VENEZUELA
Na frustrada perseguição à TFP, cai a máscara
liberal da ditadura socialista
VENEZUELA
SIGNIFICA pequena Veneza. Este nome lhe foi dado por Américo Vespucio, da expedição de Alonso
de Ojeda, ao avistar, sobre o lago de Maracaibo, as
casas dos indígenas sobre palafitas. Mas, além das muitas águas, o País possui
picos que atingem até 5.000 m. E a maior queda d'água do mundo, o Salto Angel, com nada menos que 1.005 m. de altura, se localiza
em terras venezuelanas.
Nos
primórdios do País, no ano de 1652, ocorreu o drama do cacique dos índios Coromotos. Tendo o chefe deles sido favorecido por uma
aparição de Nossa Senhora – que o convidava, e aos seus, a receberem o batismo
– tomou-se de súbito e inexplicável furor, lançando-se sobre a soberana Senhora
para colocá-la fora de sua choupana. Mas, por um prodígio singular, a
Santíssima Virgem, ao desaparecer, deixou na mão do cacique – que por fim se
converteu – uma diminuta imagem cercada de raios luminosos. Esta milagrosa
imagem é a que se venera em Guanare, cidade a poucos
quilômetros do lugar onde se deu a misericordiosa manifestação da Mãe de Deus.
Nossa Senhora de Coromoto tornou-se a Patrona do
País.
Como nos demais países sul-americanos, a
Religião Católica é esmagadoramente majoritária na
Venezuela. Mas têm alguma expressão cultos primitivos africanos e indígenas,
como o de Maria Lionza, uma espécie de deusa cultuada
à maneira animista por setores das camadas mais
baixas da população, e exaltada sob pretexto nacionalista em algumas rodas de
certa burguesia.
Depois
da queda do ditador Pérez Jiménez
(1958) e de consideráveis ameaças guerrilheiras nos anos 60, dir-se-ia que se
iniciou, e dura até hoje, uma era de estabilidade política, com o suceder-se
alternado no Poder dos dois partidos majoritários: a Ação Democrática, social-democrata, e o COPEI, democrata-cristão. Entretanto,
muitos analistas políticos apontam tendências ditatoriais no governo socialista
de Lusinchi, marcado por restrições à imprensa, por
perseguição a inimigos políticos e pelo brutal e ilegal fechamento de Resistencia (entidade coirmã das TFPs) após prolongada e
estrondosa campanha publicitária, que contou com impulso do Executivo. Porém, o
Poder Judiciário, por sentença de 15-5-86, transitada em julgado, reabilitou em
última instância Resistencia, reconheceu a
inexistência de qualquer ilícito penal na atuação da entidade, reabilitando-a
desse modo aos olhos do público.
Qual
a causa de tão injusta e singular campanha governamental contra a TFP? Muitas
respostas poderiam ser dadas a essa questão, mas a melhor e mais eloqüente é a
própria cronologia, pois o "estrondo publicitário" começou a
desatar-se apenas 36 dias depois que Resistencia
saíra às ruas para protestar, de forma ordeira e legal, contra o projeto de lei
de "custos, preços e salários", enviado ao Parlamento pelo Executivo.
As pessoas mais atiladas viram na atuação do Governo uma represália contra tal
campanha, tanto mais que todo o passado de Resistencia
apresenta um caráter marcadamente anti-socialista.
É
esse passado que se trata de conhecer aqui e, para isso, é preciso remontar ao
ano de 1968.
1968
Primeira
estruturação
MAIO – Vários universitários que haviam conhecido os
ideais das TFPs consubstanciados em "Revolução e Contra-Revolução"
constituem o Grupo Tradicionalista de Jóvenes Cristianos Venezolanos.
Kerenskys
na Venezuela?
MAIO – Publicação e difusão em todo o País do livro Frei,
o Kerensky chileno (1), em que Fábio Vidigal
Xavier da Silveira mostra como a Democracia Cristã preparava o caminho para o
comunismo no Chile. A obra já havia sido publicada por partes no jornal
"La Verdad", de Caracas (outubro de 1967),
suscitando protestos da embaixada chilena (2). Sua difusão tem grande impacto,
pois nesse ano de 1968 se realizam as eleições que levam à Presidência o líder
democrata-cristão Rafael Caldera. Deste livro são
feitas duas edições, com um total de 6 mil exemplares.
(1) Editado pelo Grupo Tradicionalista de Jóvenes Cristianos Venezolanos.
(2) Ver cartas do Encarregado de Negócios do Chile,
sr. Gustavo Valdivieso ("La Verdad",
10 e 17-11-67) às quais respondeu o sr. Fábio Vidigal Xavier da Silveira pelo
mesmo órgão (em 9-3-68).
Análise do programa do COPEI
NOVEMBRO – Nas vésperas das eleições presidenciais, o
Grupo Tradicionalista de Jóvenes Cristianos Venezolanos
publica na imprensa (3) manifesto no qual mostra que o programa do COPEI
(Partido Democrata-Cristão da Venezuela) é fundamentalmente
igual ao da Democracia Cristã chilena.
(3) Cfr. "La Verdad", Caracas, 28-11-68; "El Nacional",
Caracas, 9-11-68.
O
Grupo Tradicionalista de Jóvenes Cristianos Venezolanos publica
matéria sobre o IDO-C e os grupos proféticos (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito
internacional nº 2).
