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Fazer todas as ações em Maria: comentários ao tópico 261 do "Tratado da Verdadeira Devoção à Ssma. Virgem"(*)
"Santo do Dia", 5 de junho de 1972 |
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A D V E R T Ê N C I A O presente texto é adaptação de transcrição de gravação de conferência do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a sócios e cooperadores da TFP, mantendo portanto o estilo verbal, e não foi revisto pelo autor. Se o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira estivesse entre nós, certamente pediria que se colocasse explícita menção a sua filial disposição de retificar qualquer discrepância em relação ao Magistério da Igreja. É o que fazemos aqui constar, com suas próprias palavras, como homenagem a tão belo e constante estado de espírito:
Eu estava tratando daquela expressão de São Luís
Grignion de Montfort: fazer todas as ações com Maria, em Maria, por
Maria. Eu tinha tratado de "com Maria"; vem agora "em
Maria". Ele dá a seguinte explicação:
Quer
dizer o seguinte: Adão, o nosso primeiro pai, foi criado no paraíso, que
era o lugar de maravilhas, de esplendores, de felicidade. Ele prevaricou,
pecou, e saiu do paraíso. Tanto ele quanto Eva. Mas era o paraíso do
primeiro Adão. Nosso
Senhor Jesus Cristo é considerado - a justo título - o segundo Adão. Ou
seja, Aquele que veio restabelecer a humanidade, tirá-la das sombras da
morte, do nada, e restabelecê-la no estado de graça, através de Sua
Redenção, através da imolação que Ele fez de Si mesmo no alto da
Cruz. Ele é considerado o novo Adão. Assim como o primeiro Adão foi
criado num paraíso, o novo Adão deveria ser criado num paraíso também. Qual
era esse paraíso, o segundo paraíso do segundo Adão? Era Nossa Senhora.
Quer dizer, tudo aquilo que o paraíso primeiro – o paraíso terrestre
– tinha de belo, de esplêndido na sua realidade material, Nossa Senhora
tinha de belo e esplêndido na sua realidade espiritual; de mais esplêndido
ainda, de mais belo do que o primeiro paraíso. E
Nosso Senhor Jesus Cristo, vivendo em Nossa Senhora, teve toda a
felicidade, todo o contentamento que Adão teve no paraíso. E muito mais
ainda, porque assim como Ele era incomparavelmente, infinitamente superior
a Adão, o segundo paraíso do segundo Adão era insondavelmente superior
ao primeiro paraíso do primeiro Adão. Então,
Nossa Senhora é o Paraíso de Nosso Senhor Jesus Cristo. Este é o
pensamento que ele desenvolve aqui. E as considerações que vêm a seguir
são baseadas nessa idéia. "Há, portanto, nesse paraíso terrestre riquezas, belezas, raridades e doçuras inexplicáveis que o novo Adão, Jesus Cristo, aí deixou".
O
Paraíso terrestre aí é Nossa Senhora, o paraíso do segundo Adão. Os
srs. vejam que tudo quanto São Luís de Montfort diz é muito calculado.
Ele faz a distinção de "riquezas, belezas, raridades e doçuras".
São coisas diferentes. Riqueza
é a abundância das coisas úteis; é diferente da beleza. Uma coisa pode
ter uma grande beleza e não representar riqueza. Por exemplo, a água.
Pode haver num regato uma água cristalina de uma grande beleza.
Pode ser que essa água seja – é certamente – incomparavelmente mais
bela do que qualquer trator, que é uma coisa feia. Mas o trator é uma
riqueza e a água uma beleza. Nesse
novo paraíso havia, portanto, riquezas, havia belezas no sentido
espiritual da palavra. Havia, também, raridades. Os srs. dirão:
"Mas tudo que é raro é caro". É verdade na nossa civilização
argentária, onde tudo tem um preço em dinheiro. Mas numa civilização não
argentária, nem tudo quanto é raro é caro. Por
exemplo, um amigo vai se tornando uma coisa cada vez mais rara. Mas não
é cara porque não se põe à venda. Na medida em que ele possa ser
comprado a dinheiro ou vendido a dinheiro, a amizade está desfeita. A
raridade é, portanto, uma coisa diferente dos dois fatores anteriores: da
beleza e da riqueza. São Luís calculou, fez um inventário exato dos vários
modos pelos quais uma coisa pode ser digna de valor para o homem.
