O Rev.mo Pe. Walter Mariaux, S. J., Diretor do Secretariado Geral das Congregação
Marianas em Roma, publicou, sob o título acima, um volume que constitui o 1.º
opúsculo de uma série que pretende publicar acerca da formação dos Congregados Marianos.
Folheando a obra, embora rapidamente, percebe-se
sem esforço qual o motivo que levou S. E. o Cardeal Dom Sebastião Leme a escrever, sobre
ela, as seguintes palavras altamente significativas: “Louvando e abençoando a
oportuna iniciativa, com todo empenho recomendamos os “opúsculos de formação”
não só aos congregados Marianos, mas à mocidade em
geral, aos colégios e institutos de educação e muito particularmente ao clero
secular e regular”. É que, realmente, uma obra como esta fazia falta entre nós.
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É muito complexa a famosa “realidade brasileira”, tão complexa mesmo que muito poucos brasileiros tem
sabido escrever bem sobre ela.
Evidentemente, essa “realidade” é misto de várias
“realidades” parciais, em que ocupa lugar primacial a “realidade religiosa” brasileira. Como nossa
vida social, econômica ou política, também nossa vida religiosa é extremamente
complexa, e não raramente se verifica que a respeito dela observadores, aliás
muitos credenciados por seu talento e cultura, expendem conceitos unilaterais.
Lendo-se a obra que o Pe. Mariaux escreveu, e tomando
conhecimento da idéia central a que obedece, é-se
levado a supor que o distinto Sacerdote consultou vários e experimentados
Diretores de Congregação, antes de confeccionar o livro. Tão claro e profundo é
o conhecimento de nossa realidade em que o plano geral se estriba, e tantos são
os aspectos pelo quais ele corresponde as necessidades de nosso movimento
religioso e da alma de nosso povo que, segundo as aparências, o sábio Jesuíta
consultou vários Sacerdotes brasileiros antes de dar a lume sua publicação.
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O realismo do autor ressalta, logo na introdução,
da seguinte declaração: “Não é preciso explicar os motivos desta publicação. Em
poucos anos o movimento das congregações Marianas conquistou quase todo o
Brasil, contando hoje mais de 30 federações. Naturalmente, a formação interior
dos congregados não podia ser desenvolvida no mesmo ritmo”.
Entretanto, essa nota de austera objetividade se
tempera por esta bela reflexão: “o mesmo Espírito Santo, que suscitou com o
sopro animador este movimento de renovação religiosa no meio do povo
brasileiro, o Espírito de Deus, que todos os anos atrai novas fileiras de
jovens para a bandeira da Senhora Celeste, não tardará em levar a bom termo a
obra por Ele mesmo iniciada”. E, assim, confiante em Deus, o autor não olha
para as dificuldades que a realidade suscita senão para mais facilmente as
superar.
O título da obra é deveras sugestivo: “Na Família
de Deus”. Mostra ela que, membros da Santa Igreja, somos implicitamente membros
de uma grande família sobrenatural de que Deus é o Pai. Nesta família, a seiva
vital circula como em movimento de sístole e de diástole, análogo aos
movimentos cardíacos. De um lado, Deus projeta a graça sobre toda a Igreja, e,
do outro, os homens colaborando com o dom de Deus, retribuem a Este o
beneficio, mediante a uma cooperação generosa.
Estas graças consistem no renascimento espiritual,
que é o fundamento de toda a vida interior, nas graças de doutrina e de energia
sobrenatural. Mas não basta conhecer as graças. Torna-se, ainda, necessário
utilizá-las. É o que o autor ensina em uma importante parte de sua obra.
Finalmente, em cada parte se aponta a Santíssima Virgem como nosso modelo, e o
livro acentua fortemente que o santo Sacrifício da Missa é o centro de nossa
vida de família com Deus.
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Uma súmula tão substanciosa de assuntos como
preâmbulo e passo inicial de uma formação completa não pode deixar de
impressionar favoravelmente todos os Congregados Marianos.
De minha parte, tenho também como Presidente da
Junta Arquidiocesana da Ação Católica, uma palavra a acrescentar. Abomino -
pesei bem esta fortíssima palavra antes de a escrever - abomino de todo o
coração uma certa pseudo Ação Católica que, sob o véu de palavras de sentido
impreciso, como “ambiente vital”, “formação vital”, e outras coisas do mesmo
gênero, pretende fomentar uma formação espiritual conhecida inteiramente apenas
por um pugilo de iniciados, e que no fundo está em contradição com a doutrina
católica. Faz parte desse messianismo a afirmação, mais ou menos velada, de que
o espírito que as congregações marianas devem em tese
ministrar a seus membros é um espírito incompatível com o que deve ter um
membro da Ação Católica. Há nisto um erro. Congregados Marianos,
Oblatos, Beneditinos, Terceiros Franciscanos,
Dominicanos ou Carmelitas, Filhas de Maria, Membros do Apostolado de Oração,
todos eles, desde que possuem a genuína formação espiritual que recebem nas
respectivas associações, podem, depois de preparados pela Ação Católica,
construir nelas elementos de escol. Entre os espíritos próprios a cada uma
dessas associações e a Ação Católica, não há e não pode haver contradição. Do
contrário, os Estatutos da Ação Católica Brasileira, assinados por todo o
Episcopado e aprovados por Roma, teriam feito o mais monumental despropósito ao
colocar essas associações como auxiliares da Ação Católica. Realmente, como
seriam suas auxiliares se animadas de espíritos antagônicos?
Assim, não hesito em recomendar aos membros da Ação
Católica a leitura do livro do Rev.mo Pe. Walter Mariaux. Também eles, que devem primar no laicato católico
por sua formação, poderão ali encontrar os mais preciosos elementos de
santificação. A publicação do livro do Pe. Mariaux é
um grande serviço à Ação Católica prestado em dois sentidos: primeiramente,
porque também para os membros das associações fundamentais da Ação Católica
pode ele ser utilíssimo; e em segundo lugar porque, concorrendo para santificar
ainda mais uma tão grande e tão admirável milícia auxiliar como as congregações
Marianas, concorrem enormemente para aumentar as possibilidades de progresso e
de êxito da Ação Católica.