Aludindo à próxima conferência anglo-russo-americana,
um jornal soviético se manifestou indignado por haverem alguns órgãos da
imprensa aliada publicado que o problema dos limites russos e da organização
dos Balcãs seriam ventilados durante aquele conclave
político. Os limites dos Estados Unidos, bem como a situação da Califórnia não será discutido
nessa conferência: por que, então, discutir os da Rússia ou tratar dos
Balcãs, indagou o jornal soviético.
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Precisaríamos realmente ter chegado a estes dias de
escandaloso cinismo e completa confusão, para que um argumento tal, fosse
alegado em letra de forma. Os limites americanos não decorrem desta guerra, nem
podem ser alterados por qualquer operação militar em curso no momento atual. A
Rússia, pelo contrário, pode dilatar mais ou menos os seus limites, conforme o
maior ou menor progresso de suas forças. Quanto quererá reivindicar para si,
além da linha russo-polonesa de antes da guerra? O
problema interessa e interessa profundamente, tanto mais quanto a questão da
independência polonesa, de vital importância para todos os corações católicos,
está em jogo neste assunto. E a URSS não pode esquivar-se a tratar do assunto.
E quanto aos Balcãs, compará-los politicamente à
Califórnia é absurdo manifesto. A Califórnia pertence pacificamente aos Estados
Unidos. Os Balcãs constituem uma série de monarquias independentes. Os Balcãs
para a Rússia como a Califórnia para os Estados Unidos é fórmula que significa:
os Balcãs são uma colônia russa.
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Com isto, e com muito mais do que isto, pode
consolar-se sem dúvida o "arcebispo" protestante de York, que acaba
de regressar de Moscou.
Entra pelos olhos que se prepara uma imensa
ofensiva de confusionismo religioso, sob a capa de
"interconfessionalismo", para depois da
guerra.
O "interconfessionalismo" é um estado de espírito, um "morbus" do
sentimento, uma estratégia, uma doutrina que consiste em fazer abstração tão
completa quanto possível, dos limites que separam as várias religiões, a fim de
lançar a todas em uma obra comum de reconstrução e reerguimento
social, em que todas teriam iguais direitos, iguais tarefas, igual posição. Em
outros termos, "todas as religiões são boas", "todas as
religiões são verdadeiras", e outros chavões deste estilo, que a boca de
um católico consciencioso não ousaria jamais repetir, tomam corpo nesta
estratégia, nesta tendência, nestes frenesis sentimentais, e entram encarnados em opiniões e
atitudes erradas, em lugares onde, explicitamente expostos, jamais lograriam
acolhida.
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Ora, o "arcebispo" de York, tanto quanto
o "arcebispo" de Londres, ou o deão de Canterbury,
se dedicam a este proselitismo. Procuram uma aproximação entre as igrejas
cismática e protestante anglicana. O "arcebispo" de York acaba de
declarar que as duas igrejas vivem na mais perfeita camaradagem. Camaradagem!
Divergem em doutrinas, divergem em estrutura, divergem em tudo, mas são boas
"camaradas". Camaradas, como gente que não é séria, nada leva sério,
nem mesmo seus próprios princípios, e que, por sobre o escombro de todas as
coisas sérias, estende-se o véu pudico de uma fácil "camaradagem".
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E isto se chama
Cristianismo! E seria com um Cristianismo de tal maneira adulterado e
desfigurado a ponto de ser uma blasfêmia viva, que se quereria que nós,
católicos, apostólicos, romanos, houvéssemos de entrar, em contato para a
"construção da cidade futura"!
Um absurdo destes, uma
tão violenta colisão com a lógica, só poderia ser preparada nas oficinas de
erro do Ministério da Propaganda nazista, ou nas retortas do grande laboratório
de erros do Kremlin. Só de uma destas fontes poderia vir toxina tão funesta aos
ideais cristãos.
O cinismo é bem a nota distintiva
da heresia parda, como da heresia vermelha.
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E é precisamente por isto, que tem oportunidade,
cabimento, profunda razão de ser, uma "charge" espirituosa
publicada na "Folha da Noite", na semana p.p. pelo conhecido
desenhista "Belmonte". Trata-se de dois pequenos quadros justapostos.
O primeiro, encimado com os dizeres 1939, apresenta os ditadores soviéticos e
nazista trocando cortesias. Cada qual oferece ao outro uma pequena flor, às
ocultas, cada um tem na mão um punhal para vibrar no outro. No quadrinho seguinte, onde se lêem os dizeres "em
1943", a cena é diversa. Ambos os ditadores lutam com os punhais à vista.
E, com a outra mão, tem ambos ocultos uma florzinha,
que reciprocamente se oferecerão na primeira ocasião.
Passamos da fase da florzinha
para a do punhal. E talvez voltemos ainda, da do punhal para a da florzinha!