Depois,
as doçuras. A doçura é algo que torna alguma coisa amena, agradável
de trato, suave de contato. Se os srs. querem ter uma idéia, os srs.
considerem isso (não sei se os cientistas hoje explicaram, mas que existe
e que no tempo em que eu era pequeno, ouvia conversar sobre isso e que
naqueles longínquos tempos era inexplicável): o bem-estar que os homens
sentem quando estão à sombra de determinadas árvores. Próximo
à cidade de Amparo [no Estado de São Paulo] há no caminho uma árvore
copada, redonda, bonita – parece uma bola – que quase chega até o chão.
Se eu fosse mais moço certamente teria detido o automóvel e chegado até
embaixo da árvore, porque tenho certeza que se tem ali, se experimenta
ali uma doçura que é diferente da realidade da riqueza e da beleza. É
um bem-estar naquele aconchego, é uma harmonia, uma suavidade, que é
diferente das outras coisas; à beira d'água, aliás, a gente sente isso
também. Por exemplo, à beira de um bonito lago, à beira de um riacho,
à beira do mar. A gente não está pegando no mar, mas há uma doçura no
mar – conforme as horas, porque o mar tem também horas de uma
selvageria magnífica; tudo nele é magnífico, exceto quando ele está
sujo de gasolina de navio que passou por lá. Ele é uma maravilha!
Mas, enfim, há uma doçura que não se esgota nos termos
nem de beleza, nem de riqueza, nem de raridade. É uma coisa diferente.
Então, São Luís fez um inventário desses quatro valores, o critério
de classificação desses quatro valores. Para quê? Para o efeito de
dizer que tudo isso existe em Nossa Senhora. E quando se aproveita bem o
texto de São Luís Grignion, trata-se de ver em Nossa Senhora o que era a
riqueza, a beleza, a raridade e o que era a doçura. E assim adquire-se um
conhecimento classificado – que evidentemente não contém tudo – mas
que pode dar uma espécie de idéia geral das riquezas contidas em Nossa
Senhora. Por via de comparação, nós deveríamos saber fazer isso também
em relação à Santa Igreja Católica, Apostólica, Romana. Porque quase
tudo que se diz de Nossa Senhora se diz da Igreja. E, reciprocamente,
quase tudo o que se diz da Igreja, se diz de Nossa Senhora. Porque Nossa
Senhora é Mãe de Cristo, e a Igreja é a Esposa de Nosso Senhor Jesus
Cristo. E entre a Mãe e a Esposa há essas correlações que a gente pode
compreender facilmente.
Então aqui está a idéia dele a respeito de Nossa Senhora.
"Que o novo Adão, Jesus Cristo, aí
deixou".
Mas Nosso Senhor Jesus Cristo aprimorou o paraíso onde esteve.
Quer dizer, Ele dotou Nossa Senhora de graças indizíveis. Então, vem aí
a idéia de que o novo Adão embelezou enormemente o paraíso, como o gênero
humano se não tivesse caído em pecado teria também embelezado o paraíso.
"Nesse paraíso, Ele pôs as Suas complacências durante
nove meses – que é o período da gestação. Aí operou suas maravilhas
e aí acumulou riquezas com a magnificência de um Deus".
"Esse lugar santíssimo é formado de uma terra virgem e
imaculada da qual se formou e nutriu o novo Adão, sem a menor mancha ou nódoa,
por operação do Espírito Santo que aí habita".