1970
Primeira
campanha de rua
NOVEMBRO – O Grupo Tradicionalista de Jóvenes Cristianos Venezolanos publica em "La Verdad",
de Caracas, e divulga no mês seguinte em campanha de rua por meio de folhetos,
o artigo do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira Toda a verdade sobre as eleições no
Chile (4).
(4) Cfr. "La Verdad",
23-11-70.
1971
Fundação
OUTUBRO – Os membros do Grupo Tradicionalista de Jóvenes Cristianos Venezolanos fundam o Núcleo
Venezolano de Defensa de la Tradición, Familia
y Propiedad.
Opressor
da civilização cristã
OUTUBRO – A propósito da visita de Allende à
Venezuela, o Núcleo TFP publica nos jornais um protesto deplorando a presença
no País do opressor da civilização cristã no Chile.
Covadonga
NOVEMBRO – O Núcleo TFP começa a editar a revista
"Covadonga", destinada à análise dos acontecimentos da atualidade à
luz da doutrina católica. Nesse primeiro número são expostos a finalidade e o
campo de ação do Núcleo Tradição, Família e Propriedade. A divulgação desta
revista amplia o círculo de amigos do Núcleo. Ela apresenta, ademais,
substanciosos artigos doutrinários, que propiciam a reação ideológica ao
indiferentismo criado pela détente.
Trapaças
NOVEMBRO – Publicação na imprensa (5) do manifesto da
TFP chilena intitulado Nem armas, nem barbas, mas trapaças: a via chilena.
(5) Cfr. "La Verdad",
22 a 25-11-71.
1973
JANEIRO – "Covadonga" publica em número
especial (5 mil exemplares) estudo denunciando o IDO-C e os "grupos
proféticos" (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito
internacional nº 2).
Socialismo
cristão?
MARÇO – Carta aberta ao Bispo de Barcelona, Mons.
Constantino Maradey Donato,
analisando declarações (6) nas quais o Prelado aprova algumas formas de
socialismo. O Núcleo TFP lhe faz um respeitoso pedido público de esclarecimento
sobre o direito de propriedade e a família. A carta, entregue no Palácio
Episcopal, é posteriormente transcrita nos principais jornais de Caracas (7) e
difundida também nas ruas. Não houve resposta do Prelado.
(6) Cfr. "El Nacional", 23-1-73.
(7) Em 11 e 12-3-73.
Intervenção
JUNHO – Representantes do Núcleo TFP fazem uso da
palavra na XXVIII Assembléia Anual das Fedecamaras (Federación Nacional de Camaras,
Asociaciones de Comercio y Producción),
distribuindo, ademais, documento no qual insistem sobre a necessidade da
difusão dos princípios doutrinários sobre os quais se esteia a propriedade privada,
e alertam sobre o avanço do Estado monopolista, a perda de terreno da
iniciativa privada e a mutilação da propriedade particular.
Ofensiva
e surpresa
AGOSTO – No manifesto A TFP informa à opinião pública:
surpresa, a grande arma da ofensiva comunista, a entidade analisa o
avanço do comunismo na América Latina e alerta a opinião nacional sobre o
eventual progresso da esquerda nas eleições presidenciais que se realizariam
dentro em breve.
Ambigüidades
SETEMBRO/OUTUBRO – Divulgação (8) de dois manifestos:
o primeiro pede respeitosamente ao Episcopado venezuelano que explique qual é o
socialismo que "pode ter sentidos válidos e aceitáveis", de acordo
com o documento que os Bispos haviam publicado pouco antes. O segundo é uma
interpelação ao deputado comunista Héctor Mujica, que havia afirmado a existência de “Sacerdotes
amigos que se identificam com nossa Causa em todo o País” (9). A TFP desafia o
Partido Comunista a que publique os nomes desses Sacerdotes, pois ocultá-los
significaria assumir a responsabilidade de estar organizando a traição dentro
da Igreja.
(8) Em 28-8-73, 9 e 10-9-73.
(9) Cfr. "2001", Caracas, 7-8-73.
Ambos são publicados nos principais jornais de
Caracas, e 20 mil volantes divulgados nas ruas. A resposta é o silêncio...
Cuba faz cair prestígio
NOVEMBRO – Na iminência das eleições presidenciais,
preparava-se o restabelecimento de relações diplomáticas entre a Venezuela e
o regime comunista de Cuba. A TFP publica na imprensa (10) uma carta aberta ao
Presidente Rafael Caldera, da Democracia Cristã,
mostrando que tal restabelecimento seria um golpe mortal nas esperanças de
libertação do povo cubano, sem trazer nenhum benefício para a Venezuela. A
resposta do Chefe de Estado, transmitida pela TV, não é absolutamente
convincente para o País, o que redunda em considerável perda de prestígio do
partido do Governo e do candidato demo-cristão à
Presidência.
(10) Cfr. "El Mundo", Caracas, 29-11-73, e
outros.
Depois da derrota do COPEI nas eleições, um alto
dirigente dessa agremiação declara que "uma porcentagem não desprezível de
eleitores preferiu votar na Ação Democrática e não no COPEI", por
considerar que "a aproximação com Cuba era sinistra para o País"
(11).
(11) "El Universal", Caracas, 29-4-74.
