É grande o zelo com que os professores católicos se
entregam à difusão da Religião de Cristo. Com sacrifício, muitas vezes, eles se
aproveitam do escasso tempo que lhes é dado nas escolas públicas e trabalham
ativamente na formação cristã de nossa infância. Também as diversas associações
para a propaganda do catecismo, como a Legião de São Paulo e a Liga do
Professorado Católico dão o máximo de
seus esforços para facilitar a boa instrução religiosa das crianças. São os
bons mestres a que se refere Pio XI na Encíclica sobre
a Educação, os quais “egregiamente
preparados e instruídos, cada qual na disciplina que deve ensinar e adornados
das qualidades intelectuais e morais, exigidas pelo seu importantíssimo oficio,
se abrasam dum amor puro e divino para com os jovens que lhes foram confiados,
precisamente porque amam Jesus Cristo e a sua Igreja de quem eles são filhos prediletos,
e por isso mesmo têm verdadeiramente a peito o bem das famílias e da sua
Pátria”.
Recentemente, o Rev.mo Padre Arlindo
Vieira S. J. denunciou, em
uma resenha impressionante de transcrições, a propaganda bolchevizante
a que se entregam três publicações especialmente destinadas à infância “Suplemento Juvenil”, “Edição Maravilhosa”
e “Suplemento Policial”. Toda a
orientação destas revistas é nitidamente comunista e como elas são amplamente
divulgadas por todo o Brasil, sua ação é notavelmente perniciosa.
Em Minas Gerais, os professores católicos atendendo às palavras do Padre Arlindo Vieira iniciaram imediatamente a companha contra as
referidas publicações. Para isso, em todas as escolas estão obtendo o
compromisso dos alunos de não mais as lerem, ao mesmo tempo que, por uma grande
publicidade, os parentes das crianças são informados da finalidade real dessas
revistas.
Temos certeza de que os professores católicos de São Paulo tomarão a mesma
iniciativa. Não basta dar às crianças a instrução religiosa, ensinar-lhes o
Catecismo e depois abandoná-las a todos os perigos do mundo. Se é verdade que
estes existem e que um dia deverão ser enfrentados, é verdade também que antes
que chegue este dia é “necessária uma
vigilância extensa e cuidadosa” diz o Santo Padre na Encíclica já referida.
O contrário seria entregar, a quem nunca guiou um automóvel, o volante de um
carro em movimento, ou então iniciar a vacinação de determinada pessoa contra
certa moléstia e, antes que o estado de resistência se desenvolvesse, obrigá-la
a ingerir uma cultura viva do gérmen
responsável pela mesma infeção.
A instrução religiosa forma e imuniza eficazmente
contra as doutrinas revolucionárias e extremistas. Não é possível, porém,
permitir que estas sejam inoculadas a quem ainda se acha em vias de imunização
ou a quem está ainda aprendendo a movimentar-se no mundo. A infância e a
juventude devem ser preservadas de toda a contaminação para que depois se apresentem
fortes e ágeis. Tal é o trabalho que se oferece aos professores católicos
paralelamente à sua ação positiva de ensino religioso. Eles devem afastar de
seus alunos tudo o que os possa perverter e que possa tornar nulos os seus
esforços para a boa formação das almas que lhes foram confiadas.
Há ainda um último ponto a observar. Enquanto o mal
encontra facilmente os elementos necessários para propagar e se infiltrar
através de publicações e de propagandas caríssimas, o bem luta com todas as
dificuldades. Por que não há boas revistas e jornais que propaguem as boas
doutrinas e assim coadjuvem os nossos professores?
Incompreensão dos católicos, demais preocupados com
a caridade corporal e esquecidos da espiritual? Talvez!...