É mais uma linda comparação. Assim como Adão foi
formado do barro por Deus, que nele incutiu depois uma alma, assim também
o novo Adão foi formado da carne virginal de Nossa Senhora. É mais uma
comparação que ele faz. E foi formado por obra do Espírito Santo.
"É nesse paraíso terrestre que está, em verdade, a árvore
da Vida que produziu Jesus Cristo". Havia uma árvore da vida no paraíso antigo. Mas no paraíso novo
havia uma outra árvore, que produziu o mais precioso dos frutos, que é
Jesus Cristo. É a fecundidade virginal de Nossa Senhora.
"Há, nesse lugar divino, árvores plantadas pela mão de
Deus e orvalhada por sua unção divina. Árvores que produziram e
produzem todos os dias frutos maravilhosos, de um sabor divino". São os atos de virtude que Nossa Senhora produz continuamente.
"Há aí canteiros esmaltados de belas e variegadas flores
de virtude, cujo perfume delicia os próprios Anjos". A consideração das virtudes de Nossa Senhora deixa extasiados os
Anjos, que são tão santos e puros.
"Ostentam-se, neste lugar, prados verdes de esperança Aqui vêm as virtudes principais de Nossa Senhora: o prado é
verde, o verde é a cor da esperança. Então, ostenta a grande confiança.
"Há torres inexpugnáveis e fortes habitações cheias de
encanto e segurança".
É uma linda imagem: um castelo com torres inexpugnáveis,
cheias de encanto e segurança, com maravilhas dentro e fortíssimas por
fora. Essa é a virtude da fortaleza que em Nossa Senhora protege todas as
outras virtudes que Ela tem.
"Ninguém, exceto o Espírito Santo, pode dar a conhecer a
verdade oculta sob essas figuras de coisas materiais". Quer dizer, ele fala de coisas materiais, mas só o auxílio da graça
pode fazer uma pessoa ter idéia do que é isso na ordem espiritual,
sobretudo na ordem sobrenatural.
"Reina nesse lugar um ar puro, sem infecção, um ar de
pureza".
Aqui – coisa curiosa – fica um mistério. Qual é a
distinção entre um ar puro e sem infecção e um ar de pureza? É uma
redundância inútil num tratado tão bem escrito, ou isso tem um segundo
sentido? Sempre que eu li o Tratado esbarrei com esse pontinho e não
consegui uma explicação adequada.
"Há ali um belo dia, sem noite, da humanidade santa, um
belo sol, sem sombra, da divindade". Quer dizer, Ela é bela como o dia por sua natureza, mas Cristo,
que habita ali, é não o dia, mas o sol que é a fonte de toda a beleza
do dia. Então, Jesus Cristo ali é o sol da divindade presente em Maria.
"Uma fornalha ardente e contínua de amor de Deus, na qual
todo o ferro que aí se lança fica abrasado".
"Na qual todo ferro que aí se lança fica abrasado e se
transforma em ouro". Aqui há uma coisa curiosa também: o ferro comum que se põe no
fogo não se transforma em ouro. Mas Nossa Senhora é um fogo que
transforma o ferro em ouro. Quer dizer, transforma a alma dura numa alma
de metal nobre, transforma a alma, portanto, totalmente. Nobilita-a. "Há um rio de humildade que surge da terra e que se divide em quatro braços e rega todo esse lugar encantado. São as quatro virtudes cardeais".
Aqui o conceito é muito bonito. As quatro virtudes
cardeais são aquelas que regulam todas as ações do homem. A justiça, a
temperança, a fortaleza e a prudência são as quatro virtudes cardeais.