Pacto
eleitoral
DEZEMBRO – A TFP interpela publicamente (12) o Sr. Lorenzo Fernandez, candidato
democrata-cristão à Presidência, pedindo-lhe que confirme ou desminta os
rumores sobre a existência de um pacto eleitoral entre sua candidatura e o
Partido Comunista. "O silêncio equivaleria a uma
confissão", assinala a interpelação. E o interpelado guardou silêncio...
(12) Cfr. "Ultimas Noticias", 5-12-73, e
outros.
Após a derrota da Democracia Cristã, a TFP publica na
imprensa um comunicado pedindo ao Presidente eleito, Carlos Andrés
Perez, que reconheça o sentido anticomunista do
pronunciamento das urnas.
1974
ABRIL – Divulgação em jornais e campanhas de rua do
documento A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas. Para a
TFP: omitir-se? ou resistir? (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito
internacional nº 4).
JULHO – Campanha contra a distensão das nações
ibero-americanas em relação à tirania cubana (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito
internacional nº 6).
Consolidação
da opressão
AGOSTO – Relações com Cuba: consolidação da opressão
e injustiça e golpe sobre a confiança do eleitorado venezuelano. Sob
este título, a TFP publica nos jornais (13) uma carta aberta ao novo Chefe de
Estado, Carlos Andrés Perez,
impugnando o restabelecimento de relações diplomáticas com Cuba e reafirmando
os termos da carta dirigida ao seu antecessor.
(13) Cfr. "El Nacional" e "Ultimas
Noticias", 14-8-74; "El Universal" e "El Mundo",
19-8-74.
Não tendo recebido resposta, a TFP envia telegrama ao
Presidente, propondo que o Governo venezuelano promova pelo menos uma
investigação – quiçá a cargo da ONU, com a participação de exilados cubanos –
sobre as condições das liberdades em Cuba (14).
(14) Cfr. "El Nacional", 3-9-74; "Ultimas
Noticias", de 3-9-74; "El Universal", 4-9-74; "2001",
5-9-74 e "El Mundo", 6-9-74.
SETEMBRO/OUTUBRO – "Covadonga" publica
reportagem sobre os mil dias de Allende (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito
internacional nº 3).
1975
Resistencia
FEVEREIRO – O núcleo de jovens que fundaria mais tarde
a Asociación
Civil Resistencia publica o número
"zero" da revista universitária "Resistencia".
Heróico
Purpurado
ABRIL – Por ocasião da visita do Cardeal Josef Mindszenty à Venezuela, a
TFP divulga (15) uma mensagem de boas vindas ao heróico Purpurado, e tem a
honra de recebê-lo com seus estandartes no aeroporto internacional de Maiquetía. O ilustre visitante recebe por duas vezes os
diretores e cooperadores da TFP, e os distingue com expressivas mostras de
simpatia.
(15) Cfr. "El Universal", Caracas, 18-4-75.
Fátima
JULHO – Publicação e divulgação, em toda a Venezuela,
do opúsculo Simples relato do que se passou em Fátima quando Nossa Senhora apareceu,
do Eng. A. A. Borelli Machado.
Fascista
= comunista
OUTUBRO – A TFP publica folheto, amplamente divulgado
em campanhas de rua, demonstrando que deve ser contra o fascismo quem é contra
o comunismo, pois ambos são similares.
1976
MARÇO/ABRIL – A Imagem peregrina de Nossa Senhora de
Fátima, que verteu lágrimas milagrosamente em Nova Orleans (EUA), visita a
Venezuela sob os auspícios da TFP, sendo cultuada por mais de 150 mil pessoas.
JULHO – A revista universitária "Resistencia" publica reportagem sobre o recente livro
da TFP chilena A Igreja do silêncio no Chile. A revista é difundida em
campanha nas ruas (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito
internacional nº 8).
Visita
indesejável
OUTUBRO – Publicação na imprensa (16) de um manifesto
de protesto da TFP pela visita à Venezuela do Presidente comunista húngaro Pál Losonczi. O estandarte da
sede social da entidade permanece enlutado durante os dias em que Losonczi está presente no País.
(16) Cfr. "El Universal", 9-10-76.
1977
Na
Universidade
A partir deste ano os jovens reunidos em torno da
revista "Resistencia" começam a exibir um
mural num dos halls mais freqüentados da Universidade
Católica Andrés Bello, de
Caracas.
Perplexidade
documentada e respeitosa
ABRIL – Entrevistado pela imprensa, Mons. Ovidio Pérez Morales
– objeto de alusão no prólogo de A Igreja do Silêncio no Chile por
sua notória orientação esquerdista – atribui à TFP, sem fundamento, o fato de
ter sido qualificado de "tolo útil". Em vez de retificar suas
anteriores declarações, nas quais exaltava "os valores genuínos do
marxismo", "as esperanças que representa" etc., Mons. Pérez Morales declara:
"Continuo crendo que o marxismo está chamado a dar uma contribuição
importante para o progresso da humanidade" (17).
(17) "El Nacional", 19-3-77.
Diante do fato, a TFP externa sua perplexidade, de
forma documentada e respeitosa, em manifesto divulgado em dezesseis campanhas
de rua (53 mil exemplares). O documento é publicado em vários jornais (18).
(18) Cfr. "El Mundo", 11-4-77; "El
Universal", 12-4-77; "El Nacional", 21-4-77.
