Notícias
provenientes da França informam-nos das atividades das “Cadettes
du Crist J. C. S.”, que se
dedicam ao apostolado nos meios “grã-finos” da França. Já exercia, nesse país, o apostolado sobre os meios
rurais, operários, escolares, etc. Coroando esta obra, vemos também as elites
sociais beneficiadas pelo movimento restaurador. O fim que se procura por esse
apostolado não é, note-se bem, a extinção da alta sociedade ou da vida chamada
mundana, mas a santificação de ambas. Procura-se combater, antes de mais nada,
essa religião colocada ao lado da vida, dos projetos, dos hábitos familiares e
sociais, dos pensamentos e das conversas. Procura-se desfazer essa concepção
negativa da religião, “don't” dos ingleses; quer-se substituir essa pseudo-religião de restrições e constrangimentos pela
verdadeira Religião que é Vida, Alegria e perpétua Juventude.
Desejaríamos ver esse programa de apostolado instituído
aqui em São Paulo. Isso tem para nós uma atualidade palpitante. Vivemos uma
época de deliqüescência em que velhos troncos paulistas com raízes nas
bandeiras apodrecem pelo cerne, corroídos já pela desmoralização familiar, já
pela politicalha, ou ainda por uma certa preguiça
de viver que os vai estiolando aos poucos nuns
últimos rebentos que emboloram no parasitismo
barato das repartições públicas. Há um “déracinement” [perda das raízes] generalizado, uma fuga
do real, um abandono das tradições, uma obliteração de continuidade histórica;
a isso corresponde um refúgio vergonhoso no falso e na fantasia. É uma espécie
de entorpecimento depravado e suicida.
Enquanto isso, sobem os arrivistas. A cada família
com a genealogia em Pedro Taques substitui-se outra,
ainda cheia da brutalidade de origem. À aristocracia da Tradição, a plutocracia
endinheirada. Ao espírito de fineza, o espírito de ostentação.
O resultado será uma sociedade completamente plebeisada, e isso no pior sentido do termo, que nos levará
a uma sociedade homogênea na mediocridade, sem beleza e sem dignidade. Uma
sociedade sem “quid”,
“aplastada”,
informe. Será um rebanho regendo-se o máximo possível por leis mecânicas e
gregárias. É para essa sociedade de tipo mecânico com um mínimo qualitativo,
que pode existir aqui como em qualquer parte, e que poderá ser um albergue, mas
nunca um lar, é para essa sociedade que marchamos.
Como reagir?
A organização das “cadettes du Crist” em França, visando conquistar inteiramente para a igreja a
mocidade daquele país nas esferas do “grand monde”, dá-nos um exemplo digno de ser imitado de
como reagir contra a decadência moral e social das elites.
Adotam as “cadettes du Crist”
os métodos peculiares à Ação Católica: círculos de estudos, inquéritos e
documentações, bibliotecas especializadas, representações teatrais.
Cada grupo tem sua Presidente, Secretária,
Tesoureira, Zeladora das Comunhões e adorações, Zeladora das Missões e
Bibliotecária.
O trabalho dos “círculos
de estudo” consiste na resposta a inquéritos previamente distribuídos,
sendo a direção intelectual do movimento confiada aos Rev.mos
Padres diretores da revista “Études” (jesuítas), e a direção da parte de Ação
Católica a Monsenhor Courbe, Secretário Geral da A. C. em Paris.