anjo do que imaginado de cristal? Puro
como o cristal, leve como o cristal, encantador como o cristal, mas
essencialmente transparente. De maneira tal que é como o cristal, feito para se
ver além dele. O Anjo é um cristal, uma lupa para se ver mais de perto a Deus,
para se ter uma melhor idéia de Deus. Mas isso em que expressões de beleza.
Na
realidade, a Irmã Lúcia conclui que a presença de Deus... – Deus não apareceu,
mas Ele deixou sentir Sua presença – a simples presença de Deus naquelas
crianças, entretanto muito criancinhas e, portanto, ignorantes de tudo quanto é
um pouco mais desenvolvido de nossa religião, produziu um tal efeito nas
crianças, que elas primeiro compreenderam que era para não falar com ninguém,
se bem que a aparição não lhes recomendou o segredo. Não recomendou, mas fez
muito mais do que recomendar.
Impôs?
De algum modo sim. Elas não conseguiriam falar porque a presença de Deus estava
de tal maneira ainda marcando as suas almas, que elas entendiam que sobre essa
presença não se fala com ninguém. Mais ainda: o que está dado a entender é que
se sobre isto falaram uns com os outros, as três crianças, falaram muito
pouquinho. A voz do silêncio era o melhor comentário para aquilo que se tinha
passado.
Mas
era o primeiro fulgor do quê? Contra a revolução da feiúra, do hediondo, do
pecado, a contra-revolução da castidade, a contra-revolução da pureza, a
contra-revolução de tudo que é transparente para Deus e através do que a luz de
Deus se comunica aos outros homens.
Haverá
uma coisa mais bela, mais convidativa do que isto para formar o espírito num
sentido contrário à Revolução que estamos presenciando atualmente, a Revolução
Cultural?
Segunda aparição do Anjo
A segunda aparição deu-se no verão de 1916. Assim narra a
Irmã Lúcia o que o Anjo lhes disse:
– Que fazeis? Orai! Orai muito! Os Corações
Santíssimos de Jesus e Maria têm sobre vós desígnios de misericórdia. Oferecei
constantemente ao Altíssimo orações e sacrifícios.
– Como nos havemos de sacrificar? –
perguntei.
– De tudo que puderdes, oferecei a Deus um
sacrifício em ato de reparação pelos pecados com que Ele é ofendido e de
súplica pela conversão dos pecadores. Atraí assim sobre a vossa pátria a paz.
Eu sou o Anjo da sua guarda, o Anjo de Portugal. Sobretudo aceitai e suportai
com submissão o sofrimento que o Senhor vos enviar.
"E desapareceu.
Não
diz "que vos enviará", diz "que vos enviar", para não
assustar as crianças. Mas evidentemente esta preparação para o sofrimento se dá
porque tudo fala de sofrimento nessa aparição. Aparece, na primeira vez, um
Anjo esplendoroso; na segunda aparece algo de mais esplendoroso do que um Anjo,
mas por detrás de véus. O que é que aparece? Aparece a cruz.
O
Anjo na sua pulcritude, na sua beleza, prepara as
almas com alegria para um grande ideal. É o ideal da santidade.
Mas
na segunda aparição está dito: "Realmente, é belíssimo. Mas, prestai
atenção, primeiro Deus Vos ama de um modo especial. Ele Vos ama de um modo
especial e por isso tem as vistas com olhares de misericórdia sobretudo sobre
vós". Isso faz compreender o começo das palavras do Anjo: "Não
temais".
É
que esse Anjo era tão esplêndido, a natureza angélica é tão esplêndida, que
quando o Anjo Gabriel apareceu a Nossa Senhora e falou a Ela, Ela que era Ela,
Ela teve uma reação pela qual o Anjo disse: "Não temas, ó Maria".
Quer dizer, procurou dissuadí-la, a Ela que tudo não
é senão perfeição, procurou dissuadí-la do temor, tal
a grandeza e o esplendor do Anjo. Aí ele disse quem ele era e qual era a
mensagem de que ele estava encarregado.
Aqui
também, ele apareceu, os senhores estão vendo que as crianças não ficaram
propriamente amedrontadas, mas ficaram imponentizadas,
por assim dizer. A imponência do Anjo, o esplendor do Anjo os fez sentirem-se
pequeninos. Sem ficarem humilhados, ficaram humildificados.
A humildade os encheu, o recolhimento abateu neles a natural distração e
superficialidade da infância.
O
Anjo fala a respeito de várias coisas, Deus quer isto, quer aquilo, quer aquilo
outro. É o preço que Deus pede. Ele começou dizendo tudo quanto dá, mas depois
ele diz: "Mas eu peço algo".
Pede
o quê? Em última análise é a cruz. O dia inteiro estarem pensando nessa
mensagem, estarem pensando nos pecados dos homens que levaram a tornar
necessária essa reparação, o quanto Deus é ofendido, e, portanto, no valor que
tem todo o ato de reparação que uma pessoa pode oferecer.
Ele
deixa bem claro um ponto que causa surpresa, mas que tem um sentido psicológico
profundo.
Ele
mostra aos meninos que eles têm na reparação um papel profundo, têm muito que
ajudar para reparar. Mas é por que eles são muito bons? É por que eles têm
grandes qualidades?
Dir-se-ia
que o Anjo teme a megalice deles. É Deus, que através
do Anjo, conhecendo a fraqueza humana, sabe quanto o homem é sujeito a toda a
forma de megalomania, e por causa disso, Pastor eterno e vigilante, se lembra
de dizer as coisas de maneira a evitar os delírios da mente do homem nascido no
pecado original. Então deixa bem claro que Deus tem os olhos voltados sobre
eles, mas por desígnio de misericórdia, é por bondade de Deus.
Não
dá como razão que eles são muito puros, não dá como razão que eles são muito
piedosos, não dá como razão que eles guardaram a inocência. Não. É porque Deus
é bom, que olhou para eles.
