“E tendo
dito isto, um dos quadrilheiros que ali estava deu uma bofetada em Jesus,
dizendo: Assim respondes ao pontífice? -
Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dize-me em que; mas se falei bem, por
que me feres?" - S. João, XVIII,
22-23.
O “Legionário” julgou conveniente
autorizar a publicação deste trabalho, assinado por um de seus jovens
redatores.
Ele dissipará as nuvens levantadas
por uma exacerbação que é criada exclusivamente pela paixão, e mostrará que é
no terreno das idéias, e só nele, que o debate em torno de algumas proposições
do Sr. Jacques Maritain deve ser colocado.
As considerações pessoais desunem. A discussão serena une. Oponha-se texto a
texto, interpretação a interpretação.
Este artigo também aproveitará não
só aos apaixonados, mas aos displicentes. Não falta quem pretenda ajuizar sobre
este assunto, sem uma informação exata, taxando de perturbadores da boa paz
todos os que levantam uma questão. A verdade, dizia um Santo Padre, para ser
julgada, só pede ser ouvida. Antes de considerar inoportuna a questão, veja-se
no que ela consiste. Para tanto, pode ser excelente a leitura do presente
artigo.
O “Legionário” publicou recentemente um importante
estudo do Rev.mo Sr. Padre Arlindo Vieira S. J. sobre vários
conceitos expendidos por Maritain em sua obra "Les Droits de l’homme".
Inserindo em suas colunas este trabalho do ilustre
Sacerdote, esta folha não se colocou na atitude comum da imprensa, que impõe a
seus colaboradores a inteira e exclusiva responsabilidade por tudo quanto
tiverem assinado. O “Legionário” não é uma tribuna de debates de opiniões
diversas. Está de acordo com o Rev.mo Sr. Pe. Arlindo Vieira S. J. e, por isso
não só lhe franqueou suas colunas, mas se esmerou em dar a seu trabalho um
destaque proporcional à importância do assunto.
Como prevíamos, o trabalho do Rev.mo Sr. Pe.
Arlindo Vieira S. J. suscitou numerosas objeções. Destas, algumas - poucas,
aliás pouquíssimas - versaram sobre o
mérito da questão. Pensamos que o “Legionário” as deixará a cargo de seu
ilustre colaborador, que, com a autoridade, a cultura e o talento que todos lhe
reconhecem, sobre elas dirá talvez sua palavra. Outras objeções, porém - e
foram a grande, a imensa maioria - versaram sobre preliminares. Sem entrar nem
de longe na análise dos textos produzidos pelo Rev.mo Sr. Pe. Arlindo Vieira S.
J., consideraram sua atitude "a priori" injusta, infeliz e
prejudicial aos interesses da Igreja, porque Maritain fora "atacado em sua
honra de católico", porque foram postos em dúvida os ensinamentos do maior
filósofo cristão da atualidade, foi acoimado de herege um pensador
anteriormente distinguido com as maiores provas de confiança pontifícia, etc.,
etc.
Estas preliminares afetam, evidentemente, não só o
autor do artigo, mas o jornal que o publicou "scienter ac volenter". Não é, pois, demais que sobre elas
também diga uma palavra um redator do “Legionário”.
Fazemo-lo, não com o intuito de provocar ou
alimentar polêmicas, mas sobretudo para concorrer de algum modo para que o
assunto seja mantido na esfera de impersonalismo e serenidade em que
obstinadamente o conservou e conservará esta folha.
Antes de tudo, é preciso acentuar vigorosamente
que, consideradas em tese, as preliminares levantadas de nada valem.
A propagação de heresias ou de simples erros
doutrinários é um mal de caráter público, para a Igreja e para as almas.
Denunciá-las não é apenas direito, mas grave dever que recai, na Santa Igreja,
não sobre este nem aquele, mas sobre todos e sobre cada um.
Nas legislações antigas, havia certos criminosos
passíveis de pena capital. Quem os conseguisse apanhar, deveria eliminá-los
"in loco". Esta dura e
triste tarefa não incumbia, pois, exclusivamente à autoridade, mas a qualquer
cidadão. É esta a situação jurídica do erro, dentro da Santa Igreja. Quem o
descobre, tem a obrigação de o combater. O combate ao erro não é o monopólio de
ninguém, mas dever de todos e de cada um.