Sugestivamente, o deputado marxista e candidato
presidencial do Movimento ao Socialismo
(MAS), José Vicente Rangel, sai em defesa de Mons. Pérez
Morales, emitindo, além do mais, declarações
furibundas contra a TFP (cfr. "El Mundo" Caracas, 24-3-77).
Telex
a Paulo VI
JULHO – A TFP venezuelana publica em vários jornais
(19) o texto do telegrama do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira a Paulo VI, no
qual se manifesta perplexo com a política de distensão do Vaticano com os
governos comunistas. São divulgados em campanhas de rua 33 mil exemplares do
boletim número 5 de "TFP Informa", com o texto do documento.
(19) Cfr. "El Nacional", Caracas, 4-7-77; "El Mundo", Caracas,
15-7-77; "El Universal", Caracas, 16-7-77; "Panorama",
Maracaibo, 18-7-77; "El Impulso", Barquisimeto, 18-7-77.
Retificação
inteira?
OUTUBRO – Diante de novas e desconcertantes
declarações favoráveis ao comunismo feitas pelo Secretário do Episcopado, Mons.
Ovidio Pérez Morales (posteriormente desmentidas por ele de forma
insuficiente) a TFP publica uma carta aberta (20) dirigida ao Prelado. Nela,
mostra que as idéias por ele manifestadas e posteriormente negadas, são a
constante de seu pensamento. Em conseqüência, pede que ele retifique
inteiramente sua posição e "restabeleça a integridade da muralha
doutrinária que protege os católicos venezuelanos contra o comunismo". O
documento é publicado nos principais jornais e difundido em campanha por todo o
País (21).
(20) Cfr. "El Nacional", 20-10-77; "El
Mundo", 21-10-77; "El Universal", 23-10-77.
(21) 50 mil exemplares nas principais cidades.
Sem
argumentos
OUTUBRO – O então Arcebispo coadjutor de Caracas,
Mons. José Ali Lebrun (hoje Cardeal-Arcebispo
da mesma Arquidiocese), e o Arcebispo de Maracaibo, Mons. Domingo Roa Pérez, se solidarizam com Mons. Pérez
Morales, afirmando que as críticas da TFP eram
injustas (22). Os Prelados se baseavam somente em sua autoridade e, sem dar
argumentos, atacavam a TFP, que replicou pelos jornais (23). Também desta vez
foram distribuídos folhetos com o comunicado da TFP em campanhas de rua.
(22) Cfr. "La Religión", 29-10-77 e 5-11-77.
(23) Cfr. "El Universal", 13-11-77; "El
Nacional", 14-11-77; "El Mundo", 15-11-77.
1978
MAIO – A revista "Resistencia"
edita a terceira parte do ensaio Revolução e Contra-Revolução, de
Plinio Corrêa de Oliveira (ver Livros editados por várias TFPs nº 1).
Patrona
da Nação
MAIO – Difusão pela TFP em todo o País da edição de 10
mil exemplares do livro Breve história de Nossa Senhora de Coromoto, de autoria do Irmão Nectário
Maria, para tornar conhecidas as manifestações de misericórdia e predileção com
que a Patrona da Venezuela beneficiou a Nação.
MARÇO, AGOSTO E DEZEMBRO – Telegrama a Carter a respeito das vítimas do comunismo no Vietnã e no
Cambodge. Apelo ao "Seminário para a proteção e promoção dos direitos
humanos" (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito internacional nº
7).
AGOSTO/SETEMBRO – "TFP informa" reproduz
artigos do prof. Plinio Corrêa de Oliveira sobre a sucessão pontifícia (ver TFPs:
ações conjuntas em âmbito internacional nº 10).
Temas
de atualidade
SETEMBRO – Difusão pela TFP em campanha pública por
todo o País dos Diálogos sociais (10 mil exemplares), opúsculos onde, em
linguagem simples e acessível, se expõe a doutrina social católica sobre temas
da atualidade: propriedade privada, livre iniciativa, família etc.
Cadeado
na boca
NOVEMBRO – Nas vésperas da nova eleição presidencial,
a TFP se dirige publicamente aos candidatos dos dois principais partidos.
Expressando-lhes apoio em determinados pontos e fazendo reparos em muitos
outros, a Sociedade lhes pede uma definição de posições, de acordo com o desejo
da maioria católica do País. Os documentos são publicados nos principais
jornais e distribuídos pelos cooperadores da TFP nas ruas.
A pedido do COPEI, o Conselho Supremo Eleitoral proíbe
a divulgação de documentos que o acusam de coincidência com o comunismo. A TFP
publica então um comunicado intitulado A Democracia Cristã: um cadeado na boca?
(24). O documento aponta nesse episódio as tendências totalitárias
manifestadas pela DC venezuelana. É
divulgado também em campanhas de rua.
(24) Cfr. "El Universal" e "El
Mundo", ambos de 30-11-78.
1979
Asociación Civil Resistencia
FEVEREIRO – Devido ao crescimento do núcleo de jovens
agrupados em torno da revista "Resistencia",
e do êxito da campanha dos Diálogos Sociais, funda-se a Asociación Civil Resistencia,
entidade juvenil autônoma e distinta da TFP venezuelana, mas congênere das TFPs
existentes em todo o mundo.
Candente
atualidade
MAIO – A Asociación Civil Resistencia começa a editar seu boletim mensal "Resistencia en 30 dias".
Autenticidade?