As
outras razões existirão, e a gente vê que existem, que é evidente que Deus amou
a pureza deles, que Deus amou a inocência, que amou neles tudo quanto é patente
que amou, mas não quis dizer isto a eles. Disse a eles que é da bondade de
Deus, que nos convida muito mais a amá-Lo do que toda
a glorificação de nossa bondade.
Com
efeito, se eu dissesse: "Deus é bom para mim porque eu fiz muito por
Ele", suposto que eu tivesse feito muito, eu estaria dizendo: "Eu
comecei por ser nas relações Deus-eu o bom, eu fiz
muita coisa. Agora, Deus como é bom, me agradeceu a mim e me ficou querendo
bem. O benfeitor inicial fui eu e aí seguiram-se as relações com Ele".
É
um absurdo! O benfeitor inicial é sempre Deus, e nós somos uma conseqüência,
nós somos um ressoar daquilo.
Isto
fica dito muito ligeiramente, mas fica patente nesse diálogo, nessa dialogação.
Depois
vem então, a Lúcia, se não me engano é ela, faz a pergunta:
– Mas
como é que nós havemos de fazer sacrifícios?
A
resposta é:
– De
todos os modos.
É
possível que ouvindo essas expressões, é possível que os senhores também se
tenham perguntado: "Mas como é como nós havemos de nos sacrificar?"
Eu
fazendo eco – como todo o fiel deve fazer – à
voz do Anjo, diria: "De todos os modos". Mas eu acrescentaria:
"Para nós, da TFP, existe um modo especial, existe uma reparação especial.
Esta nós a devemos oferecer torrencialmente". E eu daqui a pouco direi no
que é que é que consiste isso.
Onde
eu quero chegar no momento é essa idéia de que a reparação sendo muita, pode
obter de Deus uma atenuação, uma dulcificação dos
castigos que Ele prepara para a Humanidade [caso esta continue a não dar
ouvidos à Mensagem de Nossa Senhora em Fátima]. Não fala propriamente em perdão,
Ele fala em dulcificação. Mais adiante a linguagem se
torna mais próxima do perdão; por enquanto ela é muito discreta, ela fala de dulcificação.
Uma
dulcificação se apresenta e pede a eles que
concorram, que contribuam, e que contribuam de todas as maneiras e a todos os
instantes. Depois fala da doença.
É
curioso que a doença cai dentro de não muito tempo sob duas das crianças: Jacinta morre e morre o Francisco. Lúcia, que haveria de
viver até agora e até quando Deus quiser, Lúcia, pelo contrário, não se fala de
doença. Não se fala, portanto, de uma espécie de martírio para sofrer logo;
fala-se de alguma outra coisa misteriosa, que depois se compreenderá o que é.
É
o cumprimento da missão dela, que deve fazê-la sofrer muito. A missão de ser a
portadora do segredo de Deus, deste segredo que os homens não querem ouvir, ou
se querem ouvir, querem na esperança de que seja um segredo agradável de ouvir,
porque o homem de hoje só quer saber de coisas agradáveis, não quer saber de
outras coisas. Ela tem a incumbência de levar esse segredo incólume até ao
momento em que seja preciso rasgar o envelope em que o segredo está escrito e
será lido.
Mas
esse segredo jaz no Vaticano num móvel ou num
armário, do qual disse – se não me engano – o Cardeal Otavianni
que é um desses poços profundos onde as coisas caem e não saem. Ali está esse
segredo. É um modo de dizer que só sairá por ordem expressa do Papa em
circunstâncias muito especiais.
Quantas
vezes a Irmã Lúcia terá sido interrogada? Quantas vezes ela terá recebido consultas
diretas do Vaticano sobre um ponto ou outro do segredo? Quantas vezes ela terá
tido que lutar para manter que o segredo dizia A e não B? Pecável
como ela é, ela terá lutado sempre com a energia de quem cumpre indomavelmente
a sua missão?
São
problemas para os quais nós não temos resposta, só a teremos em momento
oportuno. Mas fica ali à mostra esta idéia: que é preciso uma grande penitência
para reparar os pecados dos homens.
Eu
pergunto: para nós, no que é que consiste essa penitência?
Se
os senhores prestarem atenção em torno de si
– e o senhores é no plural, que
naturalmente envolve também as senhoras, e, portanto, significa os senhores e
as senhoras – vão notar o seguinte: que se os senhores a
todos os momentos procederem de um modo completamente reto, em pouco tempo se
notará que são católicos. Não que são católicos de água de barrela, destes que
se encontram à saída das missas com as famílias trajadas indecentemente, eles
próprios com umas roupas esportivas que degradam a natureza humana, porque são
esportivas de um modo degradante. Não por que são esportivas, mas porque o são
de um modo degradante. Saem do Santo Sacrifício, onde se aproximaram da mesa
eucarística nesses trajes inconvenientes, saem e lá vão se espichando pelas
delícias da vida de um dominguinho morno. Não é
desses que eu quero falar. Esses aí pertencem a outra grei. Eu quero falar de
outra coisa.
Por
toda a parte onde os senhores se manifestarem católicos declarados, os senhores
vão encontrar gente que lhes será inimiga.
Alguns
serão inimigos ostensivos, então dizem alguma coisa na hora:
– Ah,
eu não acho.
Por
exemplo, o quê?
– Eu
proíbo os meus filhos de assistirem televisão.
Uma
senhora diz:
– Ah,
não diga. Coitadinhos, já tão pequininhos
e uma proibição?
– Não,
mas a proibição é para [o bem] deles.
– Não, coitadinhos, eles são inocentinhos.
Eu não penso assim de meus filhinhos, eu penso que
eles são tão inocentinhos que podem ver qualquer
coisa, e por isso não privo a eles desse prazer.
