Inicia-se muito bem o ano cultural católico nesta
capital: no C.E.A.S. (Centro de Estudos e
Ação Social), organização feminina da Ação Católica, está se realizando um
curso de formação social e moral, professado pelos melhores elementos de nosso
meio pensante; para os moços, o Mons. Dr. Henrique Magalhães, da Arquidiocese do Rio de Janeiro, fará na próxima
semana três conferências na Igreja de Santa Cecília, a convite da Congregação Mariana dessa Paróquia. Grande
entusiasmo portanto pela cultura católica entre a nossa mocidade de ambos os
sexos, movimento inédito no Brasil para a procura de uma base de real valor
moral onde se assente solidamente o verdadeiro espírito novo reedificador de nossa sociedade e de nossa Pátria.
Revela a necessidade que sente a mocidade
brasileira de uma doutrina e de uma diretriz puramente espirituais que a
elevem, afastando-a do terra-terra de todos os dias, da aridez da concepção
materialista da vida. E é interessante notar-se que, enquanto os moços se
afastam dessa concepção, aspirando a horizontes mais externos e mais altos,
mestres há que a ela se entregam totalmente, anunciando-a e propagando-a como a
única esperança do Brasil. Veja-se o discurso de Fernando de Azevedo, ao encerrar os cursos do Instituto de Educação da Universidade de
São Paulo, a 4 do corrente, encarecendo que a Universidade deve
manter-se distante de todos os preconceitos e de todas as superstições “(sic)” e mais uma vez estabelecendo a
confusão entre o Naturalismo e a Ciência, ao endeusar esta última, como a única
que pode dar ao homem “o sentido da
solidariedade moral”, como a única que pode estabelecer os mais puros
sentimentos sociais.
Os que assim pensam, porém, passarão, como hão de
passar as doutrinas simplesmente humanas a que se filiam. E nesta “civilização em mudança”, a que o mesmo
Fernando de Azevedo se refere, só os verdadeiros valores serão capazes de
resistir à “rápida sucessão de situações
novas”, à “profunda revisão de
valores sociais”, à “ebulição
intelectual, feita de todos os
fermentos filosóficos, literários e científicos”. Esses valores só se
encontram no Catolicismo Romano. É por isso que este sobrenada
ao naufrágio de todas as doutrinas, e que, farol sempre iluminado, acolhe todos
os náufragos que não se entregam ao desespero e procuram a salvação. Só a
concepção cristã da vida possibilitará o renascer do mundo; e na verdade para
ela se dirigem todos os que sinceramente desejam que a justiça e a paz reinem
no universo.
Verificando, pois, que não é na “ciência”, como a concebe o naturalismo,
mas na moralidade, na vida espiritual intensa, que se há de encontrar o
bem-estar da humanidade, a nossa juventude procura as fontes de onde brotam as
palavras de vida eterna. Daí a volta ao Catolicismo nas organizações da
mocidade católica, daí o florescer da intelectualidade cristã alimentada em São
Tomás e nos clássicos do Cristianismo, daí o novo misticismo católico no
renascer da liturgia tradicional. De tudo isso é também um fruto o curso do
C.E.A.S. e a série de conferências de Mons. Dr. Henrique Magalhães. É a
mocidade que afirma o seu Catolicismo e que se prepara para o projetar no seio
da sociedade, escudada em seu valor e fiel ao seu ideal.