JULHO – Venezuela na grande encruzilhada:
autenticidade, o imperativo cívico e cristão que o momento impõe.
Publicado em vários jornais (25) e difundido também em campanhas de rua, este
manifesto da TFP, além de pedir autenticidade na vida política e nos debates
sobre economia, que estão em curso, mostra como os temas que verdadeiramente
preocupam a opinião pública, como o avanço comunista no Caribe e o aborto, não
estão sendo focalizados devidamente pela imprensa.
(25) Cfr. "El Universal", Caracas, 1º-7-79;
"El Mundo", Caracas, 2-7-79; "El Nacional", Caracas,
3-7-79; "Panorama", Maracaibo, 4-7-79.
Explicação
sobre a TFP
SETEMBRO – "Resistencia
en 30 dias" publica uma explicação detalhada
sobre a TFP e seus objetivos, que é distribuída a seus amigos e simpatizantes.
1980
Publicações
periódicas
A partir deste ano, até 1984, os jornais "El
Universal" e "Buen Rato", de Caracas,
reproduzirão periodicamente as colaborações do Prof. Plinio Corrêa de Oliveira
publicadas no quotidiano paulista "Folha de S. Paulo".
Milagre
do sangue de São Pantaleão
JANEIRO – Campanha pública para difundir o boletim
"TFP Informa", com um relato sobre o milagre do sangue de São Pantaleão, que se iniciou em Madrid
no dia 27 de julho de 1979.
Desacertada
distensão
MARÇO – Carta aberta ao Ministro das Relações Exteriores
da Venezuela, Dr. José A. Zambrano Velazco, a respeito da desacertada política de distensão
com a Cuba castrista e de seus lamentáveis efeitos no
Caribe, ao estimular a expansão comunista (26).
(26) Publicada em "El Mundo", 16-4-80; e em
"El Universal", 17-4-80.
ABRIL – Telex a João Paulo II a propósito dos milhares
de cubanos que se refugiaram na Embaixada do Peru em Havana (ver TFPs:
ações conjuntas em âmbito internacional nº 9).
1981
Morte
para amanhã
MARÇO – A propósito da influência psicológica da
guerrilha em El Salvador sobre a opinião pública venezuelana, a TFP publica nos
jornais o comunicado intitulado A resistência concessiva ante o comunismo.
Sobrevivência para hoje, morte para amanhã (27).
(27) Cfr. "El Universal", 21-3-81; "El
Mundo", 24-3-81.
"Ataram-lhe
as mãos porque fazia o bem"
ABRIL – Em número dedicado à Semana Santa, "Resistencia en 30 dias"
publica o artigo de Plinio Corrêa de Oliveira Ataram-lhe as mãos porque fazia o
bem, que comenta aspectos da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo.
Exportação
sandinista
MAIO – Difusão pela TFP de reportagem sobre a Noite
Sandinista, realizada ao término de um
congresso eclesiástico subversivo em São Paulo, Brasil, que incitou à guerrilha
e à ofensiva sandinista em todo o continente.
Conservadores
vitoriosos
MAIO – Por ocasião da vitória da coligação de forças
conservadoras que levou Reagan ao poder nos EUA, o boletim "Resistencia en 30 dias"
analisa o conjunto de organizações chamado "Nova Direita", que une
grande parte da opinião anti-esquerdista daquele
País.
DEZEMBRO – A Mensagem das 13 TFPs sobre o socialismo autogestionário francês é publicada largamente na
Venezuela (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito internacional nº
12).
1982
ABRIL – Ao deflagrar-se inesperadamente a guerra das
Malvinas, e tendo em vista a comoção produzida na Venezuela, a TFP publica o
comunicado de sua congênere argentina a respeito desse conflito (ver TFPs:
ações conjuntas em âmbito internacional nº 13).
Bureau para
representação
AGOSTO – Nesse ano, em um contexto de rápida expansão,
devida sobretudo à publicação da Mensagem das TFPs sobre o socialismo autogestionário, procede-se a uma reestruturação funcional,
desdobrando em dois ramos as atividades até então desenvolvidas em prol da
Tradição, Família e Propriedade no País. Funda-se em Caracas um Bureau para Representação das 15 TFPs, para
divulgar na Venezuela a opinião conjunta delas sobre temas de interesse
internacional. Dele se encarrega o sr. Pedro Morazzani
Boschetti. De seu lado, continuam os jovens de Resistencia com a
execução das atividades de âmbito venezuelano.
Perigos
do PSOE
NOVEMBRO – São distribuídos aos amigos e simpatizantes
de Resistencia
em todo o País exemplares de uma esclarecedora carta aberta da Sociedad Cultural Covadonga-TFP,
dirigida ao Partido Socialista Obrero Español (PSOE).
1983
Matança
dos inocentes
ABRIL – É divulgado o apelo da TFP espanhola contra o
aborto, no documento Ante a matança dos inocentes: Dentro da
ordem e da lei, santa indignação.
"Resistencia" leva alegria e conforto a hospital
MAIO – Convidados pelo capelão do Hospital Clínico de
Caracas, militantes de Resistencia visitam doentes do
instituto, levando-lhes palavras de consolo e de confiança, e distribuindo
estampas de Nossa Senhora de Fátima.