O
que quer dizer de um modo viperino o seguinte: "Seus filhos podem ser
ruins, os meus são uns anjinhos. E como são anjinhos – os
Anjos não são assim – , eles gostam de
ver cena de crime, gostam de ver cenas de imoralidade, se distraem em ver tudo
aquilo que não deve ser visto e não sentem a mínima atração. Os seus não, são
uns vermezinhos ruins, eles vêem qualquer coisa ruim
e já se atiçam. Mas eu sou a mãe boa e feliz, e tenho os filhos bonzinhos que não precisam de reprimenda".
O
que equivale a dizer: "Você é ruim, atrasada,
rançosa, enquanto eu sou boa, sou liberal e sou arejada. Felizes os filhos que
têm uma mãe como eu e infelizes os filhos que têm uma mãe como você". Isto
é o fundo do dito.
O
que equivale a dizer em outros termos: "Felizes
os filhos... [Vira a fita] ...uma mãe que segue uma religião antiga e rançosa
que já acabou, que já não existe mais e que sofrem, portanto, o jugo da moral.
A moral é um jugo. Na imoralidade e na liberdade os meus filhos encontram a
santidade".
Aqueles
que têm encontrado uma insinuação assim no seu caminho queiram levantar o
braço.
A
sala quase inteira. Vejam como isto é freqüente.
Qual
é o sacrifício que a gente tem que oferecer aí? Qual é o ato de reparação?
Aquela
pessoa pensando de um modo revolucionário como pensa, faz uma injúria a Deus,
porque a doutrina católica verdadeira é a doutrina católica tradicional. E se
uma pessoa adota uma doutrina pseudocatólica, a
doutrina progressista, ela faz uma ofensa a Deus. Então Deus quer que um filho
que O ame nesta hora tome a posição oposta e diga com coragem: "Eu não
penso assim. O Profeta Isaías diz: ‘O pai que poupa a
vara a seu filho odeia seu filho’. Você, Fulana, tome cuidado com o Profeta Isaías, hein! Ele de repente
aparece com a vara em cima de você. Se você aparece assim tão ‘boa’ e tão
‘boa’, ele diria que você é má, hein! Será que o
Profeta Isaías está errado e você é que está certa,
é? Ehehe!... [Aplausos]
Os
senhores sabem que isto daria uma verdadeira indignação a algumas pessoas.
A
resposta que eu dou para mim e que os senhores devem dar para si é: "Eu
estou atraindo sobre mim ódios? Estou. Então estou imitando Nosso Senhor Jesus
Cristo. Vamos para a frente".
Quando
os senhores quiserem à noite fazerem seu exame de consciência, procurem quantas
vezes enfrentaram assim a Revolução, oferecendo a Nosso Senhor por meio de
Nossa Senhora, sem cujo o intermédio nada chega a Ele que Lhe agrade. Por meio
de Nossa Senhora oferecemos ou não oferecemos o sacrifício de, em todas as
ocasiões em que encontramos o demônio encastelado atrás de um pretexto, nós [rechaçarmos
um e outro].
Quer
dizer, [no que consiste este rechaço]? É a nossa resposta. Uma resposta polida
mas inteligente, que rechaça mesmo e que ajuda a fazer afugentar o adversário.
Terceira aparição do Anjo
"Logo que aí chegamos, de joelhos, com os rostos em
terra, começamos a repetir a oração do Anjo: ‘Meu Deus! Eu creio, adoro, espero
e amo-Vos, etc.’ Não sei
quantas vezes tínhamos repetido esta oração, quando vemos que sobre nós brilha
uma luz desconhecida. Erguemo-nos para ver o que se passava, e vemos o Anjo
trazendo na mão esquerda um cálice e suspensa sobre ele uma Hóstia, da qual
caíam dentro do cálice algumas gotas de Sangue.
É
o precioso sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Deixando o cálice e a Hóstia suspensos no ar, prostrou-se em
terra junto de nós e repetiu três vezes a oração:
– Santíssima Trindade, Padre, Filho, Espírito
Santo, adoro-Vos profundamente e ofereço-Vos
o Preciosíssimo Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Jesus Cristo, presente em
todos os sacrários da terra, em reparação dos ultrajes, sacrilégios e
indiferenças com que Ele mesmo é ofendido. E pelo méritos infinitos do seu
Santíssimo Coração e do Coração Imaculado de Maria, peço-Vos
a conversão dos pobres pecadores".
Depois, levantando-se, tomou de novo na mão o cálice e a
Hóstia, e deu-me a Hóstia a mim e o que continha o cálice deu-o a beber à Jacinta e ao Francisco, dizendo ao mesmo tempo:
– Tomai e bebei o Corpo e o Sangue de Jesus
Cristo horrivelmente ultrajado pelos homens ingratos. Reparai os seus crimes e
consolai o vosso Deus".
De novo se prostrou em terra e repetiu conosco mais três
vezes a mesmo oração: "Santíssima Trindade... etc." e desapareceu.
Levados pela força do sobrenatural, que nos envolvia,
imitávamos o Anjo em tudo, isto é, prostrando-nos como ele e repetindo as
orações que ele dizia. A força da presença de Deus era tão intensa, que nos
absorvia e aniquilava quase por completo. Parecia privar-nos até do uso dos
sentidos corporais por um grande espaço de tempo. Nesses dias fazíamos as ações
materiais como que levados por esse mesmo ser sobrenatural que a isso nos
impelia. A paz e a felicidade que sentíamos era grande, mas só íntima,
completamente concentrada a alma em Deus. O abatimento físico que nos prostrava
também era grande.
Está
terminada a descrição desta coisa sublime, que é a preparação feita por um Anjo
de três almas incumbidas de uma missão profética para o mundo contemporâneo.
Ele preparou por esta forma, dizendo essas coisas, aparecendo desta maneira, e
ele mesmo, por missão divina, deu a primeira comunhão a essas almas inocentes.
Está
indicado, por esta forma, qual é o caminho pelo qual as almas devem preparar-se
para a vida eucarística. Devem preparar-se para a vida eucarística todos os
dias, preparando-se pela idéia do sofrimento, pela idéia da luta [como acima
foi explicada]. E não é só pela idéia, mas é pela luta efetivamente realizada,
pelo que eu chamaria de corpo-a-corpo invencível
contra a Revolução.