Antigamente, esta noção poderia causar espécie. O
laicismo tinha insinuado sub-repticiamente em imensas massas humanas a falsa
noção de que os interesses da Igreja só deveriam ser promovidos pelos Bispos,
Sacerdotes e religiosos. Hoje, com o desenvolvimento dos estudos sobre a Ação
Católica e sobre a Sagrada Liturgia, a imutável doutrina da Igreja nesse
assunto foi posta em uma evidência solar. O Santo batismo impõe e a Crisma
acresce a obrigação de fazer apostolado. Logo, de atacar o erro. O ataque ao
erro è, pois, tanto quanto a difusão da verdade por modo positivo, dever comum
de todos os cristãos católicos.
Definir doutrina compete exclusivamente à
autoridade eclesiástica. Descobrir, apontar, refutar aqueles que explicita ou
implicitamente, de modo direto ou por meio de conseqüências indiretas, negam
doutrinas certamente católicas, é serviço que a Autoridade Eclesiástica, no seu
nobre afã de impedir que a menor ou mais subtil sombra de erros se esgueire
entre os fiéis, tem o direito de esperar de todos.
Por isto bem [procedeu] por exemplo São Próspero de
Aquitânia, simples leigo no
Concilio de Orange, quando combateu o
semi-pelagianismo dos Monges de Marselha. E ninguém entendeu que São Próspero usurpava com isto
funções que não eram suas.
Isto posto, ainda que o Rev.mo Sr. Pe. Arlindo
Vieira S. J. tivesse chamado de herege o Sr. Jacques Maritain, nem por isto se
poderia dizer "a priori" que
ele andara mal. Se sua acusação fosse verdadeira, seria preciso aplaudí-lo. Se
falsa, lamentar seu gesto, e defender Maritain. O mal jamais poderia estar no
fato de se acusar a alguém de herege, mas em se acusar em falso.
Assim, a preliminar de se ter acusado Maritain,
como se qualquer acusação em si mesma fosse um mal, de nada vale. O mérito da
questão é tudo. É na luta em torno deste ponto nuclear, que se devem concentrar
os amigos de Maritain. O que não for isto será mera evasão...
O fato,
entretanto, é que não se trata de acusação de heresia. Esta palavra não foi uma
só vez mencionada no artigo do Rev.mo Pe. Arlindo Vieira S. J. Ele confrontou
textos com textos: textos da Santa Sé com textos de Maritain. Isto posto, a
controvérsia só pode girar sobre dois pontos:
1) se os textos estão bem reproduzidos;
2) se entre os de Maritain e os da Santa Sé a
oposição é real.
Não é herege quem erra, mas quem incide "scienter ac volenter" em erro
qualificado pela Igreja, ofício e expressamente como heresia.
O Rev.mo Sr. Pe. Arlindo Vieira S.
J., não entrou na análise destes erros, isto é, sobre se são heresias ou não.
Disse apenas que são erros.
Disse com razão? Sem razão? É esta a grande e única
questão, de que preliminares inconsistentes não nos podem manter distantes.
To be, or not to be...
A este respeito há uma opinião com ares de profunda
e criteriosa, que nada vale depois de bem pesada. Alega-se que é sempre melhor
aguardar o pronunciamento da Santa Sé. Ora, esta já se pronunciou pelos
documentos mencionados pelo Rev.mo Pe. Arlindo Vieira S. J., e não tem a menor
obrigação de reeditar toda a sua doutrina, sempre que alguém cai em erro. Sua
palavra vale para o passado e para o presente tanto quanto para o futuro.
Definindo um princípio, está feito o pronunciamento da Igreja até o fim dos
séculos, para todos os que de futuro o transgredirem.
E, de mais a mais, por motivos que pertencem à sua
sabedoria, a Santa Sé pode calar-se por longo tempo diante de um erro. Nem por
isto ficam os fiéis dispensados de o combater.
Em nosso século, não houve erro pior que o nazismo.
