Depois dos inúmeros fracassos por
que tem passado em nossa Pátria, parece que o movimento socialista se apresenta
agora melhor organizado, mais ativo e mais revolucionário. É a Aliança Nacional
Libertadora que, disseminada já
em quase todo o Brasil, multiplica os seus esforços, organiza diretórios e
congrega elementos que vão desde os chamados socialistas moderados até os
congressistas mais vermelhos que são precisamente os chefes do movimento. E
entre estes destaca-se Luiz Carlos Prestes que é o seu chefe
supremo, como se depreende das declarações dos próceres da ANL os quais dizem “confiar nos ensinamentos do grande chefe”.
De qualquer maneira, ela
representa uma organização nitidamente revolucionária, inimiga da civilização
cristã e devemos estar prevenidos contra ela e contra seus manejos e
atividades, tolerados pelo maior ou menor “esquerdismo” de grande número dos
nossos homens de governo.
Se devemos estar prevenidos sobre
o perigo de um movimento socialista, sempre possível pelo desenvolvimento que
as idéias extremistas têm tomado em todos os meios, não quer isto dizer que
devemos esperá-lo para depois esmagá-lo em uma demonstração poderosa de força e
de sangue. De um lado, impõe-se agora uma ação governamental coibindo a
propaganda do mal, pois essa é sua função como guarda do bem público que é. De
outro, impõe-se um trabalho enorme de reeducação moral, que tem que recair
sobre os ombros de todos os que bem orientados se sentem capazes de contribuir
com sua parte para o bem-estar dos homens. E o mal que perturba a humanidade
não está tanto nos corpos como nas almas, é muito mais moral que material. É o
que no século passado dizia Luiz Veuillot, e que muito melhor se aplica aos tempos atuais, quando a
sociedade já chegou aos extremos que o grande pensador previa.
“A chaga
está nas almas; a estas é que deve ser levado o remédio. Não se trata de reprimir,
de aprisionar, de fuzilar; não se trata mesmo de organizar o trabalho dos
braços; trata-se de organizar o trabalho das consciências. Enquanto a sociedade
não fizer cristãos os homens que a perturbam, ela os terá como inimigos
encarniçados e implacáveis. O bem-estar material, embora realizado como eles o
pedem, não os moderará; do bem-estar moral que eles têm necessidade antes de
tudo. A grande fome de que eles sofrem, e que nada pode saciar, é a fome do
orgulho...”
“Estas
multidões que reclamam com tanta insistência o pão do corpo, têm principalmente
necessidade do pão da alma, que elas não reclamam e que não se lhes oferece. O
que elas querem não está no poder da sociedade conceder-lhe, pois o que elas
querem não é possível neste mundo. O movimento que as impulsiona é uma revolta
profunda contra a lei comum imposta à humanidade. Elas recusam o trabalho e a
miséria. É preciso livrá-las deste erro, ou preparar-se para ver a sociedade
perecer nas reações mais e mais violentas do despotismo e da anarquia. Que se
gastem, que se prodigalizem milhões, se se acham, é
preciso; mas todos estes sacrifícios serão em pura perda se não se der um
lenitivo à angústia moral das massas populares. Nenhuma prosperidade poderia
durar, nenhuma forma política poderia manter-se em meio a um povo embriagado de
cólera e de orgulho, entregue a falsos profetas que lhes prometem estabelecer
na terra o Reino de Deus, e que pelo Reino de Deus estão longe - certamente! - de
querer a lei de Deus”.
Eis Veuillot
apontando aos homens, aos Católicos principalmente, o grande trabalho da recristianização da sociedade para que se estabeleça a
verdadeira ordem. E esta vem primeiro dos próprios cristãos que devem viver
como tais, para que suas palavras sejam corroboradas pelo exemplo de suas obras.
E graças a Deus aqui, como em todo o mundo, a Ação Católica desenvolve-se a
grandes passos, como a propugnadora e organizadora da ordem social cristã, na
qual reine a caridade entre os homens de todas as classes, e como a antemural a que se chocarão as arremetidas da impiedade,
venha ela de onde vier, da anarquia ou da tirania.