Se
em todos os lugares do mundo onde se ama a Deus se faz por toda a parte isto
contra a Revolução, esse perfume deste sacrifício oferecido tem diante de Deus
um bom odor tal, que a Contra-Revolução pode vencer.
Então,
o que resta para nós é ver depois Nossa Senhora o que tem que recomendar a
essas almas.
II
Aparições da Santíssima Virgem
Primeira aparição: 13 de maio de 1917
Brincavam os três videntes na Cova da Iria quando observaram
dois clarões como de relâmpagos, após os quais viram a Mãe de Deus sobre a
azinheira. Era "uma Senhora vestida toda de branco, mais brilhante que o
sol, espargindo luz mais clara e intensa que um copo de cristal cheio de água
cristalina, atravessado pelos raios do sol mais ardente", descreve Lúcia.
Sua face, indescritivelmente bela, não era "nem
triste, nem alegre, mas séria", com ar de suave censura. As mãos juntas,
como a rezar, apoiadas no peito e voltadas para cima. Da mão direita pendia um
rosário. As vestes pareciam feitas só de luz. A túnica era branca, e branco o
manto, orlado de ouro, que cobria a cabeça da Virgem e Lhe descia aos pés. Não
se Lhe viam os cabelos e as orelhas. Os traços da fisionomia, Lúcia nunca pôde
descrevê-los, pois foi-Lhe impossível fitar o rosto
celestial, que ofuscava. Os videntes estavam tão perto de Nossa Senhora – a um
metro e meio de distância, mais ou menos
– que ficavam dentro da luz que A
cercava, ou que Ela espargia.
Imaginem
um metro e meio de Nossa Senhora.
Os
senhores não acham extraordinário um metro e meio de Nossa Senhora? Está bem, e
Nosso Senhor dentro de nós todo o dia? Se
pensássemos nisso na hora da Comunhão...
Os videntes estavam tão perto de Nossa Senhora – a um
metro e meio de distância, mais ou menos
– que ficavam dentro da luz que A
cercava, ou que Ela espargia. O colóquio desenvolveu-se da seguinte maneira:
Seria
melhor, apesar da pressa em que estamos, de dizer uma palavra de comentário
sobre isso que se poderia chamar em francês mise
en scène, da encenação,
quer dizer, do cenário que Nossa Senhora compôs para aparecer adequadamente
dentro dele.
Tudo
é branco, tudo é alvo, de maneira que está dito de todos os modos possíveis:
pureza. Ela é a Virgem das virgens, Ela é pura, Ela – segundo o "Ave Maris Stella" – se tornou
porta do Céu permanecendo sempre virgem. Quer dizer, por Ela penetrou no mundo
Cristo, Nosso Senhor, descido do Céu, e a virgindade dEla não foi atingida em
absolutamente nada. Então pura completamente, querendo atrair pela pureza,
querendo encantar pela pureza.
Os
senhores vejam bem, então, como são
– eu prometi comentários
colaterais, eu estou fazendo os comentários colaterais – as
táticas de apostolado verdadeiras. Nossa Senhora querendo aparecer e querendo
atrair, Ela faz valer a pureza e faz sentir a beleza da pureza.
Nós
não devemos cair no erro de vestir coisas duvidosamente puras e, portanto,
positivamente impuras, nós não devemos vestí-las para
atrair, para as pessoas simpatizarem conosco. Não, o apostolado da pureza para
levar as pessoas a serem puras consiste em mostrar a beleza da pureza.
Alguém
poderia dizer: "Mas, Dr. Plinio, nós nem o reconhecemos no primitivismo desse seu comentário. Então, para uns pastoresinhos cândidos da Serra [Cova] da Iria, Nossa
Senhora se apresentava na pureza. Eles eram puros, os puros gostam dos puros,
era natural que Ela aparecesse para eles pura. Mas para este mundo impuro Ela
deveria pelo menos não levantar a questão da pureza. Isso é diferente, a interlocução dEla com pastoresinhos
e a interlocução dEla com este oceano de impureza que
já era o mundo em 1917 quando Ela apareceu e quando Ela se queixou da impureza
que dominava a Terra".
Eu
respondo: Ela apareceu na Cova da Iria certa de que aquelas crianças a
descreveriam como Ela estava ali. E, portanto, contariam como tudo nEla era branco, tudo nEla era
alvo, mais alvo do que a neve, está descrito. Era alvo e era luminoso. A
impureza é cheia de trevas, ela procura as trevas para fazer mais à vontade a
abominação das suas obras. A pureza não, a pureza ama a luz do dia, a pureza é
correlata com a claridade, é correlata com o ar livre, é correlata com as
coisas que são arejadas. Esta é a pureza.
Então
Nossa Senhora falava para um mundo impuro usando todos os símbolos da pureza.
Era para convidar os três pastoresinhos só, ou era
para que os pastoresinhos contassem os trajes
magníficos e suntuosos de pureza que Ela usou? Pureza que era feita de luz.
Nossa Senhora por assim dizer estava vestida de luz.
Lembra
o elogio que Nosso Senhor fez dos lírios do campo: "Nem Salomão em toda a
sua glória se vestiu como os lírios dos campos". Ninguém em toda a sua
glória se vestiu como Nossa Senhora vestida de luz.
O colóquio desenvolveu-se da seguinte maneira:
NOSSA SENHORA: "Não tenhais medo, Eu não vos faço
mal".
LÚCIA: "Donde é Vossemecê?"
A
pergunta primitiva. Primeiro trata Nossa Senhora de "Vossemecê"
o tempo inteiro, depois "de onde é Vossemecê?"
Ela
não estava vendo que era a Mãe de Deus?
NOSSA SENHORA: "Sou do Céu" (e Nossa Senhora
ergueu a mão para apontar o céu).