Entretanto, Pio XI levou muito tempo
para o condenar. Por que? Dí-lo o Sumo Pontifice na Encíclica "Mit Brennender Sorge":
"Todos aqueles, cujo espírito ainda não perdeu
totalmente o sentido da verdade, todos os que conservam no fundo do coração um
resto de justiça, hão de convir que, durante estes anos difíceis e repletos de
acontecimentos que se seguiram à conclusão da Concordata, cada uma de nossas
palavras foi pronunciada e cada um de Nossos atos foi cumprido sob lei da
fidelidade aos Tratados. E eles deverão verificar também, não sem espanto e
profunda reprovação, como do lado da outra parte contratante, uma interpretação
que falseava o contrato ou o desviava de seu fim, ou lhe arrancava o conteúdo e
terminava finalmente em sua violação mais ou menos oficial, se tornou a lei
inconfessada sob cujo império se agia. A moderação de que Nós demos prova,
apesar de tudo, não era inspirada em considerações de utilidade terrena, e
menos ainda por uma fraqueza inoportuna, mas simplesmente pelo desejo de não
arrancar com o joio, alguma planta preciosa; pela intenção de não julgar
publicamente antes que os espíritos tivessem compreendido a inelutável necessidade
desse julgamento e pela resolução de não negar definitivamente a lealdade de
outrem senão quando a irrefutável linguagem da evidência tivesse arrancado o
disfarce sob o qual se dissimulava o ataque lançado contra a Igreja".
Em outros termos, o Pontífice esperava que, à força
de se patentearem os males do nazismo aos olhos de todos, pudesse ser atacado.
Investindo contra o nazismo antes mesmo de ser
condenado pelo Papa, os fiéis apressaram o dia em que o Papa poderia falar.
Agiram bem. E teriam agido mal se, como basbaques, não penetrando os desígnios
da sabedoria pontifícia, tivessem esperado que Ele falasse primeiro.
Já à esta altura convém indagar do valor de outra
alegação: se os erros de Maritain não foram refutados em nenhum outro lugar,
será no Brasil que há de aparecer quem os descubra?
Aqui, sim, cabe uma preliminar. Será verdade que em
outros lugares os erros de Maritain não foram notados?
Para dar um só exemplo, mencionemos os excelentes
artigos publicados na "Revue
d'Ascetique et Mystique" em 1938. São uma réplica francesa ao pensador
francês...
Mas, levemos adiante o argumento.
O Rev.mo Pe. Arlindo Vieira S. J., é sem favor algum, um dos vultos de maior
projeção no Clero Brasileiro. A autoridade de seu nome é grande, não só nos
meios católicos, mas em todos os ambientes culturais e nas esferas oficiais do
País. Será que, pelo simples fato de ser brasileiro, não se pode ser o primeiro
a apontar erros na obra de um filósofo francês? Poderá haver tese mais
impatriótica?
Usa-se a fórmula "Maritain foi atacado".
Foram discutidas, impugnadas, refutadas as idéias de Maritain. Que se atacasse
o homem na sua vida privada, na sua honra pessoal seria lamentável. Que se
impugnem suas idéias, nada de mais
normal. Se não é para serem discutidas, para que então as publica ele?
Atacar Maritain como pessoa, repetimos, seria um
mal. Mas se atacar as idéias de Maritain é atacar Maritain, de duas uma: ou é
licito atacar Maritain; ou as idéias de Maritain são inatacáveis tanto quanto
sua pessoa.
Ora, o que é um indivíduo de idéias inatacáveis,
senão aquele a quem se cerca com os privilégios da infalibilidade?
Entramos aí no ponto nevrálgico da questão.
Maritain prestou à Igreja,
consideráveis serviços, reconhecidos não só pela Santa Sé, como pelo consenso
universal dos fiéis. Pela sua docilidade edificante à Santa Igreja Católica,
pela precisão admirável com que soube interpretar e expor o pensamento tomista,
pelo vigor com que demonstrou a incompatibilidade entre a filosofia de Bergson e o Catolicismo,
pelas qualidades intelectuais relevantissimas que demonstra em todos seus
trabalhos, ele se tornou o guia de imensas multidões de fiéis, que nele se
habituaram a ver, não só o porta-estandarte mais glorioso do pensamento
filosófico tomista em nossos dias, mas o doutor mais seguro, mais constante,
mais firme da escolástica hodierna.