Todas as outras virtudes são especificações dessas. Então, diz o seguinte: que há em Nossa Senhora como que um rio de
humildade, o qual se abre em quatro braços e dá origem às quatro
virtudes cardeais. Quer dizer o quê? Quem for verdadeiramente humilde esse possui
torrencialmente as quatro virtudes cardeais. O que é ser verdadeiramente
humilde? Já o temos dito várias vezes: é antes de tudo e acima de tudo
ser humilde para com Deus. A humildade para com Deus consiste em reconhecer tudo o que nós
devemos a Ele e tributar-Lhe. Ser, portanto, em relação a Deus,
amorosos, fiéis, filiais, paladinos da causa d’Ele até o último
ponto. Isso é a humildade, porque nós reconhecemos que devemos isso a
Ele e fazemos isso assim. Vivemos um holocausto contínuo em relação a
Deus. A humildade põe nossa alma nessa posição. E é assim que essa
alma fica então com as quatro virtudes cardeais. Assim era Nossa Senhora. Mas o trecho é muito longo. Eu pretendo retomar em outro dia, se
Deus quiser. Aqui os senhores têm um pouco daquele bem-estar de quando
ele falava aqui das doçuras de Nossa Senhora. É impossível a gente
comentar algo a respeito de Nossa Senhora sem ter a impressão de que está
junto a um rio, ou a uma árvore sobrenatural, sentindo aquele bem-estar
especial que a gente tem junto aos rios ou às árvores naturais, mas num
plano diferente. Depois de um dia passado numa cidade super-moderna,
super-trepidante, super-dinâmica, nós nos termos detido um pouco na
consideração desse panorama maravilhoso que é a alma de Nossa Senhora,
é uma coisa que sempre nos faz bem. Mais adiante veremos, então, como é
que em função desse panorama se vive "em Maria", o que é que
São Luís entende por viver em Maria. * Exemplos de belezas, riquezas e doçuras da Santa Igreja Fica-se
quase na impossibilidade de exemplificar, pela dificuldade de escolher um
exemplo no meio de tantas maravilhas... Mas,
por exemplo, as riquezas da Igreja Católica, numa certa ordem, são os
Sacramentos. Pode-se imaginar uma coisa mais rica do que os Sacramentos?
Rica no sentido francês da palavra "riche", que não é –
creio – bem o "rico" do castelhano. Mas basta pensar na
Eucaristia, que é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo; basta pensar no
Batismo; basta pensar no perdão, na absolvição. A gente vê que são
riquezas de ordem sobrenatural em comparação com as quais todas as
riquezas da terra são lixo. * O Papado Se
nós falarmos da beleza da Igreja Católica - naturalmente pode entrar
alguma coisa de pessoal dentro disso - mas eu não creio que haja na
Igreja Católica algo de mais belo do que o Sumo Pontificado, o Papado. Um
Papa infalível, colocado no alto da Igreja e cujo poder se desdobra através
da Sagrada Hierarquia, e por uma jurisdição direta sobre todos os fiéis,
tem uma beleza!... * A Confissão Se
nós falarmos de raridade na Igreja Católica seria interessante falarmos
de uma coisa que a meu ver é um milagre permanente na Igreja — para mim
só há um milagre comparável a esse, e é o anti-milagre que o acompanha
[do qual tratará logo a seguir]: é haver a Confissão. Porque ter
imaginado uma classe de homens — pensem um pouco nisso — incumbida de
ouvir os segredos mais internos, às vezes mais vergonhosos de toda a
humanidade, e que os homens confiem em que esse segredo não vai ser
violado e durante dois mil anos esse segredo não é violado, de tal
maneira que a humanidade inteira confia nisso, isso é um milagre moral do
outro mundo. Ou
por outra, são dois milagres: um que haja penitentes; e outro que haja
confessores. Porque excede a miséria humana. Não está na proporção da
miséria humana. É raríssimo, é singularíssimo. De todas as instituições
que existiram sobre a face da terra, o confessionário... Se os senhores
quisessem raciocinar um pouco, o confessionário é uma coisa do outro
mundo! do outro mundo! Só é comparável a esse milagre o anti-milagre
– quer dizer, uma coisa que não é milagre, porque propriamente milagre
o demônio não pode fazer –, é a insensibilidade dos homens à vista
dessa maravilha, que quase não vejo ninguém se extasiar com isso. É uma
coisa assombrosa, quase ninguém se extasia. Fica-se indiferente...! Afunda-se
nas escuridões do confessionário, confessa-se, recebe-se um perdão que
veio do Céu, ou seja algo fantástico! Conta-se para um desconhecido toda
espécie de coisas e sai-se tranqüilo, sem a menor preocupação. E
depois, encontra um pobre desconhecido disposto a ouvir aquela vergonheira...