É
a resposta que nós devemos aos impuros, aos inimigos da Contra-Revolução. Se
nos perguntarem: "Mas você do que é que é?", dizer: "Sou do
Céu". [Aplausos]
LÚCIA: "E que é que Vossemecê
me quer?"
NOSSA SENHORA: "Vim para vos pedir que venhais aqui
seis meses seguidos, no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e
o que quero. Depois voltarei ainda aqui uma sétima vez".
Dois
pequenos comentários ainda do tópico anterior.
Está
escrito aí que o lado de dentro do vestido de Nossa Senhora era dourado. Eu não
conheço uma imagem de Nossa Senhora onde o lado de dentro que se vê, alguma
coisa do lado de dentro do véu aparece dourado.
Não
sei por que isto. Era uma coisa para insistir que tudo seja como Ela
absolutamente fez. E se Ela quis que um pouco de ouro aparecesse, não foi para
que se compreendesse que o ouro não tem melhor emprego do que do culto a Ela
nas coisas católicas? Não há aí um grande ensinamento?
NOSSA SENHORA: "Estará no Purgatório até o fim do
mundo.
Quereis oferecer-vos a Deus para suportar todos os sofrimentos
que Ele quiser enviar-vos, em ato de reparação pelos pecados com que Ele é
ofendido e de súplica pela conversão dos pecadores?"
LÚCIA: "Sim, queremos".
NOSSA SENHORA: "Ides, pois, ter muito que sofrer, mas a
graça de Deus será o vosso conforto".
Foi ao pronunciar estas últimas palavras (a graça de Deus,
etc.), que abriu pela primeira vez as mãos comunicando-nos – é a
Irmã Lúcia quem escreve – uma luz tão intensa, como que reflexo que
delas expedia, que penetrando-nos no peito e no mais íntimo da alma, fazia-nos
ver a nós mesmos em Deus, que era essa luz mais claramente do que nos vemos no
melhor dos espelhos. Então, por um impulso íntimo também comunicado, caímos de
joelhos e repetimos intimamente: "Ó Santíssima Trindade, eu Vos adoro. Meu
Deus, meu Deus, eu Vos amo no Santíssimo Sacramento".
Passados os primeiros momentos, Nossa Senhora acrescentou:
– Rezem o terço todos os dias para alcançarem a
paz para o mundo e o fim da guerra.
Em seguida – descreve a Irmã Lúcia –
começou a elevar-Se serenamente, subindo em
direção ao nascente, até desaparecer na imensidade da distância. A luz que A
circundava ia como que abrindo um caminho no cerrado dos astros".
É
difícil fazer um comentário ao esplendor desse contato.
Os
senhores viram que Nossa Senhora em certo momento abre os braços num gesto, que
é um gesto nobre, sem dúvida, mas familiar a quem conversa. Mas no momento em
que Ela abre os braços emite uma luz com uma claridade extraordinária. E, se
entendi bem o texto, elas se sentiram como que sugadas por essa luz para dentro
da luz, e esta luz mais intensa que estava para dentro da luz, se eu entendi
bem o texto, era o próprio Deus.
Quer
dizer, Ela por um gesto da mão teria aberto o caminho do Céu. E até hoje não se
consegue chegar onde está Deus, onde chega Ela, porque Ela é Ela. Ali os três
meninos entraram inundados por essa luz.
Pode
haver uma coisa mais bela, mais admirável?
Mas
vem a compensação. Ela descreve tudo quanto eles vão ter que sofrer, e Ela é
muito mais positiva do que o Anjo. Ela distribui muito mais graças, as graças
que jorram sobre as crianças são mais abundantes, mas Ela torna muito mais
claro que em última análise – não está dito assim, mas é a impressão que
fica no espírito de quem lê – elas vão ter que sofrer tudo aquilo que
pessoas nas condições delas podem sofrer. Quer dizer, elas vão ser cálices
cheios de dor.
É
esse cálice cheio de dor que é oferecido como um cálice cheio de aroma, de
perfume magnífico ao próprio Deus para reparar os pecadores.
Agora,
vejam que importância Deus dá à reparação de três crianças. Que importância e
que valor Deus dá à reparação de todas as almas que estão aqui. E se todos nós
oferecermos aquilo que nos faz sofrer, se todos nós oferecermos a Ela, para por
meio dEla ser dado a Deus, que magnífico combate da Contra-Revolução.
Então
lembrem-se bem, eu costumo dizer algo que eu tomo a liberdade de lembrar aqui
porque muitos o terão ouvido de mim.
Para
trabalhar pela causa católica e rezar há muitos. Simplesmente para rezar há
menos do que para trabalhar. Para sofrer, rezar e trabalhar é o que há menos.
Ainda que seja só para sofrer, a palavra dor deixa o homem espavorido. E o
próprio sinal da alma chamada por Deus, é aquela alma que diante do sinal da
cruz não foge, mas se aproxima para [a] beijar.
(...)
Sofrer é vencer. Rezar é vencer. Trabalhar é vencer. Mas dos três caminhos da
vitória, o mais glorioso é o caminho da dor.
No
momento que eu estou falando, se houvesse tempo, eu aconselharia que fizéssemos
nada mais do que três minutos de silêncio, para que cada um pensasse na coisa
que mais lhe dói no momento e dissesse: "Isto, meu Deus, pelas mãos de
Maria eu Vos ofereço. Essa dor eu quero", de tal maneira isto é bom.
Mas
vamos andando.
Segunda aparição: 13 de junho de 1917
Antes da segunda aparição, os videntes notaram novamente um
clarão, a que chamavam relâmpago, mas que não era propriamente tal, e sim o
reflexo de uma luz que se aproximava. Alguns dos espectadores, que em número de
aproximadamente cinqüenta tinham acorrido ao local, notaram que a luz do sol se
obscureceu durante os minutos que se seguiram ao início do colóquio. Outros
disseram que o topo da azinheira, coberto de brotos, pareceu curvar-se como sob
um peso, um momento antes de Lúcia falar. Durante o colóquio de Nossa Senhora
com os videntes, alguns ouviram um sussurro como se fosse o zumbido de uma
abelha.