Estes títulos são
sérios. Dão direito a muita consideração. Não seria, pois, sem razões muito
especiais, muito sérias, muito sólidas que se deveria romper em torno de
Maritain o ambiente de confiança e de admiração que tão justamente merecera.
Desde que, porém, tais razões existam, a ruptura se torna muito mais um dever
do que um direito: dever particularmente imperioso, em razão do perigo, criado
pela própria confiança depositada em Maritain. E, assim mesmo, em respeito
ainda ao mestre esses erros deveriam ser apontados por pessoa autorizada.
Concedemo-lo de bom grado.
Indiscutivelmente, o Rev.mo Pe. Arlindo Vieira S. J. é, dentro do
cenário brasileiro, pessoa inteiramente autorizada para tal atitude. Assiste,
pois, a qualquer jornal católico acolher os artigos do Rev.mo Pe. Arlindo
Vieira S. J.
De qualquer forma o talento, a cultura, os serviços
prestados à Igreja por Maritain não pode colocar suas idéias em situação de
intangibilidade. Intangibilidade eqüivale a infalibilidade. Respeitaremos
sempre, intransigentemente, a honra pessoal de Maritain. Mas na medida em que
isto não signifique o reconhecimento de foros de infalibilidade para ele. Pelos
serviços que prestou à Igreja, poderíamos até beijar-lhe as mãos, e isto "de grand coeur". Mas... "de grand coeur" também nós diremos,
e sempre, que ele está errado, desde que, bem pesadas as coisas diante de Nosso
Senhor, nos parecer que tal é o caso.
Beijaríamos as mãos de Maritain, repetimos. Mas,
sobre o falso dogma de sua infabilidade, tripudiamos. Entra aqui um argumento
especial.
Em seu livro "Humanisme Integral", o Sr. Jacques Maritain (págs. 26 e segs.)
expõe longamente a doutrina de que, nos tempos modernos, o homem, cedendo à
tendência antropocêntrica que marcara o fim da idade média e o início da nova
era, encaminhara para rumos também novos a sua vida espiritual. Tornara-se
"antropocêntrico", e a doutrina do teólogo jesuíta e espanhol Molina fora a expressão
mais característica desta tendência da espiritualidade moderna. Traçado
o quadro Maritain exclama: "Voilà
l'homme de l'humanisme chrétien des temps anthropocentriques : il croit en
Dieu et sa grâce mais il lui dispute le terrain, il reclame sa parte en fait de
première iniciative à l'egard du salut et des actes meritoires de la vie
eternelle, tandis qu'il entreprende de faire à lui seul sa vie et son bonheur
terrestres. Disons que le molinisme est la theologie du gentilhome chrétien de
l'âge classique, comme le jansenisme est la theologie du magistrat chrétien de
ce même âge. Mais à titre de signe representatif, il a une tout autre valeur.
Je ne sais pas si Molina était un grand theologien, mais je pense qu’au point
de vue culturel il est hautement representatif pour la civilisation moderne et
pour la dissolution moderne de la chretienté. Considerée doctrinalment cette theologie
humaniste mitigée était quelque chose d’instable. Elle devait logiquemente
laisser la place à une forme pure. Nous arrivons ainsi à ce qu'on peut appeler
la theologie humaniste absolut. C'est la theologie du
rationalisme".
Ora, ninguém ignora que a doutrina de Molina é
oficial da Companhia de Jesus, cujos membros fazem, todos, o compromisso de a
sustentar. É a espiritualidade oficial da Ordem.
Assim, dentro da Igreja Católica, como um câncer oculto, contagiado pelo espírito
humanista e naturalista, formou-se a teologia oficial da Companhia de Jesus,
teologia "altamente representativa para a corrupção moderna da
Cristandade". Essa doutrina tende para o racionalismo. E a Igreja Católica
aprova esta Ordem Religiosa, canoniza Santos formados segundo essa
espiritualidade. Mais, concede o título de "Doutor" a Santos que
seguiram a doutrina de Molina, como São Roberto Bellarmino e S. Francisco de
Sales, e se compromete com esse vírus corruptor do mundo
cristão contemporâneo até o fim! Curiosa "herosite", vendo heresias da Companhia de Jesus! Nem os Papas
escaparam a esse digno representante do
Santo Ofício!
