Há uma obra para nós católicos, a mais importante,
a mais urgente porque é fundamental à realização de todas as demais de uma
verdadeira ação social católica, à qual O “Legionário” dedica o mais vivo interesse
- a imprensa católica -, e dela vamos nos ocupar hoje.
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Quando todos os pensamentos políticos e quase todos
os filosóficos ou religiosos apresentam-se aos homens por intermédio de seus
órgãos de imprensa, vemos o Catolicismo lamentavelmente atrasado nesse campo,
pelo menos em nossa Pátria. Há na verdade diários católicos, que vegetam ou
pela indiferença dos católicos ou porque não se apresentam devidamente para
conquistarem o interesse público. Há o esforço imenso de uma multidão de
pequenos jornais e revistas, cada um útil no seu respectivo campo de ação onde
tem feito, e continuará sempre a fazer, o maior bem às almas.
Falta-nos entretanto o grande jornal, formador da
consciência social católica, construtor de uma sociedade que não será nova,
pois será apenas a volta, depois de vários séculos de erros liberais, à
sociedade informada pelos puros princípios do Catolicismo. E esta sociedade nem
poderá ser a coletivista, que pretendem os extremistas da esquerda, nem a
totalitária ditatorial que engloba no Estado todas as coisas, mesmo as que
ultrapassam os limites do próprio Estado. Esta sociedade será a sociedade
cristã, na qual, portanto, dar-se-á ao homem o seu verdadeiro valor de criatura
feita à imagem de Deus e por isso digna do maior respeito.
Não será o desaparecimento da personalidade humana
nos quadros do proletariado oficial ou nos agrupamentos feitos em função da
raça ou da Nação. Mas esta consciência social católica exige para sua formação
uma voz que todas as manhãs ande pelas ruas, que penetre em todas as casas, que
suba a todos os escritórios, que viaje em todos os veículos, que bata a todas
as inteligências, mostrando-lhes a perfeição da doutrina católica, os remédios
que ela aponta para os males sociais; o tipo de sociedade que ela preconiza; e
essa voz é o jornal.
Nós, os católicos, temos que nos render à evidência
da necessidade iniludível de uma imprensa católica organizada, de um grande
jornal católico capaz de guiar os espíritos com a luz da verdadeira doutrina,
que é a da Igreja infalível, para a moralização dos costumes, para a recristianização da sociedade.
Uma imprensa católica forte será a animadora de
todas as grandes obras de ação social católica e a maior inimiga dos abusos e
dos atentados da chamada imprensa neutra. Um grande diário católico será o mais
corajoso defensor das nossas instituições e tradições, e o mais perigoso
inimigo de todos os falsos doutrinadores e de todos os extremismos.
Em nossa terra, o início de uma grande imprensa
católica está à espera do apoio decisivo dos católicos para realizar o seu
ideal, para cumprir a sua missão.