LÚCIA: "Vossemecê que me
quer?"
NOSSA SENHORA: "Quero que venhais aqui no dia 13 do mês
que vem, que rezeis o terço todos os dias, e que aprendais a ler. Depois direi
o que quero".
Lúcia pediu a cura de uma pessoa doente.
NOSSA SENHORA: "Se se
converter, curar-se-á durante o ano".
LÚCIA: "Queria pedir-Lhe para
nos levar para o Céu".
NOSSA SENHORA: "Sim, à Jacinta
e ao Francisco levo-os em breve. Mas tu ficas cá mais algum tempo. Jesus quer
servir-se de ti para Me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a
devoção ao meu Imaculado Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão
queridas de Deus estas almas, como flores postas por Mim a adornar o seu
trono".
LÚCIA: "Fico cá sozinha?"
NOSSA SENHORA: "Não, filha. E tu sofres muito? Não
desanimes. Eu nunca te deixarei. O meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o
caminho que te conduzirá até Deus".
Foi no momento que disse estas últimas palavras –
conta a Irmã Lúcia – que abriu as mãos e nos comunicou pela
segunda vez o reflexo dessa luz imensa. Nela nos víamos como que submergidos em
Deus.
Quer
dizer que essa impressão é um contato com Deus, "como que submergidos em
Deus".
“A Jacinta
e o Francisco pareciam estar na parte dessa luz que se elevava para o Céu e eu
na que se espargia sobre a terra. À frente da palma da mão direita de Nossa
Senhora estava um Coração cercado de espinhos que pareciam estar nele cravados.
Compreendemos que era o Imaculado Coração de Maria, ultrajado pelos pecados da
humanidade, que queria reparação".
Esse
trecho é, naturalmente, dos culminantes das aparições. Não comporta
comentários, ele se comenta por si mesmo. Eu vou comentar deles apenas coisas
pequenas que talvez escapem à atenção de um observador menos meticuloso.
A
primeira coisa que chama atenção aí é o que Nossa Senhora diz da devoção ao
Imaculado Coração dEla. Ela promete formalmente o Céu a quem praticar essa
devoção, isso está dito aí formalmente.
Não
sei... é interessante ler.
Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao meu Imaculado
Coração. A quem a abraçar, prometo a salvação; e serão queridas de Deus estas
almas, como flores postas por Mim a adornar o seu trono".
É
categórico. A quem abraçar a devoção ao Imaculado Coração dEla, Ela promete a
salvação.
Essa
promessa é feita à Lúcia, é feita à Jacinta, ao
Francisco, mas é feita para a Humanidade inteira, é feita para nós, é feita
para aqueles que ao longo dos anos tomassem conhecimento, aqueles milhões de
pessoas que tomassem conhecimento dos livros do Dr. Borelli
e daí para a frente, onde essa promessa está. Onde quer que essa promessa ecoe
pela Terra, essa promessa está feita. Está feita, por exemplo, nesse momento
mais uma vez a todos os senhores que estão lendo isso.
Que
alegria e que júbilo se nós recebêssemos essa promessa sozinhos trancados num
quarto. Ela ainda é mais solene feita aqui num auditório desses diante de um
tão grande número de filhos de Nossa Senhora. [Aplausos]
Mas
então corramos, vamos desde logo dizer que nós aceitamos. É Ela que promete. Se
Ela pedisse de nós uma promessa... mas não é. Ela pede muito menos: "Se
fizerem, eu darei. Se não fizerem não quer dizer que eu não vos quererei, mas
quanto mais vos quererei se fizerdes uso, se fordes sequiosos em aproveitar
esta promessa do meu Imaculado Coração. Vinde".
Agora,
nós ficarmos sentados?
Tanta
gente toma uma atitude assim diante de promessas dessas. Promessa do Sagrado
Coração de Jesus das nove sextas-feiras, promessa do escapulário do Carmo de
ser tirado do fogo do Purgatório no primeiro sábado, promessas magníficas com
que Nossa Senhora parece que se empenha em multiplicar os meios de nos atrair
para o Céu. Mas há uma coisa qualquer maldita no homem contemporâneo, pelo qual
diante das promessas mais magníficas ele se interessa menos do que nas
condições de uma apólice de um seguro de saúde.
–
"Está prometido é? Ãhmm?!"
Agora,
vejam que linda comparação de Nossa Senhora: as almas que fizerem isto Ela
colocará, no Céu, no trono junto a Deus, como uma senhora coloca as flores no
altar junto ao próprio Santíssimo Sacramento. É uma beleza imaginar a nossa
alma colocada como uma flor junto a Deus no Céu.
Haverá
uma coisa comparável a essa? Mas as pessoas ouvem falar disso e passam.
Não
me levem a mal se sobre isso eu faço uma pequena insistência.
Vamos
adiante.
Terceira aparição: 13 de julho de 1917
Ao dar-se a terceira aparição, uma nuvenzinha
acinzentada pairou sobre a azinheira, o sol se ofuscou, uma aragem fresca
soprou sobre a serra, apesar de se estar no pino do verão. O Sr. Marto, pai de Jacinta e
Francisco, que assim o refere, diz que ouviu também um sussurro como o de
moscas num cântaro vazio. Os videntes viram o reflexo da costumada luz e, em
seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira.
NOSSA SENHORA: "Continuem a vir aqui todos os meses. Em
outubro direi quem sou, o que quero, e farei um milagre que todos hão de ver
para acreditarem".
Lúcia apresenta então uma série de pedidos de conversões,
curas e outras graças. Nossa Senhora responde recomendando sempre a prática do
terço que assim alcançariam as graças durante o ano.
