Plinio Corrêa de Oliveira

 

Santo Alberto, o Grande e o dom da Sabedoria

 

Santo do Dia – 14 de novembro de 1966

( Transcrição e adaptação de gravação magnética de conferência para sócios e cooperadores da TFP, sem revisão do autor )

Plinio Corrêa de Oliveira aos 60 anos

 

 

Hoje é festa de todos os santos da Ordem do Carmo, e amanhã a comemoração de todos os finados da Ordem do Carmo; festa de São Leopoldo confessor, margrave da Áustria, no século XII - daqueles santos que são ”verdades esquecidas” – e festa de Santo Alberto Magno, Bispo, Confessor e Doutor da Igreja.

A respeito de Santo Alberto há aqui uma biografia muito interessante, e sobre ela então eu vou me estender no momento.

“Alberto, o Grande, nasceu por volta de 1206, em Lauingen, na Baviera. Depois de uma educação cuidadosa, recebida em sua infância, foi estudar Direito em Pádua. Lá ele encontrou o bem-aventurado Giordano, mestre geral dos Irmãos Pregadores, cujos conselhos o engajaram a entrar na família dominicana.

 

Sto. Alberto Magno - Tommaso da Modena - ( 1352 - Treviso, ex convento di San Niccolò - sala del capitolo)

Sto. Alberto Magno

Tommaso da Modena - ( Treviso, ex convento di San Niccolò - sala del capitolo - 1352 )

Logo se fez notar por sua terna e filial devoção para com Nossa Senhora, e pela fidelidade de sua observância monástica. Enviado a Colônia para completar os seus estudos, [era] tão aplicado que parecia ter penetrado todas as ciências humanas, mais do que nenhum de seus contemporâneos. Julgado digno de ensinar foi nomeado leitor em Hildeshein (leitor é lente, quer dizer, professor em Hildeshein), em Friburgo, em Ratisbona, em Strasburgo, enfim na Universidade de Paris, onde ele demonstrou o acordo existente entre a fé e a razão, as ciências pagãs e as ciências sacras. O mais ilustre de seus discípulos foi S. Tomás de Aquino, que lhe devia suceder na Sorbonne.

 Ele voltou a Colônia para dirigir os [Capítulos] Gerais de sua ordem, foi nomeado provincial na Alemanha, depois bispo de Ratisbona. Lá ele se desgastou, se dedicou [a] seu rebanho e conservou seus hábitos de simplicidade religiosa. Mas ele [renunciou] 3 anos depois, em 1262. Desde então exerceu o ministério da pregação, agiu como árbitro e pacificador dos príncipes e dos bispos, assistiu ao II Concílio de Lyon e morreu em 1280. Por decreto de 16 de dezembro de 1931, Pio XII o inscreveu no número dos santos e o nomeou Doutor da Igreja Universal.

 Sobre um vitral da Igreja dos Dominicanos de Colônia podia-se ler, a partir do ano de 1300, as seguintes palavras: ‘Este santuário foi construído pelo bispo Alberto, flor dos filósofos e dos sábios, modelo dos costumes, refulgente destrutor das heresias e flagelo dos maus. Ponde-o, Senhor, no número dos vossos santos’.

 Ele tinha por natureza, segundo se diz, o instinto das grandes coisas. Assim, como Salomão, ele implorou o dom da sabedoria, que une intimamente o homem a Deus, dilata as almas e leva para cima o espírito dos fiéis. E a sabedoria lhe comunicou o segredo de unir uma vida intelectual intensa, uma vida interior profunda e uma vida apostólica das mais frutíferas, porque ele foi ao mesmo tempo, o iniciador de um poderoso movimento intelectual, um grande contemplativo e um homem de ação “.

 

A linha geral da vida de Santo Alberto Magno está bem expressa quando se diz que ele refulgiu ao mesmo tempo nesses três dons. Ele se manifesta, nessas condições, como uma daquelas grandes figuras da Idade Média, que são os construtores e consolidadores da Idade Média, a quem Deus deu graças para se tornarem salientes em todas as coisas, de tal maneira que se ele tivesse feito só uma dessas coisas já seria um homem imortal. Se ele simplesmente tivesse sido o intelectual que foi já seria um homem imortal.

Além de ter sido o intelectual que foi, ele foi um grande religioso e um grande contemplativo e, como santo, teria a imortalidade. Por outro lado, como modelo de bispo ele teria uma fama durável em sua pátria.

A conjugação desses três [dons], por que é que a Providência estabelece? Por que a Providência faz alguns homens brilharem nessas três pistas ao mesmo tempo?

É para dar a entender o seguinte: que é verdade que o homem deve ser, primeiro homem de vida interior, depois as outras coisas. Mas que quando ele escolhe ser primeiro homem de vida interior, para depois ser as outras coisas, ele, de fato, põe a mais importante das condições para nos outros campos ser o que deveria ser. E que Santo Alberto Magno foi muito maior como intelectual porque tinha vida interior.

De maneira tal que se ele simplesmente quisesse ser um grande intelectual, pela mera ambição de ser intelectual ele tinha vantagem [em] continuar a vida interior. Se ele simplesmente quisesse ser um homem de ação, pela mera vantagem de ser homem de ação, ele deveria continuar a vida interior. Porque a vida interior verdadeira, a vida interior plena faz o homem executar a vontade de Deus com toda perfeição, e dá à alma do homem recursos que são, em parte, a plenitude de seus recursos naturais, em parte carismas e dons que o fazem decuplicar ou centuplicar as suas possibilidades. De maneira que ele fica muito maior nas outras coisas, porque exatamente naquela coisa essencial ele soube ser grande.

Isso me faz lembrar um dito de D. Chautard, o famoso autor da “Alma de Todo Apostolado” para um político francês anticlerical, que era Clemenceau. Clemenceau sabendo que D. Chautard estava envolto em mil atividades, lhe perguntou o seguinte: 'como é que o Sr. consegue levar a cabo tantas atividades num dia de 24 horas?' Responde D. Chautard: 'o segredo é que além de fazer tudo quanto eu faço, eu ainda rezo o Rosário'. Então, acrescentando essa ocupação, há tempo para todas as outras.

É um paradoxo, porque acrescentando deveria diminuir o tempo. Mas nisso que parece uma brincadeira há uma verdade profunda: se nós dermos a Deus todo o tempo que nós devemos dar à vida interior, então para todas as outras coisas Deus velará por nós e nós teremos tempo para tudo. Essa é a grande verdade que se desprende dessa vida.

 Eu gostaria de analisar rapidamente aqui esse lindo elogio dele no vitral da Igreja dos Dominicanos de Colônia: “Este santuário foi construído pelo bispo Alberto, flor dos filósofos e dos sábios – coisa positiva, construtiva – modelo dos costumes, refulgente destrutor das heresias – os senhores vêem duas coisa juntas - e flagelo dos maus”

Quando é que hoje se elogia alguém por ser um refulgente destruidor das heresias, ou flagelo dos maus? É uma coisa verdadeiramente incrível como nós caímos a tal ponto que esse elogio desapareceu completamente.