Pensamento
político
JUNHO/JULHO – Cooperadores de Resistencia comparecem, na
qualidade de observadores, ao Congresso do Pensamento Político Latino-Americano, celebrado em Caracas, com a presença de
políticos, ideólogos, economistas, escritores e pensadores das três Américas e
da Europa. Neste simpósio, organizado pelo Congresso da República, entregam aos
assistentes – entre os quais se contam vários ex-presidentes, assim como altos
dirigentes de partidos políticos latino-americanos – o exemplar da revista Resistencia com a
Mensagem
das TFPs sobre o socialismo autogestionário francês.
JULHO – O Bureau divulga em Caracas o protesto das TFPs pela nomeação
de Kissinger como assessor para a América Central
(ver TFPs:
ações conjuntas em âmbito internacional nº 14).
SETEMBRO – O Bureau protesta
contra a derrubada de avião de passageiros sul-coreano
pelos russos (ver TFPs: ações conjuntas em âmbito internacional nº
15).
Granada:
telegrama a Reagan
NOVEMBRO – O Bureau Tradición, Familia y Propiedad divulga na imprensa de Caracas (28) o
telegrama de felicitação enviado pela TFP norte-americana ao Presidente Reagan
pela libertação da ilha de Granada.
(28) Cfr. "El Universal", 9-11-83.
Sinistro
perigo afastado
NOVEMBRO – Resistencia dirige carta aberta ao Presidente Luis Herrera Campins,
na qual lamenta a posição do Governo, contrária à atuação das forças
norte-americanas em Granada, e elogia as nações que intervieram a tempo para
conjurar o perigo. A carta é publicada na imprensa sob o título Granada,
ninho de artilharia apontado contra nós (cfr. "El Universal",
14-11-83).
A Associação
Civil Resistencia decide obter assinaturas de
apoio a este documento. Para isto os militantes da entidade – com seus símbolos
característicos – realizam campanha nos pontos-chave
do centro de Caracas. O público reage apoiando com entusiasmo a iniciativa, e
em apenas 13 dias 29 mil pessoas subscrevem o texto ("El Universal" e
"Panorama", 30-11-83).
Audiência
presidencial
DEZEMBRO – O Presidente Luis
Herrera Campins recebe em
audiência dois representantes de Resistencia, ocasião em que lhe é entregue o
abaixo-assinado. O Presidente manifesta seu apreço pelo trabalho árduo
realizado para obter aquele número de assinaturas, exprimindo também sua
simpatia pelo gesto de Resistencia
e pelo idealismo que seus jovens membros demonstram.
1984
Lei
iníqua, campanha de Resistencia
JUNHO – Ante a possível aprovação de projetos de lei
submetidos à consideração do Congresso, e que poderiam afetar a fundo o futuro
do País, a Associação Civil Resistencia julga seu dever fazer ouvir sua voz no campodos princípios. Publica então o manifesto O
socialismo gerou a maior crise sócio-econômica das últimas décadas – e a lei de
Custos, Preços e Salários vai agravá-la (29). O documento mostra que a Venezuela foi sendo conduzida gradualmente
para onde não queria nem devia ir: rumo ao Estado socialista. O semanário
"Tribuna Popular", do Partido Comunista, ataca violentamente, em
primeira página, a campanha de Resistencia.
(29) Publicado em "Resistencia
en 30 dias"; "El Universal" e "El
Mundo", 26-6-84, e difundido em campanhas de rua.
36
dias depois...
AGOSTO – Trinta e seis dias depois da campanha de Resistencia a
respeito da lei de Custos, preços e salários, o governo socialista do
Presidente Lusinchi começa a desencadear contra a
entidade o mais violento "estrondo publicitário" da história do País,
dando origem a verdadeira perseguição ideológico-religiosa.
A polícia caraquenha invade
o imóvel da sede social da entidade, alegando ter recebido denúncia (anônima)
de que ali havia menores seqüestrados. Procede ela à vistoria, obviamente nada
encontrando.
Depois de um pequeno hiato, a campanha publicitária
toma no mês de outubro proporções gigantescas. Em poucas semanas, 600 notícias
de jornais contra Resistencia
são publicadas tão-só em Caracas (das quais 100 em apenas dois dias...), sendo
levadas ao ar nada menos que 20 horas de programação de TV. As acusações
estapafúrdias se repetem sem cessar, como, por exemplo, a de que todos os anos,
no mesmo dia, um membro de Resistencia pratica o suicídio ritual. À longa lista de
absurdos não podia faltar a calúnia, já desmentida e desprestigiada no Brasil,
de que a TFP deste País havia promovido exercícios de tiro, utilizando como
alvo uma foto de João Paulo II (*).
(*) Em muitas das acusações então veiculadas contra Resistencia
pode-se reconhecer o estilo do norte-americano Lyndon
LaRouche, mentor de uma rede de organizações cívicas,
culturais, financeiras e políticas, e de uma cadeia de agências de notícias, a
qual, segundo foi possível comprovar, alimentou de inverdades
delirantes o "estrondo" venezuelano em toda a duração dele (cfr.
"Ultimas Noticias", Caracas, 13-10-84 e "2001", Caracas,
14-2-85). Posteriormente, Lyndon LaRouche
foi condenado a 15 anos de prisão pela Justiça norte-americana, por estelionato
("Folha de S. Paulo", 28-1-89).
Resistencia e o Bureau Tradicão, Família, Propriedade (também
atingido pelo "estrondo") se defendem serenamente, refutando uma a
uma, sem exceção, todas as acusações concernentes a seus respectivos âmbitos.