e que fica horas dentro do confessionário ouvindo a roupa suja da
humanidade inteira desfilar ali. É uma coisa do outro mundo encontrar
quem queira fazer isso! Tudo isso é fora dos padrões humanos, sem a graça
não se manteria. É raríssimo, não tem nada de igual! Doçura
na Igreja Católica... Só a respeito do confessionário a gente já podia
dizer tudo. Mas os senhores já imaginaram essa doçura especial que há
na Igreja Católica, que é o modo de a Igreja ser super-genial? Eu fico
pasmo que não poucas pessoas não tenham olhos para ver as belezas da
Igreja Católica. Fico pasmo como pode acontecer isso em católicos. Os
senhores tomam a Acta Apostolicae Sedes. Os senhores pegam aquelas Actas
e vejam um Papa qualquer – vamos dizer Pio XI, escolhido assim a esmo.
Eu li não toda a Acta Apostolicae Sedes, mas os documentos dele na
coleção publicada por La Bonne Presse (de Paris). Maravilha-me
isso: aquele César espiritual que governava vastidões muito maiores do
que o Império Romano, os decretos que ele ia baixando... É só percorrer
o índice: é uma encíclica a respeito da educação da juventude, válida
para o mundo inteiro; logo depois é uma Carta Apostólica – eu estou
aqui imaginando, porque eu não me lembro assim ponto por ponto –
associando-se ao bimilenário da fundação de não sei que nação católica,
em que ele lembra com uma calma e uma naturalidade, que quando a nação
nasceu a Igreja já estava presente e que Ela batizou essa nação. E diz
com a maior naturalidade que toda a glória que a nação teve depois
deveu à Igreja Católica. E depois faz uma pequena recomendação para
ela nunca deixar de ser católica se não ela cai no abismo. E depois
promete o Céu. E isso com uma naturalidade... Uma
coisa que se fosse feita por qualquer poder terreno seria uma megalomania
de estourar. Mas um Papa faz com aquela naturalidade, não do alto de dois
mil anos, mas do alto do Céu para a Terra. Logo depois, um decreto
constituindo uma prelazia apostólica no Urundi-Burandi na África, que
começa assim: “Diletíssimos filhos do lago Tchad – eu nem sei a
geografia da África, mas estou imaginando –, desde há tempos essa Sé
Apostólica, que sempre amou a vossa raça de modo especial, tem mandado
para lá missionários etc. Ainda no século passado, nosso antecessor
Fulano de Tal, de santa e gloriosa memória, mandou tal Congregação
religiosa assim. Assinalou-se então uma série de martírios... (e vem
então o esplendor do martírio assim, que regou essa terra com tal...,
que veio tal desenvolvimento da vida religiosa), que Nós, hoje, colhendo
o que nossos santos predecessores plantaram, temos a felicidade de
declarar instituída para todo o sempre etc. etc., a prelazia tal (e traça
os limites de uma nova província do Império dele, com limites tais,
tais. E depois, aquelas formas magníficas): quem violar essa seja para
sempre excomungado isso, aquilo, aquilo... e termina com uns raios
percorrendo e assim por diante... Eu
não compreendo como não se possa achar isso bonito. Estou para
compreender. Para mim isso é mistério. Eu não compreendo... Passa-se
disto para um outro problema. É uma crise surgida, por exemplo, na
universidade católica de X, referente a um problema nebuloso entre o
livre arbítrio e a graça. Então: “Ouvidos nossos irmãos da Sagrada