Depois prosseguiu: "Sacrificai-vos pelos pecadores e
dizei muitas vezes e em especial sempre que fizerdes alguns sacrifício: Ó
Jesus, é por vosso amor, pela conversão dos pecadores e em reparação pelos
pecados cometidos contra o Imaculado Coração de Maria".
PRIMEIRA PARTE DO SEGREDO: A VISÃO DO
INFERNO
Ao dizer estas últimas palavras –
narra a Irmã Lúcia – abriu de novo as mãos como nos dois meses
passados. O reflexo [de luz que elas expediam] pareceu penetrar a terra e vimos
como que um grande mar de fogo e mergulhados nesse fogo os demônios e as almas
como se fossem brasas transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana,
que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam
juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados –
semelhante ao cair das fagulhas nos grandes incêndios – sem
peso nem equilíbrio, entre gritos e gemidos de dor e desespero que horrorizavam
e faziam estremecer de pavor. Os demônios distinguiam-se por formas horríveis e
asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparentes como negros
carvões em brasa".
A visão demorou apenas um momento, durante o qual Lúcia
soltou um "ai!". Ela comenta que, se não fosse a promessa de Nossa
Senhora de os levar para o Céu, os videntes teriam morrido de susto e pavor.
O
que dizer do Inferno?
Eu
me lembro que uma vez eu propus a seguinte reflexão a um eclesiástico. Eu disse
a ele:
– É
verdade que todas as coisas que existem e que a gente vê no universo são
criaturas de Deus.
– É
verdade.
– Então
é verdade também que tudo quanto existe no Céu, na Terra e no Inferno é
criatura de Deus.
– É
verdade.
– Mas
então o Inferno é uma criatura de Deus.
– É
verdade, Deus criou o Inferno.
– Mas
Ele criou o Inferno e Ele criou tudo aquilo por onde o Inferno atormenta e
causa horror. Porque se tudo é criatura de Deus e há no Inferno, por exemplo,
brasas, calores, fatores que provocam o calor, coisas que provocam a dor de
todas as maneiras possíveis...
Santa
Teresa de Jesus, a grande Santa Teresa de Jesus, Santa Teresa de Jesus, a
mística incomparável, ela teve uma visão em que Deus lhe mostrou qual era o
Inferno para onde ela iria se ela não tivesse sido fiel.
Levou-a
para uma espécie de sepultura, fê-la entrar no Inferno numa espécie de
sepultura onde ela olhou para dentro da sepultura e havia uma espécie de
instrumento preso assim, de maneira a formar duas tábuas. Cada uma dessas
tábuas era toda revestida de pontas fundas, de maneira que quando a tábua se
fechava, as pontas quase coincidiam, mas não coincidiam.
Ela
deveria ficar por toda a eternidade dobrada em dois, sem nunca isto se abrir, e
furada em todas as direções por [essas pontas]. Posta nesta sepultura, sem ver
nada, liquidada ali, e com os calores todos do Inferno soprando sobre ela.
Isso
era a grande Santa Teresa se ela não tivesse correspondido à graça. Os senhores
percebem a coisa tremenda.
Eu
disse:
– Então
se deve dizer que o Inferno é uma câmara de tortura ideada e criada por Deus, e
que tudo quanto se move em última análise tem Deus por motor primeiro. Tudo
aquilo que no Inferno se move tem Deus como motor primeiro, e esse movimento de
todas essas coisas provêm continuamente da ação de Deus, que faz aquilo tudo
mover-se dentro do Inferno.
Ele
me disse:
– É
verdade.
Então
aí fica o mais tremendo do Inferno: é que é Deus que está criando aquilo. Deus
fez, Deus mantém aquilo na existência, Deus mantém no movimento, ouve o gemido
de toda esta multidão de réprobos e não tem pena. Não tem pena! Pelo contrário,
um dos elementos da felicidade dEle é conhecer e produzir o sofrimento daquela
gente.
Eu
não quis levar a coisa mais longe. (...)Porque se isto é verdade, deve-se
dizer; e se isto não é verdade, deve ser combatido. Mas fazer o silêncio sobre
essa coisa tremenda, isso é que não se compreende.
Por
que quanta gente será que se ouvir isto não vai para o Inferno, porque terá
medo de ir para o Inferno, e se não ouvir irá para o Inferno?
Quanto
mais gente ouvir isto, tanto menor será o número dos que forem para o Inferno.
Pelo contrário, a quanto mais pessoas for sonegada esta verdade, tanto maior é
o número dos que vão para o Inferno. E muitos estão no Inferno por que houve
gente que teve deles uma falsa pena e não contou para eles como era o Inferno.
Nossa
Senhora com uma mensagem para o mundo, em que tudo devia ser levado ao
conhecimento do mundo inteiro, e em que queria produzir a salvação dos
pecadores, Ela contou, Ela fez ver aos três pequenos videntes esse Inferno.
Isto era para que eles fizessem os pecadores do mundo inteiro conhecer isto e
tremer até ao fundo de seus ossos de pânico do Inferno.
Os
senhores encontram tão difícil de haver gente que [diga] isso.
Por
que? É fácil compreender.
Se
houver um pregador que vai e diz: "Meus queridos filhos, hoje é domingo.
Vede que lindo e ensolarado domingo, imagem da bondade de Deus. Como Deus é bom
em vos fazer ver assim a bondade dEle e vos atrair para o Céu. Quanto Deus
premiará as vossas virtudes", etc., etc., e nenhuma palavra para o
Inferno, eles seguirão o contrário do que fez Nossa Senhora.
Porque
Nossa Senhora disse coisas magníficas sobre o Céu nesse conjunto dessas
aparições, não se poderia fazer mais para deixar o Céu atraente do que tudo
quanto Nossa Senhora mostrou de Si, que é uma síntese de todos os esplendores e
belezas do Céu, enfim, de tudo quanto Ela fez para atrair pela doçura as almas
para o Céu. Mas atentem bem: há também a justiça de Deus, há a cólera de Deus!
E está preparada também para quem não der importância aos carinhos da bondade
de Deus. Agora vejam qual é... e vem a coisa representada.