As portas das redações dos jornais se fecham para suas respostas, mas elas são
publicadas como anúncios pagos. Não há tréplicas. Os promotores do
"estrondo publicitário" retomam as mesmas acusações, como se nada
tivesse sido dito pela TFP em sua defesa.
De seu lado, Ministros do Governo Lusinchi
se associam ao coro, comparecendo diversas vezes à televisão para atacar Resistencia.
Dramática
atuação
Cinco ou seis famílias – os jovens de Resistencia eram
cinqüenta – se mostram inconformes com o fato de seus filhos colaborarem com Resistencia. De
início, começam a molestá-los. Depois se põem a difamar publicamente o conjunto
dos jovens de Resistencia,
entre os quais seus próprios filhos, pela imprensa e televisão, fato
inconcebível, e até do qual o público venezuelano não conhece precedentes.
Pouco depois, pedem à Procuradoria Geral da República e à Polícia Política
(DISIP) que coarctem a liberdade de movimento dos jovens de Resistencia, proibindo-os – a
eles que são, todos, maiores de idade – de ausentar-se do País, e ao mesmo
tempo solicitam aos corpos de segurança do Estado que os interroguem em
presença de psicólogos, para estabelecer se sofreram "lavagem
cerebral" em Resistencia
ou na TFP brasileira, que haviam visitado durante as férias.
Os órgãos policiais do Governo socialista Lusinchi, que pareciam não esperar senão exatamente pela
desconcertante iniciativa dos pais inconformes, no dia seguinte ao pedido se
colocam em ação, começando imediatamente os interrogatórios e prolongando-os
por oito dias. Alguns dos jovens têm que permanecer até onze horas consecutivas
na polícia, sem que lhes seja permitido comer e, em muitos casos, nem beber. A
ferocidade policial é alternada com provocações e diversos processos de pressão
moral e psíquica (*).
(*) Tudo lhes foi perguntado, desde qual era a
influência da cor vermelha em sua vida, até assuntos íntimos. Ou relativos à
liturgia! Ao mesmo tempo, mulheres da polícia os ultrajavam, com convites
lascivos, narrações obscenas, e caçoadas. Alguns tiveram que se submeter a
exames toxicológicos, testes psiquiátricos e
neurológicos e "avaliações" antropométricas.
A sede de Resistencia volta a ser vistoriada (e o é quatro vezes em
poucas semanas...), sem que seja possível impugnar de forma documentada a
associação no que quer que seja. Diante da nítida perseguição policialesca, esses jovens (o mais velho mal chegava aos 30
anos) professam sua fé católica e se mantêm firmes na sua adesão aos princípios
da organização que integram. Seria, portanto, de esperar que da parte da Hierarquia
da Igreja da Venezuela lhes chegasse alguma palavra de conforto. Em vez disto, Resistencia é atacada publicamente por um Bispo e vários
Sacerdotes. O Cardeal José Ali Lebrun, Arcebispo de
Caracas (que recebera em seu Palácio, abençoara e desejara sorte ao candidato
presidencial marxista, o ex-guerrilheiro comunista Teodoro Petkoff), nega-se a
receber os membros de Resistencia quando estes lhe
solicitam uma entrevista, e até quando a ele recorrem pelo telefone, o Prelado
corta a ligação depois de lhes fazer uma áspera invectiva. Nos mesmos dias,
recebe demoradamente em audiência o grupinho de pais
hostis. Nenhum dos membros do Episcopado venezuelano responde, nem sequer nos
limites mínimos de cortesia prescritos pelas boas praxes, a uma filial e respeitosa
circular, em que Resistencia pede alguns
esclarecimentos e se põe à disposição para qualquer elucidação.
Uma
Comissão Parlamentar de Inquérito
Na segunda semana de
novembro, o "estrondo publicitário" é marcado, sobretudo, por uma
tumultuosa sessão da Comissão de Política Interior do Congresso para interpelar
os dirigentes de Resistencia.
Nela, os discursos anti-Resistencia
se sucedem, e os dirigentes da entidade têm poucas oportunidades para se
fazerem ouvir. O discurso inicial, do deputado David Morales Bello, Presidente da
Comissão, já prejulga Resistencia, pois
afirma tratar-se de uma associação legal apenas na aparência, mas ilegal nos
fatos, por violar a Constituição. O deputado não aduz qualquer prova a suas
acusações. Os outros discursos são do mesmo gênero: a Comissão condena Resistencia antes
mesmo de começar a ouvi-la...
Em sentido contrário, o Dr. José Rodriguez
Iturbe, democrata-cristão, atual Presidente da
Câmara de Deputados, levanta-se para pedir que seja examinado, antes de mais
nada, se há provas dos fatos alegados, e quais deles são ilegais. Sua proposta
é acolhida agressivamente pela mesa, originando-se daí até um incidente.
A suspensão das atividades por decreto
O fechamento de Resistencia e do Bureau pelo
governo socialista sobrevém no dia 13 de novembro de
1984, em meio a uma sucessão frenética de acontecimentos.
No dia anterior, o Comitê Executivo da Ação
Democrática, partido integrante da Internacional Socialista, ao qual está
filiado o Presidente Lusinchi, pedira formalmente que
Resistencia
fosse fechada, e que não se permitisse sua atuação no País.
