Plinio Corrêa de Oliveira

 

 

São Martinho de Porres,

vários aspectos de uma alma:

placidez, amabilidade, severidade e tom santamente aguerrido

 

 

 

Catolicismo, N° 691 - Julho de 2008 (*)

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Verdadeira face de São Martinho de Porres – Pintura anônima do séc. XVII. Mosteiro de Santa Rosa de las Monjas de Lima, Peru

Guardo comigo um quadro de São Martinho de Porres (1579 – 1639). Uma fisionomia feia, traços irregulares, quase vulcânicos, e com uma peculiaridade que custei a explicar-me a mim mesmo. Observando o rosto dele, notava algo de díspar: de um lado dava uma impressão, e de outro dava impressão diversa.

Apliquei uma folha de papel sobre seu rosto, isolando uma metade da face da outra metade. Percebi então que apresentava duas fisionomias conjuntas: uma plácida e amável, de um lado; outra severa e santamente aguerrida, de outro lado. Essa disparidade criava alguma dificuldade para se entender sua personalidade.

Mas, no total, é santo, canonizado pela Igreja.

 

 

Convento de São Domingos em Lima, admiravelmente restaurado

Algum tempo depois, caiu-me nas mãos uma biografia dele. São Martinho não era padre, mas sim irmão leigo do famoso convento de São Domingos, de Lima. Certo dia, ele saiu com um grupo de religiosos dominicanos dessa comunidade para fazer um passeio a pé. Em determinada hora, perceberam que se tinham atrasado demais, e que não conseguiriam voltar ao convento a tempo para a oração do Angelus. O que fazer?

Rezaram, e todos elevaram-se no ar. Como precursores da aeronáutica, voaram por cima dos edifícios da cidade colonial de Lima, e suavemente desceram no claustro do convento, bem na hora do Angelus.

A cena me parece encantadora. Um verdadeiro fioretti, que merecia ser pintada por um grande artista como Fra Angelico. 


(*) Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio em 21 de dezembro de 1984. Sem revisão do autor.


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