Congregação de não sei o quê etc. e invocando o Divino Espírito
Santo, havemos por bem dizer que...” E vem um ponto qualquer. Quer
dizer, assim, isso a mão cheias, não é verdade? A
gente quase não sabe dizer o que é mais belo, a não ser o seguinte: a
gente vê, por exemplo, a vida de um Churchill, uma vida suada, dura. E
todas aquelas coisas insignes que ele fez, a gente vê que ele as fez
resfolegando, como uma locomotiva sobe uma ladeira: chuuu... chuuu... e
sai fumaça de todo lado. O velho Churchill chega no alto contente de
estar suando. O Papa, não. Ele se movia nessas vastidões, calmo, tranqüilo,
passando do Céu para a Terra, definindo verdades sobre o inferno, ameaçando,
louvando, recompensando, resolvendo, com uma naturalidade, com uma calma
de um super-gênio. Onde os Churchills perdem o fôlego, o Papa age como
quem colhe uma flor... Há uma doçura nessa desenvoltura, há uma
suavidade que eu não sei como é que não se nota. Uma
coisa que eu gostaria de fazer era uma longa “viagem” pela Igreja Católica,
comentando as belezas e maravilhas da Igreja Católica. * O Santíssimo Sacramento... Os
senhores querem uma coisa mais maravilhosa, mais fantástica: poder
imaginar que nessa hora, por vários caminhos da terra, em inúmeros
altares, em todos os sacrários, por vários caminhos da terra, Nosso
Senhor Jesus Cristo está realmente presente? Ele estará num avião, Ele
estará num automóvel, Ele estará visitando pela última vez uma pessoa
piedosa que morre, Ele estará ao mesmo tempo entrando num antro qualquer
para levar o perdão e a Eucaristia sagrada a uma pessoa pecadora que vai
morrer também; Ele está entrando numa prisão para reanimar os
prisioneiros... A
gente então aplicar a Ele o que Ele disse: “Eu estive nu, vós me
vestistes; eu tive fome, vós me destes de comer”. Ele faz isso
continuamente com todo mundo no sentido espiritual e, se a gente fosse
analisar, até no sentido material da palavra. Essa ação de Nosso Senhor
Jesus Cristo na terra depois da Ascensão, essa presença dEle depois da
Ascensão prolongando a ação dEle no Evangelho, a presença real, se
poderiam fazer mil epopéias a esse respeito. Entretanto,
faz-se poesia sobre a rosa, sobre gatos, sobre o que queiram, e não se
sabe fazer poesia a respeito disso...! Olham-se essas maravilhas todas com
indiferença! Essa
é a nossa Santa e - em certo sentido da palavra - divina Igreja Católica,
Apostólica Romana. Por mais que se falasse dEla, a gente não acabaria de
falar. Por mais que a gente procurasse sondar a insensibilidade dos católicos
diante da Igreja, a gente não teria conseguido levar até o fim. É uma
coisa fantástica! Bom,
meus caros, eu acho que podemos terminar.
(*) TRATADO DA VERDADEIRA DEVOÇÃO À SANTÍSSIMA VIRGEM, por São Luís Maria Grignion de Montfort; 19ª edição – Editora Vozes – Petrópolis, 1992. Esta conferência se insere em um conjunto de comentários sobre o "Tratado" e a devoção a Nossa Senhora, segundo o método de São Luis Maria Grignion de Montfort, feitos pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira. Sugerimos a nossos visitantes a leitura dos já publicados, a saber: - São Luís Grignion de Montfort: amplitude do auxílio de Nossa Senhora aos que sabem invocá-La - Fazer todas as coisas “com Maria, em Maria e por Maria” - Viver em Maria: comentários aos tópicos 262 e 263 |