Pela manhã do dia 13, realiza-se um debate na TV, de
quase três horas, ao qual comparecem os jovens de Resistencia, tendo terminado com
nítida vantagem para estes, como prova o fato de o Governo ter proibido a
reprise do programa, já anunciada pela emissora de televisão.
Estranhamente, como "adivinhando" que algo
de sensacional estava por suceder, um batalhão de jornalistas e fotógrafos apresenta-se
nos portões da sede, acompanhados pelos pais inconformes. Surge também uma
chusma de agitadores (alguns dos quais portando paus e facões) liderados por
dois deputados socialistas dos que mais se destacaram na luta contra Resistencia.
A polícia é prevenida com insistência pela entidade
visada, entretanto não comparece. Seguem-se brados de slogans, o arrombamento
do grande portão, a invasão dos jardins e o apedrejamento da sede. Tudo com
transmissão simultânea pela TV.
No começo da noite, quando o show
revolucionário chega a seu climax, comparece diante
das câmaras de televisão o Ministro da Justiça, Manzo
Gonzales, e lê o decreto da suspensão das atividades
de Resistencia e do Bureau,
decreto esse assinado por ele e pelo Ministro do Interior, Octavio
Lepage, em nome do Presidente Lusinchi.
Até adversários estranham
Nos dias seguintes, conhecidas personalidades do
mundo político, jurídico e jornalístico venezuelano – inclusive o
ex-presidente Rafael Caldera – saem a público para
manifestar sua estranheza ante a medida ditatorial do Governo Lusinchi. A maioria delas diz não concordar com Resistencia, mas
verbera com vigor esse atentado contra o regime de liberdade, juridicamente
vigente no País (cfr. "Catolicismo", n° 410, fevereiro de 1985). O
Cardeal Lebrun, contudo, declara que "as
autoridades competentes do País atuaram conforme as leis do Estado proibindo o
funcionamento da organização" (30).
(30) "El Universal", Caracas, 17-11-84.
A TFP brasileira fez publicar comunicado intitulado Perseguição
ideológico-religiosa na Venezuela – Nuvem negra baixa sobre o País irmão,
o qual põe em realce a inocência de Resistencia e o
inequívoco caráter persecutório da atitude governamental (31). Esse
comunicado foi publicado pelas diversas TFPs um pouco por toda parte, em toda a
América do Sul.
(31) "Folha de S. Paulo", 14-11-84; e
"A Tribuna", São Carlos (SP), 25-11-84. Resumo do comunicado foi
divulgado pela France Press
em despacho de 16-11-84; "Folha de S. Paulo", 16-11-84; "Jornal
da Bahia", Salvador, "Última Hora", Rio e "Jornal do
Brasil", Rio, todos em 17-11-84; "Diário de Pernambuco",
18-11-84; "O Estado do Paraná", 20-11-84; "O Dia", Rio,
"Tribuna do Ceará", Fortaleza, "Correio Braziliense",
todos em 21-11-84; "A Tarde", Salvador, 24-11-84; "Jornal do
Comércio", Recife, 25-11-84; "Diário do Povo", Campinas (SP),
28-11-84; "O Jornal", Uruguaiana (RS), 29-11-84.
Declaração de inocência
A batalha prosseguiu, entretanto, junto ao Poder
Judiciário, onde tramitavam vários processos de caráter penal, civil e administrativo
em que Resistencia
e o Bureau ora eram autores, ora réus. Os mais
importantes eram duas averiguações penais, que terminaram, ambas, inocentando
completamente Resistencia.
A primeira dessas vitórias se concretizou em 19 de dezembro de 1984, quando a
Procuradoria (Fiscalía) Geral da Nação desistiu de
formalizar recurso à Corte Suprema de Justiça contra a sentença absolutória das
instâncias inferiores, com o que foi encerrada a investigação originada da
primeira vistoria na sede da entidade – em agosto de 1984 – por não existir
nada que indicasse a prática de qualquer delito por parte dos membros da
associação.
No segundo processo penal houve muitas delongas e
vicissitudes; finalmente, no dia 30 de dezembro de 1985, o Juiz do 14° Juizado
Criminal de Primeira Instância do Distrito Federal, Dr. Saúl
Ron Braasch, declarou
terminada a averiguação judicial "por não se revestirem de caráter penal
os fatos denunciados". E no dia 15 de maio de 1986 o Juiz do 10° Juizado
Superior Criminal proferiu sentença definitiva, que confirmou a decisão de primeira
instância, declarando que a ação penal estava extinta por se tratar de coisa
julgada.
Era o veredito inapelável da
Justiça, mostrando que a atroz perseguição movida pelo Governo Lusinchi carecia de qualquer fundamento.
Exílio
Mas, como se compreenderá facilmente à vista dos fatos
acima narrados, considerando o procedimento violento e arbitrário do governo,
os militantes de Resistencia
se sentiram privados do benefício das garantias legais conferidas aos cidadãos
venezuelanos pela constituição. E entenderam ser preferível deixar sua Pátria
querida, à espera de dias melhores em que pudessem retornar para servir nela a
causa da civilização cristã. Em conseqüência, estão eles hoje colaborando, em
sua grande maioria, com as TFPs de outros países.
Asociación Civil Resistencia
Presidente: Francisco Dorronsoro Basterrica
Vice-Presidente: Francisco Berrisbeitia Hernandez