Vamos tratar, na nota de fundo de nossa edição de
hoje, da mensagem presidencial que o Sr. Getúlio Vargas leu na inauguração
do Congresso Nacional. Causava-nos estranheza que, em situação política e
econômica tão grave, não tivesse tido S. Ex.a uma
única palavra de confiança naquela Providência Divina sob cuja tutela se
colocou o Brasil no preâmbulo de sua carta constitucional.
Se não é fácil compreender o Sr. Getúlio Vargas em
matéria política, é impossível decifrar o pensamento de S. Ex.a
em matéria religiosa.
Em família, parece que S. Ex.a
tem pendores protestantes, pois que deu a um filho o expressivo nome de Lutero.
Como deputado, parece que S. Ex.a
foi fiel a suas tendências, pois que conhecemos dele um bom número de discursos
parlamentares hostis ao ensino religioso.
Como ditador, mudou S. Ex.a de orientação. Terá contribuído para isto uma visão
mais larga das “realidades nacionais”, adquirida do alto da suprema
magistratura da Nação? Terá influído também, para tanto, alguma evolução
religiosa secretamente desabrochada no recesso de seu coração? Não o sabemos.
O certo, porém, é que - honra ao mérito - S. Ex.a assumiu, de [19]30 para cá, uma atitude de discreta
simpatia em relação às reivindicações católicas.
Não é, pois, sem estranheza profunda, que vemos o
silêncio profundo em que S. Ex.a deixa a Providência
Divina, num momento em que, mais do que nunca, seu auxílio onipotente nos é
indispensável.
A feição inesperada que tomaram os debates
parlamentares nos força, porém, reservar algum espaço para a promover desde já
um ajuste de contas com os católicos de meias tintas, pela atuação de dois de
seus representantes na Câmara Estadual.
Ninguém poderá negar aos Srs. Pacheco e Silva e Alfredo Ellis a qualidade de
deputados dos católicos de meias tintas, uma vez que sem os seus votos, não
teriam SS. Ex.as conquistado as poltronas da
Constituinte paulista, que ora ocupam.
Que tal lhes está sabendo àqueles que, no momento
da luta, foram mais armandistas ou mais altinistas do que católicos, a atitude tomada pelos dois
jovens parlamentares, na questão da eugenia?
Promovendo uma campanha em benefício da educação
sexual e da esterilização, cravam SS. Ex.as golpes
profundos na família, pois que a educação sexual, tal qual a pleiteiam Ss. Ex.as, destrói a família pela depravação da infância (pois
que é este o resultado talvez involuntário a que SS. Ex.as
chegarão com a educação sexual) e a esterilização impede a consecução do fim
primordial do casamento, que é a procriação.
O que vemos, pois, é que deputados eleitos com
votos católicos atacam a doutrina dos seus eleitores.
Os fatos vêm, pois, em abono do que sempre
afirmamos: que a atitude dos católicos que votaram em chapa completa, se não
foi incorreta, pois que a tanto os autorizou a Liga Eleitoral Católica, inspirada em justíssimos motivos, foi a expressão de uma
grande imprevidência no que concerne à causa da Igreja.