Seria impossível atacar mais a fundo a Igreja,
todos os Papas que a governaram desde a fundação da Companhia até nossos dias,
etc. Só Clemente XIV teria sido um
Grande Papa.
Agora, pergunta-se: os que não pensamos assim,
poderíamos calar?
Amicus
Plato... amicissimus, poderíamos até dizer.
Sed magis amica veritas [Platão é meu
amigo, porém a verdade é mais minha amiga]
Quem toma tais atitudes, lança tais afirmações, não
pode ter a pretensão de não ser atacado, tem de renunciar ao privilégio da
invulnerabilidade. Assim, repetimo-lo mais uma vez reconhecendo tudo quanto há
de bom e de grande na obra de Maritain, isto não obstante, precisamos dizer a
verdade. E vamos agora a outro ponto.
Atacar as idéias de Maritain seria atacar sua pessoa. E, portanto, atacar as
idéias dos que discordam de Maritain seria atacar seus opositores.
E é coisa para que muitos não fazem cerimônia.
Discordar de alguma tese do mestre é atrair imediatamente sobre si uma campanha
pessoal de má vontade, de irritação, de verdadeira iracúndia. Em lugar de
dizerem no que se errou, irritam-se porque ousamos argumentar. E visam
imediatamente nossas pessoas: imprudentes, atrabiliários, briguentos, espíritos
de campanário etc., etc.
Curioso. Nós, então, podemos ser atacados à
vontade. Isto é licito, e até licitissimo. Atacar as idéias de Maritain é
ilícito.
Se a isto não se chama ter dois pesos e duas
medidas...
Mas, dir-se-á, todo este trabalho, fundado talvez
em doutrina, é inoportuno. Divide os fiéis.
E nós responderíamos que este trabalho os une. A
união sólida e séria entre os homens só pode provir de identidade de convicções
e princípios. E quando os princípios se desunem, o afeto imenso hoje, será
menor amanhã, transformar-se-á depois de amanhã em indiferença, e mais tarde em
hostilidade.
Devemos estar unidos, sim. Mas a que, a quem? À
Igreja, a Jesus Cristo. Só assim seremos unidos entre nós. O que nos desunir da
Igreja, de Jesus Cristo, desunir-nos-á uns dos outros.
Permitir que o erro se propague é fazer obra de
cizânia. E, mais uma vez voltamos à questão nuclear, a única a ser debatida no
presente caso: trata-se realmente de erros?
Uma última balela precisa ser desfeita. É a de que
Maritain e a Ordem Dominicana são uma só e única
coisa como uma só e única coisa seria em certos setores os exageros do
movimento litúrgico e a Ordem de São Bento.
Não aceitamos estes "tabus". Temos o
direito de nos dizer os maiores admiradores da ordem de São Bento, deplorando
embora os excessos do liturgicismo. Temos o direito de nos dizer grandes amigos
e ardentes admiradores da Ordem de São Domingos sem concordar com muitas das
idéias de Maritain.
E para isto temos um precedente que fala por tudo.
Conversamos com um dos maiores dominicanos de nossos dias, o Rev.mo Pe. Garrigou-Lagrange. De S. Rev.ma ouvimos que não concorda com muitas das
doutrinas de Maritain. Alguém, a quem contávamos isto, nos disse: "É que o
Pe. Garrigou não tem espírito dominicano.” "Hic taceat omnis língua"...
Resumamos: combatemos as idéias de um homem, e não
o homem: temos o direito de o fazer enquanto não provarem que estamos errados,
porque este homem nada, mas absolutamente nada tem de infalível.
É o que de sua parte teria que dizer o
“Legionário”, deixando ao ilustre autor do recente artigo contra as proposições
do Sr. Maritain (e não contra Maritain) a palavra, para responder, caso julgue
conveniente, às criticas que seu brilhante trabalho suscitou.