Nossa
Senhora quis que o mundo inteiro tomasse conhecimento dessa manifestação do
terror do Inferno. Será que o mundo inteiro tomou? Ou será que passaram por
cima dessa pregação como o gato por brasa?
Mas
que pecado em a gente se dizer apóstolo de Fátima e não contar isso.
É
uma coisa que a gente deveria saber de cor. E quando fizesse apostolado sobre
Fátima e de repente alguém soltar essa:
– Não,
eu não acredito.
– Está
bom, você não acredita? Ouça o que é que houve. Se não acreditar, você depois
vai me explicar como, mas o Inferno é assim e assim – e
vem essa descrição, como outras descrições do Inferno que há dadas por santos,
etc.
Então
nós podemos compreender a utilidade enorme! Eu digo mais: a indispensabilidade
da pregação do Inferno. E, portanto, também de uma referência ardente ao
Inferno no nosso apostolado.
SEGUNDA
PARTE DO SEGREDO: O ANÚNCIO DO CASTIGO E DOS MEIOS PARA EVITÁ-LO
Assustados, pois, e como que a pedir socorro, os videntes,
levantaram os olhos para Nossa Senhora, que lhes disse com bondade e tristeza:
NOSSA SENHORA: "Vistes o inferno, para onde vão as
almas dos pobres pecadores. Para as salvar, Deus quer estabelecer no mundo a
devoção ao meu Imaculado Coração.
Se fizerem o que Eu vos disser, salvar-se-ão muitas almas e
terão paz.
A guerra vai acabar, mas se não deixarem de ofender a Deus,
no reinado de Pio XI começará outra pior. Quando virdes uma noite alumiada por
uma luz desconhecida, sabei que é o grande sinal que Deus dá de que vai punir o
mundo de seus crimes, por meio da guerra, da fome e de perseguições à Igreja e
ao Santo Padre.
Para impedir, virei pedir a consagração da Rússia ao meu
imaculado Coração e a comunhão reparadora nos primeiros sábados. Se atenderem a
meus pedidos, a Rússia se converterá e terão paz; se não, espalhará seus erros
pelo mundo, promovendo guerras e perseguições à Igreja; os bons serão
martirizados, o Santo Padre terá muito que sofrer, várias nações serão
aniquiladas; por fim, o meu Imaculado Coração triunfará. O Santo Padre consagrar-Me-á a Rússia, que se converterá, e será concedido
ao mundo algum tempo de paz.
Em Portugal se conservará sempre o Dogma da Fé, etc.
Isto não o digais a ninguém. Ao Francisco, sim, podeis
dizê-lo.
Passados instantes:
"Quando rezais o terço, dizei depois de cada mistério:
Ó meu Jesus, perdoai-nos, livrai-nos do fogo do inferno, levai as alminhas
todas para o Céu, principalmente aquelas que mais precisarem".
Sexta e última aparição: 13 de outubro
de 1917
Como das outras vezes, os videntes notaram o reflexo de uma
luz e, em seguida, Nossa Senhora sobre a carrasqueira:
LÚCIA: "Que é que Vossemecê
me quer?"
NOSSA SENHORA: "Quero dizer-te que façam aqui uma
capela em minha honra, que sou a Senhora do Rosário, que continuem sempre a
rezar o terço todos os dias. A guerra vai acabar e os militares voltarão em
breve para suas casas".
Em seguida, abrindo as mãos, Nossa Senhora fe-las refletir no sol, e enquanto Se elevava, continuava o
reflexo da sua própria luz a projetar-se no sol.
Lúcia, nesse momento, exclamou: "Olhem para o
sol!"
Desaparecida Nossa Senhora na imensa distância do
firmamento. As nuvens se entreabriram, deixando ver o sol como um imenso disco
de prata. Brilhava com intensidade jamais vista, mas não cegava. Isto durou
apenas um instante. A imensa bola começou a "bailar". Qual gigantesca
roda de fogo, o sol girava rapidamente. Parou por certo tempo, para recomeçar,
em seguida, a girar sobre si mesmo, vertiginosamente. Depois seus bordos
tornaram-se escarlates e deslizou no céu, como um redemoinho, espargindo chamas
vermelhas de fogo. Essa luz refletia-se no solo, nas árvores, nos arbustos, nas
próprias faces das pessoas e nas roupas, tomando tonalidades brilhantes e
diferentes cores. Animado três vezes de um movimento louco, o globo de fogo
pareceu tremer, sacudir-se e precipitar-se em ziguezague sobre a multidão
aterrorizada.
Durou tudo uns dez minutos. Finalmente o sol voltou em
ziguezague para o ponto de onde se tinha precipitado, ficando novamente
tranqüilo e brilhante, com o mesmo fulgor de todos os dias.
O ciclo das aparições havia terminado.
Muitas pessoas notaram que suas roupas, ensopadas pela
chuva, tinham secado subitamente.
O milagre do sol foi observado também por numerosas
testemunhas situadas fora do local das aparições, até a 40 quilômetros de
distância.
Como
encerrar isto? Com uma suposição, mas essa suposição tem um certo fundamento.
Eu
acho que quando chegarem os dias dos castigos previstos em Fátima se a
humanidade não se converter, os dias da justiça, vai haver muito vaivém, muita
coisa parece que nos aproximará da vitória e de repente estamos no fundo da
derrota, muita coisa nos jogará no abismo da derrota e dali sai um vitória.
De
todos os modos vamos ter que confiar muito em Nossa Senhora, para
compreendermos que o fim da vitória é dEla e que, portanto, nossa confiança nEla não tendo limite
– nas piores situações devemos
cantar Gloria in
excelsis Deo e devemos
cantar o Magnificat –, porque confiando nEla
sabemos que no fim Ela vencerá.
Com
isso, meus caros, está terminada a reflexão sobre Fátima e só me resta
pedir-lhes desculpas por terminar a essa hora. [Aplausos e brado]